Tecnologias e Educação: Conhecer o Outro Lado
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Tecnologias e Educação - Adilson Cristiano Habowski
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE
PREFÁCIO
O livro Tecnologias e Educação: conhecer o outro lado, de Adilson Cristiano Habowski, apresenta um amplo panorama a respeito dos desafios da reflexão sobre as tecnologias na educação de maneira crítica e reconstrutiva. De imediato, o leitor talvez ficará admirado ou assustado com a capacidade de escrita ímpar, a velocidade com que se agrupam informações basilares em poucas palavras ou frases, tornando a escrita fluente, acadêmica e afinada aos propósitos e às exigências do campo da visão crítica das tecnologias na educação. Trata-se de uma reflexão filosófica que, embora passe por diferentes autores e movimentos, não perde em densidade e riqueza reflexiva em momento algum. A exploração das contradições formativas das tecnologias, como objetivo geral do livro, traz consigo um olhar aguçado e já experimentado, percebendo as inércias e resistências, mas também as suas potencialidades implícitas no campo do agir educativo.
Tendo em vista a necessidade de sua operacionalização na educação, caso contrário a educação ficaria refém da fuga para o passado
, Adilson consegue tratar diversas abordagens vigentes das tecnologias na educação evitando cair na utopia idealista de uma fuga para o futuro
, como se não houvesse tensões nesse meio e a compreensão de outras formas de recepção das tecnologias na educação.
Ao ler este maravilhoso livro, pensei na minha própria experiência de vida e trabalho na Educação a Distância (EaD), que não deixa de ser uma forma de uso das tecnologias na educação. Revi os primeiros passos ou momentos incipientes em que adentrei, por curiosidade, no ano de 2008, quando a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) criou a Cead (Coordenadoria da Educação a Distância), sendo substituída depois pelo NTE (Núcleo de Tecnologia Educacionais). Entrei na educação virtual porque sempre fui um entusiasta, até certo ponto moderado, do uso das tecnologias na Educação. Tinha curiosidade se de fato as tecnologias poderiam provocar o efeito anunciado de encurtar as distâncias geográficas entre um polo emissor
e um polo receptor
do conhecimento, coisa que a educação presencial não dá conta, pela sua própria índole e característica. Essa inserção ocorreu primeiro por meio da participação no curso de Espanhol – EaD para trabalhar com a disciplina de Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação e, logo a seguir, como convidado para assumir a função de coordenador de tutorias. Ao fazer as visitas periódicas aos polos, percebi a dificuldade inicial por parte dos estudantes no domínio dos conhecimentos específicos do curso. Eles se deparavam com problemas, inclusive, para falar expressões básicas, como os cumprimentos em espanhol: "buenos días,
buenas tardes etc. Ao realizar as visitas a partir do terceiro semestre do curso, percebi a mudança e o poder da EaD, pois os estudantes passaram a conversar em espanhol praticamente em pé de igualdade com os colegas (professores e tutores). No curso de EaD em Ciências da Religião, a experiência não foi diferente. No início, observei nas idas aos polos que nos depoimentos dos estudantes havia uma visão religiosa confessional e salvacionista: cada um defendia a sua crença como a melhor, submissa à ideia de
mercado da fé". No transcorrer do trabalho, fui observando uma evolução nas posições defendidas, à medida que eles tomavam distanciamento maior das suas crenças, passando a ter uma visão mais inclusiva e inter-religiosa. Notei nessas experiências que a EaD realmente funciona e que, paralelo a isso, o complexo da internet pode potencializar grandes benefícios às populações quando utilizado de forma educativa e emancipatória.¹
De vez em quando, escrevo algo sobre as tecnologias. Este é um tema que me persegue de maneira recorrente nas minhas pesquisas, às vezes de maneira crítica e, às vezes, de maneira laudatória. No período em que ainda estava atuando no curso de Espanhol, escrevi um artigo que tentava articular as duas visões (pessimista e otimista) ao mesmo tempo denominado Educação Interativa ou Extensionista no Universo Virtual?
