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Sociedade Partenon Literário: História e Temas
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Sociedade Partenon Literário: História e Temas
E-book119 páginas1 hora

Sociedade Partenon Literário: História e Temas

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Sobre este e-book

Componente significativo da história da vida cultural do Rio Grande do Sul, a Sociedade Partenon Literário (1868-1886) marcou o século XIX, por meio de várias atividades literárias, sociais e educacionais, com as quais esteve comprometida. Entre elas, destaca-se a publicação da Revista Mensal (1869-1879), que contribuiu decisivamente para a literatura sulina.
Passados mais de 150 anos de sua fundação, o Partenon continua a ser uma fonte para o estudo da literatura e da cultura rio-grandenses. Congregando intelectuais da antiga Província, seus ideais ainda ressoam na contemporaneidade, merecendo, por isso, novos estudos e diversas abordagens.
IdiomaPortuguês
EditoraEditora da PUCRS
Data de lançamento10 de jul. de 2024
ISBN9786556234410
Sociedade Partenon Literário: História e Temas

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    Sociedade Partenon Literário - Fábio Varela Nascimento

    Uma sociedade não só literária

    doi.org/10.15448/1735.1

    Mauro Nicola Póvoas

    A Sociedade Partenon Literário foi fundada na cidade de Porto Alegre, em 18 de junho de 1868, tendo Apolinário Porto Alegre à frente e José Antônio do Vale Caldre e Fião, o primeiro romancista do Rio Grande do Sul (autor de A Divina Pastora e O corsário), como presidente honorário. O grupo era composto por figuras proeminentes da cultura da então Província, com professores, poetas, cronistas, jornalistas e historiadores, podendo ser destacados os seguintes nomes, em ordem alfabética: Alberto Coelho da Cunha, Amália dos Passos Figueiroa, Apeles Porto Alegre, Apolinário Porto Alegre, Aquiles Porto Alegre, Artur Rocha, Augusto Totta, Aurélio Veríssimo de Bittencourt, Azevedo Júnior, Bernardo Taveira Júnior, Carlos von Koseritz, Damasceno Vieira, Hilário Ribeiro, José Bernardino dos Santos, José de Sá Brito, Luciana de Abreu, Luísa de Azambuja, Manuel José Gonçalves Júnior, Múcio Teixeira, Nicolau Vicente, Revocata Heloísa de Melo, Silvino Vidal e Vasco de Araújo e Silva.

    Sem local próprio, inicialmente a agremiação reunia-se no centro da Capital, na Sociedade Firmeza e Esperança, situada na Rua de Bragança, hoje Marechal Floriano; depois, foram feitas duas tentativas de construção de uma sede, em 1873 e 1885, ambas infrutíferas. A busca de um local adequado para suas atividades demonstra as oscilações pelas quais passou o Partenon Literário, ao longo dos anos, até sua extinção, provavelmente em 1886. Esse ano assinala a última referência sobre a sociedade, a abertura de um edital para selecionar projetos para a edificação da sede da entidade, assinado pelo 2º secretário Carlos da Gama Lobo d’Eça, com a data de 3 de janeiro de 1886, e publicado no jornal A Federação em 9 de janeiro.

    Além da literatura, havia o interesse do grupo em assuntos como política, sociedade, educação, filosofia e ciência. O envolvimento político, em grande parte, manifestava-se na defesa dos ideais republicanos e abolicionistas. Apeles e Apolinário Porto Alegre, inclusive, foram ativos no Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), desde a sua fundação, em 1882, embora Apolinário, a partir da ascensão de Júlio de Castilhos (governador do Estado, entre 1891 e 1898), tenha se distanciado das atividades político-partidárias e do chamado castilhismo, de teor autoritário e positivista.

    Um exemplo de atividade social e educacional era a oferta de aulas noturnas gratuitas, incentivando-se, inclusive, a educação feminina. Igualmente, era significativa a organização de saraus culturais, com declamação de poemas, apresentações musicais, encenação de esquetes teatrais, alforria de negros escravizados, conferências de interesse social – com destaque para os discursos de Luciana de Abreu em prol da emancipação da mulher. A sociedade ainda mantinha uma biblioteca, com mais de seis mil volumes, e um museu de Ciências Naturais.

