Entre Materialidades e Afetos
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Sobre este e-book
É sob este viés que o livro discute as propedêuticas dos materiais: a cor como brilho, as velocidades e dinâmicas de manuseio, os afetos das cores, as diluições, transparências, o gesto registrado, os preenchimentos, os lugares vazios, os intervalos, as conexões, os atravessamentos, os limites, fronteiras, o moldar e ser moldado, as fragmentações e rearranjos, as ressignificações, as repetições e as efemeridades.
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Entre Materialidades e Afetos - Tatiana Fecchio
Entre Materialidades e Afetos
Editora Appris Ltda.
1.ª Edição - Copyright© 2023 dos autores
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Catalogação na Fonte
Elaborado por: Josefina A. S. Guedes
Bibliotecária CRB 9/870
Livro de acordo com a normalização técnica da ABNT
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Curitiba/PR – CEP: 80810-002
Tel. (41) 3156 - 4731
www.editoraappris.com.br
Printed in Brazil
Impresso no Brasil
Tatiana Fecchio
(org.)
Entre Materialidades e Afetos
PREFÁCIO
Para além da Arteterapia, uma das Terapias Criativas de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), a utilização dos recursos artístico-expressivos e suas potencialidades são importantes agentes nas dinâmicas terapêuticas.
Carl Gustav Jung, precursor nesse seguimento, vivenciou profundas transformações internas, materializadas em imagens e símbolos sobre diversos suportes. Mais conhecidamente os mandalas que surgiram espontaneamente durante o serviço como médico de guerra, continham o germe de um pensamento que se estruturou entre a florescente psicologia complexa, profunda ou analítica e a sabedoria oriental.
Decorre do simbolismo da mandala a noção de completude — achar-se por inteiro, mesmo que temporariamente, mediante a sensibilização dos vários aspectos (internos e externos) dispersos de si. Essa noção pode ser exemplificada por uma alegoria criada por John Dewey e projetada sobre um polvo — os inúmeros tentáculos vão tocando as diversas superfícies diante de algo que se lhe apresenta, como: contornos, rugosidades, maleabilidades, viscosidades e, assim, oferecem uma experiência que é processo e mapeamento tátil, cinestésico entre outros sentidos que venham a ser despertados. Ou seja, a construção de uma totalidade passa, impreterivelmente, pelo contato e todos os derivantes dessa experiência.
O processo, que abarca o campo de um imaginário psíquico ativado, o setting terapêutico e todos os seus atributos, a presença do terapeuta e o enredo que se delineia pelas sutilezas do encontro marcam o terreno, sustentam a viabilidade da constelação da imagem (no sentido lato, de algo que aparece, toma forma, contorno).
Há um princípio destacado por Margarethe Hauschka: para situações de estagnação, inflexibilidade recomendam-se técnicas aquosas pois estas propiciam experiências de dispersão. Para aquilo que é informe, dissoluto, disperso técnicas que propiciem experiências de aglutinação, solidez. Este princípio gera tensão por confrontamento, provocando ajuste necessário e uma possível resolução conflitual.
Trata-se de um terceiro, daquilo que é despertado em função de uma movimentação (que se processa consciente e inconscientemente) de forças opositoras. É a dimensão transcendente. Transcender significa ir além, além de intenções, desejos, meios e polarizações. É a realização, diante de materialidades contundentes, de um ser que se expressa e se faz visível. Parafraseando Paul Klee: tornar visível o invisível.
Parte daí um novo confrontamento: o espelhamento de si mesmo. A possibilidade de olhar para aspectos de si, nas cores, formas ou não formas, volumes, chancela a via para o conhecimento. A presença da imagem constelada é irrefutável. Seus sentidos podem permanecer nas sombras, mas a força de sua visibilidade é documental. Como se disséssemos: conteúdo é forma!
Por isso o fazer manual, o manipular as materialidades podem promover experiências de alívio, drenagem de movimentos e forças internas muitas vezes não nomeadas, satisfação e até prazer. Mas na dinâmica profissional, terapêutica, a escolha, adequação ou consonância dos materiais, cumprem a importante tarefa de contundentes meios que objetivam abrir as vias para conhecer-se, tratar-se e até mesmo curar-se.
Como as demandas psicológicas e suas vicissitudes exigem um olhar atento, a permissão para arriscar deriva da condição de se permitir vivenciar, primeiro.
São esses vivenciares, trilhados por adesões às materialidades ou por desafios que lhe são inerentes e condutores capazes de resgatar memórias, tocar ancestralidades, fragilidades e potências que se nos apresentam nesta importante, compromissada e sensível leitura.
Que se despertem desejos!
Sandro Leite
Artista-educador, curador, arteterapeuta
e doutor em Psicologia Clínica
NÃO SE PERCA AO ENTRAR
Este livro aconteceu de um desejo.
Do desejo de estar e criar junto.
Entre a vontade e a ideia
O início do percurso para este volume poderia ser anunciado assim: por terem vivenciado uma experiência comum de problematização da presença das materialidades no processo arteterapêutico, um grupo de arteterapeutas se enredou na elaboração de um livro coletivo.
Nesta experiência comum foram geradas tabelas
que intencionavam compilar percepções e interações¹ frente ao encontro com diferentes materiais, aterrando tudo aquilo que cada qual dizia e propiciava às subjetividades.
Cabiam nesta tabulação tudo aquilo que despertava os afetos ao se lidar e agir com materiais e instrumentos: os convites feitos pelo material, as dinâmicas que ficavam favorecidas/dificultadas, as memórias acionadas, os pensamentos desencadeados e qualquer outra percepção digna de nota
daquilo que tivesse acontecido entre sujeito e matéria (as experiências de tempo/duração, os gestos, a força e os movimentos).
