Amie – uma Aventura na África:: Amie in Africa, #1
()
Sobre este e-book
Amie – uma Aventura na África:
Quando Amie embarcou no avião para a África, no intuito de começar uma nova vida de aventuras, ela não tinha ideia de que uma guerra civil estava se formando e que logo ela estaria lutando por sua vida e sendo pressionada ao limite de sua resistência.
Apenas uma garota comum, vivendo em uma cidade comum, com nada além de ambições comuns; Amie Fish se vê mergulhada em apuros quando seu marido é designado para um país do qual nunca antes ouviu falar. A capacidade de Amie de se adaptar e construir uma vida para si mesma, em Togodo equatorial, faz com que se coloque em mais problemas do que poderia ter imaginado; sua vida é ameaçada e tudo o que ela ama lhe é arrancado. Se Amie pudesse imaginar que um dia estaria totalmente perdida, lutando por sua vida e suportando horrores inarráveis, ela nunca teria pisado naquele avião.
Uma Aventura na África é o primeiro livro da série ‘Amie’ - vencedor de múltiplos prêmios internacionais e nº 1 em vendas em ambos os lados do Atlântico. De ingênua, dona de casa recém-casada, Amie enfrenta desafios e perigos que mudam suas crenças e seu comportamento muito além do imaginável.
Lucinda E Clarke
Lucinda E Clarke ha sido una escritora profesional durante los últimos 30 años, escribiendo para la radio y la televisión. Ha publicado numerosos artículos en varias revistas y actualmente escribe una columna mensual en una publicación local. Una vez tuvo su propia columna en el periódico, hasta que el periódico cerró, pero dice que no fue su culpa! Ha ganado más de 20 premios por el guión, la dirección, el concepto y la producción, y ha publicado dos libros de texto educativos. Lamentablemente, no le dieron la fortuna que soñaba, para permitirle vivir de la manera a la que le gustaría estar acostumbrada. Lucinda también ha trabajado en la radio - en una ocasión con una bayoneta en su garganta - apareció en la televisión y conoció y entrevistó a algunos de los principales líderes mundiales. Creó y dirigió su propia empresa de producción de vídeo, produciendo diversos programas, desde anuncios publicitarios hasta documentales corporativos y dramáticos sobre una amplia gama de temas. En total, ha vivido en ocho países diferentes, ha dirigido la "peor escuela de equitación del mundo" y ha limpiado retretes para traer el dinero. Cuando se ocupó de su propio divorcio, Lucinda hizo historia legal en Sudáfrica. Da ocasionalmente charlas y conferencias a grupos de interés especial y considera que la jubilación es la época más agotadora de su vida hasta ahora; pero dice que todavía hay mucho que ver y hacer, y le preocupa no tener tiempo para asimilarlo todo.
Outros títulos da série Amie – uma Aventura na África: ( 2 )
Amie – uma Aventura na África:: Amie in Africa, #1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAmie et l'enfant d'Afrique: Amie in Africa Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Leia mais títulos de Lucinda E Clarke
Mais verdade, mentiras e propaganda: verdade, mentiras e propaganda Nota: 0 de 5 estrelas0 notasVerdades, Mentiras e Propaganda Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAmie e a Criança da África Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Relacionado a Amie – uma Aventura na África:
Títulos nesta série (2)
Amie – uma Aventura na África:: Amie in Africa, #1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAmie et l'enfant d'Afrique: Amie in Africa Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Ebooks relacionados
Quimera Das Estrelas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNdura: Filho Da Selva Nota: 5 de 5 estrelas5/5Lobisomens e Curvas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Albatroz – O romance náutico da best-seller Adrienne Young Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO garfo, a bruxa, e o dragão: Contos de Alagaësia: Eragon, volume 1 Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Terra Das Bestas.: The Beastlands/A Terra Das Bestas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEnciclopédia das fadas de Emily Wilde Nota: 5 de 5 estrelas5/5A jornada Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs Mortos Não Mentem: Jogos Mentais, #3 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Meu Irmão é um Marginal Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Última Fronteira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Esposa Secreta Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOrelhas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFormigueiros, Elefantes e outros Fascínios... minha juventude na África Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mundo de Yesod Água Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNa fortaleza de espinhos (Vol. 2 Série Feras) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO silêncio das filhas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Cidadela Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAnne de Windy Poplars Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAndorra: Helena Brandywine, #5 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasContos com gigantes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma Odisseia Marciana e Outros Contos Nota: 3 de 5 estrelas3/5Chá com elefantes – Da autora da série Cris e o primeiro livro da série Amigas Pelo Mundo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasVidas Roubadas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA lanterna Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUm escritor no fim do mundo: Viagem com Michel Houllebecq à Patagônia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Amanhecer da Pantera do Sol: As Aventuras de Finen Ravenno: O Amanhecer da Pantera do Sol, #1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCriaturas Da Criptozoologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInca E O Mistério Da Espada Roubada: Diário De Uma Gata Curiosa Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPrimeiro eu tive que morrer Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Ficção de Ação e Aventura para você
