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A Falsa Condessa
A Falsa Condessa
A Falsa Condessa
E-book436 páginas5 horas

A Falsa Condessa

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Sobre este e-book

Maggie pensava que era casada com um conde. . . mas parece que seu falecido e inescrupuloso marido mentiu para ela desde o dia em que se conheceram. Agora -- presa em Londres sem um tostão -- ela se jogou à mercê do verdadeiro Lord Warwick. O que uma Falsa Condessa pode fazer?

Edward, o Conde de Warwick, deseja apenas se livrar da bela mulher que chegou a sua casa com nada menos que quatorze baús, uma irmã mais nova, uma criada e um gato muito gordo. A absurda explicação que ela lhe deu não tinha a menor importância --, mas seu falecido marido era o único que podia identificar o maior espião e traidor da Inglaterra, um segredo que o Ministério das Relações Exteriores precisa obter a qualquer custo. Edward terá que vigiá-la noite e dia -- mas ele não vai poder vigiar seu coração.

IdiomaPortuguês
EditoraBadPress
Data de lançamento26 de ago. de 2021
ISBN9781667411538
A Falsa Condessa

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    A Falsa Condessa - Cheryl Bolen

    A Falsa Condessa

    (As Noivas Ousadas, Livro 1)

    Cheryl Bolen

    Copyright © 2005 por Cheryl Bolen

    A Falsa Condessa é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são produtos da imaginação do autor ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, estabelecimentos comerciais, eventos ou localidades é total e simplesmente uma coincidência.

    Todos os direitos reservados.

    Nenhuma parte desta publicação pode ser usada, reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer maneira, por via eletrônica, por via impressa, ou de qualquer outra forma, sem a permissão prévia e por escrito do autor.

    ––––––––

    Índice

    Capítulo 1 

    Capítulo 2 

    Capítulo 3 

    Capítulo 4

    Capítulo 5

    Capítulo 6

    Capítulo 7

    Capítulo 8 

    Capítulo 9 

    Capítulo 10

    Capítulo 11 

    Capítulo 12

    Capítulo 13 

    Capítulo 14

    Capítulo 15

    Capítulo 16 

    Capítulo 17 

    Capítulo 18 

    Capítulo 19 

    Capítulo 29 

    Capítulo 21 

    Capítulo 22 

    Capítulo 23 

    Capítulo 24 

    Capítulo 25 

    Capítulo 26 

    Capítulo 27 

    Capítulo 28 

    Capítulo 29

    Capítulo 30

    Capítulo 31

    Capítulo 32

    Capítulo 33

    Epílogo

    Série As Noivas Atrevidas

    Livros Escritos por Cheryl Bolen

    Capítulo 1

    Enquanto Edward, o Conde de Warwick, dormia profundamente em seu quarto, seu subconsciente despertou com o som da voz de uma mulher. Mas esse mesmo subconsciente o assegurou da improbabilidade de tal ocorrência. Afinal, ele não tinha esposa, nem irmãs, nem mesmo uma mãe para se intrometer em seu domínio. Ele então se virou com a firme intenção de voltar a dormir.

    Então ouviu uma voz feminina gritando, e desta vez—não importava o que seu subconsciente dissesse a ele—ele viu que ela estava dentro de Warwick House.

    Ele se levantou e ouviu. Embora as palavras que fossem indistinguíveis, elas foram definitivamente proferidas por uma ou mais mulheres que deviam ter invadido sua casa. Ele saiu da cama e colocou suas calças, voando do quarto até o corredor, até chegar a escada. O que diabos estava acontecendo lá embaixo? Um brilho resplandecente iluminava o grande hall de entrada, onde as velas tinham sido apagadas quando Edward foi para a cama não muito tempo atrás.

