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Terras Prometidas
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E-book198 páginas2 horas

Terras Prometidas

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Sobre este e-book

Estávamos acostumados a ver dragões voar pelos seus, os Villar eram os reis do mundo conhecido. Até que tudo desmoronou. O poder do homem e seu ferro nas espadas, levou consigo todo o poder místico que o mundo conhecia. A filha da casa Villar, Clarice, fugida em meio a primeira batalha da família, leva consigo a única esperança de renovar a magia no mundo, três ovos de dragões. Ela cresce rancorosa, mas rodeada de amor, em um castelo distante que restará de sua família. Enquanto ela cresce treinando para reivindicar seu trono e restaurar a paz contra os tiramos Falluy, do outro lado do oceano, três jovens meninos crescem em busca de aventuras e descobertas, um deles, está decidido a preencher o coração com o amor de uma garota que a muito tempo viste em seus sonhos infantis. O caminho até a guerra é rodeado de desafios e morte, mas vale a pena pra vencer. Neste mundo, vale tudo para reivindicar do que é seu. Sua terra, a terra que lhe foi prometida.
IdiomaPortuguês
EditoraClube de Autores
Data de lançamento23 de jan. de 2026
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    Terras Prometidas - Guilherme Aguiar Rodrigues

    퐓퐄퐑퐑퐀퐒 퐏퐑퐎퐌퐄퐓퐈퐃퐀퐒  

    홿홰횁횃홴 ퟷ  

    Uma história repleta de  

    reviravoltas e fantasia.  

    Escrita e idealizada por :  

    GUILHERME AGUIAR RODRIGUES  

    QUANDO O FOGO APRENDEU A CHORAR  

    Antes que o Reino dos Villar ruísse, houve um  

    instante de absoluto silêncio. Não era paz.  

    Era a respiração suspensa do mundo, como se os  

    céus, a terra e os dragões soubessem que algo  

    ancestral estava prestes a ser quebrado. O vento  

    cessou nos campos, as bandeiras penderam  

    imóveis, e até o fogo das tochas pareceu hesitar,  

    recusando-se a iluminar o que viria a seguir.  

    Clarice Villar lembraria daquele silêncio pelo resto  

    da vida.  

    Tinha doze anos e ainda acreditava que castelos  

    eram eternos, que reis morriam apenas nas canções  

    antigas e que dragões, por mais terríveis que fossem,  

    jamais permitiriam que sua própria casa fosse  

    tomada. Do alto das muralhas do castelo Villar, ela  

    observava o horizonte como quem encara um velho  

    amigo. Até que o amigo sangrou.  

    O primeiro sinal foi o vermelho.  

    Não o vermelho nobre dos estandartes Villar, nem o  

    carmesim cerimonial das salas do trono. Era um  

    vermelho impuro, agressivo, espalhando-se pelo  

    campo como uma doença. O exército dos Falluy  

    surgia sem anúncio, como um presságio que se  

    recusa a ser interpretado a tempo.  

    — Eles quebraram o pacto… —

    murmurou alguém  

    atrás dela.  

    Clarice não se virou. Seus olhos estavam presos  

    àquela maré inimiga que avançava com disciplina  

    cruel. Homens, armas, estandartes negros e  

    dourados. O símbolo da família Falluy ondulava com  

    arrogância, como se já tivesse sido coroado sobre  

    cadáveres que ainda não existiam.  

    Foi então que Eysh Villar tomou-lhe o rosto entre as  

    mãos.  

    A rainha era feita de uma elegância severa, talhada  

    não apenas para governar, mas para resistir.  

    Contudo, naquele momento, havia nos olhos de Eysh  

    algo que Clarice jamais tinha visto: a consciência  

    exata do fim.  

    Escute-me como escutaria uma profecia

    disse  

    ela, em tom baixo, urgente, definitivo.

    O que cair  

    hoje não é apenas um reino. É uma história inteira. E  

    histórias só sobrevivem se alguém se lembrar delas.  

    Eysh ajoelhou-se, ignorando a poeira, o barulho  

    distante dos sinos de guerra, o estremecer das  

    muralhas. Dos braços da rainha surgiram três ovos,  

    grandes demais para pertencerem a qualquer  

    criatura comum. As cascas eram marcadas  

    por veios luminosos, quase como se veias de ouro e  

    esmeralda pulsassem sob a superfície.  

    Eles reconhecerão você

    continuou Eysh.