O Conde de Monte Cristo: Edição Completa Nota: 5 de 5 estrelas5/5As Deusas Do Sexo E Da Guerra Nota: 0 de 5 estrelas0 notasXamã: Trilogia Xamanismo, #1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNovos vingadores - Motim! Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDom Quixote Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDesafio Nota: 4 de 5 estrelas4/5A volta ao mundo em 80 dias Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO HOMEM QUE QUERIA SER REI - Rudyard Kipling Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAlice no País das Maravilhas: Por Monteiro Lobato Nota: 5 de 5 estrelas5/5Ninguém me ensinou a morrer Nota: 5 de 5 estrelas5/5A filha do jardineiro: uma história sobre jornada, descobertas, aventura e identidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLoko Sempai: Volume 01 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO vento nos salgueiros Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAuthenticGames: A batalha da Torre Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO arquivo secreto de Sherlock Holmes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Bárbaro da Ciméria Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs três mosqueteiros Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO enigma da Bíblia de Gutemberg Nota: 4 de 5 estrelas4/5O MUNDO PERDIDO - Conan Doyle Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTHANOS: Sentença de morte Nota: 5 de 5 estrelas5/5CANINOS BRANCOS - Jack London Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHarry Potter e as Relíquias da Morte Nota: 4 de 5 estrelas4/5O Pequeno Príncipe. Edição Especial Ilustrada Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO rei corvo (Tudo pelo Jogo Vol. 2) Nota: 5 de 5 estrelas5/5Contos gauchescos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFim dos dias – Fim dos dias – vol. 3 Nota: 5 de 5 estrelas5/5A ilha misteriosa Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDe volta à Atlântida Nota: 0 de 5 estrelas0 notasWild - Motoqueiro Selvagem (Dark Riders Moto Club #1) Nota: 1 de 5 estrelas1/5
Avaliações de Amie – uma Aventura na África:
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Amie – uma Aventura na África: - Lucinda E Clarke
Também por Lucinda E Clarke
THRILLER PSICOLÓGICO
A Year in the Life of Leah Brand
A Year in the Life of Andrea Coe
A Year in the Life of Deidre Flynn
A year in the Life of Belinda Brand
FICÇÃO
Amie – uma Aventura na África
Amie and the Child of Africa
Amie Stolen Future
Amie Cut for Life
Amie Savage Safari
Samantha (Amie backstories)
Ben (Amie backstories)
MEMÓRIAS
Walking over Eggshells
Truth, Lies and Propaganda
More Truth, Lies and Propaganda
The very Worst Riding School in the World
HUMOR
Unhappily Ever After
Para meus leitores
Este livro é para aqueles que conhecem e amam a África e para aqueles que gostariam de aprender mais sobre este incrível continente. É também para todos aqueles amigos incríveis que me deram as boas-vindas nos vários países que se tornaram o meu lar, e que tanto aprendi a amar.
Mesmo depois de dez anos de volta à Europa, sinto saudades da ampla savana aberta, das majestosas florestas e das elevadíssimas montanhas. Sinto falta dos rostos sorridentes, da hospitalidade que é uma segunda natureza das raças africanas, dos mercados movimentados e dos arranha-céus nas cidades.
Graças ao melhor marido do mundo, que mais uma vez aguentou firme durante o tempo em que fiquei grudada ao teclado, e àqueles amigos e colegas autores que, como sempre, são uma inspiração.
Embora você possa deixar a África, uma parte da África nunca deixará você.
Espanha 2021
Índice
PRÓLOGO
1 UM MOVIMENTO INESPERADO
2 BEM-VINDOS A APATU
3 INSTALANDO-SE
4 PRETTY, CARRAPATOS E ANGELINA
5 VISITANTES E UM SAFARI
6 FÉRIAS COM A FAMÍLIA
7 UMA VISITA DO CORONEL
8 BICICLETAS E MÁQUINAS DE COSTURA
9 PROPAGANDA PARA A FEIRA DE COMÉRCIO
10 UMA FIMAGEM HORRENDA E UMA VISITA
11 UMA FILMAGEM E OS CONTOS
12 NENHUM LUGAR PARA ONDE CORRER
13 CAPTURADA
14 TERRITÓRIO PERIGOSO
15 OS NANICOS
16 DE VOLTA À REALIDADE
17 O RETORNO
18 APATU E ALÉM
SOBRE A AUTORA
PRÓLOGO
Vieram buscá-la, logo depois que os primeiros raios do sol começaram a cair sobre as colinas distantes, derramando-se pelas encostas rumo ao sopé. No início, os raios suaves aqueceram o ar, mas à medida que o sol se erguia mais alto no céu, produzia um calor abrasador, que atingia a terra com energia implacável.
Ela os ouviu se aproximando, seus passos ecoavam alto pelo chão de concreto desnudo. Enquanto os pés em movimento se aproximavam, ela se encolhia o máximo que podia e tentava respirar bem devagar para fazer deter seu coração acelerado. Não, por favor, de novo não, ela sussurrou para si mesma. Ela não aguentaria muito mais. O que eles queriam? Bateriam nela, de novo? O que esperavam que ela dissesse?
Não havia nada que pudesse contar a eles, ela não guardava segredos. Sabia que não aguentaria mais dor; cada parte de seu corpo doía. Quantos filmes tinha visto em que pessoas eram chutadas ou espancadas? Nunca teria entendido a verdadeira dor, a verdadeira agonia que até mesmo um único soco poderia infligir no corpo. Agora tudo o que ela queria era morrer, escapar da tortura e cair no esquecimento.
O cara grande e gordo foi o primeiro a aparecer do outro lado da porta. ela sabia que ele era importante, porque a trança de ouro, as medalhas, as faixas e insígnias em seu uniforme diziam a todos que ele era um homem poderoso, um homem com o qual seria muito perigoso cruzar o caminho. ele estava acompanhado por três outros carcereiros, também uniformizados, mas com menos condecorações.
Destrancaram a porta velha e enferrujada da cela e o sujeito magro se aproximou e a arrastou para que se colocasse de pé. Ele a afastou dele, girou-a e amarrou seus pulsos atrás das costas, com uma longa tira de tecido de algodão sujo. Ela se contraiu de dor quando ele puxou o pano com força e logo a empurrou em direção à porta. Os demais recuaram enquanto a empurravam para o corredor e subiam a escada para o andar térreo.