    Sobre esse último, há um texto não assinado no número final da revista, Museu do Partenon, de setembro de 1879, que faz referência a um relatório apresentado por uma Comissão do Partenon destinada a constituir um Museu Provincial. Embora sem um espaço apropriado para guardar a coleção, o museu já contava com quatro mil exemplares, entre amostras minerais, fósseis, curiosidades arqueológicas de origem indígena e objetos históricos, além de coleções de numismática, zoologia e botânica. O pequeno texto é importante para mostrar uma das preocupações permanentes da direção do Partenon Literário, qual seja, o compromisso com a preservação da história e a divulgação da ciência, assim como se dava com a manutenção da escola e da biblioteca, sinônimos de saber e instrução.

    Entretanto, foi na literatura que a sociedade deixou a sua marca mais permanente no Rio Grande do Sul, por meio da Revista Mensal, o nome mais genericamente utilizado, por ser o primeiro que o periódico ostentou. Foram dez anos, com interrupções, num total de setenta e um números, em quatro séries:

    1ª série: de março a dezembro de 1869, circulação mensal, num total de dez edições, com o nome de Revista Mensal da Sociedade Partenon Literário.

    2ª série: de julho de 1872 a maio de 1876, circulação mensal, num total de quarenta e sete edições, com os nomes de Revista Mensal da Sociedade Partenon Literário (1872 e 1873) e Revista do Partenon Literário (1874 a 1876).

    3ª série: de agosto a dezembro de 1877, circulação quinzenal até outubro, e mensal em novembro e dezembro, num total de oito edições, com o nome de Revista do Partenon Literário.

    4ª série: de abril a setembro de 1879, circulação mensal, num total de cinco edições, e não seis, pois a edição de julho/agosto foi dupla, reunindo os números 4 e 5, com o nome de Revista Contemporânea do Partenon Literário, Consagrada às Letras, Ciências e Artes.

    A manutenção do periódico e da sociedade dava-se por meio do pagamento de mensalidades. Como a revista não ostentava anúncios nem era vendida, sua tiragem era destinada a associados e assinantes, por meio de uma bem urdida rede de correspondentes nas principais cidades gaúchas.

    O primeiro número é representativo da estrutura e da organização da revista, com edições que priorizavam a literatura – romances, contos, poesia, peças de teatro, muitas vezes publicados em formato de folhetim. Textos biográficos, críticos, históricos e noticiosos complementavam os exemplares, os quais permitem o acesso ao ideário literário e sociopolítico dos membros do grupo.

    Em 1869, todos os dez números, de março a dezembro, foram impressos na Tipografia do Jornal do Comércio. Sempre havia uma Comissão de Redação, que sofria pequenas mudanças ao longo dos meses, e um redator de mês, trocado a cada edição. No primeiro fascículo, de março, a Comissão de Redação era constituída por Vasco de Araújo e Silva, Apolinário Porto Alegre, Lúcio Porto Alegre, Aurélio Veríssimo de Bittencourt, Juvêncio A. de Menezes Paredes e Hilário Ribeiro de A. e Silva. O redator do mês deste número era Apolinário, que provavelmente é quem assina o primeiro texto do periódico, o Programa, fundamental por difundir as ideias da Sociedade Partenon Literário.

    Neste artigo de fundo, o autor celebra a fundação da agremiação, em 18 de junho de 1868, data que marcou uma grande época e abriu o ciclo literário na província (mar. 1869, p. 3)[ 1 ]. Apolinário aponta que a imprensa em geral não dá conta da cultura, pois se interessa mais em assuntos comerciais e industriais. Assim, a criação de um revista literária pretende dar o espaço necessário às ações e aos trabalhos dos literatos da região. Para tanto,

    O Partenon criou uma tribuna, para a pugna oratória; uma biblioteca, onde reunirá as obras mais importantes relativas à grandiosa trindade de seus estudos: filosofia, história e literatura; aulas noturnas para os sócios que quiserem dedicar-se sem dificuldades ao granjeio da ciência; e afinal uma revista tão necessária, como as outras criações (mar. 1869, p. 4).

    O texto termina comentando que São as primícias da mocidade rio-grandense, que, arcando em extrema luta contra a indiferença geral, tem ódio para o passado, coragem para o presente e esperança para o futuro (mar. 1869, p. 4). Interessante pensar no uso da expressão ódio para o passado, que parece ser desmentida na sequência da revista, pois a volta aos tempos pretéritos, para de lá extrair temas literários, foi uma constante dos autores do Partenon;

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