    Não  

    hoje. Talvez nem amanhã. Mas um dia, Clarice,  

    quando o mundo estiver pronto para pagar pelo que  

    fez conosco.  

    Os ovos estavam quentes. Vivos. Clarice sentiu  

    aquilo com uma clareza quase dolorosa, como se  

    tocasse futuros que ainda não haviam aprendido a  

    respirar.  

    O primeiro rugido ecoou pelo céu.  

    Nocruh desceu como uma catástrofe anunciada  

    desde a criação do mundo. O dragão ancestral dos  

    Villar rasgou as nuvens com asas que pareciam  

    feitas de noite sólida, seu corpo um monumento vivo  

    à aliança entre homens e fogo. Quando cuspiu  

    chamas, não foi apenas o campo que queimou, mas  

    a própria ideia de vitória inimiga.  

    Dellaya o seguiu, mais ágil, mais veloz, girando nos  

    céus como uma lâmina viva. Seus gritos não eram  

    apenas de fúria, mas de reconhecimento: ela sabia  

    que aquela batalha não era como as outras.  

    No campo, Donavann Villar comandava.  

    O rei não usava a coroa. Nunca usava em batalha.  

    Para ele, governar era um ato contínuo, não um  

    adorno. Sua espada descrevia arcos precisos, quase  

    rituais, e por onde passava, homens recuavam como  

    se enfrentassem algo mais antigo do que a guerra.  

    Harggon Falluy o encontrou no centro do caos.  

    O choque entre os dois reis não foi grandioso como  

    as lendas prometem. Foi brutal, íntimo, sujo. Ferro  

    contra ferro, ódio contra honra. Donavann cravou  

    sua lâmina no peito de Harggon com força suficiente  

    para atravessar ossos e ambição. Mas reis não caem  

    sozinhos.  

    O machado veio pelas costas.  

    Donovann Villar caiu de joelhos, não em rendição,  

    mas em cansaço. Quando tombou, o mundo  

    pareceu inclinar-se com ele.  

    O rugido de Nocruh partiu os céus em dois.  

    O fogo do dragão não distinguiu carne de coroa.  

    Harggon Falluy foi consumido em segundos,  

    reduzido a uma estátua disforme de ossos  

    incandescentes. O vento espalhou suas cinzas pelo  

    campo como um aviso tardio. Mas a morte de um rei  

    não encerra uma traição.  

    Agora

    disse Eysh, já puxando Clarice pelos  

    corredores secretos do castelo.

    Agora você corre.  

    Jordyn chorava, sua mão pequena presa à de Clarice,  

    os soluços misturados ao som distante de aço e  

    morte. Os corredores, outrora familiares, tornaram-  

    se túneis de despedida. Tapeçarias queimavam.  

    Estátuas ruíam. O castelo Khuoritt aprendia o gosto  

    da própria ruína.  

    A floresta estava próxima. Próxima demais para  

    prometer salvação.  

    A emboscada veio como vem toda desgraça  

    verdadeira: silenciosa.  

    Eysh morreu sem gritar. Seu corpo tornou-se  

    muralha, espada, promessa final. Jordyn caiu logo  

    depois, seu nome dissolvendo-se no ar antes de  

    encontrar resposta.  

    Clarice não lembraria exatamente como sobreviveu.  

    Apenas que correu. Que caiu. Que sangrou. Que  

    respirou quando tudo indicava que não deveria.  

    Quando o amanhecer chegou, encontrou-a  

    ajoelhada entre raízes e cadáveres, os ovos  

    apertados contra o peito como relíquias sagradas.  

    O céu estava vazio.  

    Nocruh e Dellaya haviam desaparecido. Arion  

    continuava preso nos porões que agora eram  

    túmulos. O fogo havia partido, como se até os  

    dragões soubessem quando é preciso se esconder  

    para não enlouquecer.  

    Clarice Villar chorou, enfim.  

    Mas não como uma criança.  

    Chorou como quem sela um juramento sem  

    palavras, um pacto silencioso com o futuro. O Reino  

    dos Villar estava em cinzas. Sua família, em morte.  

    Seu nome, em caça.  

    Ainda assim, o fogo dormia em seus braços. E o  

    mundo, cedo ou tarde, teria de acordá-lo.  

    A neve caía fina, tingindo de cinza o mundo que  

    Clarice conhecia como dourado. Seus pés,  

    protegidos por botas de couro fino que não foram  

    feitas para o barro, latejavam. Nas costas, o peso da  

    bolsa de palha parecia o de uma montanha; os três  

    ovos, frios como pedras de rio, eram tudo o que  

    restava de uma linhagem de reis.  