    Do alto da escada, ele avaliou a confusão lá embaixo. E congelou. O que era provavelmente a mulher mais bonita que ele já tinha visto estava dando ordens para seus criados como se fosse a dona da casa. Sua boca se abriu em consternação quando percebeu que uma dessas ordens era para carregar os baús para os aposentos da condessa. Seu olhar examinou a desordem em sua casa até então tão bem organizada. Ele contou nada menos que quatorze baús. Além da Incomparável Arrogante, tinha uma versão um pouco mais jovem dela com óculos apoiados na ponta do nariz, uma bruxa magra vestida com roupas de criada e o gato mais gordo que ele já visto—todas agora falando e gritando ao mesmo tempo.

    Edward pigarreou. Ninguém parecia notar sua presença. Ele começou a descer as escadas e pigarreou novamente. Desta vez, as intrusas ergueram os olhos e o encararam.

    Completamente incógnito por estar ali sem camisa, ele perguntou: O que está acontecendo aqui?

    A Incomparável Arrogante deu um passo à frente e ele ficou impotente para manter o olhar em seus incríveis olhos chocolate, quando cada parte dela era um banquete para os olhos de qualquer homem. Seu olhar mergulhou ao longo de sua pele cremosa, suas bochechas rosadas e ao longo de seu pescoço gracioso e ombros nus para se fixar em um par de seios incrivelmente adoráveis ​​que estavam apenas parcialmente cobertos pelo corpete de seu vestido elegante. O vestido rosa caía sobre as curvas suaves de um corpo tão perfeito quanto seu rosto deslumbrante. Ela distraidamente acariciou o enorme gato enquanto olhava para Edward. Quem é essa criatura bonita? Ela perguntou, então rapidamente colocou a mão em concha em sua boca em constrangimento.

    Posso perguntar o mesmo de você? Ele disse.

    Esta é a Warwick House, não é? Ela perguntou, um nó de timidez em sua voz.

    Exatamente, ele disse, descendo as escadas.

    Seu queixo se ergueu. Eu, senhor, sou Lady Warwick, e esta é minha casa.

    Eu, senhora, sou Lord Warwick e com certeza saberia se você fosse minha esposa! Por uma fração de segundo, ele se perguntou se o velho conde poderia ter se casado secretamente com a Incomparável Arrogante, mas a vida de seu predecessor—incluindo sua aversão às mulheres—era muito bem conhecida por Edward.

    Ele observou a beleza em busca de sinais de capitulação, mas a mulher orgulhosa não deu nenhum. Quanto tempo, meu senhor, desde que você o sucedeu? Ela o desafiou.

    O que dava a ela o direito de questioná-lo? Dezoito meses.

    Agora seus ombros caíram e sua compostura se dissolveu. Bem diante de seus olhos, ela caiu como uma pilha graciosa em seu chão de mármore, suas saias se espalharam ao lado dela, aquele maldito gato miando em seu colo.

    E ela começou a chorar. Não que fosse como qualquer mulher histérica que ele já tivesse testemunhado antes. Por um lado, ela continuou sacudindo seus punhos delicados e dizendo as coisas mais vis, e suas maldições pareciam ser dirigidas a um homem que ela chamava de forma nada afetuosa de O Canalha.

    Mesmo que ela estivesse se comportando de uma maneira indigna, a visão de uma mulher (especialmente uma bela mulher) chorando, sempre suavizava Edward. Vamos, vamos, Edward a acalmou, dando um passo em direção a ela, mas sem realmente saber o que fazer. Ele dificilmente poderia abraçar uma mulher estranha, nem poderia dar a ela qualquer esperança de que esta era a casa dela.

    Por que eu acreditei nele? Ela falou chorando. Eu sabia que ele era um canalha perverso, manipulador, mentiroso e perfeitamente o-o-o-d-i-oso.

    Seus ombros se erguiam a cada soluço violento. Ele se sentia muito constrangido só de ficar parado ali sem fazer nada, quando a mulher estava obviamente angustiada.

    O inferno é bom demais para O canalha vil, mentiroso e desprezível, ela continuou.

    Era certo que o homem que ela odiava era um canalha.

    A quem você está se referindo, senhora? Edward perguntou, colocando uma mão gentil em seu ombro trêmulo. Aquele maldito gato dela – as garras estendidas—deu um tapa na mão de Edward!

