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Manual da Modelagem Manual: Cerâmica Artística Básico ao Avançado - 25 peças para aprender criando
Manual da Modelagem Manual: Cerâmica Artística Básico ao Avançado - 25 peças para aprender criando
Manual da Modelagem Manual: Cerâmica Artística Básico ao Avançado - 25 peças para aprender criando
E-book302 páginas2 horas

Manual da Modelagem Manual: Cerâmica Artística Básico ao Avançado - 25 peças para aprender criando

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Sobre este e-book

O conceito de Ikigai já foi relacionado por estudiosos como a chave para uma vida longa com qualidade, encontrar felicidade nas pequenas atividades e hobbies que trazem plenitude e comprometimento de corpo, mente e espírito ao momento presente é muito importante, algo trabalhado diariamente por terapeutas ao redor do mundo.
Minha proposta é ensinar a você a arte da cerâmica por meio de métodos práticos, oferecendo o meu conhecimento na arte de manusear a terra e o fogo, da minha vida para sua vida, democratizando os conhecimentos e demonstrando que não são tão difíceis assim.
Existe uma ameaça muito perigosa na sociedade moderna da qual ainda pouco se fala: a facilidade de enterrarmos o precioso tempo de nossas vidas em mídias sociais e prazeres incompletos. Contra ela, eu acredito no remédio do Ikigai, já que estar com o espírito presente é comemorar a vida e o tempo.
Vamos ser ceramistas? Por meio da confecção de 25 peças, ensino a você mais de 50 técnicas para juntos darmos os primeiros passos pela arte da cerâmica, com o mesmo ensino de qualidade oferecido aos alunos da Escola de Cerâmica Ninsei.
Eu acredito que inovações e avanços tecnológicos ressignificarão a forma com que vamos encarar a vida e o passar do tempo, abrindo janelas de possibilidades e atividades que anteriormente pareciam estar distantes da realidade, como envolver-se com arte e tornar-se um artista. Que época boa para se estar vivo, não é mesmo? O bem-estar está cada vez mais acessível, basta nos abrirmos a ele.
IdiomaPortuguês
EditoraViseu
Data de lançamento28 de jan. de 2025
ISBN9786528008728
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    Manual da Modelagem Manual - Leandro Kanagusku

    1 Básico e Teórico

    1.1 Oi! Muito prazer!

    Eu sou o Leandro Kanagusku e é um prazer escrever para você, espero que este livro ajude em sua jornada de ceramista. Eu sei que não é fácil encontrar informações adequadas na área da cerâmica artística, pois assim como você também já tive que dar os primeiros passos e quando comecei, há dez anos, a informação era ainda mais limitada e restrita.

    Primeiro, deixa eu contar um pouco sobre mim para nos conhecermos melhor. Inicialmente, utilizei a cerâmica como hobby, para cura emocional de aflições e preocupações. Encontrei no barro a esperança para uma vida mais conectada com a natureza, trabalhando com arte, criatividade e formação de pessoas.

    Ikigai, em termos generalizados, é um conceito originado na ilha de Okinawa, no Japão, o qual me foi ensinado desde jovem dentro de minha diáspora familiar, principalmente por minha vovó ceramista, que é basicamente o senso de propósito na vida e considera encontrar atividades que genuinamente amamos fazer, resultando em um sentimento de completude que une corpo, mente, coração e espírito ao momento presente.

    Antes de iniciar a trabalhar com cerâmica, eu estava justamente em desencontro com esse importante conceito e me ocupando de atividades que não apreciava, de maneira automática, robótica e sem conexão com a realidade. Com foco principal na grana, o prazer de trabalhar passava longe. Acredito ser algo bastante comum para a grande maioria das pessoas nos dias de hoje.

    Minha primeira formação é em administração de empresas e eu trabalhava em uma multinacional norte-americana, processando ordens de compra de clientes, ajudando uma máquina de ganhar dinheiro a ganhar mais dinheiro, subestimando a minha existência, somente vendendo meu preciosíssimo tempo de vida. Isso colocou-me em um estado de ostracismo beirando a depressão. Foi quando um anjo acendeu uma lanterna de barro para mim.

    Ao tocar no barro, em um pequeno ateliê na casa de uma senhora muito bondosa de minha cidade, senti um click em meu espírito, era como se eu já tivesse feito aquilo antes, era familiar e eu adorei. Talvez tenha feito mesmo em algum momento durante os ciclos existenciais anteriores ou quando criança, entretido naquelas brincadeiras de bolinha de terra, vai saber. Aliás, por que nós abandonamos a capacidade de sentir felicidade em bolinhas de terra? Aliás, por que as crianças não brincam mais com bolinhas de terra? De antemão, peço desculpas pelas minhas viagens, é difícil conter-me ao redor de um assunto que tanto amo.

