Autorrealização e Transcendência: O sentido na Docência, o sentido em sua vida
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Sobre este e-book
Com estilo suave e fluido, apesar de um estudo cientificamente denso, a autora mostra que o destino do homem é a busca do sentido da vida. No caso do docente universitário, a realização da vida se revela no decorrer do processo educativo e no resultado da transformação humana e profissional. A riqueza da bibliografia que fundamenta o estudo, bem como suas conclusões apontam para que todos os docentes se debrucem em estudá-la e, com ela refletir sobre o significado da magnitude do papel do educador.
Dr. Aristides Cimadon
Reitor da Unoesc – Universidade do Oeste de Santa Catarina
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Autorrealização e Transcendência - Danuza Maria Grassi
Capítulo 1
Referencial teórico
1.1 - Perspectiva antropológica
Falar em ser humano requer falar em antropologia. Antropologia é uma ciência que estuda a humanidade (antiga e moderna) como também seus estilos de vida, portanto, possui ramos distintos. Tem como objetivo o estudo da humanidade em sua totalidade de forma holística, com caráter global e comparativo. Os seres humanos seguem o impulso espontâneo que desperta a curiosidade sobre os costumes e tradições dos povos.
É objetivo da psicologia social compreender e explicar como o pensamento, o sentimento e a conduta das pessoas são influenciados pela existência dos outros, e também compreender as variáveis de influências para as pessoas. A psicologia social exerce um papel importante que se origina das necessidades que a sociedade apresenta.
A perspectiva antropológica tem como objetivo introduzir a ideia de homem apresentada neste trabalho. A linha de antropologia que fundamentou este estudo se vincula com a antropologia existencial e a antropologia integrativa.
Sobre a concepção filosófica Jaspers propõe que todo pensamento essencial da filosofia remete mais além de si, à realidade que dá sentido ao filosofar. Só ali acontece o que já não há que interpretar como conteúdo intencional de uma afirmação.
(Jaspers, 1993, p.134, tradução nossa).
A visão antropológica abordada em uma investigação para desenvolver uma proposta, resulta dar a conhecer a ideia de pessoa que parte para essa tarefa, e que lugar ocupa no mundo. Segundo Jaspers, a filosofia leva aonde cada indivíduo particular é entregue, não pela filosofia, senão pela transcendência; e aonde ele decide mediante sua ‘existência’
. (Jaspers, 1993, p.135, tradução nossa). Aqui o autor nos aponta a ideia de homem mediante a capacidade de escolha que possui, o homem é um ser decisivo.
Emannuel Mounier (1992), pensador francês criador do movimento filosófico personalista, expôs os conceitos fundamentais desta filosofia, que por outra parte possui uma larga tradição grega, o cristianismo e o existencialismo. Abarca a ideia da busca da realização dos indivíduos como pessoas, portanto, define pessoa como um ser espiritual que possui uma hierarquia de valores livremente adotados e assimilados e que vive em compromisso responsável com seus semelhantes no desenvolvimento da singularidade de sua vocação.
(Mounier, p.625, tradução nossa).
Segundo Mounier (1992) os seres humanos nascem indivíduos e podem chegar a ser pessoas, seres espirituais. Para superar uma crise necessita um tratamento que atue sobre a cultura, o qual requer voltar a reunir as duas divergentes linhas do pensamento contemporâneo representadas por Marx e Kierkegaard. Marx destaca o pensamento materialista aplicado à compreensão da história da humanidade. Prioriza as determinações exteriores que influem na pessoa. Kierkegaard, ao contrário de Marx, exacerba a subjetividade, a liberdade do indivíduo e a espiritualidade.
Mounier (1992) resume os planos da exterioridade e da interioridade no conceito de acontecimento. O acontecimento é único porque é a pessoa quem decide que o seja. Acontecimento é o que ocorre quando um se faz presente e passa a tratar o outro de maneira como trataria a si mesmo.
Para aclarar a ideia de homem se utiliza também o conceito de Max Scheler (1874-1929) que pertence à antropologia filosófica existencialista. Define claramente como uma ciência fundamental da estrutura e essência do homem se relaciona com a natureza e as coisas.
