Avenida Feminilidades: mulheres trans e travestis em situação de rua em Manaus
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Avenida Feminilidades - Cássio Péres Fernandes
"Ela é diva da sarjeta, o seu corpo é uma ocupação.
É favela, garagem, esgoto e pro seu desgosto
Está sempre em desconstrução
Nas ruas pelas surdinas é onde faz o seu salário
Aluga o corpo a pobre, rico, endividado, milionário
Não tem Deus
Nem pátria amada
Nem marido
Nem patrão
O medo aqui não faz parte do seu vil vocabulário
Ela é tão singular
Só se contenta com plurais
Ela não quer pau
Ela quer paz"
"Ela tem cara de mulher
Ela tem corpo de mulher
Ela tem jeito
Tem bunda
Tem peito
E o pau de mulher"
(Linn da quebrada e Jup do Bairro – Mulher)
Agradeço às participantes desta pesquisa e a todas as pessoas que estiveram ao meu lado durante esta caminhada.
AS NOVAS AMAZONAS
Jaqueline Gomes de Jesus¹
Na multidão, olhando mil rostos, pensei em você (cadê?)
No salão de beleza, cortando o cabelo, pensei em você (laquê)
No show de Caetano, menino do Rio, pensei em você (Caê)
No clube, no meio do agito, pensei em você (dancê)
À noite, esperando dormir, pensei em você (por quê?)
(Trecho de Pra Você, de Cláudia Wonder)².
Não posso deixar de comentar, neste prefácio, sobre um aspecto em particular da minha última visita à cidade de Manaus, há mais de dez anos. Estava eu no glorioso Teatro Amazonas, no mesma frisa de um casal alemão, quando iniciamos uma conversa e comento que sou candanga. Eles me perguntam de imediato sobre corrupção.
Desde pequenos, nós que nascemos em Brasília aprendemos a lidar com esses estereótipos de estrangeiros, mesmo os brasileiros, acerca do povo que vive na Capital Federal. Foi uma importante oportunidade para esclarecer algumas questões para os dois berlinenses, que apesar de adorarem o Brasil, nunca tinham conversado de fato com uma pessoa brasiliense, o que de fato não é surpresa alguma. Eles reproduziam o que tinham ouvido de outros brasileiros.
É triste reconhecer, com uma constância desagradável, a ignorância dos nossos conterrâneos com relação a diversos aspectos de sua própria cultural nacional, porém, novamente, não é surpresa alguma. O que me incomodou profundamente nesse episódio foi testemunhar a reprodução por estrangeiros de informações dadas por nacionais, certamente em tom jocoso, que depreciam outros brasileiros.
Esse problema, relacionado ao lamentável complexo de vira-latas
, diagnosticado por Nelson Rodrigues, não é de hoje, é histórico, e ainda não foi plenamente curado, principalmente na classe dominante. Como professora, entendo que o desafio para educar neste país é estupendo, e não se restringe ao ensino de complexos modelos abstratos, ele começa em algo concreto e básico: a convivência.
Daí chego ao trabalho de Cássio Péres Fernandes, que me traz muita esperança, e honra o nosso saber-fazer em Psicologia, ao acompanhar, com sucesso, um trecho da heroica cavalgada das guerreiras amazônidas Almerinda, Geovana, Kelly e Vitória!
Essas novas amazonas resistem a toda estupidez e ódio, mas principalmente à ignorância dos próprios conterrâneos quanto a suas vidas, decorrente da falta de convivência, a qual nasceu da reprodução de estereótipos sobre a população trans, sua longa história e lutas.
Pelas ruas da Manaus contemporânea, o enfrentamento à transfobia estrutural, como no resto do país, tem recebido apoio dos demais movimentos sociais e da academia para o seu empoderamento, em termos de produção intelectual e reelaboração do pensamento construído sobre os próprios corpos e apesar de toda a carência imposta. A riqueza da contribuição das travestis e mulheres trans para essa cidade de Manaus, e por consequência para todo o Brasil, é inegável, mesmo que não esteja sendo reconhecida como merece.
