A Formação do Leitor/produtor de Textos como Sujeito Crítico: uma experiência no ensino fundamental
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A Formação do Leitor/produtor de Textos como Sujeito Crítico - Wanderlúcia Reis de Menezes
Aos meus queridos pais, exemplos de leitores, alicerces na minha formação como leitora.
O educador, como quem sabe, precisa reconhecer, primeiro, nos educandos em processo de saber mais, os sujeitos, com ele, deste processo e não pacientes acomodados; segundo, reconhecer que o conhecimento não é um dado aí, algo imobilizado, concluído, terminado, a ser transferido por quem o adquiriu a quem ainda não o possui.
(Paulo Freire, 1981)
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Créditos
Apresentação
Introdução
O ensino da língua materna – contribuições na formação do leitor/produtor de textos crítico
1.1 Linguagem, língua e texto
1.2 A leitura e o papel da escola
1.3 O sujeito crítico – um leitor/produtor de textos
1.4 A escola – formadora de sujeitos críticos?
A argumentação no processo de aprendizagem da escrita
2.1 Argumentação
2.2 Artigo de opinião e cartum
2.2.1 Reescrita/refacção de artigos de opinião
Questões práticas e metodológicas na realização deste estudo
3.1 Metodologia utilizada neste estudo
3.2 Caracterização da escola, das aulas e da turma
3.3 Questionário sobre práticas de leitura e escrita resultado
3.4 Proposta de intervenção
3.5 Estrutura prática da proposta interventiva
3.6 Diário de campo: descrição e análise das situações vivenciadas
3.7 Análise dos textos produzidos pelos alunos
3.7.1 Textos produzidos por Mariana
3.7.2 Textos produzidos por Janaína
3.7.3 Textos produzidos por Margarete
Considerações finais
Referências
APÊNDICE A – Questionário de sondagem
APÊNDICE B – Questionário sobre práticas de leitura e escrita
APÊNDICE C – Quadros e respostas dos alunos referentes ao questionário sobre práticas de leitura e escrita
Landmarks
Capa
Folha de Rosto
Página de Créditos
Sumário
Bibliografia
Apresentação
O estudo desenvolvido durante o Mestrado Profissional em Letras, na Universidade Federal de Alagoas, constitui este livro, que se origina da dissertação intitulada A formação do leitor/produtor de textos como sujeito crítico: proposta de ação pedagógica em uma turma do 8º ano do ensino fundamental
, produzida sob a orientação da Prof.ª Dra. Rita de Cássia Souto Maior Siqueira Lima.
O trabalho consiste numa pesquisa sobre a formação do leitor/produtor de textos como sujeito crítico, a partir do trabalho com a argumentação em sala de aula. Assim sendo, a criticidade dos discentes do 8º ano, de uma escola pública estadual, em Maceió (AL), foi observada nas propostas de leitura/escrita de gêneros textuais como artigo de opinião e cartum, e na compreensão responsiva ativa desses alunos.
No primeiro capítulo discute-se sobre o ensino da língua materna e suas contribuições na formação do leitor/produtor de textos, estudando sobre língua, linguagem e texto, refletindo sobre a leitura e o papel da escola, entendendo o sujeito crítico - um leitor/produtor de textos, e pensando na escola como formadora de sujeitos críticos.
O segundo capítulo trata sobre a argumentação no processo de aprendizagem da escrita, estudando sobre a argumentação, dialogando a respeito dos gêneros textuais artigo de opinião e cartum, inclusive no que concerne à reescrita/refacção de artigos de opinião.
Por fim, o terceiro capítulo expõe as questões práticas e metodológicas que compõem o estudo – metodologia utilizada, caracterização da escola, das aulas e da turma, resultado do questionário sobre práticas de leitura e escrita, proposta de intervenção, diário de campo e análise de textos produzidos pelos alunos.
Então, espera-se que esta publicação possa facultar aos leitores, sobretudo àqueles que são professores, uma reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, especialmente no que concerne ao desenvolvimento da criticidade do educando.
Introdução
Este trabalho é um estudo sobre a formação do leitor como sujeito crítico. Compreende-se que o termo crítico
parece ter se esvaziado um pouco, mas neste trabalho é entendido como a forma de inserção do sujeito no seu discurso/texto, gerando a compreensão de mundo, considerando sua autonomia relativa¹ (ZOZZOLI, 2007). Nesse sentido, Freire (2002, p. 15) esclarece que não acontece automaticamente a promoção da ingenuidade para a criticidade, e, em outro tempo, o autor acrescenta também a respeito do pensar crítico o seguinte: Pensar que, não aceitando a dicotomia mundo-homens, reconhece entre eles uma inquebrantável solidariedade.
(1987, p. 47). Para o educador, o pensar crítico percebe a realidade como processo, que a capta não como algo estático, mas em constante devir.
Assim sendo, trata-se de uma análise teórico-prática com uma proposta de intervenção, baseada na observação de marcas de argumentação nos textos trabalhados em sala de aula, visto que o PROFLETRAS - Mestrado Profissional em Letras promove a reflexão sobre a práxis pedagógica e, com isso, convida o pesquisador a reelaborá-la a fim de construir um novo fazer pedagógico, mais elaborado e coerente na busca do que deseja no processo educativo.