Ela pensou que eles iriam virar à esquerda, em direção à sala onde a fizeram sentar por horas e horas em uma pequena cadeira. Gritaram e se irritaram quando ela não conseguiu responder às suas perguntas. Isso os enfureceu, e então bateram nela novamente.
Ela perdeu a noção do tempo que esteve aqui; haviam sido alguns dias ou várias semanas? Enquanto entrava e saía da consciência, ela havia perdido todo o senso de realidade. Sua vida anterior era um borrão, e era tarde demais para marcar as paredes da cela para registrar quanto tempo a haviam mantido presa.
Desta vez, no entanto, eles não viraram à esquerda. Viraram à direita no topo da escada e a levaram por um longo corredor em direção a uma abertura na extremidade oposta. Ela podia ver a luz brilhante do sol refletindo nas paredes brancas e sujas. Por um breve momento, teve uma sensação repentina de euforia. Eles iriam libertá-la!
Ela podia ouvir sons e gritos abafados, vindos da rua do lado de fora. Era surreal, havia pessoas tão perto da prisão cuidando de suas vidas cotidianas. Do outro lado da parede, os fornecedores matutinos que traziam produtos das áreas vizinhas estavam negociando os preços com os feirantes do mercado, gritando e argumentando a plenos pulmões. Nenhum deles estava ciente dela, de sua dor ou desespero. Mesmo se soubessem, não teriam dado a ela um segundo de seus pensamentos. Por que deveriam se importar? Ela não pertencia a este lugar. Apenas alguns anos atrás, ela nunca tinha ouvido falar deles ou de seu país. Os sons que pairavam sobre a parede, e que antes eram tão estranhos, tornaram-se comuns, depois esquecidos e agora relembrados. Ela era consciente da agitação diária e do barulho do mercado, das cabras berrando, as galinhas grasnando, os gritos das crianças e o balbucio de vozes. Mas todos aqueles sons poderiam estar a um milhão de quilômetros de distância, pois estavam muito além de seu alcance.
A esperança chamejou por um instante. Seus captores perceberam que ela era inocente. Nunca a acusaram de nada sensato, e ela ainda não sabia por que havia sido presa, não havia feito nada de errado. Seus pensamentos se descontrolavam, enquanto tentava se convencer de que o pesadelo finalmente tinha acabado.
Todas as portas a ambos os lados do corredor estavam fechadas, ao tempo em que eles meio que a carregavam, meio que a arrastavam em direção à abertura na arcada, já no fim do trajeto. Quanto mais se aprox-imavam, contra toda a razão, suas esperanças cresciam e cresciam. Eles iriam libertá-la. Ela estava indo para casa.
Enquanto a empurravam pelo portal aberto, ela comprimiu os olhos contra a luz forte, mas quando os abriu, tudo o que viu foi um pátio vazio, cercado pelos três lados por altos muros. Enquanto olhava ao redor, ela podia ver que não havia saída levando que levasse ao mundo exterior.
Então, ela viu a estaca no chão do outro lado, e brutalmente a arrastaram em direção a ela. Pensou em tentar resistir, mas estava muito fraca, sentia muita dor. Era difícil andar, então ela se concentrou em colocar um pé na frente do outro, determinada a não dar aos soldados ou policiais ou quem quer que fossem, qualquer satisfação. Ela demonstraria tanta dignidade quanto pudesse.
O magricela a empurrou contra o poste, tirou outro pedaço comprido de pano de lençol do bolso e o amarrou em volta do peito dela, prendendo-a com firmeza na madeira. Ela olhou para o chão horrorizada ao ver grandes manchas marrons na poeira.
Não seria libertada; este era o fim. Ela fechou os olhos com força, determinada a não deixar que as lágrimas escorressem pelo seu rosto. O som de pés se deslocando a forçou a abri-los novamente. Mais quatro homens, todos vestidos com uniformes marrons, com aquelas armas já-bastante-familiares, alinharam-se do outro lado do pátio de frente para ela. Formavam um grupo de aparência rude, com seus uniformes mal ajustados e manchados, e suas botas sem polimento e cobertas de poeira.
Ela tremia todo o corpo. Não sabia se devia manter os olhos abertos para ver o que estava acontecendo ou fechá-los e fingir que tudo era um sonho terrível. Estava dividida. Metade dela queria que tudo acabasse naquele instante, mas outra metade queria gritar, 'deixem-me viver!! Por favor, por favor me deixem viver!!'
O homem grande e gordo bradou comandos e ela ouviu o som de armas sendo abertas, enquanto ele caminhava até cada um deles distribuindo a munição; então, com as travas de segurança em posição de fogo, eles se prepararam para atirar.
Para seu horror, ela sentiu um fio quente de líquido escorrendo pela parte interna de suas coxas. Neste último momento, havia perdido tanto seu controle quanto sua dignidade. Nem sequer lhe ofereceram uma venda, então ela fechou os olhos novamente e tentou se lembrar de tempos mais felizes, antes de que o pesadelo tivesse começado. Brevemente, olhou para as poucas nuvens brancas e almofadadas que flutuavam bem alto no céu, quando a ordem de fogo foi dada.
1 UM MOVIMENTO INESPERADO
O dia do casamento transcorreu sem contratempos, e Amie, completando vinte e sete anos no verão, não conseguia acreditar que tudo tinha corrido tão bem. Não é como se ela esperasse que um 747 fizesse um pouso de emergência no meio do adro da igreja, ou que o tio Oswald ficasse bêbado antes da cerimônia, mas ela havia se preocupado pra valer, por semanas, com a possibilidade de que algo terrível pudesse acontecer. Sua mãe sempre brincava com ela dizendo que ela se preocupava demais com tudo, mas o fato é que no dia do casamento, o sol brilhava em um céu azul claro e quase não soprava uma brisa. Não, nada deu errado, mas aquilo foi apenas a calmaria antes da tempestade. A vida logo daria uma guinada abrupta e o destino restauraria o equilíbrio.