    Ao longe, uma fumaça tímida subia entre os  

    pinheiros. Uma cabana de troncos brutos, isolada do  

    mundo, oferecia a única promessa de calor em três  

    dias de fuga.  

    O Encontro de Lâmina e Medo  

    Clarice empurrou a porta com o ombro, a mão  

    pequena apertando o cabo de uma adaga de caça  

    que ela mal sabia empunhar. No canto da sala  

    escura, um vulto se mexeu.  

    Dê mais um passo e eu corto seus tendões

    a  

    voz era aguda, mas carregada de uma agressividade  

    desesperada.  

    Um menino, não muito mais velho que ela, surgiu  

    das sombras. Ele segurava um machado de lenhador  

    que parecia pesado demais para seus braços  

    magros. Seus olhos eram como os de um lobo  

    acuado.  

    Eu não quero briga

    Clarice disse, sua voz  

    falhando pela exaustão.

    Só preciso de fogo. E de  

    um lugar para sentar.  

    Não tem comida aqui

    o menino rosnou, sem  

    abaixar o machado.

    Os soldados levaram tudo. Vá  

    embora.  

    Eu não vou a lugar nenhum. Meus pés estão  

    sangrando e eu tenho algo que não pode esfriar.  

    Eles se encararam por longos minutos, dois órfãos  

    testando a vontade um do outro. Por fim, o menino  

    abaixou a arma, embora o olhar permanecesse  

    desconfiado.  

    O nome é Arnold

    disse ele, voltando a atiçar as  

    brasas de uma lareira moribunda.

    E se você tentar  

    me roubar enquanto eu durmo, eu jogo você no  

    poço.  

    Eles se sentaram em lados opostos do fogo. Clarice  

    abraçava a bolsa de palha com um zelo que não  

    passou despercebido por Arnold. Para quebrar o  

    silêncio que cheirava a morte, ele começou a falar, a  

    voz monótona como se estivesse contando a história  

    de outra pessoa.  

    Eles vieram ao amanhecer

    Arnold disse,  

    olhando fixamente para as chamas.

    Não eram  

    soldados de verdade. Eram mercenários,  

    aproveitando que os exércitos do sul estavam em  

    movimento. Meu pai disse para eu me esconder no  

    silo de grãos. Eu vi pelos vãos das madeiras.  

    Ele apertou as mãos em punho.  

    Minha mãe tentou oferecer o ouro que tínhamos.  

    Eles riram. Meu pai pegou o machado

    o mesmo  

    que estou segurando agora

    mas eram cinco  

    contra um. Eles não apenas os mataram, Clarice.  

    Eles fizeram questão de queimar o celeiro com eles  

    dentro. Eu fiquei lá, cheirando a fumaça da minha  

    própria vida, até que o último deles partisse. Agora  

    só sobrou esta cabana e o frio.  

    A Queda dos Villar  

    Clarice sentiu uma pontada de reconhecimento. A  

    dor dele era crua, física. A dela, porém, tinha o peso  

    de um império desmoronando.  

    Você perdeu uma casa, Arnold. Eu perdi um  

    mundo

    ela sussurrou.  

    Ele a olhou com desdém.

    E quem é você para falar  

    de mundos?  

    Há três dias, eu acordei com o som de trombetas  

    que não eram as nossas. Os Falluy... eles não vieram  

    para saquear. Vieram para erradicar. Eles subiram as  

    muralhas de Villar como se as pedras estivessem  

    cansadas de nos proteger.  

    Arnold paralisou. A queda de Villar era um boato que  

    corria os bosques, mas ter a prova diante de si era  

    diferente.  

    Meu pai, o Rei, me entregou esta bolsa. Ele disse  

    que o futuro não estava nas coroas, mas no que  

    estava aqui dentro. Eu vi o salão principal ser tomado  

    por chamas verdes. Minha mãe... ela ficou para trás  

    para garantir que eu alcançasse as passagens  

    secretas. O último que vi de Villar foi a bandeira do  

    Dragão sendo rasgada e substituída pelo estandarte  

    negro dos usurpadores.  

    Ela abriu um pouco a bolsa, revelando a textura  

    escamosa e magnífica de um dos ovos.  

    Os Falluy acreditam que mataram a linhagem.  

    Eles acreditam que o fogo morreu com meus pais.  

    Mas enquanto eu respirar, e enquanto

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