Pensamentos Poéticos
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Pensamentos Poéticos - Odair José Da Silva
Odair José da Silva
PENSAMENTOS
POÉTICOS
Cáceres, MT
2025
"Às vezes ouço passar o vento; e só de
ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido".
Fernando Pessoa
Aos meus filhos, Sarah e Samuel.
O melhor presente que Deus me deu nesta
vida.
Apresentação do Autor
Atenção! Este livro não deve ser lido por
quem tem a mente fraca. Você deve saber, antes de
adentrar a leitura deste livro, que precisa estar com
a mente aberta para os questionamentos que estarão
diante de seus olhos. Portanto, se seguir a leitura
daqui para a frente, saiba que vai fazê-la por sua
conta e risco.
Dúvidas filosóficas sobre a existência da
vida foram transformadas em poesias na tentativa
de responder as minhas próprias indagações. Por
serem questões profundas que envolvem toda a
humanidade, nada melhor do que compartilhar
esses pensamentos e levá-los a pensar um pouco
mais também. Talvez essa seja a minha maior
pretensão com este livro, isto é, levar você, leitor, a
fazer as suas próprias indagações e buscar as suas
próprias respostas.
Minhas poesias são simples. Quase
nenhuma delas sofreram alterações do momento em
que foi escrita até a seleção para a publicação. Eu
quis assim e, dessa forma, revelo o sentimento
daquele momento. A intenção não é maquiar o
sentimento, mas mostrá-lo na íntegra. Da forma
que saiu do coração e foi para as páginas desse
livro.
Alerta final!
Caso queira saber a ordem e os títulos dos
poemas, o sumário está no final!
*****
A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais
.
(Voltaire)
*****
A poesia é mais profunda e filosófica do que a história
.
(Aristóteles)
*****
"A poesia é o sentimento que sobra ao
coração e sai pela mão".
(Carmen Conde)
*****
"A poesia imortaliza tudo o que há de
melhor e de mais belo no mundo".
(Mary Shelley)
De que loucura falamos?
Da loucura da vida...
Do que somos
Do que queremos ser
Da liberdade que não temos,
Mas tanto desejamos...
Da coragem louca
Que precisamos ter para viver
Da loucura da realidade!
Da louca mania em te imaginar
Viajar nas asas da ilusão
E, te ver na imensidão.
Loucura que transborda
Que não retarda
Que me faz caminhar.
Loucura de saber que você existe
Que está perto de mim,
Mas não te alcanço.
Loucura que me faz sonhar.
Sonhar com você!
Abstração
Seu olhar na noite escura
Fez a luz ser ofuscada
Pelo brilho da sua tristeza
Que rompeu na madrugada
Do sonho introspecto
Abalado pelo pesadelo
De não mais te contemplar
Na miragem do desfiladeiro
Onde não cosegui segurar a queda
Do castelo que criei
No entardecer do dia alegre
Que aqui imaginei.
Por que tanto desespero?
Ergo meus olhos ao céu e suplico angustiado Ora em voz alta, aos gritos,
Ora em voz silenciosa, aos prantos.
Quero entender tudo isso,
Quero saber o que acontece a minha volta E para onde vão meus passos.
Há uma confusão enorme na minha alma E quero entender esta vontade!
Busco, em desespero, saber as respostas Para as perguntas cruciais
Que atormentam minha mente.
Não encontro respostas nos olhos que vejo Não há uma luz no fim desse túnel
E tropeço nas pedras do caminho.
Das profundezas eu clamo em voz alta: Não permita que minha alma veja a morte! E a escuridão me sufoca, E ouço os grunhidos dos vermes.
No fundo da caverna eu me escondo
Da fúria de palavras que projetam mentiras sobre mim!
Sinto frio,
E o cheiro cruel da solidão.
No mais secreto do meu coração
Existe a esperança de dias ensolarados; Não posso acreditar que tudo seja em vão! Caminho por este deserto escaldante E sinto minha boca seca
Preciso de água para sobreviver a este calor sufocante.
Eu duvidei de muita coisas
E não acreditei que pudesse ser livre!
Minha oração é de desespero:
Senhor, ajude-me nesta hora cruel da vida! Dos olhos saem lágrimas
Que teimam em escorrer pela face sofrida E os pensamentos torturam
Rasgam a alma em pedaços.
Olhos julgadores fuzilam-me sem piedade Querem ver o meu fim
E riem-se de mim zombeteiramente.