    Iniciei, então, criando pecinhas no ateliê dessa senhora, como todo aluno de cerâmica, fazendo as técnicas mais básicas com dificuldade e me frustrando com resultados falhos. Cá entre nós, é mais do que o esperado, em qualquer área de conhecimento que nos dispomos a aprender; sermos honestos com a nossa existência é reconhecer a ignorância inicial de simplesmente não saber fazer, depositando muito menos esperança em um dom divino e secreto guardado nos punhos de uma reencarnação moderna do Michelangelo — digamos que essa é uma expectativa um tanto quanto infantil. Eu já prefiro acreditar menos no conceito de dom artístico e mais na aquisição de conhecimento com muita prática e esforço.

    Persistindo, aprendendo, frustrando-me e avançando, decidi seguir a carreira de ceramista. Fui para o Canadá e me formei em Artes Visuais na Sheridan College. Logo após, viajei ao encontro de técnicas de cerâmica tradicionais e milenares em um mochilão pelo sudeste asiático ficando alojado com mestres ceramistas que, com muita bondade, receberam-me de braços abertos. Foi quando percebi que a comunidade cerâmica se apoia e acolhe a todos, independentemente de suas origens.

    Na Coréia do Sul tive a oportunidade de aprender a técnica de construção de vasos Onggi, que são utilizados para fermentação de alimentos básicos da culinária local — são vasos gigantes, modelados por mãos habilidosas no trato com a terra —, além de também aprender sobre os bules de chá, com muitas características e especificidades, e que, apesar do tamanho pequeno, são incrivelmente complexos de se produzir com excelência.

    Já no Japão, fui até a cidade de Mashiko, berço de Shoji Hamada, que, junto ao britânico Bernard Leach, foi precursor do movimento de reconhecimento da cerâmica como arte. Trabalhava no ateliê, lecionando aulas aos gringos que tinham vontade de viver a experiência da cerâmica; foi a primeira vez que fui chamado de Sensei e foi um marco impactante na minha jornada. Ainda no Japão, fui até a região de Arita aprender sobre a porcelana japonesa e suas técnicas de produção, em uma residência artística numa fábrica de artigos de porcelana.

    Escolhi retornar ao Brasil para os trabalhos no ateliê. Meu objetivo inicial não era dar aulas, gostava mesmo era de modelar as peças e produzir para restaurantes e clientes, mas quando temos algo em nosso destino não tem como fugir. As continhas foram aparecendo e as pessoas requisitando aulas. Iniciei com turmas à noite e a notícia rapidamente se espalhou, aliás, era um ótimo serviço a se oferecer pós-pandemia de covid-19.

    Assim veio a percepção de que o hobby havia de fato se tornado profissão, o romantismo deu lugar ao trabalho duro e o projeto havia vingado, comprometi-me com o trabalho, criando assim uma das maiores escolas de cerâmica do Brasil. Aliei-me a ótimos artistas locais, que também estão entrelaçados com o ensino da arte do barro. Hoje sinto plenitude no que faço e no que construí ao longo desse tempo na cerâmica, amo meu trabalho e carrego uma gratidão à cerâmica no coração.

    Como retribuição à comunidade que me acolheu quando estava naquele fundo do poço, hoje compartilho todos os ensinamentos que coletei nessa jornada para todos que tiverem interesse em ler e aprender com este material. Espero que também lhe auxilie e faça parte da diferença na sua vida.

    Meu objetivo é liberar os conhecimentos de cerâmica, que são muitos, para o máximo possível de pessoas interessadas, e assim estender seus benefícios e possibilidades. Atualmente, sou proprietário e professor da Escola de Cerâmica Ninsei, no estado de São Paulo.

    Na Cerâmica Ninsei, temos um método de ensino bastante diferenciado e de alta qualidade, baseado em conhecimentos práticos e testados, o qual eu anseio trazer todo para fora, mirando pessoas que podem não ter acesso ao ateliê por motivos logísticos, sociais ou adversos.

    Além deste livro, na internet você encontrará as videoaulas correspondentes a cada uma das peças e lições abordadas aqui, podendo ter uma explicação mais visual e detalhada de tudo o que será abordado.

    Seja muito bem-vindo(a) à escola de Cerâmica Ninsei!

    1.2 Introdução à cerâmica artística

    A cerâmica está presente em todas as civilizações do planeta Terra, sendo modelada por cada povo de acordo com a melhor utilização e adequação de suas necessidades, características, técnicas, aplicações etc. Relaciona-se com a arte, religião, costumes e culturas, é modelada e molda pessoas e seus métodos de viver; a cerâmica pode ser utilizada, contemplada, vista, vestida e montada. Se pararmos para refletir, a cerâmica nos rodeia mais do que estamos acostumados a pensar. Está dentro dos nossos lares, como os tijolos e azulejos da parede, as telhas que forram as casas ou no chão, nos lindos pisos e porcelanatos. Serve-nos de pratos, que utilizamos para dispor e acondicionar os alimentos e bebidas, sem contar os usos mais específicos e sofisticados, como a indústria automobilística e de design, e não vamos deixar de lado os grandes mestres da arte como Rodin, Michelangelo, Giambologna, Aleijadinho, Mestre Vitalino, Picasso e tantos outros que utilizaram a cerâmica como idioma visual para expressar sua arte.

