Sobre este e-book
Se não, tente imaginar os horrores que as pessoas possam viver nesses cenários .A Segunda Guerra Mundial tornou-se um dos horrores mais comentados do mundo.
O livro "Apaixonada pela vida" retrata momentos vividos pela personagem que são de extrema dificuldade, como fome, mortes, frio e medo.
A história se passa dentro do campo de concentração de Auschwitz, onde sua personagem luta todos os dias pela sobrevivência.
Nesse lugar tão desesperador, sua fé se torna inabalável e somente as estrelas lhe trazem um pouco de acalento. A história é marcante em todo o seu desenrolar.
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Pré-visualização do livro
Apaixonada pela vida - Sueli de Paula
1943
Moro em um pequeno vilarejo, onde as nuvens esbarram nos topos das montanhas e a neve confeita as árvores e as casas.
Ando de bicicleta por entre as plantações de girassóis, gosto da chuva fina, de senti-la tocando meu rosto. Minha casa é confortável, adoro ler e conversar, sou apaixonada pela minha vida. Tenho dezesseis anos e estamos no ano de 1943. A guerra toma conta de todas as rádios, e tento esquecer de todas essas atrocidades, pois temo pela minha vida, dos meus irmãos e dos meus pais.
Já estamos sentindo os reflexos da guerra, somos tolhidos de frequentar a igreja e já sentimos a escassez de mercadorias.
Bem perto de onde moro, existe um bosque que, de vez em quando, vou para colher morangos silvestres. Foi em um dia desses que apareceram os soldados do Reich e acabaram com o nosso vilarejo. Do bosque, ouvi os gritos de socorro, crianças chorando, e os tiros implacáveis não cessavam em meus ouvidos. Quando tudo terminou, saí devagar, olhei para os lados e vi a vida dos meus amigos indo embora.
Ajoelhei-me, desolada, e pedi a Deus que me amparasse. Corri para a minha casa, mas meus pais e irmãos haviam desaparecido. Fiquei desnorteada, não sabia o que fazer. As roupas estavam espalhadas, vasilhas arrancadas das prateleiras, devastação total.
Olhei para o interior de minha casa e senti um vazio inimaginável, e pensei em voz alta:
— Estou só!
Não havia mais barulho no vilarejo, muitos morreram, e os sobreviventes foram levados, com certeza, para o campo de concentração de Auschwitz, do qual todos já tínhamos ouvido falar.
Tentei colocar as minhas ideias no lugar antes que o choro pudesse chegar. Não podia ficar ali exposta, se algum soldado voltasse, me mataria. Peguei todas as latas de alimento que pude carregar e corri para um esconderijo que havia embaixo da minha casa.
Era um lugar bem pequeno, alguns ratos transitavam por ali. Desci rapidamente e fechei a portinha que me tirava completamente para fora do mundo.
Não sabia quantos dias e quantas noites aguentaria ficar ali. Sempre se ouvia dizer que, depois do massacre, os soldados nazistas voltavam e faziam uma varredura.
Tentei me acalmar. Tinha que pensar, pois não sabia por quanto tempo aquela comida me sustentaria. A água também era pouca. Coloquei as ideias no lugar, e comecei a marcar na parede os dias, pois, assim, teria a noção exata de quanto tempo aguentaria ali.
O medo e a solidão eram insuportáveis, talvez tivesse sido melhor se eles me tivessem levado.
O esconderijo de guerra
Papai quando fez este esconderijo, pensou em pequenos detalhes, pois sabia que a guerra era longa. Deixou num pequeno armário papéis e lápis, assim os meus dias começaram a ser mais proveitosos.
Comecei a escrever pequenos bilhetes, só que não poderia deixá-los à vista, se não os soldados os rasgariam quando os encontrassem. Foi então que tive a ideia de fazer pequenos buracos nas paredes. Sabia
