O Dançarino de Tango: A história de um jovem empreendedor que transformou tombos em passos de dança
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Sobre este e-book
Brunno entrou de cabeça no empreendedorismo digital, sendo criador de diversas startups, reconhecidas como inovadoras, disruptivas e fadadas ao sucesso, na visão dos especialistas no assunto. Não foram. Apesar dos pivots, caminhadas, poses, cortes e tantos outros passos de tango que o autor usa como metáfora para as suas tentativas de chegar ao milhão desejado. Por isso, o livro tem o título tão apropriado quanto intrigante.
O Dançarino de Tango é mais do que uma lição de que é possível sobreviver após muitas crises e alcançar objetivos. Sua leitura pode ajudar muitos a buscarem os próprios desejos, empoderar aqueles que perderam a fé em si mesmos e motivar o surgimento de mais dançarinos.
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O Dançarino de Tango - Brunno Galvão
Brunno Galvão
O dançarino de tango
A história de um jovem empreendedor que
transformou tombos em passos de dança
Logo_Folio_Digital_verdeCopyright © 2018 Brunno Galvão
Copyright © 2018 desta edição, Letra e Imagem Editora.
Todos os direitos reservados.
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação de direitos autorais. (Lei 9.610/98)
Grafia atualizada respeitando o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Revisão: Priscilla Morandi
Foto de Capa: Nana Moraes
dados internacionais de catalogação na publicação (cip) de acordo com isbd
G182d
Galvão, Brunno
O dançarino de tango : a história de um jovem empreendedor que transformou tombos em passos de dança / Brunno Galvão. – Rio de Janeiro: Folio Digital: Letra e Imagem, 2018.
Inclui índice.
isbn 978-85-5473-019-2
1. Autobiografia. 2. Memórias. 3. Startup. 4. Tecnologia. 5. Negócios.
I. Título.
cdd 920
2018-1385
CDU 929
Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva - CRB-8/9410
Índice para catálogo sistemático: 1. Autobiografia 920
2. Autobiografia 929
www.foliodigital.com.br
Folio Digital é um selo da editora Letra e Imagem
tel (21) 2558-2326
letraeimagem@letraeimagem.com.br
www.letraeimagem.com.br
Este livro é dedicado a todas as mulheres fortes que tive o privilégio de conhecer. Aquelas que fizeram parte da minha vida, que me impulsionaram, que fizeram fagulhas virarem fogo intenso.
1
Eu
It takes two to tango
(Música de Al Hoffman e Dick Manning)
Muito prazer! Eu sou Brunno Galvão. Empresário, empreendedor e, acima de tudo, vendedor. Alguém que aos 19 anos decidiu que ia ter um milhão até os 30 anos. E conseguiu entre picos e vales – aos 25 devia 500 mil reais; oito anos depois, minha mais nova empresa foi avaliada em 13 milhões.
Minha história é feita de tentativas e de muitas quedas. Um espírito forte e joelhos flexíveis.
Há muitas formas de me definir. Meus pais diziam que eu era rebelde. Alguns podem achar que sou manipulador, e talvez tenham as suas razões. Se precisasse, porém, fazer isso em uma só frase, escolheria esta e em maiúsculas: SOU MESTRE DO MEU DESTINO, CAPITÃO DA MINHA ALMA.
Busco ampliar esta definição. Atualmente minha maior preocupação é descobrir quem realmente sou – e quem não sou. Análise tem sido fundamental neste processo. Escrever este livro também é uma forma de revirar o passado e remexer os fantasmas e vozes que me assombram, meus erros e acertos, meus amores e desilusões.
E talvez arrisque mais algumas definições para você me conhecer melhor desde já.
Michelangelo disse: Não faço esculturas; na verdade, elas sempre estiveram lá. Apenas retiro os excessos
. Na pintura, o artista encontra na tela em branco a inspiração para criar, construir a partir do zero. Venho me perguntando se sou um pintor ou um escultor e tendo a achar que tenho as características dos dois. Pensando bem, acho que sou mais escultor: enxergo uma oportunidade e retiro tudo à frente, o tal do excesso, e assim consigo viabilizá-la. E antes de você pensar que estou dizendo ser o Michelangelo do empreendedorismo, saiba que a modéstia nunca foi uma das minhas principais características. Não chego a tanto, porém.