    Chupando um dedo ensanguentado em sua boca, Edward percebeu que sabia quem era O Canalha. Lawrence Henshaw não estava se passando por Lord Warwick quando fugiu da Inglaterra, pouco antes do laço do carrasco?

    Meu . . . falecido marido, ela respondeu.

    Henshaw estava morto? A Inglaterra devia ter muita sorte. Eu imploro que você pare de chorar, minha senhora. (Ele usou o título para apaziguá-la, embora soubesse que ela não era uma condessa). Vamos para o salão onde podemos discutir sua situação. Maldito Henshaw! Ele sempre teve um olho para as mulheres e obviamente enganou esta mulher para se casar com ele sob a falsa impressão de que ela estava se casando com um conde.

    A jovem que ele considerou ser a irmã mais nova da Incomparável Arrogante tirou um lenço de sua bolsa e o entregou à bela chorosa, que prontamente enxugou os olhos, então olhou para Edward e ofereceu sua mão. Ele ficou muito feliz em ajudá-la a se levantar, especialmente porque ela deu a impressão de que seu choro tinha terminado. Mas quando ele a alcançou, aquele maldito gato cinza deu um tapa nele de novo. Desta vez, ele puxou de volta a mão antes do ataque feroz do felino gordo.

    Pare com isso, Tubby! Ela disse para o enorme gato enquanto embalava a bola de pelo cinza superalimentada, em seu peito. Sinto muito, meu senhor, ela disse olhando para Edward. Tubby (1) desconfia de estranhos. Então ela conseguiu se levantar sem a ajuda dele.

    Tubby? Edward teve que admitir que o nome combinava com o animal. Assim como Killer (2), Tiger (3) e Out-You-Go (4).

    Eles caminharam para o salão que Wiggins, sempre o mordomo pragmático, previra antecipadamente que ia precisar de velas e, consequentemente, a sala verde já estava iluminada.

    Vamos, minha senhora, Edward disse, hesitantemente colocando um braço ao redor da viúva angustiada, seus olhos abertos para uma reação de Tubby. Venha sentar-se. Edward se amaldiçoou. Maldito Henshaw!

    Assim que ela se acomodou no sofá de brocado listrado de verde e dourado, ele veio se sentar ao lado dela. Ele precisava saber se Henshaw estava realmente morto. Ele não acreditava no corrupto. Sobre o seu falecido marido, ele começou, ele seria um homem de cabelos pretos cerca de dez centímetros mais baixo do que eu? Provavelmente da mesma idade que eu?

    Seu olhar varreu sobre ele, parando visivelmente em seu peito nu.

    Foi quando Edward percebeu a impropriedade de ficar sentado ali de peito nu com uma mulher que obviamente era uma dama. Ele se levantou para ir buscar uma camisa e um casaco quando o sempre competente Wiggins entrou na sala com uma camisa recém passada e uma sobrecasaca azul marinho.

    A viúva e sua comitiva feminina tiveram a decência de virar a cabeça enquanto ele se vestia.

    Quando ele terminou, Wiggins perguntou: Vossa Senhoria deseja que eu acenda a lareira?

    Não se preocupe, disse Edward. Não vamos ficar aqui por muito tempo. Então Edward voltou para o sofá. Agora, sobre o que estávamos falando?

    Acredito que você acabou de descrever meu falecido marido, ela disse. Você o conhecia?

    Os olhos de Edward baixaram. Eu acredito que sim. Como Henshaw foi visto pela última vez embarcando em um navio com destino às colônias, isso provavelmente significava que a Incomparável Arrogante era americana.

    Você é americana? Ele perguntou.

    Ela encolheu os ombros. Eu sou da Virgínia, mas meus pais eram ingleses. Monarquistas. Portanto, é difícil me chamar de americana, embora eu suponha que sou. Sua voz era britânica da classe alta.

    Com o canto do olho, Edward viu que a mulher mais jovem, que ele presumia ser a irmã da Incomparável Arrogante, sentou-se em uma cadeira Luís XIV e começou a se perder nas páginas de um livro.