². Nele, defendi a hipótese que a revolução da internet havia desbravado um território (universo online) semelhante à descoberta do Novo Mundo pelas grandes navegações dos séculos XIV e XV, e que, graças à internet, o conhecimento ganhou asas e não poderia mais ser simplesmente aprisionado no espaço físico. Com isso, a nova fronteira do universo online estava despertando a cobiça da pirataria e a mercantilização da sociedade do consumo. O melhor seria povoar ou ocupar esses espaços com produtos formativos. Na linha habermasiana e freireana, sugeri que uma das formas produtivas para realizar esse ato seria por intermédio de uma relação interativa e comunicativa entre os polos do conhecimento, jamais extensionista, como se levasse algo a alguém de maneira unidirecional.
Por isso, quando me deparei com o livro Tecnologias e Educação: conhecer o outro lado, eu já tinha uma razoável trajetória em campo, porém fui surpreendido e impactado de maneira extremamente positiva pelo trabalho, pela capacidade de apresentar uma visão de síntese e, ao mesmo tempo, profundidade ímpar sobre um tema tão complexo e multifacetado como esse. O livro navega na interface entre formação humana, tecnologias e educação, prática reconstrutiva e libertadora de mundos, enfocando a dimensão político-ideológica e as relações de poder; combate uma perspectiva muito comum, em termos filosóficos, de relativismo na recepção das tecnologias, contemplando um viés mais subjetivo por um lado e, por outro, a mera instrumentalização técnica como forma de resolver os problemas educacionais de maneira objetiva. Porém a sua perspectiva transcende este universo da discussão teórica e avança para uma compreensão social, percebendo que a população vive a sociedade do cansaço, impessoal, desconfiada e passiva diante do monopólio das tecnologias digitais. E que o uso linear e acrítico das tecnologias vem modificando o modo como pensamos e agimos, comprometendo capacidades cognitivas como a memória, a imaginação e também a faculdade de pensar e cooperar. Seu impacto na formação da mente das novas gerações está sendo quase que avassalador, criando um hiato entre passado e futuro que, talvez, nem Hannah Arendt, nem Walter Benjamin, com todas as suas capacidades de observação das transformações da modernidade, tenham sido capazes de intuir. As crianças e jovens não pensam e nem atuam do mesmo modo que as outras gerações, suas metáforas já não são as mesmas de ontem, por exemplo, o que torna o diálogo difícil – para não dizer quase impossível –, pois perdemos o chão do mundo comum da linguagem. Por isso reverbera uma hostilidade cada vez mais acentuada entre o pensamento autocrítico e a tecnologia reificada, que as certezas de uma educação conservadora e pedagogizada talvez jamais vão perceber ou alcançar. O ideal seria que a tecnologia fosse orientada pelo viés do diálogo, da alteridade, do valor da experiência, mas não é o que está acontecendo na era da máquina
.
Possivelmente a arte consegue perceber, com a clareza que lhe é peculiar, o alcance dessas transformações. O filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick, cujo lançamento, ocorrido em 2 de abril de 1968, completou 52 anos neste ano, apresenta intuições notáveis nesse sentido. A abertura do filme oferece uma metáfora inigualável desses processos, quando um grupo de hominídeos (pré-históricos) depara-se com um osso, diante de um monolito, que seria uma espécie de elo perdido da cadeia da evolução. Eles passam a manusear aquele grande osso como uma arma e, assim, afugentam oponentes ou a tribo inimiga. Milhares ou talvez milhões de anos depois, o filme faz um corte de um hominídeo jogando o osso, que se transforma numa poderosa nave espacial vagando no espaço, para o céu. Ou seja, a mesma tecnologia que pode ser utilizada como arma para liquidar um inimigo ou oponente, pode nos libertar e levar a lugares nunca antes desbravados.