Ambas as famílias aprovaram suas novas relações e, no dia em que Amie e Jonathon trocaram seus votos, amigos e parentes de ambos os lados haviam se mesclado bem e também se divertido. Até mesmo o pai da Amie se parabenizava em segredo. A conta do bar sairia bem abaixo do esperado, em parte graças às leis contra bebidas alcoólicas. Sim, todo o planejamento e o tempo gasto na preparação do grande dia da Amie valeram a pena.
Até o momento, os maiores dissabores tinham sido os dramas habituais: encontrar o local adequado, os vestidos perfeitos para a Amie e as damas de honra, e compilar a lista de convidados. Amie e Jonathon haviam decidido que eles mesmos pagariam a maior parte do casamento; dessa forma, tiveram controle sobre o evento com o mínimo de interferência das famílias. Isso custou uma boa parte de suas economias, mas a Amie sentiu que valia a pena e Jonathon ficou muito feliz em poder concordar.
Quando todos ergueram suas taças para brindar aos noivos, a vida, até o momento, havia sido exatamente como a Amie havia imaginado. Agora, tudo o que ela precisava fazer era equilibrar sua carreira com sua nova família e, de alguma forma, ela administraria tudo isso tão bem quanto possível. Outras mulheres já haviam lidado bem com isso e não havia razão para que todos os seus planos futuros não funcionassem com a mesma perfeição.
Embora Amie sempre tenha desejado casar e ter uma família em algum instante de sua vida, ela não se considerava somente uma permanente dona de casa e mãe. A ideia de estar amarrada ao fogão, descalça e grávida na cozinha não a atraía de forma alguma. Para começar, ela gostava de seu trabalho e esperava uma promoção em um futuro bem próximo. Sempre sonhou em trabalhar na indústria da televisão, mas depois de estudar por três anos na faculdade técnica, descobriu que era uma indústria que já contava com um excesso de subscrições, com centenas de 'aspirantes' a Steven Speilbergs e Richard Attenboroughs!
Seguindo então o conselho de um de seus professores mais jovens, depois de três anos trabalhando em uma variedade de empregos temporários, ela acabou conseguindo um emprego como recepcionista em uma produtora de vídeos que fazia inserções curtas para televisão, lançamentos de produtos e programas de treinamento para grandes empresas.
‘Este é o caminho para a indústria’, disseram a ela. ‘Busque seu caminho rumo ao topo, aprenda como as coisas são feitas por dentro e torne-se indispensável. A marca de um diretor prospectivo e bem-sucedido é saber como enrolar os cabos corretamente e como fazer uma boa xícara de café, especialmente quando todos ao seu redor se encontram desfalecidos pela falta de sono.'
Assim sendo, desde seu primeiro dia, Amie se sentou atrás de sua mesa na área da recepção e não apenas atendia o telefone, levava mensagens e cumprimentava os visitantes; ela também se oferecia para ordenar as fitas, ajudar a encontrar acessórios de cenas, localizar livros e fazer contato com as agências que forneciam atores e extras. Geralmente era frustrante para ela, uma vez que já sabia muito bem como operar uma câmera e como editar, mas, pelo momento, tinha que assistir todos os outros sair correndo para as filmagens, enquanto ela ficava presa a uma mesa na recepção.
Nos três anos, desde que ela esteve ali, nenhuma promoção apareceu no horizonte, mas ela estava esperançosa de que lhe seria oferecido o cargo de secretária de produção quando a atual garota saísse de licença maternidade.
Pelo lado social, ela conhecia o Jonathon desde os tempos de escola. Quando ele foi para a universidade para estudar engenharia, ela teve alguns encontros, algumas amizades casuais, mas ninguém significava tanto para ela quanto ele. A cada período de férias, eles passavam juntos todos os momentos livres e, logo depois de se formar, Jonathon tirou mais um ano para completar seus estudos. Amie ficou desapontada por ele ficar longe por ainda mais tempo, porque o curso foi realizado em outra faculdade muito mais ao norte e ele não voltava para casa durante as férias habituais. Ela temia que ele conhecesse outra pessoa e se preocupava quando não tinha notícias dele por várias semanas. Nunca admitiu seus temores para o Jonathon, mas então ele voltou e conseguiu um emprego em sua cidade natal com uma empresa que projetava e instalava usinas de dessalinização; e em um instante tudo era como se eles nunca tivessem se separado.
Não demorou muito para que decidissem se mudar das casas de seus pais e conseguir um apartamento juntos; e durante os últimos três anos suas vidas tinham sido realmente muito boas.
Amie tinha percebido que até então a vida havia transcorrido exatamente como planejado? Para ser honesta, não era um plano tão empolgante, não é mesmo? Claro, como tantas garotas, ela sonhava em ser a primeira bailarina da Companhia Royal Ballet, mas com o tempo mudou de ideia. Começaria a montar cavalos, ganharia as Olimpíadas e apareceria na primeira página dos jornais do país. Ou talvez se tornasse uma atriz e ganhasse uma ovação de pé, bem como críticas favoráveis por sua interpretação de Ofélia em Hamlet.
Mas, como muitos de nós, ela voltou para a terra e percebeu que levaria uma vida normal na cidade onde havia nascido e, enquanto fosse feliz, isso era tudo que ela poderia esperar. Parte do plano seria que o Jonathon a pedisse em casamento, o que ele fez, e a outra parte do plano seria que a Amie aceitasse, o que ela também fez.
Os pais de ambos haviam nascido em Castle Bridge, tiveram seus filhos no Hospital de Castle Bridge e esperavam ser enterrados no Cemitério de Castle Bridge. Enquanto os pais da Amie davam aulas na faculdade técnica local, a família do Jonathon era dona de uma pequena rede de lojas de ferragens.
