Coleção: O Que É - Anarquismo
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Coleção - R. F. Guimarães Vinci Christian
Christian F. R. Guimarães Vinci
ANARQUISMO
Brasil • 2020
Título – Anarquismo
Copyright© Editora Lafonte Ltda. 2020
ISBN 978-5870-014-2
Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida por quaisquer meios
existentes sem autorização por escrito dos editores e detentores dos direitos.
Direção Editorial: Ethel Santaella
Organização e Revisão: Ciro Mioranza
Diagramação: Demetrios Cardozo
Imagem de capa: Art Furnace / Shutterstock
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ÍNDICE
1 ANARQUISMO, UMA POLÍTICA DE EXISTÊNCIA
2 A VIDA ANARQUISTA
a. A socialidade
b. Organização institucional
c. Testemunho pela vida
3 OS GRANDES AUTORES ANARQUISTAS
a. Jean-Jacques Rousseau e o iluminismo: os precursores
b. Pierre-Joseph Proudhon: a propriedade como roubo
c. Mikhail Bakunin e a necessidade da revolução
d. Outros autores importantes
4 A IMPORTÂNCIA DO ANARQUISMO HOJE
a. Ecopolítica e anarquismo
b. Abolicionismo e anarquismo
SOBRE O AUTOR
REFERÊNCIAS
1 ANARQUISMO,
UMA POLÍTICA DE EXISTÊNCIA
Diz-se que não há perigo, porque não há agitação; diz-se que, como não há desordem material na superfície da sociedade, as revoluções estão longe de nós. Senhores, permiti-me dizer-vos que creio que vos enganais. Sem dúvida a desordem não está nos fatos, mas entrou bem profundamente nos espíritos. Olhei o que se passa no seio dessas classes operárias, que hoje, eu o reconheço, estão tranquilas [...]. Tal é, senhores, minha convicção profunda: no momento em que estamos, creio que dormimos sobre um vulcão; disso estou profundamente convencido. (TOCQVILLE, 1991, p. 42-43)
Alexis de Tocqueville, em seu livro de memórias intitulado Lembranças de 1848: as jornadas revolucionárias em Paris , notou a instabilidade que acometia a política francesa, chegando a sugerir que a elite dirigente do país dormia tranquilamente sobre um vulcão. Esse vulcão era a própria classe operária. Passemos em revista um pouco da história francesa, sem entrarmos em detalhes, para compreendermos um pouco o ódio que era alimentado pelos trabalhadores franceses contra seus exploradores. Para o historiador francês, desde 1789 a massa de trabalhadores acumulava rancores contra a burguesia. Lembremos que, com a eclosão da Revolução Francesa em 1789, trabalhadores, camponeses e burguesia se aliaram para lutar contra os privilégios da nobreza, conseguindo dar um fim à monarquia de Luís XVI, que acabou sendo guilhotinado, junto com a esposa, Maria Antonieta. Esse evento, de proporções históricas inimagináveis, permitiu à burguesia chegar ao poder e, ao longo do processo revolucionário, os trabalhadores acabaram sendo deixados de lado junto com os camponeses e outras classes marginais. Esse mesmo movimento iria se repetir nas duas maiores revoluções da primeira metade do século XIX, as revoltas de 1830 e de 1848.
Em 1830, a primeira das assim chamadas revoluções liberais, a velha nobreza havia novamente tomado o poder, fortalecida pelo retorno da monarquia e pelo governo de Carlos X, após a queda de Napoleão. A burguesia, que havia conquistado grandes cargos durante a Revolução Francesa e o período napoleônico, acabou perseguida, bem como a classe trabalhadora. A classe rural, contudo, lutou ao lado da nobreza e conseguiu gozar de alguns pequenos privilégios. Diante desse cenário, os burgueses, cada vez mais insatisfeitos, aliaram-se à classe trabalhadora para reivindicar uma mudança governamental. Em julho daquele ano, burgueses e proletários tomaram as ruas, montaram barricadas e, novamente, conseguiram destituir o rei, Carlos X – dessa vez, o rei conseguiu fugir antes de perder a cabeça. Em seu lugar, contrariando o desejo dos trabalhadores, que almejavam a implementação de uma república popular, os burgueses parisienses conseguiram colocar no poder Luís Felipe, considerado pela história como o rei burguês
. Partidário de uma política econômica liberal, na qual o Estado pouco intervinha na economia, Luís Felipe retirou os privilégios da nobreza, visando diminuir os gastos estatais com essa classe, e modificou a constituição, favorecendo a burguesia ascendente e a indústria crescente. Foi um período de intenso crescimento industrial, no qual os burgueses usufruíram de grandes lucros enquanto pagavam um salário de miséria a seus operários.
A classe trabalhadora, cada vez mais ignorada pelos desmandos de Luís Felipe, passou então a se organizar em reuniões clandestinas e a realizar manifestações contrárias ao governo. Ao longo de uma década, foi reprimida e calada. Em fevereiro de 1848, o ministro Guizot resolveu tornar ilegais tanto essas organizações quanto qualquer espécie de manifestação operária. Novas revoltas surgiram, o vulcão, que Tocqueville vislumbrara, começava a explodir. Eclodiu, então, um processo revolucionário que iria tomar de assalto todo o mundo e acabaria por retirar da Europa os últimos resquícios da monarquia. No caso da França, Luís Felipe, o rei burguês
, foi deposto e, em seu lugar, instaurou-se a chamada Segunda República Francesa, promovida por uma aliança entre pequenos burgueses e proletariado. Nesse momento, os embates entre as lideranças operárias e as lideranças burguesas se acentuaram. As únicas medidas, votadas de comum acordo, foram a abolição da pena de morte e a instauração do sufrágio universal, permitindo que qualquer um pudesse votar a despeito de sua classe – com exceção das mulheres, que só podiam votar caso o pai ou o marido permitisse, conforme pregava o código jurídico instaurado por Napoleão e que vigorou até meados do século XX. As tensões foram aumentando e os confrontos nas ruas cresceram de forma vertiginosa. Em abril, nas eleições da Assembleia Constituinte, uma aliança inusitada entre burgueses e nobres levou à vitória dos moderados, encadeando uma onda de revoltas proletárias, que foram duramente sufocadas. O exército foi convocado e os revoltosos foram reprimidos com violência. A burguesia, nesse