    Sua atenção voltou para a bela dama. Enojava-o pensar que Henshaw havia abusado de uma criatura tão adorável. Ele esperava por Deus que o homem realmente estivesse apodrecendo no inferno. Mas ele não confiaria que O Canalha não tivesse fingido sua própria morte. Quando seu marido morreu?

    Há quatro meses.

    Morte natural?

    Ela ficou rígida. Eu preferiria não comentar.

    Ela estava escondendo algo, e ele não tinha certeza de que aquele maldito Henshaw devia ter envolvido esta linda mulher em seus planos vis. O que eu preciso saber, senhora, é se você realmente viu o cadáver dele.

    Ela assentiu solenemente. Felizmente, eles colocaram suas roupas de volta antes de trazê-lo para mim.

    Do que diabos ela estava falando?

    A menina ergueu os olhos do livro e falou. O que minha irmã está relutante em lhe dizer, meu senhor, é que seu falecido marido encontrou seu fim em um bordel.

    Agora Edward estava convencido de que o marido morto era de fato Lawrence Henshaw.

    A Incomparável Arrogante lançou um olhar impaciente para sua irmã. Eu não quero que você comente sobre isso!

    A menina voltou sua atenção para seu livro.

    Crime? Ele perguntou à viúva.

    Não, ela disse. Lawrence – após tomar algumas bebidas e sentindo-se bastante invencível após um ménage à trois—saltou nu de uma varanda do terceiro andar. Totalmente típico do Canalha.

    Sim, era. E você tem certeza que o corpo era dele? Será que seus ferimentos fatais não mudaram sua aparência?

    Ela sorriu. O sorriso mais radiante que ele já tinha visto na vida. Seus dentes eram regulares e de um branco deslumbrante. Ele sentia como se estivesse em uma campina ensolarada de primavera. Eu mesma me perguntava exatamente a mesma coisa, ela disse, pois àquela altura eu sabia como funcionava sua mente perversa. Então eu descobri seu peito para conferir.

    Ele esperou que ela continuasse, mas ela se calou. E que prova seria essa? Ele perguntou.

    Um leve rubor subiu para suas bochechas. Lawrence tinha pelos no peito que formavam um padrão de arlequim (5).

    E o cadáver era, sem dúvida, do seu marido?

    Seus lindos lábios se estreitaram em uma linha sombria. Sem dúvida.

    Vejo que você optou por não usar luto.

    Fazer isso seria hipócrita, meu senhor. Eu não estava mais morando com O Canalha no momento de sua morte, e não tinha nenhuma intenção de voltar para ele.

    Ele se perguntou por que ela tinha se casado com o homem em primeiro lugar, já que o achava tão desprezível, mas Edward sabia o quão charmoso Lawrence Henshaw poderia ser – até conseguir o que queria. Ele também sabia o quão destrutivo Henshaw poderia ser. Suas mãos se fecharam com raiva para O Canalha morto.

    Então, me parece, senhora, que você possui bom senso. Seu marido mal escapou da Inglaterra com a cabeça sobre o pescoço.

    Acariciando o gato que ronronava contente, ela balançou a cabeça, pensativa. Eu deveria ter esperado o que aconteceu. Quando ele me cortejou, ele prometeu me trazer a Londres e apresentar minha irmã à sociedade, mas assim que nos casamos, O Canalha mudou de assunto. Ele ofereceu uma desculpa após a outra por que não podíamos vir para a Inglaterra. Logo suas próprias histórias estavam conflitantes, e eu sabia que tudo não passava de uma grande artimanha. Eu até comecei a me perguntar se ele já tinha uma esposa na Inglaterra. Aqueles enormes olhos castanhos dela o olharam como se estivessem o interrogando.

    Ele não tinha esposa, Edward lhe assegurou.

    Então, qual era o nome verdadeiro dele?

    Lawrence Henshaw.

    Ela suspirou. Eu prefiro muito mais ser Lady Warwick. Sra. Henshaw soa assim. . . tão banal, e você deve admitir que Lawrence era tudo menos banal. O Canalha.