Considerando o educando como um leitor/produtor de textos que pode posicionar-se no mundo com criticidade, este estudo propõe observar um pouco da caminhada desse sujeito para conhecer aspectos que contribuem na sua formação de leitor crítico. Segundo Freire (2011):
Nas relações que o homem estabelece com o mundo há, por isso mesmo, uma pluralidade na própria singularidade. E há também uma nota presente de criticidade. A captação que faz dos dados objetivos de sua realidade, como dos laços que prendem um dado a outro, ou um fato a outro, é naturalmente crítica e, por isso, reflexiva e não reflexa, como seria na esfera dos contatos. (FREIRE, 2011, p. 56)
Nessa perspectiva citada por Freire acima, que é reflexa e não reflexiva, a pesquisa e o construir nesse fazer pedagógico reelaborado aconteceram numa turma de 8º ano D, com quarenta e três alunos matriculados, com faixa etária entre doze e catorze anos no turno vespertino, numa escola da rede estadual de ensino, em Maceió (AL). Ao iniciar este estudo, em 2014, esta turma era um 7º ano E², com trinta e cinco alunos matriculados.³ O grupo de alunos desta turma compôs o 8º ano D, o qual participou deste trabalho, na realização da parte prática.
O objetivo deste estudo foi refletir sobre práticas pedagógicas que oportunizassem aos alunos se posicionarem criticamente através da produção textual em sala de aula.
Conforme Souto Maior (2007, p. 76) a autonomia relativa⁴ pode desenvolver-se para a emancipação. O termo emancipação é usado com frequência neste trabalho, no entanto com diferentes sentidos, considerando a ideia construída pelo senso comum, que se vê nos meios midiáticos, mas ainda o que esclarece Decker (2010), inclusive com conceitos de Luckács (1972) e Freire (1985). Segundo a autora, o termo é lido em Marx por Luckács (1972, p. 9), de modo que o trata como categoria e define-a assim: forma de ser, determinações da existência
. Decker explica que a emancipação é uma realidade social, tem história, e por isso para entendê-la é necessário analisar seu processo histórico de construção e de organização do seu significado.
A autora faz um estudo dos conceitos freireanos sobre emancipação, em categorias. A respeito da categoria ser mais
aclara da seguinte forma com o pensamento do próprio educador.
O homem pode refletir sobre si mesmo e colocar-se num determinado momento, numa busca constante de ser mais e, como pode fazer a auto-reflexão, pode descobrir-se como um ser inacabado, que está em constante busca. Eis aqui a raiz da educação. (FREIRE, 1985, p. 27 apud DECKER, 2010, p. 95 e 96, grifos da autora)
Além dessa categoria ser mais
, considerando o homem um ser inacabado, Decker trata da segunda categoria, a radicalização
, e da terceira, o diálogo
. A autora cita Freire (2009) para esclarecer a respeito do diálogo
:
a existência porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. [...] Dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens. (FREIRE, 2009, p. 90 apud DECKER, 2010, p. 108)
Com isso, conclui-se que as categorias se encontram numa concepção de sujeito que pode ser pensante, crítico, completo e não fragmentado. No trabalho desenvolvido, esse sujeito estando na sala de aula, foi convidado à leitura, visto que esta possibilita uma aprendizagem através do diálogo, em prol da emancipação. Segundo Souza (2014), a leitura
deveria ser vista como um processo de ensino/aprendizagem que vai além de um simples ato de decodificar, pois envolve uma complexidade e exige sacrifício, é também descobrir e descobrir-se.
Entendendo a leitura como interação social, é oportuno mencionar Freire (1989, p. 14) que esclarece: o ato de ler implica sempre percepção crítica, interpretação e ‘re-escrita’ do lido.
A leitura e a escrita propiciam ao leitor/produtor de textos a interação no processo de aprendizagem, com relativa autonomia. Considerando isso, a pesquisa possibilitou aos alunos interagirem com criticidade, na sala de aula, para a partir disso desenvolverem-se para comunicarem-se melhor em outros contextos.
Refletir sobre o que é experienciado em sala de aula contribui para um fazer pedagógico mais eficiente. Zozzoli (2007, p. 161), esclarece sobre a formação do sujeito leitor/produtor de textos:
Para ir além do reconhecimento e da reprodução, é necessário considerar que a formação do sujeito leitor/produtor de textos relativamente autônomo (aluno e professor) não se resume a fórmulas prontas, mas é propiciada pela ação reflexiva desse sujeito na situação de ensino e aprendizagem.
Como diz a autora, a ação reflexiva do sujeito propicia, na situação de ensino e aprendizagem, a autonomia relativa desse, seja aluno ou professor, leitor e/ou produtor de textos.
A intervenção no processo educativo visou contribuir no desenvolvimento do educando, na leitura e na escrita, a fim de que ele interagisse e se expressasse com criticidade. Inicialmente, em 2014, no 7º ano E, foi aplicado um questionário de sondagem, para conhecer as práticas de leitura dos estudantes, participantes da pesquisa. No ano seguinte, foi aplicado um outro questionário, para conhecer práticas relacionadas também à escrita desses.
Apesar
