Longe da crise do ensino médio: uma experiência exitosa na escola pública:: relatos de alunos e professores da escola de aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
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Longe da crise do ensino médio - Mariana Beatriz Mataluna Botelho
Editora Appris Ltda.
1ª Edição - Copyright© 2019 dos autores
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COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS SOCIAIS
Para Valen, nossa sempre amada platense
AGRADECIMENTOS
A minhas pequenas, Valen e Tarsi, os seus risos descontraídos, a paciência infinita, a explosão de fofura que trazem ao meu cotidiano.
Ao Adriano, guia lúcido e apoio firme, pelas prosas, pela abertura a novos olhares, pela cumplicidade e o amor de sempre.
Aos meus pais, Chepa e Ruben, que sempre estão ao meu lado.
À Glaucia, que me incentivou a levar adiante esta publicação e à Luciana que me acompanhou nos processos finais.
À Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e, em especial, a Marlene, que me gerou as melhores condições para que a pesquisa fluísse apropriadamente em cada visita à escola.
Aos estudantes que, com suas vozes e tempo disponibilizado, possibilitaram uma aproximação real ao ensino médio.
Aos gestores e professores, pelas importantes contribuições no processo de pesquisa.
À professora Margarida Maria de Andrade, pela conversa inicial que deu forma aos estudos de doutorado. Aos orientadores do doutorado em Buenos Aires, Alicia Méndez e Martín Unzué.
Aos amigos, primos e família, que, desde diferentes cidades, impulsionam e acompanham o meu crescimento.
PREFÁCIO
O que este livro revela deveria anteceder modificações do ensino médio, como a atual reforma e alteração legal dessa etapa educacional. Se antes fosse analisado esse ensino, sendo conduzido com professores bem preparados e condições adequadas, atendendo estudantes de origem sociocultural diversificada, ficaria mais claro que reorientações seriam possivelmente necessárias. Noutras palavras, para se atualizar o ensino médio seria preciso apreciar sua condução correta, antes de promover qualquer nova regulamentação.
Por isso, o que Mariana Mataluna realizou, a partir de sua boa experiência como pesquisadora estudando escolas em diferentes circunstâncias, é bem mais do que um estudo de caso. Não obstante faça análise de uma particular Escola de Aplicação, ela a precede com um histórico dessa etapa escolar, e consubstancia suas apreciações com depoimentos de estudantes, professores e gestores da escola estudada. Um objetivo geral é a defesa de uma educação que emancipe, valorize a diversidade e promova o convívio solidário, princípios hoje essenciais, diante da onda conservadora que quer limitar a autonomia de educadores e reduzir a dimensão social e cultural da escola básica.
Inicialmente, retoma-se um século de diretrizes educacionais, mostrando um longo embate entre progressistas e conservadores, em torno do confinamento do ensino obrigatório aos primeiros quatro anos, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1961, condicionando o prosseguimento escolar por meio de exame de acesso, o que só foi superado bem mais tarde, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, sinalizando a universalização de toda a educação básica. Também se mostra como outras legislações impactaram o ensino médio, como a Lei de no 5692 de 1971, que impôs profissionalização compulsória e desorganizou escolas que passaram a fornecer treinamento profissional superficial, sendo essa lei revogada uma década depois por conta de seu claro insucesso.
Os anos 1990 são mostrados como um período de reformas, que incluíram a criação do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, surgido como avaliação diagnóstica, para depois se tornar o exame vestibular nacional que é hoje. No século 21, a educação secundária passou por ampliação, recebendo fundos públicos como o Fundeb, mas também recente intervenção autoritária, como uma Medida Provisória de 2016 transformada em lei no ano seguinte, reduzindo disciplinas obrigatórias e segmentando novamente o ensino médio.
Faz-se em seguida um histórico, inicialmente, dos Colégios de Aplicação
atribuídos às licenciaturas das Faculdades de Filosofia, por decreto federal de 1946. As Escolas de Aplicação foram propostas nos anos 1950 pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), então dirigido por Anísio Teixeira, como anexos dos Centros Regionais de Pesquisa Educacionais, os CRPE, mais tarde transformados em Faculdades de Educação. Acompanha-se a evolução institucional da Escola de Aplicação na Universidade de São Paulo, preparando-se para formar professores para os diferentes níveis, adequando-se a princípios de gestão democrática e garantindo a diversidade socioeconômica dos alunos, com cotas para egressos de escolas públicas por meio de sorteio.
Na avaliação dessa escola, foram ouvidos estudantes, professores e gestores em dezenas de entrevistas ao longo de cerca de três anos. Os estudantes valorizaram além dos conteúdos
formativos, as habilidades e, os valores aprendidos, as atividades fora da escola e o companheirismo, reconhecendo nos professores o acolhimento social e afetivo. Talvez por conta da sua diversidade de origem, suas objeções são contraditórias, ora se queixando de excesso ora de insuficiência na exigência acadêmica, mas sempre valorizando a vivência social e cultural. Também se mostraram comprometidos com o ensino público, tendo muitos deles apoiado movimentos de reivindicação de seus professores.
A visão dos professores e gestores corrobora a dos estudantes, naquilo que distingue a escola de suas congêneres, mas aponta cortes de verbas, comprometendo investimentos. Nos depoimentos, os professores reconhecem um razoável desempenho acadêmico, considerada a diversidade do alunado, valorizam iniciativas de uma parte dos alunos na participação em projetos, mas apontam apatia de outros por conformismo ou acomodação. Revelam fazer acompanhamentos de trajetórias escolares e dar atendimentos a alunos com dificuldades específicas.