Então, fazendo-se justiça à Amie, ela mais ou menos havia aceitado aquele mesmo futuro. Ela não ansiava por horizontes distantes, era feliz do jeito que as coisas estavam.
A irmã mais velha da Amie, Samantha, já era casada com o Gerry, quem trabalhava para o conselho local. Eles tinham dois filhos, Dean e a bebê Jade, e também moravam na periferia da cidade. Amie costumava fazer o papel de babá e gostava de passar o tempo com sua pequena sobrinha e seu sobrinho; muito embora ela e Jonathon tivessem decidido esperar mais alguns anos antes de começarem sua própria família.
Eles já haviam começado a economizar para fazer um depósito em alguma casa; talvez na nova propriedade que estava sendo planejada ao sul da cidade, grande o suficiente para o casal feliz e os dois filhos que teriam.
Mas o destino tinha um futuro bem diferente em mente para a Amie, e a bomba foi lançada algumas semanas depois que eles voltaram de sua idílica lua de mel na Espanha.
O quê? Onde?
gritou Amie, quase pulando da cadeira.
Shhh,
disse Jonathon, olhando ao redor do elegante restaurante, com um certo desânimo. Não grite, pois todos estão olhando para você!
O que você quer dizer com não grite? Por acaso, eu tenho que sussurrar? O que é mesmo que você acabou de dizer?
Amie não conseguia acreditar naquilo.
Que a empresa me ofereceu uma promoção!
Respondeu Jonathon.
Não, essa parte eu entendi. É ‘onde’ fica a dita promoção,
Amie sussurrou bem alto.
Oh, essa parte. Bom, sim. Fica em Togodo.
Bem, onde diabos fica Togodo?
Não tenho certeza das coordenadas exatas, mas fica em algum lugar perto do Equador, ao longo da costa. No lado leste, eu acho,
disse Jonathon, miseravelmente. Ele não esperava que a Amie reagisse tão mal. Tinha imaginado aquele momento e havia se convencido de que a Amie olharia em seus olhos e diria algo como, Que emocionante! Eu sabia que viver com você seria emocionante e aventureiro. Diga que partiremos em breve.
Bem, esse era o sonho. A realidade foi um pouco diferente.
Achei que você ficaria satisfeita
, acrescentou.
Satisfeita?! Você quer dizer sair daqui, sair da Inglaterra?! Ir a algum lugar do qual nem ouvi falar? Espere um momento. A costa oeste de onde?
África
, respondeu Jonathon. E acho que fica na costa leste.
África?!
Amie respirou fundo. Ir morar na África?!
Ela enunciou cada palavra lenta e cuidado-samente.
Achei que você ficaria satisfeita
, repetiu Jonathon. Será uma experiência totalmente nova para nós dois.
Uma nova experiência?! Sim,
expressou Amie, enquanto começava realmente a assimilar o que o Jonathon acabara de dizer. Vamos começar de novo; repita o que você acabou de dizer. Eu não consigo acreditar nisso tudo.
A empresa me pediu, bom, pediu pra gente... claro, para abrirmos uma nova filial em Apatu. Essa é a capital de Togodo, e coloquemos em funcionamento uma nova usina... hum...
Jonathon vasculhou em sua mente pelas palavras certas. É a oportunidade de uma vida. Nunca esperei ser um gerente de projetos tão cedo, embora tenham me patrocinado por meio da Uni. É uma chance real para nós. Oh, Amie, achei que você ficaria tão animada como eu!
Amie olhou para seu novo marido. Ela havia assumido automaticamente que ele tinha os mesmos planos que ela para o futuro dos dois. Haviam falado sobre viver na cidade onde os dois cresceram. Teriam uma família, mandariam as crianças para sua antiga escola, socializariam-se com pessoas de que haviam sido amigas desde o jardim de infância, juntariam-se ao clube de golfe e ansiariam pelos jantares dançantes anuais. Sempre haveria a possibilidade de que se mudassem para algum local a poucos quilômetros de distância, talvez a própria Escócia? Mas no exterior... bem, isso nunca havia passado por sua mente.
Desde quando você sabe sobre isso?
Perguntou Amie, de repente.
Desde terça, apenas, e...
Dois dias?! Dois dias inteiros e você não disse uma palavra?!
Amie ficou pasma.
Eu queria o ambiente certo, o lugar certo para lhe contar
, Jonathon tentou explicar. E você sabe como este lugar fica lotado. Esta é a primeira noite em que eles conseguiram uma mesa livre pra mim.
Amie não era estúpida, ela imaginou que Jonathon planejara contar suas novidades em um lugar público, era uma forma de se certificar de que ela manteria suas emoções sob controle. Não só isso, ele havia escolhido o restaurante mais caro da área; todos sabiam como seus preços eram exorbitantes. Como um cordeiro rumo ao abate, ela o havia acompanhado ao interior, imaginando se era algum aniversário ou alguma ocasião especial de que havia se esquecido. Não... foi justamente para o lançamento daquela bomba.
Jonathon ficou observando a Amie, tentando avaliar suas reações subsequentes à explosão inicial. Ele achava que a conhecia; estavam juntos havia quase dez anos, desde a escola primária. Sua mente em seguida viajou para a primeira vez que ele realmente a percebeu, em uma aula de ciências no colégio. Ele se lembrou dela sentada à sua mesa, perdida em seu mundo próprio, mastigando a ponta de sua caneta e olhando pela janela.
Senhorita Reynolds, pelo que você leu na noite passada, poderia me dizer quem descobriu as propriedades de divisão de luz do prisma?
O Sr. Johnson havia perguntado.