Sou vilão ou herói? Até tento contar histórias bonitas sobre mim mesmo, porque, ciente das minhas intenções, recuso o papel de vilão – um papel que me foi destinado desde a infância pela minha família, que me escolheu como ovelha negra. Hoje percebo nos filmes o vilão como aquele que faz; o herói só reage. O vilão carrega a bandeira, tem a iniciativa, mesmo que seu intuito seja destruir o mundo. Como sou alguém que conduz e que não permite ser conduzido, OK, aceito então: sou o vilão. Apenas para esclarecer, embora eu antagonize o status quo, não quero destruir o mundo e quero deixar isso bem claro.
E quando o assunto é trabalho, sou um maratonista ou um velocista? Trabalho sempre esteve associado ao caminho pelo qual eu conquistaria os meus objetivos financeiros. Portanto, velocidade sempre foi importante. Planejamento, validação, correção, implementação, tudo isso muito rápido e cíclico, por isso me considero um velocista. Todas as vezes em que cheguei no momento da consolidação, as coisas degringolaram. Nesse momento faltava a energia, pois tudo tinha sido entregue nos primeiros 100 metros. Eu havia me preparado para a prova errada. Por isso, minha vida é tão cheia de picos e vales. Hoje busco o maratonista, e é difícil para um velocista se adaptar e entender que a explosão, o preparo, o fôlego e as passadas são completamente diferentes. Não quero ser o atleta errado para este tipo de competição, quero ter uma estratégia para o meu gasto de energia.
Sem metáforas, sempre fui um CEO executor, aquele que faz acontecer e tira a empresa do papel. Hoje busco as características que me levem à consolidação, a fazer a empresa crescer sem me tornar excessivamente temeroso aos riscos, o que acabaria prejudicando a busca por inovação que guiou toda a minha trajetória empresarial.
Mais do que nunca, estou disposto a escolher as brigas que quero vencer e as que estou disposto a perder.
E, voltando ao mundo da imaginação, das metáforas, do pensamento que voa, gosto de me considerar um dançarino de tango. Não que eu tenha alguma vez entrado em um salão e dançado de verdade. Mas na vida, confesso, precisei de parceiras, a quem enlaçava e elas geravam fagulhas imensas, fogos escaldantes, que me deram força e energia para enfrentar as provas de corrida, os trabalhos de escultor e a vida de CEO. E com elas fiz caminhadas, ganchos, pivots, cortes, varridas e tantos outros passos, com tudo terminando em uma grande pose: a dama arqueando suas costas, totalmente segura por mim, eu me inclinando também por cima dela. Gosto de me imaginar assim.
Definitivamente, sou alguém que, em vez de usar o clichê fazer limonada dos limões da vida
, prefiro dizer que fiz de todos os meus tombos belos passos de dança.
Agora que você me conheceu um pouco, posso convidá-lo a saber mais sobre as minhas tentativas, meus erros e acertos, minha carreira como empreendedor e a minha vida como um dançarino de tango. É sobre tudo isso este livro, que divido com você.
E quem sabe você se inspire e acabe cantarolando comigo o antigo sucesso de Louis Armstrong, It Takes Two to Tango
:
"There are lots of things that you can do alone /
But it takes /Two to tango, two to tango."
(Há muitas coisas que você pode fazer sozinho / Mas é preciso / Dois para dançar o tango, dois para dançar o tango.)
2
Helena
Um dia, quando minha mãe estava se separando do meu pai, fui deixado na casa da minha avó Helena. Meu irmão, um ano e sete meses mais novo que eu, ficou com a minha mãe por um tempo e eu me senti abandonado naquela casa em Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro, sem saber quanto tempo o exílio duraria. Já carregava uma culpa pela separação dos meus pais porque eles tiveram uma briga intensa no dia em que pulei de uma janela para a marquise de onde morava. Meu pai, aos berros, acusou minha mãe de não cuidar bem de mim e a conclusão dessa discussão foi a sua saída de casa. Eles tinham muitos motivos para se separar, mas por muito tempo me senti responsável pela ruptura.