    A utilização do barro pela humanidade produz itens culturais que narram o método de vida e criam identidades de países e povos. Quem nunca teve ou viu um porquinho de barro aqui no Brasil? Um filtro de água, uma moringa? Para mim, essas peças narram o cotidiano de uma casa ou pessoa. Uma cumbuca japonesa pode dizer muito sobre a família que a detém. Imagine lindos tamanquinhos brancos adornados com motivos azuis que se relacionam diretamente ao povo holandês. São objetos conectados ao DNA de comunidades, seus usos e costumes, suas ancestralidades.

    A cerâmica esteve presente durante a história das civilizações, documentando o cotidiano da humanidade. As peças produzidas com o barro hoje são artefatos encontrados sob a terra, descobertos pela arqueologia para entender melhor outros tempos e povos do passado. Por exemplo, o que sabemos sobre a Grécia antiga foi adquirido boa parte por meio dos artefatos de barro que narram delicadamente os acontecimentos cotidianos, assim como conseguimos saber mais também sobre os egípcios, os mesoamericanos e os povos originários brasileiros por meio da análise de artefatos cerâmicos. Já pensou na importância que um artesão tem em produzir algo que reporta a vida de um povo de dois, três, quatro mil anos atrás? Será que estamos narrando um cotidiano que um povo X, daqui a 4 mil anos, vai pesquisar e desenterrar para saber mais a respeito?

    Por um período da história, a Cerâmica e a Porcelana movimentaram mercados como artigos exclusivos da nobreza, despertando a cobiça de muitos pelas volumosas quantias de dinheiro transacionado — como a história lamentavelmente se repete, quando o capital é alto, os humanos têm a infeliz capacidade de gerar as piores mazelas para seu semelhante, como a guerra e a escravidão, que infelizmente já se originaram da cobiça pela cerâmica e seu valor agregado.

    Ainda em tempos anteriores, com uma sociedade não industrializada e com materiais menos sofisticados e mais naturais, os utensílios de cerâmica eram produzidos manualmente e mais utilizados no cotidiano, os artesãos eram assim também mais habilidosos, lapidados pela própria demanda de seus produtos, que precisavam atender para a sobrevivência e sustento da família. Na atualidade, o que se torna mais habilidoso são os braços robóticos e a nossa capacidade de consumir produtos descartáveis.

    Dessa forma, nós ceramistas temos a importante incumbência de manter as técnicas vivas e não deixar morrer as habilidades manuais, conhecimentos ancestrais e milenares técnicas de produção. E aí? Aceita o desafio?

    Importante salientar que este trabalho não pretende definir com metodologia científica ou com referências embasadas em estudos acadêmicos. Este material é somente uma coletânea, de acordo com o meu ponto de vista, de lições que aprendi durante a minha jornada como ceramista curioso.

    1.3 O que é a cerâmica?

    De acordo com o dicionário Michaelis, cerâmica é a arte e a técnica de fabricar objetos variados de argila, submetendo-os a altas temperaturas para cozedura. Em minha opinião, e com as devidas licenças poéticas, cerâmica é o ato de se queimar a terra. Basicamente, pegamos um pedaço de barro, conferimos-lhe a forma necessária para a nossa intenção e colocamos dentro de algum forno, com o intuito de queimar esse pedaço de terra.

    Quando recebo crianças em meu ateliê, costumo falar que a cerâmica é a única mídia artística resultante diretamente da junção dos quatro elementos naturais: terra, água, fogo e ar.

    Inicialmente com dois elementos, terra e água, a massa cerâmica, depois de encontrada e retirada da terra, é passível de modelagem graças à presença da água junto das pequenas partículas de barro (pó de sedimentos minerais), o que permite a sua maleabilidade/plasticidade. Já adianto que a quantidade de água precisa ser exata para realizar a modelagem da peça com qualidade, pois, com muita água, a massa fica pastosa e mole, sem estrutura, já com pouca água, esse barro ficará duro e difícil de ser modelado, sendo mais provável que rache.

    Assim como na natureza, a água evapora quando é exposta ao elemento ar que, por meio de ventos, movimenta os seus estados. Da mesma maneira, a peça de cerâmica, após a modelagem com água, é também exposta ao ar para secagem.

    Somente após a evaporação completa da água contida na peça é que, então, podemos expor a argila ao elemento fogo para que a peça adquira o estado sólido final. Esse processo de exposição ao fogo se chama popularmente de queima e propicia a sinterização do barro, que, por meio do calor, aglutina as partículas de pó de terra, composta por minerais

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