Amie estava a quilômetros de distância, e não ouviu uma só palavra.
Senhorita Reynolds?
Uh... sim, senhor? O que, senhor?
Quem, na verdade. E a resposta?
Hum,
Amie tentou ganhar tempo. Ela dificilmente poderia dar a resposta se não soubesse qual era a pergunta.
Suponho que você esteve muito ocupada lavando seu cabelo, ou grudada na TV, ou no Facebook e não pôde estudar na noite passada!
As palavras do Sr. Johnson gotejavam sarcasmo.
Oh, não! Não, senhor,
Amie respondeu. Eu li tudo sobre o assunto. Capítulo seis, energia cinética.
Sério?
Interrogou o Sr. Johnson, o resto da classe estudou o Capítulo cinco. Então, na próxima semana, quando o resto de nós alcançar o seu estágio, você será capaz de explicar tudo sobre a energia cinética.
Sim, senhor. Não, senhor
, Amie não sabia o que dizer.
Naquele momento, enquanto o resto da classe dava risadinhas, desfrutando de seu desconforto, Jonathon se apaixonou por ela. Ele olhou para seus longos cabelos loiros, grandes olhos cinzentos, figura esbelta e jurou que um dia casaria com ela.
Mas isso não seria fácil. Ela era uma aluna popular e os garotos se aglomeravam ao seu redor na hora do recreio. Era difícil até mesmo ter a chance de conversar com ela a sós.
Demorou vários meses para que ele reunisse coragem para convidá-la para sair; e ficou totalmente impressionado quando ela concordou em ir com ele para a pista de boliche. Ele tinha certeza de que ela categor-icamente o rejeitaria.
Aquele primeiro encontro foi um sucesso, assim como o seguinte e o que veio depois, até que se tornaram reconhecidos como um par, e por fim o resto dos caçadores carregados de testosterona desistiram do prêmio e passaram a perseguir outras jovens senhoras.
Jonathon ficou muito preocupado quando foi para a universidade, e Amie permaneceu em casa para frequentar a faculdade técnica local, mas cada período de férias ele se tranquilizava e reafirmava seus sentimentos. Quando tinha que viajar em visitas de campo, ele também se preocupava com todas as pessoas famosas que ela conheceria no glamouroso mundo da televisão. Mas logo percebeu que Amie raramente ficava perto de alguém particularmente famoso, e a maior parte de seu dia era passada não apenas como recepcionista, mas também como estafeta geral: procurando acessórios de cena, reservando acomodações, preenchendo folhas de registro, digitando folhas de chamadas e preparando inúmeras xícaras de café.
Eles sempre se deram bem e raramente brigavam, mas o Jonathon sabia que aquilo era algo totalmente novo, e não sabia realmente como a Amie reagiria. Foi naquele mesmo restaurante que ele a havia pedido em casamento havia apenas um ano, e embora estivesse nervoso na época, não tinha sido nada comparado a como ele se sentia naquele instante.
Amie olhou para o Jonathon. Ela não estava pensando sobre quando eles se apaixonaram, ela estava pensando sobre o que esperava que sua vida futura fosse, e ir morar em algum inferno africano não fazia parte de seus planos. Ela tentou se distrair com o garfo e a colher de sobremesa.
Veja, eu posso recusar a oferta se você estiver realmente insatisfeita com isso
, disse Jonathon.
Você já disse 'sim', não é mesmo?
Amie o desafiou.
Bem, eu disse, mas eu posso mudar de ideia. Eu posso dizer não.
Se você recusar esta promoção, não é provável que receba outra oferta, certo?
perguntou Amie, lentamente.
Ainda não tenho trinta anos e posso trabalhar para outra empresa, em um ano ou mais, e...
Você e eu sabemos que você se especializou neste campo, e não há muitas empresas fazendo trabalho de dessalinização. E, a propósito, agora que penso bem no assunto, esse tipo de trabalho em sua maioria não é mesmo realizado no exterior?
Suponho que sim, mas nunca pensei que teríamos de nos mudar. Nunca pensei que trabalhando no escritório de design, fazendo viagens de visita a escritórios locais na Grã-Bretanha, seria solicitado para viajar para o exterior. Isso veio do nada,
mentiu Jonathon.
Amie ficou quieta e não disse nada. Jonathon não conseguia avaliar de forma alguma a reação dela. Agora que tivera alguns momentos para absorver tudo, ela estaria satisfeita ou horrorizada? Ele teve que admitir que a oferta vinda tão rapidamente o havia pego de surpresa, porém quando eles o perguntaram, ele estava na sala de reuniões na frente de todos os diretores. Todos esperavam que ele ficasse entusiasmado e feliz, e nem por um momento consideraram que ele recusaria a oportunidade profis-sional de uma vida. Ele sabia o que eles esperavam, e também admitiu um raio de pura emoção pela oportunidade de lidar com um novo projeto em um novo lugar onde, pela primeira vez, teria que prestar contas a quase ninguém.
Eles nem uma única vez mencionaram falar com a Amie a respeito. Apenas presumiram que ele aceitaria e ela faria as malas e o seguiria sem murmurar. Como uma empresa americana, suas expectativas corporativas pressupunham que todos os funcionários estavam dispostos e ansiosos para subir na escada corporativa o mais longe e o mais rápido que pudessem. O trabalho vinha em primeiro e último lugar, e a família se adaptava à situação como e quando fosse conveniente.
Eles pelo menos sugeriram que você primeiro conversasse sobre isso com sua família?
Perguntou Amie, por fim. A única pergunta que o Jonathon não queria ouvir.
Bem, não, eles apenas presumiram...