Na conclusão, mostra-se que a experiência da Escola de Aplicação constitui um exemplo especial de ensino público, por sua estrutura e sua composição do quadro docente, mas se reitera que a qualidade da educação nela recebida por estudantes de diferentes extrações sociais contesta a ideia de um ensino médio carente de sentido. E se fosse agora o momento para aperfeiçoar e diversificar essa etapa escolar, seria preciso reconhecer o que ela tem de adequado quando bem conduzida, para que a inovação não venha a comprometer o que tem de adequado. Enfim, mais do que mero estudo de caso, este livro constitui um depoimento necessário.
Luís Carlos de Menezes
Professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, colaborador do Instituto de Estudos Avançados dessa universidade e membro do Conselho Estadual de Educação em São Paulo.
APRESENTAÇÃO
O presente texto deriva de uma pesquisa que comparou realidades do Brasil e da Argentina¹, com foco na problemática do ensino médio e concentrou-se na análise de escolas secundárias dependentes de universidades públicas, as quais ainda conservam, para boa parte da opinião pública em geral, certo prestigio e excelência acadêmica. O trabalho de campo, por sua vez, concentrou-se em um grupo de ingressantes do ensino médio e em estudantes do último ano daquele nível de duas instituições, o Colégio Nacional da Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
No Brasil (como na Argentina e em outros países da região), a funcionalidade do ensino médio é constantemente questionada e o nível secundário é objeto de repetidas reformas que visam a sua adequação
aos tempos e exigências do mercado de trabalho. Por um lado, os índices de evasão escolar dos jovens no sistema público de ensino e as baixas notas alcançadas nos índices de avaliação da educação brasileira fornecem incessante munição a seus críticos e reformadores. Por outro lado, não se pode deixar de atentar para a crescente concentração e internacionalização da educação privada em nossos países, com todos os interesses, lobbies e grupos de pressão envolvidos.
Nesse contexto, pouco se fala dos casos bem-sucedidos do sistema público (no qual se destacam as escolas ou os colégios de aplicação dependentes de universidades) e das maneiras de expandir esses casos para o sistema como um todo. Em recente trabalho do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, essa questão é colocada de forma clara:
Outro problema aparente é a impressão que fica, após a divulgação dos resultados de avaliações periódicas, realizadas por diversas instâncias, nacionais e internacionais, de que o sistema educacional brasileiro é um completo fracasso. A generalização decorrente dos indicadores divulgados faz com que a aparência seja a de terra arrasada: não existiriam boas escolas, ou seu número seria quase desprezível. Não é o que efetivamente ocorre. Existem no país muitas escolas boas funcionando regularmente, realizando projetos de natureza diversa, tanto no setor público quanto no privado, entre as escolas leigas e entre as confessionais. Ao dar mais destaque ao desempenho negativo do que aos múltiplos exemplos de boas escolas, que precisam ser reconhecidos e amplificados, nos diferentes níveis de ensino, os programas governamentais alimentam uma política de terra arrasada, deixando de apoiar parceiros importantes na busca da melhoria do ensino. Reiteramos, portanto, que não é verdade que não existem boas escolas no país; o problema real a ser enfrentado é o de encontrar caminhos e estratégias para que as boas escolas sejam reconhecidas e sejam arquitetadas formas de articulação de ações coletivas, de modo a que seus exemplos possam inspirar outras escolas².
Nas sociedades de nossa região, os centenários privilégios de poucos e a selvagem segregação socioeconômica e espacial vigentes refletem-se, no caso particular da educação, na clivagem "sistema público versus privado", no acesso às melhores escolas por meio de caras mensalidade, na pretensamente isonômica meritocracia para ingresso no ensino superior e, posteriormente, acesso aos melhores e mais bem remunerados postos de trabalho.
Não será objeto desta obra apresentar o estudo comparado realizado na pesquisa mencionada, mas aproveitar as reflexões, análises e dados daquele trabalho sobre a problemática do ensino médio no Brasil e o papel, nesse contexto, das escolas ligadas às universidades públicas, com o objetivo de contribuir para o debate sobre um projeto de educação democrática, inclusiva e de qualidade, aspiração geral de qualquer sociedade, e cujo principal beneficiário, no caso latino-americano, seria a grande parcela da população que só possui como alternativa viável o sistema público de ensino.
LISTA DE ABREVIATURAS
Sumário
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
O ENSINO MÉDIO: UM NÍVEL EM CONSTANTE REFORMA
1.1 Uma breve história do ensino secundário no Brasil
1.1.1 O período colonial (1500-1822)
1.1.2 O período imperial (1822-1889)
1.1.3 O período da República e a ruptura de 1930
1.2 A expansão do secundário
1.3. O período de reforma do ensino médio
1.4 A educação secundária no século XXI
CAPÍTULO 2
AS ESCOLAS DEPENDENTES DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS – O CASO DA ESCOLA DE APLICAÇÃO DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
2.1 Os colégios e escolas de aplicação
2.2 A Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
2.2.1 Origens da EA-Feusp
2.2.2 Aspectos institucionais e de gestão
2.2.3 Alguns aspectos da infraestrutura da Aplicação
2.2.4 O Projeto pedagógico da Escola