Scheler (2008) fundamenta sua posição em duas principais concepções que se relacionam estreitamente: a noção de valor e a de espírito. É notável a coerência entre sua antropologia e sua axiologia. Apresenta uma concepção dualista de homem: ser de impulsos e de espírito ao mesmo tempo; e parte desta concepção a sua sociologia, igualmente dualista enquanto sociologia real e sociologia da cultura. Como consequência, no essencial eleva-se aos supostos metafísicos. Segundo Scheler (2008), o voltar-se para as essências tem um sentido e um alcance metafísicos, estranhos de todo ponto ao pensamento de Husserl, fundador da fenomenologia.
Scheler foi adepto dos princípios de Husserl, as coincidências fundamentais entre eles constam no Manifesto Fenomenológico de 1913, prefixado no primeiro volume do Anuário de filosofia e de indagação fenomenológica. Isto porque havia a necessidade de retornar às fontes vivas da intuição e às essências dadas intuitivamente e a priori, para esclarecer os conceitos e colocar os problemas em bases sólidas.
Em El puesto del hombre en el cosmos, Scheler (2008) busca definir o homem abordando inicialmente três círculos de ideias. Primeiro, o círculo de ideias da tradição judaico-cristã; segundo, o círculo de ideias da antiguidade clássica; e o terceiro círculo de ideias, são as ideias forjadas pela ciência moderna da natureza e pela psicologia genética. Esses três círculos de ideias carecem entre si de toda unidade. Em resumo, uma antropologia científica, outra filosófica e outra teológica, que uma não se preocupa com a outra, sendo assim não se tem uma ideia unitária do homem. Desta forma se propôs uma nova antropologia filosófica.
Sobre o conceito de homem:
O princípio que faz do homem um homem é alheio a tudo o que podemos chamar vida, no mais amplo sentido, já no psíquico interno ou no vital externo. O que faz do homem um homem é um princípio que se opõe a toda vida em geral; um princípio que, como tal, não pode se reduzir à evolução natural da vida
.
(Scheler, 2008, p.60, tradução nossa).
Segundo o referido autor, esse princípio é o que os gregos chamaram de a razão
, mas o autor prefere empregar uma palavra que compreende este conceito de razão juntamente com sentidos mais amplos como a intuição, e demais atos emocionais, como a veneração, a bondade, o amor, etc. Esta palavra é espírito.
Neste sentido, Scheler (2008, p.61, tradução nossa) define o homem enquanto pessoa como o centro ativo em que o espírito se manifesta dentro das esferas do ser finito.
E aprofunda sua definição de pessoa:
[…] é o único que pode se elevar por cima de si mesmo – como ser vivo – e partindo de um centro situado, por assim dizer, além do mundo tempo-espacial, converter todas as coisas, e entre elas também a si mesmo, em objeto de seu conhecimento.
(Scheler, 2008, p.72, tradução nossa).
Este centro, a partir do qual realizam os atos, seu corpo e sua psique, é o fundamento supremo do próprio ser.
(Scheler, 2008, p.72, tradução nossa). Portanto, é o homem ser superior a si mesmo e ao mundo.
Scheler faz referência à teoria da apercepção transcendental de Kant que elevou pela primeira vez o "espírito sobre a
psique" e assim negou que o espírito seja somente funções pertencentes a uma suposta alma substancial, cuja ficção se deve unicamente a uma substancialização da atual unidade do espírito.
Kant fundamenta a ética no dever
, e assim na razão. O ato do homem deve obedecer a uma máxima universal. Kant afirma a primazia da atividade intelectual e formal da razão sobre os valores. Ao contrário, Scheler defende a ética material dos valores e fundamenta a ética na emoção e na intuição emocional. Hussel resgata o conceito de intuição na fenomenologia. Também a sensação é intencional no tempo que se percebe uma realidade. Os valores não são máximas formais que se adequam à razão, ao dever, mas à experiência empírica, que tem primazia na intuição e não em seus pensamentos.
As diferentes perspectivas antropológicas que fundamentam o homem, podem encontrar uma visão geral através da relação dialética fenomenológica indicada por Hegel.