Essas sensações e pensamentos exteriorizados se tornaram tão valorosos que passaram a nortear o início das escrituras e se configuraram, ao longo do processo, nas epígrafes encontradas em cada capítulo.
Tendo este grupo, em meados de maio de 2020, acabado de produzir coletivamente um artigo — Mapear como Estratégia: acompanhamento e análise da complexidade do fazer arteterapêutico na Revista Transdisciplinar² — coube um questionamento: faremos outro? Faremos mais projetos juntos?
Ali estava o desejo de estar junto mais um pouquinho
em função simplesmente da verificação de ter-se vivido um espaço e tempo cheios de sentido, de afetividade, generosidade, respeito e qualidade. Nós percebemos um grupo que, por uma demanda inicial de trabalho, havia se reconfigurado muito além da tarefa: um grupo orbitando ao redor de um núcleo de convergência que convidava a todos a um convívio fluido, pautado na investigação, na escuta e na aprendizagem.
Sim, faríamos outro.
Desta vez sem a predeterminação de ser um artigo, as trocas logo apontaram para uma produção de mais fôlego, de mais espaço. A possibilidade de um livro pareceu ser um bom lugar no qual residir aquilo que se desejava dizer.
Entre um sábado e o outro
Passamos a nos encontrar virtualmente, aos sábados, em reuniões de uma a duas horas.
Com a pandemia em 2020/21 pudemos ter neste espaço um lugar para acolhidas múltiplas. A presença do outro se tornou ainda mais fundamental. Inicialmente sem entendermos muito bem sobre os movimentos, os tempos e as formas neste novo modo de viver em quarentena: como num estado forçado de sUSPensão, pudemos nos visitar nas ordens de angústia, aflições, lutos, nigros, melancolias, maneiras e estratégias.
Os encontros passaram a funcionar como momentos de troca sobre as formas de navegação
dentro de um mundo revirado. A estabilidade destes encontros passou a ser necessária como era necessária a construção, mesmo que fabulada, de alguma estabilidade.
Criamos, ao longo dos encontros, momentos de leitura e revisão coletiva dos textos que iam sendo produzidos. Inventamos oficinas nas quais cada autor criou convites para que processos fossem vividos e as imagens que ilustram este volume realizadas. Desta forma, todas as imagens que constam deste volume são de autoria do próprio grupo.
Foi assim que ao deliberarmos sobre o livro, também fizemos movimentos compartilhados de equilibração, pausas e acelerações até a conclusão dos trabalhos em 2021.
Entre a ideia e as intenções
A ideia de um livro nos convocava a materializações, dizer daquele vivido e das reflexões que vieram dali, mas antes dela nos convocava a esclarecer as nossas intenções.
Uma intenção muito clara, desde o início, foi a de contribuir ao campo da prática arte terapêutica, se efetivando como material de referência/consulta sobre a potência das materialidades quando consideradas no campo subjetivo.
Nas nossas trocas, vimos que intencionávamos travar diálogo com arteterapeutas, mas percebemos que também poderiam ser leitores deste volume educadores, artistas e terapeutas em geral.
Também não queríamos um livro prescritivo no qual a abordagem de determinada materialidade ficasse reduzida a uma única função nos contextos arte terapêuticos. Com isto não negávamos que na materialidade havia uma propedêutica, uma potencialidade e especificidade, mas desejávamos afirmar que esta era apenas passível de ser afirmada na relação com o sujeito. As características de uma materialidade apenas se ativam no encontro com o sujeito em processo pois é resultante de uma relação complexa que se estabelece entre sujeito e material (as experiências ou não experiências, memórias, histórias, intimidade ou representações já constituídas). Ou seja, desejávamos deixar clara a defesa de que compreendíamos a materialidade no contexto das relações, em uma chave dinâmica e dialógica.
Imaginávamos um livro que nomeasse a possibilidade de abordar a materialidade na sua potência relacional e não a compreendendo a partir de supostos modos corretos
. Não nos interessava anunciar, por exemplo, que para a modelagem da argila devem ser retiradas bolhas de ar
(para reduzir a chance de que quebrasse) pois poderia ser de extremo interesse que uma peça modelada quebrasse, dependendo da problemática na qual alguém estivesse inserido. Desejávamos efetivar um volume que pudesse servir de consulta sobre a potência das materialidades, considerando as suas possibilidades de errância.
Passamos a perseguir, na nossa narrativa, a potencialidade frente aos estados possíveis das materialidades, aos seus quandos
. Assim, voltando ao exemplo anterior, a argila poderia ser lugar de transformação, quando dúctil, mas também frustração, quando peça fraturada pela bolha de ar no processo de secagem.
Desejávamos que o volume final se apresentasse com uma unidade, mas que esta não deveria desrespeitar a singularidade de cada autor. Tampouco desejávamos que cada capítulo se apresentasse como uma pequena monografia
, mas que fosse direto ao ponto
, ou seja, que falasse sem meandros dos estados da materialidade, das suas potencialidades simbólicas quando em um ou outro estado. Desejávamos também que a linguagem fosse acessível, conduzindo os leitores por caminhos repletos de explícitos.
Definimos, ainda, que o livro não intencionava esgotar as discussões sobre as materialidades, mas sim, oferecer uma certa gama de possibilidades que explicitasse a complexidade da relação entre os modos de lidar com os estados da materialidade. Materiais que, embora não tenham sido vividos
quando da construção das tabelas, foram referidos nos capítulos sempre se aproximaram pelas dinâmicas/potencialidades.