Do mesmo modo, acredito que a revolução da internet tenha desbravado um território (universo online) semelhante tanto à experiência do hominídeo primitivo, como também à descoberta do Novo Mundo pelas grandes navegações dos séculos XIV e XV. Se, com as redes online, o conhecimento ganhou asas que nos conduzem a aventuras inimagináveis, hoje uma nova ameaça paira sobre o universo virtual. Crenças fascistas são disseminadas pelas redes ou correntes de Facebook, Messenger, Whatsapp, entre outros, denotando a existência não de um fascismo político, mas social, apoiado por um sistema político e econômico. Essas crenças têm como denominador comum a reiterada tentativa de inferiorização do outro, em um ponto de vista político, étnico, social ou religioso, ao defender pautas como: a retomada do armamentismo, o orgulho exacerbado da nação e do patriotismo e a visão afeita a uma cultura machista, misógina e homofóbica. Sem contar também com a defesa absurda de teorias conspiratórias, tais como: da terra plana, da revolta contra as vacinas, contra a tese do aquecimento global etc., chegando ao ponto de 1/3 dos brasileiros afirmar que desconfia da ciência. A ideia de que a terra é plana, por exemplo, é recorrente na história do conhecimento. Desde o mundo antigo, passando pelo mundo moderno e chegando, hoje, ao ambiente das mídias sociais, existem pensadores que defendem essa teoria. No entanto há um consenso na comunidade científica de que essa não passa de uma teoria pseudocientífica, pois não há evidências empíricas que sustentam essa tese.³
Por isso, entendo que a formação do professor deveria ensinar a acolher as opiniões dos estudantes e procurar ampará-las para que elas não caiam no abismo das crenças fascistas, largamente difundidas nas redes sociais atualmente. Creio que este livro oferece reflexões em torno justamente dessa possibilidade. Ele é uma espécie de monolito a inspirar, como elo perdido, a cadeia da evolução entre a invenção da tecnologia e o seu uso educativo ou emancipatório, tentando cobrir o descompasso entre a produção tecnológica e a formação pedagógica do professor. Acredito que ele sirva como um desafio ou talvez um convite para alçar um novo voo do Pássaro de Minerva, realizado no cruzamento da reflexão dos teóricos críticos sobre a Filosofia da Tecnologia e a Educação. Um convite a todos, especialistas ou leigos no assunto, para saírem de lugares-comuns e da submissão a teorias conspiratórias, provocando a esperada reflexão-ação mediada pelas tecnologias na cultura escolar.
Amarildo Luiz Trevisan
Professor titular da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/RS/Brasil
e pesquisador PQ-1D do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico – CNPq/Brasil.
Sumário
PRIMEIRA PARTE
Situando o Debate em Questão 13
1
Perspectivas e desafios do estudo 23
SEGUNDA PARTE
Teoria Crítica: a atualidade da crítica 31
2
A Teoria Crítica e suas interfaces educacionais
tecnológicas 55
3
A Filosofia da Tecnologia em Andrew Feenberg
e a educação 71
4
(Auto)exploração, relações de poder e traços
totalitários no enxame digital: modos de pensar
a tecnologia hoje 85
TERCEIRA PARTE
As Tecnologias na Educação: percalços e
enfrentamentos à tradição instrumental 103
5
Desafios à formação de professores – educar,
compreender, humanizar e dar voz às opiniões
diferentes da aplicabilidade técnico-operacional 115
6
Por uma cultura reconstrutiva das tecnologias
na educação 129
REFERÊNCIAS 135
ÍNDICE REMISSIVO 147
PRIMEIRA PARTE
Situando o Debate em Questão
Teoricamente, o conceito de tecnologia envolve múltiplas variáveis, a saber: fatores cognitivos, que dizem respeito aos conhecimentos inerentes a certo domínio técnico associado a competências e estilos de pensamento; aspectos motivacionais, aspirações e impulsos associados à orientação para realizar a tarefa educativa proposta; fatores de personalidade, capacidade de arriscar e desafiar a si e aos outros