Para além dos obstáculos, e a partir das margens, os olhares generosos das mulheres acompanhadas por Cássio nos alimentam e fortalecem, e acima de tudo, exigem um compromisso: o de que façamos todos a nossa parte, mesmo que pequena, para deixarmos de ser espectadores, e passemos a desempenhar algum papel, por menor e mais singelo que seja, para que as vidas trans sejam não somente respeitadas, como assuntos interessantes, mas, acima de tudo, que sejam valorizadas de fato, a partir de ações concretas e políticas públicas efetivas para a permanência qualificada no sistema educacional e a inclusão no mercado de trabalho formal da população trans.
Bairro da Glória, Cidade do Rio de Janeiro, em 22 de julho de 2020, há mais de 4 meses do isolamento físico, mas não social, decorrente da pandemia da COVID-19.
1 Professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB), com Pós-Doutorado pela Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV). Pesquisadora-líder do ODARA – Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura, Identidade e Diversidade (CNPq). Autora de dezenas de publicações, dentre elas o livro Transfeminismo: Teorias e Práticas
(Metanoia Editora, 2014), primeiro em língua portuguesa sobre o tema. Em 2017 se tornou a primeira mulher trans e negra a receber a Medalha Chiquinha Gonzaga, das mãos da Vereadora Marielle Franco, honraria concedida pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro a mulheres com reconhecidas contribuições sociais e culturais.
2 WONDER, C. (2008). Olhares de Cláudia Wonder: crônicas e outras histórias. São Paulo: Edições GLS.
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Créditos
MEMORIAL
INTRODUÇÃO
1. MARCO TEÓRICO
1.1 - GÊNERO, IDENTIDADE DE GÊNERO E TEORIA QUEER
1.2 - TRANSGENERIDADES FEMININAS
1.2.1 - Breve introdução histórica
1.2.2 - Transgeneridades: Nomenclaturas e Corpo
1.2.3 - Transgeneridades
1.3 - EXCLUSÃO E DESDOBRAMENTOS
1.4 - TRANSGENERIDADES FEMININAS: DA TRANSFOBIA À SITUAÇÃO DE RUA
1.4.1 - Transfobia
1.4.2 - Escola e Nome Social
1.4.3 - Saúde e Prostituição
1.4.4 - Situação de Rua
2. MARCOS METODOLÓGICOS
2.1 - TEORIA CONSTRUCIONISTA
2.2 - DISCURSO E PRÁTICAS DISCURSIVAS E PRODUÇÃO DE SENTIDO
2.3 - COTIDIANO E A PRESENÇA DO PESQUISADOR
2.4 - CONVERSAS INFORMAIS, DIÁRIO DE CAMPO E ESCRITA DE SI
3. PERCURSO METODOLÓGICO
3.1 - NATUREZA DA PESQUISA
3.2 - OPERACIONALIZAÇÃO
3.2.1 - Local da pesquisa
3.2.2 - Participantes
3.2.3 - Critérios de inclusão
3.2.4 - Critérios de exclusão
3.2.5 - Material e Instrumentos
3.2.6 - Procedimento para coleta das informações
3.2.7 - Procedimento para transcrição das conversas informais
3.2.8 - Procedimentos para a análise das informações
3.3 - CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
4. DIÁRIO DE CAMPO
4.1 - ALMERINDA
4.2 - GEOVANA
4.3 - VITÓRIA
4.4 - KELLY
5. ANÁLISE DOS RESULTADOS
5.1 - PALHAÇO DE NINGUÉM
5.2 - ELES TE BEIJAM DE NOITE E TE TRATAM MAL DURANTE O DIA
5.3 - TENHO MAIS AMOR NA RUA DO QUE EM CASA
5.4 - A DIRETORA ME CONSIDERAVA UM MONSTRO
5.5 - SE NÃO FOSSE AQUILO, NÃO TERIAM NADA
.
5.6 - EU NÃO VOU VENDER MEU CORPO POR QUATRO REAIS, NÉ?
.
5.7 - É UM VIADO MESMO, NÃO PODE VIVER EM SOCIEDADE, TEM QUE MORRER
.