Aposto que isso nunca passou pela cabeça deles. Suponho que suas esposas simplesmente iriam fazer as malas sem pensar duas vezes e seguir seus maridos para as mandíbulas do inferno, mas então eles são todos uma geração mais velha. ‘Aonde eu for, você, minha esposa, também irá.’
Amie bebeu o resto do seu vinho e estendeu a taça pedindo mais. Um garçom bem treinado se materializou do nada e a encheu até a borda.
Você não vai ficar bêbada, vai?
Perguntou Jonathon, alarmado.
Pode ser que sim, pode ser que não
, Amie respondeu, começando com a nova taça cheia. Como você esperava que eu reagisse?
Para ser sincero, não fazia ideia. Eu esperava que você estivesse tão animada como eu. É uma oportunidade maravilhosa, não apenas para fazer o trabalho que amo, mas também para dar um grande passo na escada corporativa. Eles me ofereceram um pacote muito bom e está tudo muito bem estabelecido. Eles fornecem a casa, o carro, pagam as contas de água e luz, bem como de nossa gasolina, então tudo que temos que comprar é a comida. Poderemos economizar bastante e, se decidirmos ter uma família...
Na África?! Isso não seria nada divertido!
Amie se intrometeu. Deitada no chão em algum hospital imundo, onde ninguém fala inglês.
Veja, se você se sente assim, não temos que ir.
Jonathon replicou. Estava amargamente desapontado. Havia ensaiado como iria dar a notícia e havia se convencido, ou melhor, tentado se convencer de que a Amie ficaria satisfeita, animada e muito orgulhosa dele. Ele queria muito aquela promoção e, se recusasse, suas chances futuras de subir ainda mais na escada estariam fora de questão. Diabos, se o pior chegasse ao ainda pior, então ele poderia gastar o dinheiro e voltar para casa todo mês ou... bom, ele pensaria em alguma coisa. Naquele ínterim, ele jogaria suas cartas com muita calma.
O garçom colocou as sobremesas na mesa e se afastou. Amie estudou o prato à sua frente e silenciosamente começou a comer. Ela não disse nada até quase terminar, então ela olhou para o Jonathon.
Por quanto tempo eles querem que você permaneça por lá?
Uh, é um contrato de dois anos e, então, se eu... uh, se gostarmos
, acrescentou rapidamente, poderemos ficar por mais dois anos. Levará um tempo considerável, pelo menos, para construir a usina, colocá-la em funcionamento e treinar os moradores locais em como gerenciá-la e fazer possíveis reparos.
E o que acontecerá se você... nós... odiarmos tudo e a usina não ficar pronta em dois anos? Eles vão deixar você voltar para casa?
Hum, tenho certeza que sim, acho que sim.
Jonathon não tinha a menor ideia. Eles não haviam mencionado tantos anos no futuro, mas não havia absolutamente nenhuma dúvida em sua mente sobre se afastar de um trabalho pela metade.
Todos os sonhos da Amie desabaram em torno dela, enquanto empurrava o último pedaço de seu creme de caramelo pelo prato. Agora, o que ela iria fazer?
Na tarde seguinte, Amie foi de carro até o outro lado da cidade para chorar as mágoas com sua mãe.
Mas é claro que você deve ir!
exclamou a mãe da Amie, enquanto colocava a chaleira no fogo.
Oh, então você está do lado dele, agora, não é assim?
retrucou Amie.
Não é uma questão de estar de algum lado,
respondeu Mary Reynolds, estou apenas afirmando um fato de vida. A carreira do marido é sempre o mais importante. Você não pode basear um casamento na carreira da esposa. O que acontecerá quando tiver bebês e precisar ficar em casa para cuidar dos filhos?
Era assim na sua época, mãe. As coisas são diferentes, agora. As mulheres são tão importantes no local de trabalho quanto os homens.
Ah, isso é o que você gostaria de acreditar, mas eu lhe prometo, a natureza não funciona assim. Sei que você não acredita em mim, agora, você ainda é jovem, mas em breve, muito em breve, vocês vão querer ter filhos e você não vai querer sair para o trabalho todas as manhãs e deixá-los com alguma pessoa estranha.
Mary Reynolds encheu duas canecas com café, açúcar e leite, enquanto falava, ao tempo em que Amie se acomodava na beirada da mesa da cozinha e a encarava furiosa. Esperava que sua mãe pelo menos entendesse e se apenasse dela, mas parecia que estava bem feliz em permitir que sua filha mais nova fosse para os confins mais profundos e obscuros da África.
Como se lesse sua mente, sua mãe continuou. E, de qualquer maneira, Togodo pode estar na África, mas tenho certeza de que é um lugar bastante civilizado. Para começar, é um país da Comunidade das Nações Britânicas, e as coisas não são tão primitivas como costumavam ser. Tenho certeza de que há muitas lojas e hotéis, bem como um hospital e também escolas. Pode ser até que tenha um belo shopping!
Como é que você sabe tanta coisa sobre o tema?
Perguntou Amie, totalmente desconfiada.
Minha querida, quando você dá palestras para adolescentes atrevidos todos os dias, você tem que estar atualizada sobre os assuntos mundiais e saber o que está acontecendo, até mesmo os nomes dos grupos de rap mais recentes. Meus alunos estão bastante dispostos a pensar que já me encontro maluca na minha idade. Manter-me atualizada também me mantém um pouco mais jovem.
A mãe da Amie lhe ofereceu uma caneca de café e se sentou. Você não acha que está exagerando um pouquinho?
Exagerando?! Como você espera que eu reaja?
Amie estava começando a desejar nunca ter vindo para casa em busca de simpatia; não parecia haver muita a ser oferecida.
Minha querida, tudo o que estou dizendo é que esta é uma grande oportunidade para vocês dois, de conhecer um pouco do mundo e expandir seus horizontes. Muitas pessoas aproveitariam a chance. Você não percebe o quão sortuda é.
