Neuromarketing E Direito Do Consumidor À Liberdade De Escolha
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Neuromarketing E Direito Do Consumidor À Liberdade De Escolha - Natacha Aimeé Santana De Almeida
NEUROMARKETING E DIREITO DO
CONSUMIDOR À LIBERDADE DE ESCOLHA
Uma reflexão jurídica acerca da utilização das técnicas da do neuromarketing
1
"Most of what we know we don’t know we know. It usually seems that we consciously will our voluntary actions, but this is an illusion."
– Daniel Wegner.
2
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANVISA
Agência Nacional de Vigilância
Sanitária
CONANDA
Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente
CONAR
Coselho
Nacional
de
Autorregulamentação Publicitária
CBArP
Código
Brasileiro
de
Autorregulamentação Publicitária
CDC
Código de Defesa do Consumidor
CF
Constituição Federal
EEG
Encefalograma
EMG
Eletromiografia
ET
Seguimento Ocular/ Ever Tracking
FACS
Sistema
de
Codificação
dos
Movimentos Faciais
INCA
Instituto Nacional do Câncer
IRMF
Imagem por Ressonância Magnética
Funcional
MEG
Magnetoencefalografia
3
ONU
Organização das Nações Unidas
TEE
Topografia de Estado Estável
SNDC
Sistema Nacional de Defesa do
Consumidor
UFF
Universidade Federal Fluminense
UFRJ
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
4
SUMÁRIO
1
Introdução.......................................................
7
2
Publicidade e o direito do consumidor..........
11
2.1 inversão de paradigma: uma contextualização
da sociedade de consumo..................................
12
2.2 Publicidade e marketing....................................
21
2.3 Normas aplicáveis à publicidade no brasil...
30
3
Aspectos do neuromarketing na sociedade
de consumo......................................................
43
3.1 O surgimento do neuromarketing......................
44
3.2 Definições: neurociência e neuromarketing.....
51
3.3 Aplicações: da publicidade ao neuromarketing no tabagismo.....................................................
60
4
Limites éticos e jurídicos do uso das técnicas
do neuromarketing.........................................
72
4.1 Dimensões jurídicas da vulnerabilidade no
ordenamento jurídico brasileiro........................
73
4.2 Informação e boa-fé no mercado de consumo...
84
4.3 Limites éticos e jurídicos da publicidade no direito do consumidor.......................................
92
5
4.4 liberdade de escolha e neuromarketing: resquícios do livre-arbítrio................................ 102
5
Conclusão........................................................ 113
Referências...................................................... 117
6
1 INTRODUÇÃO
A presente investigação objetiva o estudo do neuromarketing na sociedade contemporânea e, para tanto, estudará as técnicas do neuromarketing e sua repercussão jurídica, discutindo se estas são capazes de suprimir a liberdade de escolha dos consumidores.
A relevância deste estudo atribui-se à necessidade de informar a comunidade sobre a realidade do neuromarketing. Como ele funciona, qual a sua regulamentação na legislação brasileira, quais as consequências do seu uso na sociedade, especialmente em qual atividade empresária e quais são os limites éticos e jurídicos da publicidade.
Já era sabido que as técnicas de marketing empregadas, até então, já não supriam as necessidades das indústrias em relação à sociedade consumista que se firmou. Foi preciso uma inovação na área do marketing e, dessa forma, buscou-se uma parceria com os neurocientistas.
Assim surgiu o processo de criação da publicidade em modernos laboratórios de neurociência, 7
onde pode-se prever todas as influências das cores, iluminações, cheiro, forma da embalagem, ou seja, tudo que pudesse influenciá-lo no seu poder de escolha.
Dessa forma o neuromarketing passou a representar uma grande vantagem competitiva da publicidade. Por terem descoberto a lógica do consumo, ou seja, grande parte do que se compra, na verdade se dá de maneira irrefletida, isto, é condicionado pelos desejos inconscientes.
O estudo desse tema mostra-se relevante por conscientizar a sociedade de consumidores, de como as formas de publicidade atual, que se utiliza de estudos neurológicos, tem influenciado no seu processo decisório.
Esta pesquisa trata de uma reflexão jurídica acerca do neuromarketing, visto que os consumidores compram irrefletidamente produtos, sem saberem o real motivo de suas escolhas, uma vez que tiveram sua vontade minuciosamente estudada pelo marketing inteligente.
Nesta perspectiva, a pesquisa utilizou o método indutivo, o qual possibilita a análise de temas específicos, para então partir para a generalização. Os fatos a serem observados serão o neuromarketing e a liberdade de 8
escolha dos consumidores. Esta pesquisa tem a pretensão de informar a relação existente entre estes dois temas, mais precisamente de que maneira a presença do neuromarketing é capaz de suprimir ou não a liberdade de escolha da sociedade de consumidores.
Inicialmente o primeiro capítulo terá como pressuposto inicial a análise da formação da sociedade de consumidores em meio a era capitalista, discorrendo sobre os institutos da publicidade e do marketing, e ainda sobre as normas aplicáveis à publicidade no Brasil.
Na segunda parte deste trabalho, será demonstrado como surgiu o neuromarketing, além de apresentar as definições desta técnica, isto é, seu conceito, funcionamento e qual o seu aparato tecnológico. Abordará ainda aspectos do inconsciente humano, bem como os riscos que o neuromarketing pode trazer em qualquer atividade empresarial, sobretudo no que tange ao tabagismo.
O terceiro capítulo abordará as dimensões jurídicas da vulnerabilidade no direito brasileiro e, em seguida, versará acerca dos limites éticos e jurídicos da publicidade e consequentemente neuromarketing fixados 9
na legislação. E por fim, tratará sobre a liberdade de escolha, discutindo se é possível se falar em poder de escolha diante do neuromarketing, visto que o exercício daquela poderá ser anulado mediante a presença de tais técnicas.
10
2 PUBLICIDADE E O DIREITO DO CONSUMIDOR
Este capítulo tem como pressuposto inicial a análise, por meio de obras literárias, da formação da sociedade de consumidores no contexto histórico em meio a era capitalista, assim como do nascimento do marketing e da publicidade, como meios de influência no processo de escolha do consumidor. Além de discutir se a publicidade, é o único ou apenas mais um meio, em face a tantos outros capazes de exercer influência.
Ademais, será discutido também quais as normas aplicáveis à publicidade. Visto que no Brasil, há dupla regulamentação, sendo uma privada, realizada pelo Conselho Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CBArP) e uma estatal, realizada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), norma principiológica que deu especial atenção à publicidade.
11
2.1 Inversão de paradigma: uma contextualização da sociedade de consumo
A sociedade atual passou por diversas mudanças
paradigmáticas,
sendo
sua
principal
transformação o distanciamento do necessário e a busca por satisfação de desejos egoístas. Tais mudanças reportam a partir do surgimento dos mercados de massa (LIPOVETSKY, 2007).
A revolução industrial também teve papel importante,