Mas, me ergo das cinzas,
E não deixarei que seja destruído os meus sonhos. O Senhor é quem levantou-me do lugar horrível Do pântano da imundície E firmou os meus pés sobre a rocha.
Não deixarei vacilar os meus pés
Pois, eu sei em quem tenho crido.
A agonia de querer ser livre
Hoje estava pensando nessa tal liberdade. Daí me veio a mente
Os diversos questionamentos
Que ouço todos os dias a minha volta.
Um dos mais paradoxal diz respeito ao amor: Enquanto uns dizem saber o que ele é
Outros afirmam, categoricamente, não saber explicá-lo.
Na verdade é difícil expressar algo que não vemos. As pessoas não entendem
O que é estar preso a um sentimento onde, Por mais que você queira, não consegue se livrar. Liberdade é quando você pode sonhar E realizar aquele sonho.
Mas, daí entra outra questão pertinente: Ora, um sonho já se explica automaticamente... Sonho é sonho.
O que se realiza não é sonho é realidade. Pois bem, voltando a liberdade.
Nas encruzilhadas da vida,
Cansados de tanto caminhar pela longa estrada, De repente nos deparamos
Com o olhar de uma pessoa que acaba de chegar ali Naquele exato momento.
O que eu procuro ela procura.
Não existem palavras,
Apenas a troca de olhares
O que é suficiente
Para desestabilizar todo um planejamento.
A partir daquele momento
Já não podemos andar mais sozinho,
A liberdade se foi...
Somos prisioneiros.
Que coisa mais complicada.
Acontece que, por passar situações semelhantes, As pessoas querem dar palpites
Dizendo que sabe o que estamos passando... Sabe nada.
Nem a outra pessoa sabe.
Só nós sabemos o que realmente passamos (ou também não sabemos coisa alguma). A agonia de querer ser livre E fazer o que bem queremos.
Mas não temos
Nem a liberdade de escolher no que pensar. Outra coisa fundamental nessa questão É o prejulgamento
que os externos Fazem da nossa situação.
Observam o nosso semblante e,
No ato, dizem saber o que estamos sentindo: "Nossa, você viu o passarinho verde?
Está tão feliz!".
Ou: "Poxa vida, por quem você está
apaixonado?"...
Caramba, quem disse que estou apaixonado? E se estou, o que tem isso?
Pode ser que esteja feliz
Porque passo por um momento bom de minha vida Onde consigo escrever o que gosto.
Adoro falar de sentimento...
Adoro escrever sobre o mundo, Sobre as divagações de um coração
Anelante pelo prazer de ver
As letras surgindo como se fossem automáticas... Sim, é isso!
A liberdade que tanto almejo
É aquela de poder dizer,
Sentir e escrever o que quero
Sem ter que lidar com esse prejulgamento
ridículo
Que prejudica uma alma livre como a minha. Notaram o paradoxo?
Eu falo de alma livre
E questiono a liberdade de expressão.
A lâmina afiada do desejo
Há um grito preso na garganta
Que teima em tentar escapar
Para voar o infinito
Na busca de te encontrar.
Perambulo pelas ruas incólumes da cidade Nas vielas escuras
E vejo os olhares a espreita
Para devorar minha alma.
São demônios da escuridão
Que querem destruir os meus sonhos
E eu não tenho medo
Porque vivo na ilusão.
Rasga a minha alma na incerteza
De dias que já não voltam mais
E a solidão de outrora
É apenas uma luz ofuscada na noite.
O grito já não está preso
Foi solto no alto da montanha
Onde agora me encontro
Tristemente a vagar.
Não preciso de seus conselhos
Eles já não me ajudam mais
Há uma incerteza
Que ofuscam a minha visão.
O sol está se escondendo
E o amarelo dourado me deixa triste
Em saber que mais um dia se foi
Em que eu não vi os seus olhos.
As ruas estreitas da viela São sujas e encobertas pela maldade humana Pessoas surrupiam a alma de inocentes Que não deveriam passar por aqui.
Não há mais um grito preso na garganta Porque a garganta foi cortada
Pela lâmina afiada do desejo
Da liberdade da alma.
Agora ela voa livremente
Rumo ao infinito desconhecido
De uma nova aventura
Que está nos meus pensamentos.
Que país é esse?
Eu amava a História
Dela eu extraia lições dos acontecimentos Para que não viesse a cometer os mesmos erros Que mentes insanas cometeram no passado. Dela eu extraia lições de humanidade De pessoas que viveram e lutaram
Pela liberdade do seu povo
E essas lições eu queria viver e passar
Para minha posteridade.