Segundo Hegel (1980), toda a realidade do homem se rege por três momentos. A primeira etapa consiste no Ser da tese ou afirmação em si; o segundo momento é a antítese ou negação; e o último é a síntese ou reafirmação, que designa o retorno de ser em si mesmo.
Assim se define um caráter importante do espírito:
O espírito é o único ser incapaz de ser objeto; é atualidade pura; seu ser se esgota na livre realização de seus atos. No centro do espírito, a pessoa não é, portanto, nem ser substancial nem ser objetivo, se não apenas um plexo e ordem de atos, determinado essencialmente, e que se realiza continuamente a si mesmo em si mesmo. O psíquico não se realiza a si mesmo
; é uma série de sucessos no
tempo, série que podemos em princípio contemplar desde o centro de nosso espírito e fazer objetiva na percepção e observação internas.
(Scheler, 2008, p.73, tradução nossa).
O homem é aquele que tem consciência de si mesmo:
Posto que para toda metafísica os começos do pensamento ocidental Ser significa presença, em consequência, quando o Ser tem que se pensar em sua instância suprema, tem que se entender como a pura presença, quer dizer, como a presença que se faz presente, como a presença permanente, como O (agora) que está constantemente. Em efeito, o pensamento medieval diz: nunc stans. E essa é a interpretação da essência da eternidade.
(Heidegger, 2005, p.65, tradução nossa).
Ainda seguindo o pensamento de Heidegger, o ser é ser-aí, o Dasein, destaca-se frente aos demais entes, porque tem consciência de si mesmo, e a autoconsciência é a principal e fundamental característica da espiritualidade, ser conectado com o mundo. Pensar sobre o que pensamos é autorreflexão e é próprio da espiritualidade, é autotranscendente, é um ato espiritual. Dasein é possibilidade, porque o ser humano tem a capacidade de escolher, pode eleger suas atitudes perante as situações.
Para o existencialismo o essencial é a maneira de fazer o que se faz. É a essência que cada um faz com sua vida, a existência é o que fazemos com a nossa vida. Também para Sartre (1987) o ser humano é responsável pelo que faz. A própria palavra responsável
vem de responder, sendo que a vida nos faz preguntas e nós respondemos com nossas obras e atitudes.
Cada um tem um sentido próprio para sua vida, valores que colocam luzes em sua vida, e para Frankl (2015) também existem valores universais. As decisões estão interligadas com os valores de cada um, assim como também com os universais.
Viktor Frankl foi discípulo de Alfred Adler, que terminou sua carreira trabalhando principalmente com psicologia social e educação. Adler teve influência de Freud em sua formação e mais tarde desenvolveu seu trabalho com uma abordagem diferente. Freud disse que a maioria das coisas que acontecem na vida tem a ver com o complexo de Édipo e a castração, enquanto Adler considerou aspectos que Freud não abordou na teoria psicanalítica. Para Adler o que gera as neuroses é não viver de maneira autêntica. Ele propõe a ideia de homem em sua totalidade, criador, finalista e social; para este autor o desenvolvimento e a realização da pessoa resultam de seu sentimento de comunidade. A respeito de sentido da vida e de comunidade expressa:
Pelo que se refere à opinião que o indivíduo tem de si mesmo e do mundo exterior, o melhor meio de inferir será partir do sentido que descobre na vida e do que dá à sua própria. Evidentemente, é aqui onde melhor se pode transparentar uma possível dissonância com um sentimento de comunidade ideal, com a convivência, com a colaboração e com a solidariedade humanas.
(Adler, 2004, p.14, tradução nossa).
Frankl em sua obra retrata sua trajetória nos campos de concentração, principalmente os três anos que passou em Auschwitz e em Dachau. Com base em sua lição aprendida, declara-nos que o homem é aquele que busca o sentido
.
Algumas pessoas frente ao sofrimento se abatem, enquanto outras amadurecem interiormente e assim podem encontrar sentido. É o homem que dá sentido ao sofrimento. A postura do homem frente às situações de sua vida, é que lhe proporciona a oportunidade de sua evolução. São as situações cotidianas que possibilitam às pessoas ações concretas que permitem descobrir o sentido de sua