Com cinco anos de idade, culpado, assustado, furioso, depois de alguns dias, que me pareceram uma eternidade, olhei para Helena e pensei: Se vou ficar aqui, tenho de conhecer esta mulher
.
Helena era uma mulher baixinha, 1,49m. Penso que, quanto menor a pedra, mais difícil de quebrá-la. E posso assim afirmar que ela era feita de um material aparentemente inquebrável. Era respeitada por todos. Ninguém levantava a voz para ela. Eu era o único que ousava enfrentá-la, mas, apesar da relação conflituosa, sempre tive enorme admiração por minha avó. Sei que ela não aturaria de ninguém minhas dúvidas, questionamentos e brigas. Desde pequeno, sempre ficou muito claro para mim que não há problema em discordar, e guardei isso pela vida. Lição aprendida em meu convívio com ela.
Durante muitos anos soube muito pouco sobre a minha avó. Fui descobrir a sua história por uma amiga dela, tia Vilma, que na minha infância morou na mesma casa. Minha avó veio de uma família muito humilde e casou-se com Jaime, um homem que escondia, embaixo dos belos ternos azuis que gostava de usar, a profissão um tanto inusitada que exercia: traficante de bebidas do Paraguai. Tinha até avião para isso. Jaime era possessivo, ciumento, não deixava Helena sair ao portão nem lhe dava dinheiro, só o necessário para as compras da casa. Não faltava nada, a casa era quase um palácio na Zona Norte porque ele preferia ser low profile. Minha avó, porém, não podia ter dinheiro para nada que fosse para ela, então foi se sentindo cada vez mais oprimida por Jaime. No dia em que descobriu do que ele vivia, colocou um fim ao casamento. Ele tentou subjugá-la de todas as formas; ela, que tinha sangue quente, ameaçou ir à polícia e se separou, ficando com a guarda dos três filhos: Wagner, Wani e Ana.
Ela saiu de casa com a roupa do corpo.
Helena não tinha profissão e foi trabalhar em uma escola, já que Jaime a deixou sem um tostão. A vida, que era pomposa, decaiu. Colocou o filho Wagner, que tinha tido pólio, em um internato – um assunto tabu na família. Ele, pelo resto da vida, ficou claudicante em todos os sentidos. As filhas, Ana e Wani, foram criadas com dificuldades, primeiro com a ajuda da amiga Vilma, com quem foi morar, depois pagando aluguel.
Nunca vi Helena se lamentando.
Rua Fernandes Marinho, 187 – este era meu endereço em Oswaldo Cruz. Curioso me lembrar.
Não tenho resposta até hoje se havia escolha para minha mãe. No fundo, acho que sim. Ficar longe dos filhos, então, teria sido uma opção. Minha avó acreditava que se caminhava na direção dos seus objetivos, principalmente pelo que renunciava. Imagino ter essa filosofia passado para a minha mãe. A renúncia à proximidade dos filhos permitia o foco na busca dos seus objetivos financeiros, que obviamente seriam direcionados para que tivéssemos mais do que ela teve.
Meu irmão Cláudio – que logo veio morar com a minha avó também – e eu estudávamos em um colégio particular na mesma rua. Minhas lembranças dessa época são em sépia, aquela tonalidade bem amarelada de fotos antigas. Minha avó não proibia de brincarmos na rua, mas até certa idade deixava a gente o dia inteiro de cueca para que não saíssemos do quintal. Ela trancava as portas do quarto para que não tivéssemos acesso ao armário. Morríamos de vergonha de sair na rua sem roupa. Um dia eu motivei meu irmão – vamos assim mesmo
– e fomos quase pelados pular na rua. A partir desse dia, Helena percebeu que a cueca não era mais um empecilho e achou melhor que colocássemos roupa para ela não passar vergonha.
Minha diversão era brincar de pique ou jogar bola com os meninos da rua. Embora não seja necessariamente uma diversão, constantemente eu me encontrava envolvido em brigas. Fui muito brigão. Na quinta série levei 18 advertências e duas suspensões, tudo por briga. Se xingasse minha mãe, minha avó ou meu irmão, o pau comia mesmo. Criança, na Zona Norte pelo menos, tinha mania de xingar a família. Coisa feia! Não era
eu quem começava as brigas que me envolvia, estranhamente eu tinha muito medo de