Mas, roubaram isso de mim
Dizendo que não é importante para um povo Conhecer a sua própria História.
Eu amava a Filosofia
Os grandes pensadores que formularam idéias Desde os pré-socráticos tentando descobrir o mundo
Rompendo com os mitos de origem.
Sócrates, que deu a vida pela suas idéias Platão que me ensinou a República
Aristóteles, a Metafísica e a Política.
Com ela eu aprendi um pouco
Sobre a Patrística de Santo Agostinho
E me encantei com as provas da existência de Deus Formulada por Tomás de Aquino.
Não tenho espaço para descrever o encanto com Os filósofos modernos e contemporâneos Descartes, Kant, Rousseau Nietzsche e tantos outros Que me fizeram pensar com mais liberdade Ter minhas próprias idéias.
Mas, roubaram isso de mim
Dizendo que não é importante para nossos jovens Ter a liberdade de pensar e refletir
Sobre as cosmovisões do mundo.
Eu amava a Sociologia
Como ela me ajudava a refletir sobre a sociedade Entender um pouco sobre a cultura de um povo As contraculturas sempre tão importantes Para delimitar os espaços de idéias na sociedade. Como entender o preconceito, o racismo Sem estudar as questões sociais que nos cercam? Ela que me ensinou sobre as instituições sociais Família, Igreja, Estado Sobre os conceitos básicos para a compreensão Da vida social.
Comunidade, cidadania e minorias
Entre outras coisas que servem
Para o entendimento do mundo.
Mas, roubaram isso de mim
Dizendo que não é importante
Conhecer a sociedade e nem conceitos de cidadanias.
Ah! Eu amava a Artes
Mas que importa isso?
Que importa Educação Física?
Na verdade, para que educação?
Que país é esse?
Que país é esse?
O que querem é um bando de alienados Rebanho passivo que facilitem o domínio Que possam exercer o controle.
Não querem um povo que pensam
Eles dão muito trabalho.
Quem pode sobreviver a esse inferno?
Esse deserto que assola a alma,
Esse esgotamento da vida espiritual,
Essa descrença no futuro da humanidade. O congelamento na própria juventude,
A tirania da dor
Que dilacera o sentimento
É maior que a tirania da vaidade...
O isolamento radical
Que é melhor do que o burburinho da multidão. O desprezo dos homens
Os gritos estridentes das mulheres,
O choro das crianças...
A clarividência da doença
A incerteza do porvir,
O colapso da economia...
O conhecimento que só aceita a amargura Que não ajuda
Que jugula e faz acontecer
Uma náusea nascida da intolerância
Do desrespeito às instituições.
Quem pode sobreviver a esse inferno?
Quem alçará a voz como atalaia
Na torre mais alta
Contra a mediocridade humana?
Quem poderá se livrar das amarras,
Dos grilhões ideológicos,
Da ação alienante das mídias,
Das redes sociais?
Eis que a voz do poeta-filósofo Ecoa agora de forma insofismável
E tem o desígnio de esmiuçar as pedras... Não me calarei!
Pesadelo
Apaguei a luz e senti um calafrio
Havia um vulto
Como se houvesse uma pessoa
Em pé ao lado da cama.
Que porcaria é essa?
Pensei comigo
Num sobressalto acendi a luz
E nada havia em meu quarto
A não ser a minha solidão.
Uma indagação perpassava a minha mente Enquanto sentia o coração pulsar acelerado. Não sei se estava dormindo Sonhando que estava acordado
Ou se estava acordado
Acreditando que estivesse dormindo.
Que realidade é essa?
Que pesadelo é este que tenho agora?
O que são as sensações dentro de mim
Que se digladiam a todo instante?
Quero acordar deste sono profundo
Tornar-me uma metamorfose
Viver uma transformação.
Mas, no silêncio sepulcral que sinto agora Não há espaço para as minhas divagações. Uma tonelada de sentimento Afunda o meu intelecto e sinto náuseas estomacais Que me fazem vomitar as palavras.
Espanto, então, os demônios
Que pairam sobre minha cabeça Os enxoto sem compaixão
Pois não quero ouvir seus grunhidos
E, muito menos, ser por eles atormentados. Fecho os olhos e tento dormir
E já não sei qual realidade estou.
Acordado para a vida eterna
Morto para a vida terrena.
Não pertenço a este lugar
E como peregrino
Sou enxovalhado pelas criaturas abomináveis Que perturbam o meu sono.
Tapo os meus ouvidos e dou um grito:
- Cale-se, demônios do inferno!