Nós podemos conhecer o mundo,
Amie respondeu, com teimosia. Já estivemos na Espanha e na França.
Isso não é a mesma coisa, de forma alguma,
disse sua mãe. Por algumas semanas, vocês foram apenas mais dois turistas. Ninguém conhece um país nesse intervalo de tempo. Fico furiosa quando esses políticos partem em uma ‘missão de pesquisa ou algo parecido’ de três dias, e só nos mostram o que os governantes querem que vejamos.
Sim, sim,
disse Amie, apressadamente. Ela não tinha a intenção de encorajar a mãe, uma vez que havia subido em um de seus palanques favoritos, e a ladainha seria longa. Mas eu tinha tudo planejado. Estou feliz aqui, nunca esperei... bem... ir para tão longe...
Você esperava que sua vida fosse algo parecida com a do seu pai e a minha. Bem, não está funcionando dessa forma, certo? Meu Deus, eu não perderia essa chance.
Então, talvez você e o Jonathon devessem ir juntos,
Amie disse, sem graça, enquanto se levantava para sair.
Você já decidiu o que fazer?
Perguntou sua mãe.
Ainda estou pensando a respeito,
Amie pegou seu casaco.
Tente manter a mente mais aberta
, disse sua mãe, enquanto caminhavam em direção à porta. "No pior dos casos, são apenas dois anos de sua vida. A Avenida Beech será a mesma quando você voltar, e tenho certeza de que podemos dar conta por aqui sem vocês por um tempo, embora sentiremos muitas saudades dos dois. E não se esqueça que podemos bater papo no Skype quantas vezes você quiser."
É, tá bom,
respondeu Amie, aposto que nem ouviram falar sobre Internet por lá!
Não seja tão pessimista, querida!
Quanta indiferença, pensou Amie, enquanto dava uma beijoca na bochecha da mãe.
Como eu gostaria de estar no lugar dela, pensou a mãe da Amie enquanto acenava para sua filha, despedindo-se e a observando entrar em seu minicarro. Eu pensava que eram os jovens que eram aventureiros e ansiosos para embarcar para o desconhecido. Eles nunca deixam de me surpreender. Mas não há uma maneira fácil de dizer a seus filhos que você não teve a chance ou até mesmo a coragem, quando também jovem, de buscar oportunidades e experiências empolgantes. Apenas algumas décadas atrás, você permitiu que a vida lhe acontecesse e aceitou o que veio. Ela ficou se pergun-tando o que a Amie decidiria. Será que ela teria a coragem de começar uma nova vida em um novo país?
Enquanto seguia de volta para o apartamento, Amie estava fumegando. Será que ninguém entendia o que ela sentia? Como é possível que sua própria mãe não a entendesse e tivesse compaixão dela? Estacionou o carro na garagem e percebeu que o Jonathon ainda não havia chegado. Ótimo, isso lhe daria tempo para ligar para a Sam.
Ela destrancou a porta, tirou o casaco e conferiu se havia alguma mensagem na secretária eletrônica, mas havia apenas uma da lavanderia informando que o terno do Jonathon estava pronto. Ela socou os números e se recostou no sofá.
Alô, sou o Dean. Com quem você quer falar?
Eu gostaria de falar com a sua mamãe, por favor,
disse Amie. Normalmente, ela conversaria com o sobrinho de cinco anos e perguntaria como iriam as coisas na escola, mas hoje ela estava muito chateada e definit-ivamente esperava que ele nem reconhecesse sua voz.
Mamãe, tem uma senhora no telefone!
Dean gritou. Amie sorriu; pelo menos ele a chamou de senhora e não de 'alguma mulher,' como da última vez. Sam deve ter falado com ele sobre isso.
Alô?
Sam, sou eu,
disse Amie.
Oh, Dean não disse...
Sim, eu sei, mas estou muito chateada, agora.
Por que você está chateada? Achei que você estaria nas nuvens! Dê-me apenas dois anos em um país quente, longe de todo este tráfego, céu cinzento, chuva e a batalha com as crianças dentro de casa. Pense no bronzeado fantástico que você vai conseguir. Eu também deveria ser tão sortuda! Trabalhando para o Conselho, Gerry nunca receberá uma oferta de trabalho no exterior. Quando vocês vão?
Amie suspirou. Obviamente, sua mãe já havia falado ao telefone com a Sam e contado a novidade; e parecia que a Sam também não iria compreender e simpatizar.
Então, quando vocês vão?
repetiu Sam. Você não está animada?
Como posso estar animada? Isso significa perder todos os meus amigos e desistir do meu emprego e ir para algum lugar em que não conheço ninguém!
Você conhece o Jonathon,
disse Sam, de forma razoável, e logo conhecerá algumas pessoas. Você nunca teve problemas com isso, não é mesmo?
Bem, não,
Amie concordou, mas eu nunca esperei...
Não seja tão antiquada,
disse sua irmã mais velha, considere isso como uma experiência, especialmente antes de se encontrar amarrada, como nós, por uma dupla de filhos. E sempre podemos ter a chance de fazer uma visitinha; nenhum lugar é longe, hoje em dia, com todas estas promoções de passagens aéreas.
Ah, é nisso que você está pensando,
disse Amie, sarcasticamente, férias grátis para a família em algum lugar quente.
Claro, aqui só temos duas semanas no máximo com algum calor. Pense bem, todos os seus dias serão ensolarados e quentes. Você é mesmo uma sortuda.
Ainda não estou convencida,
"Veja, preciso desligar, a Jade está gritando por sua próxima mamadeira. Seja corajosa, diga sim e vá, pelo amor de Deus. Sentirei muito a sua falta, é claro, mas você
