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Entendendo O Sol - Denise Fernandes
PARTE I - LUZ
O LIVRO
Um dia acordei chorando e soluçando. Como se, na terra dos sonhos, eu já estivesse chorando... Foi muito assustador! E o choro dizia que eu precisava publicar um livro, foi o que balbuciei. Até hoje não sei por que chorar tanto ao acordar.
Estava dormindo com meu namorado da época, e ele achou estranho. Eu também. Mas, durante o dia, a lembrança do choro e a emoção que senti foram concretizando essa ideia. Eu realmente precisava fazer um livro. Expliquei ao namorado sobre o novo projeto. Jura? Você tem certeza? É naquela linha: tenho que plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro para me sentir realizado? Sim, é nessa linha mesmo. Respondi com um pouco de raiva; consciente de que ele preferia que meu projeto fosse uns peitos de silicone.
Duas semanas depois, o namorado viajou a trabalho. Quando voltou, disse que tinha pensado muito em mim, pois havia conhecido alguém que escreveu um livro. Ele contou para o fulano do meu projeto; e os dois tiveram uma conversa ótima. Os detalhes seriam ditos pessoalmente. Fiquei superfeliz com a notícia. O apoio do meu namorado era tudo de bom. Sim, pensei estar diante do homem da minha vida; mesmo ele curtindo peitos de silicone, e eu não.
Ao nos encontrarmos, soube dos detalhes. O tal escritor lançou uma obra com três mil cópias. Vendeu meia dúzia de exemplares para a família e está lá, com dois mil, novecentos e noventa e quatro livros em casa; tomando espaço e fazendo poeira. Ele fala disso o tempo todo e parece um maluco, autor amargurado, porém, simpático, querendo ser lido. Meu namorado, com a maior cara de pau, me perguntou: é isso que você quer para você? Ele disse que, durante a conversa, pensava em mim, no futuro, eu andando pelos bares e cheia de livros em casa, tomando espaço e fazendo poeira. Ele me questionou, e eu não acreditava na pergunta. É isso que você quer para você?
Quero meu livro. Se não o quisesse, seria como não querer a mim mesma. Naquele momento, desabafei. Você não precisa me ajudar no livro. Ele dizia: que livro? Por acaso você escreveu algum? Alguém disse que seu livro é bom?
O livro não-escrito brota como alimento.
Outro dia sonhei com o lançamento. Eu tentava chegar e não conseguia. Acabei perdendo o lançamento do meu próprio livro (que nem está pronto). Marcava sete horas da noite, em um relógio antigo, e eu sabia que o evento já tinha acontecido. Senti muita aflição. E acordei com medo.
Livros, para mim, são de extrema importância. O mundo não seria tão misterioso se não houvesse livros. Não posso imaginar uma sociedade de paz sem amor aos livros, sem amor ao amor. Sei que sou bobinha. E ser tão bobinha demanda coragem. Tomara que seja coragem suficiente para escrever o livro que brota em mim.
criancasPRIMAVERA
Olhando nossas fotos, percebi claramente: fui mais feliz do que parecia que eu tinha sido. Essa conclusão é o motivo de minha renovada alegria na primavera – onde há menos flores, o ar continua poluído, e a beleza rarefeita das pessoas nada diz. Como conseguimos? Então as imagens vão revelando segredos. O que é memória, instante e ar; experiência real e irreal, plasmada na mesma matéria.
Nossa história fluida de jabuticabeira, carregada de jabuticaba. Eu, barriguda, sentada no chão. A Mig e o Acácio trazendo jabuticabas. A gente se empapuçando. A gente rindo à toa. A Mig limpando a pedra da cachoeira, desfazendo-se do limo verde com uma escovinha, para eu (barriguda) e a Julia (pequenina) não escorregarmos. O som da água. O misterioso e profundo som da cachoeira. O cheiro da terra. A doce força que emana dela. No fim, queria ser abençoada pela terra. Ah, como queria!
Em uma das fotos, um dos segredos: você empresta a parte de cima do biquíni para Júlia. Essa felicidade, que escancara tantas alternativas, impõe atitudes, encontros, multiplicações. O biquíni é seu e é da Júlia, ele se dividiu, criando outra forma. É a nossa versão da multiplicação dos pães, no setor dos biquínis.
E tem lembranças que as imagens não revelam; mas que retornam. Nós deitados na grama, olhando as estrelas em Itapeva. Tantas estrelas. Carregávamos a babá eletrônica. Tinha o som da respiração de Júlia, as estrelas, nossas risadas. Adoro rir à toa. Para uma senhora tola que conheci, isso dava azar. As lágrimas viriam em proporção ao sorriso. Só quem não ri acha que o Riso é oposto à Lágrima. O Riso é irmão da Lágrima, filhos de Estar Aqui e Viver Aqui. Azar é encontrar essa senhora tola quando a gente está rindo de bobeira.
Vou lembrando as risadas: eu e meus irmãos brincando de cócegas. A memória é um túnel onde penetramos e chegamos a diferentes estações. Por que marcaram? Porque ali o livro da história construiu uma cavidade de luz, e algumas cenas são mais claras no curso do tempo.
Atingimos a plenitude. Se não sairmos daqui, logo virá o beija-flor. Ele beijará aquela flor amarela. Lentamente a humanidade vai se revoltando, com muita violência. Há Jesus, Maomé, uma legião de Budas. Há um mistério no amor e em toda primavera.
Mesmo quando morre um pássaro azul, bem diminuto, e a gente tem dó, há uma procura por sementes. Há uma espera pela água da fonte. Sabemos que ela vem. O bom de ser pequeno é estar aqui.
Não há confusão. É outubro e, no hemisfério sul, é primavera. A vida pode ser mais simples do que é; tão simples que é exata em sua complexidade. Morreremos?
O beija-flor risca o céu e nos lembra que é de verdade.
A humanidade se curva diante do próximo passo escuro. Ando na rua com medo. Mesmo assim, arrisco comer uma amora que na Cidade resiste. Queremos diversos pés de fruta! Urgentemente.
Há,