Sem saber que os demônios
São meus próprios pensamentos.
Crepúsculo dos deuses
Perdoe-me se não concordares
Com o que irás ler de agora em diante.
Exalto a minha voz e clamo na madrugada. Poderia estar dormindo o sono dos justos Ou nas festas profanas em orgias e degradações. Mas, estou diante da minha missão.
Bradar contra a ignorância.
Contra a tolice humana.
Quais tentáculos de um aracnídeo
Eles perfuram os cérebros dos incautos E os fazem ser dominados e manipulados pelo sistema atual.
Em meu silêncio perturbo-me com o que vejo e ouço durante o dia.
Não que eu queira ser melhor do que ninguém, Mas o ser humano perdeu a sua humanidade. E o que é um ser humano sem humanidade? Pior que os insetos e crustáceos que, pelo menos, Respeitam sua cadeia alimentar.
Mas, o ser humano na sua ambição,
Ganância e hipocrisia solapam a esperança do último mortal.
Com fúria nos olhos eles estraçalham todos os sonhos,
Explodem os balões de oxigênios
Que poderiam perpetuar a nossa existência. E o que fazer nessa situação?
Os deuses estão caídos no chão.
A poeira cobre os seus rostos desfigurados E as pessoas dançam em volta de seus restos como zumbis.
Não há nenhuma percepção.
Não há saída para tamanho desespero.
E eu rasgo o meu coração na dor de ver E ouvir essa ladainha o tempo todo.
Por que você não desperta desse sono mórbido? Por que não dá ouvidos a sabedoria que brada nas praças E avenidas sem ao menos ser notada?
Por que insiste em ser esse anencéfalo ambulante? Por favor, pelo menos uma vez na vida Dê ouvidos a voz da sua consciência E saia desses emaranhados de coisas tolas E supérflua que toma conta do seu tempo. Não seja mais um escravo do sistema.
Liberte-se!
A dor do poeta
Ser poeta é sentir dor diariamente.
Minha dor
Eu tento passar para o papel
Tento livrar-me dela
Passar para o mundo
Porque minha dor não passa.
Todos os dias eu a vejo triste
Seus olhos
Sua esperança no olhar
Na busca de uma vida melhor
Que a tire da solidão
E mude aquele mundo de ilusão.
Ser poeta é sofrer a ausência
De liberdade
É querer voar as nuvens
Ir além do horizonte
Invadir os corações
E permear os sentimentos.
Deixe-me caminhar livremente
Desvendar os mistérios
Tirar de mim esse fardo
Essas armadilhas ferrenhas
Que travam os meus pensamentos
E não deixa-me ser feliz.
Esse é o clamor da liberdade
É o grito
Canto o amor que está no meu peito
A alegria que emana da minha alma
A solidão que sufoca-me na noite escura E a tristeza que acompanha-me.
Esgotamento mental
O fatídico
O esdrúxulo
Inescrupuloso
Tormento de noites insanas
A perturbar a minha alma.
Nem o meu grito pode ser ouvido
Sufocado que é pela angústia
De uma solidão vazia.
Um esgotamento mental
De conviver com a mediocridade
De homens,
Mulheres,
Crianças controladas pela mídia
Ideologias de um mundo em frangalhos. Solto as amarras
Quero libertar-me de tudo isso
Desse esgotamento mental
Que dilacera os meus sonhos.
Aqueça-me com teu sol
E brilhe na minha alma
Como a lua cheia.
Esse esgotamento mental
Não pode sugar minhas ideias
Nem conduzir-me ao ostracismo
De uma vida miserável.
Ergo-me das cinzas
E luto bravamente contra todas as mazelas De intelectos miseráveis
Pois, a minha liberdade é melhor.
Buraco negro de uma eterna solidão
Eu deixo-me apenas expressar as palavras que se formam em minha mente.
Não posso dizer, com certeza, o que se passa no meu coração.
Saudades, talvez.
Amor, paixão, solidão?
Não sei.
Uma mistura de sentimentos que me deixam confuso.
O tempo vai passando lentamente.
Outras vezes passa tão rápido.
Depende muito do espírito a qual estamos inseridos.
Os acontecimentos a nossa volta.
Amigos que se vão, amores que já não são mais. Quantas coisas acontecem em apenas pouco tempo?
E, por não saber o que acontecerá daqui a dez minutos, o desconhecido nos atormenta e fascina ao mesmo tempo.
Sentirei falta desses momentos solitários e reflexivos se estiver compartilhando os momentos com alguém daqui uns dias?
Sentirei