6. O PESQUISADOR CIS NO COTIDIANO
CONCISDERAÇÕES
REFERÊNCIAS
APÊNDICES
Landmarks
Capa
Folha de Rosto
Página de Créditos
Sumário
Bibliografia
MEMORIAL
Minha vida na Psicologia se iniciou quando adentrei um consultório pela primeira vez, aos 15 anos de idade. Naquele momento ainda não tinha me dado conta do papel extremamente relevante que esta área desempenharia na minha formação pessoal e profissional. Iniciei um processo terapêutico em 2006, por conta de conflitos com a minha sexualidade na época. Confesso que a experiência foi um divisor de águas. Já me trouxe os benefícios da profissão desde cedo, consistindo numa porta de entrada para o autoconhecimento.
Progressivamente, fui e venho me tornando um ser mais pensante acerca das minhas questões pessoais. A terapia ainda me trouxe ganhos que refletem na minha vida até hoje, como a aceitação da minha homossexualidade e inclusão das minhas figuras parentais neste diálogo, que fez com que sempre conversássemos a respeito e desenvolvêssemos uma relação de respeito e aceitação; sou grato até hoje por isso. A oportunidade ainda me colocou de frente com o que seria o papel do terapeuta e o papel do paciente. Aprendi um pouco mais sobre uma das facetas que o profissional da Psicologia pode exercer e, de uma forma distante, eu me enxerguei ali.
Em agosto de 2011, estava eu, matriculado no curso de Psicologia da Faculdade Martha Falcão. Viver a Psicologia era uma realidade e eu não sentia nenhum peso com isso. Minha jornada de produção acadêmica se deu logo no ano seguinte, em 2012, fruto de um convite do professor Eduardo Honorato para que eu contribuísse para um artigo escrito para a revista Psique
sobre o filme Precisamos falar sobre Kevin
. Depois da publicação na revista comercial, acredito que tomei gosto pela escrita acadêmica.
Em 2013, aconteceria o Congresso Mundial de Saúde Mental, na Argentina e tive oportunidade de apresentar um artigo em comunicação oral ao lado de dois pós-doutores. Momento de muito nervosismo e ansiedade por ser minha estreia em congressos e ainda por cima, num evento de porte mundial! Deu tudo certo, ficamos os quatro membros sentados em uma mesa, e apesar de eu aparentar segurança do tronco para cima, minhas pernas não paravam de se mexer embaixo da mesa.
No mesmo congresso ainda pude levar a análise do filme Aos 13 (Thirteen, 2003)
, sob modalidade de pôster, trabalho acadêmico oriundo da matéria Desenvolvimento Humano, ministrada pela professora Raquel Floriano, que me incentivou a levar o trabalho para o congresso. Foi um evento de extremo aprendizado e enriquecimento pessoal e profissional, necessário para ganho de confiança para seguir adiante. A viagem foi composta por alunos e professores e se tornou uma das melhores vivências, formando amizades e laços que viriam a amadurecer com o tempo.
No mesmo ano, foi aberto um processo seletivo no Martha Falcão para realização de Pibic/Paic na Universidade Federal do Amazonas. Entusiasmado com a ideia, me candidatei e passei para receber bolsa da FAPEAM. Fui orientado pela professora Maria Alice Becker, com o tema de Altas Habilidades/Superdotação: Identificação de Alunos do Ensino Fundamental em uma Escola Pública da cidade de Manaus
. A parceria com a professora Maria Alice foi muito proveitosa e o PAIC foi completado com sucesso. Visitei escolas, conversei com professores, diretores, interagi em salas de aula e foi uma oportunidade para auxiliar no processo de desmitificação do que seria uma criança com altas habilidades na rede pública.
Em 2014, encerrei o PAIC, e iniciei meu primeiro estágio extracurricular em Psicologia, no CAPS III, com atenção voltada a usuários diagnosticados com transtornos mentais moderados ou severos. Foi uma experiência extremamente enriquecedora dentro do serviço público e fundamental, pois tive a oportunidade de desmitificar muitos preconceitos que eu mesmo tinha. Todos os momentos no CAPS foram valiosos, mas destaco os grupos de terapia com os usuários e o grupo de terapia com os familiares, que foram esclarecedores para praticar a empatia com esta díade. Ressalto, ainda, a oportunidade de ter presenciado uma equipe interdisciplinar em ação, agregando conhecimento à minha formação. Foram seis meses intensos.
Ainda naquele ano, tive a oportunidade