    Não, eu não acho que ele era banal.

    Suponho que ele era um ladrão, ela disse com naturalidade. Isso explicaria por que ele chegou à Virgínia com muito dinheiro.

    Pior do que um ladrão.

    Seus olhos se arregalaram. Oh, Deus, ele era um assassino?

    Ele era um traidor. Ele usou sua posição no Ministério das Relações Exteriores para passar informações secretas e importantes aos franceses. Essas informações contribuíram para a perda da vida de milhares de soldados britânicos.

    Ela estremeceu.

    Por essas informações, ele foi bem pago.

    Oh, Deus, estou muito feliz, então, que o dinheiro tenha acabado, pois eu odiaria viver de um dinheiro sangrento.

    Todo o dinheiro tinha acabado? Então, como essa mulher voltaria para a América? Por que, precisamente, você desejou vir para Londres?

    Para ser totalmente honesta com você, meu senhor, foi tudo um grande engano. Pensei em vir morar na Warwick House e ter uma ótima temporada com minha irmã antes de entrar em contato com o advogado de Lord Warwick para notificá-lo da morte de Lawrence. Eu sabia que assim que soubesse que Lord Warwick estava morto, seu herdeiro teria direito a tudo isso. Sendo otimista, eu esperava que após tivéssemos nossa temporada, Rebecca estaria noiva de um homem de posses. Ela olhou para sua irmã de aparência infantil.

    E, Rebecca falou, Maggie sabia que sua beleza já teria lhe assegurado muitos corações.

    As bochechas da Incomparável Arrogante ficaram vermelhas. Eu não pensei tal coisa! Ela repreendeu a irmã.

    Rebecca encolheu os ombros. É bom que eu não seja apresentada à sociedade. Eu não tenho nenhum desejo de me casar.

    Após o casamento desastroso de sua irmã, Edward podia entender bem a aversão de Rebecca ao matrimônio. Além disso, ele olhou para seu rosto jovem, ela dificilmente parecia ter idade suficiente. Quantos anos você tem, senhorita. . .

    Srta. Peabody. Rebecca respondeu. Vou fazer dezoito anos, mês que vem.

    Ele recostou-se no sofá, olhando para as duas. Ele precisava tirar essas mulheres de sua casa. Bem, bem. Vou convocar a carruagem para levar vocês, senhoras, ao Hotel Claridge.

    Este anúncio conseguiu trazer lágrimas aos olhos da Incomparável Arrogante. Maldição! Ele se sentia um bruto. Agora veja aqui, minha senhora, certamente você sabe que esta não é a sua casa.

    Oh, eu sei disso, ela falou, fungando. É apenas . . . Ela deixou escapar um soluço. Não temos dinheiro para pagar um hotel.

    Ou para a passagem de volta para a América, ele adivinhou. O que ele deveria fazer? Qualquer coisa para ela parar de chorar. Então eu sugiro que vocês, senhoras, passem a noite aqui. Eu sei que vocês devem estar cansadas com a longa jornada. Amanhã, quando vocês estiverem descansadas, veremos o que podemos fazer sobre o seu retorno à América. Ele estava muito satisfeito consigo mesmo. Mesmo ele estando preso esta noite com essas mulheres. E um gato muito gordo. Não seria nada bom para Fiona saber dessas acomodações.

    Entre grandes soluços, a bela o favoreceu com outro de seus sorrisos devastadores. Você é muito gentil, meu senhor.

    Todos se levantaram, e ele chamou a governanta para preparar os quartos para as visitas, mas Wiggins previra isso também, e os quartos já estavam prontos para as mulheres.

    Edward caminhou com elas até a escada com corrimão de ferro, bastante satisfeito consigo mesmo porque as lágrimas da adorável tinham parado.

    Existe uma Lady Warwick? Ela perguntou, colocando a mão em seu braço estendido.

    Ainda não, respondeu ele. Estou noivo de Lady Fiona Hollingsworth, mas não há nada oficial ainda, devido à morte repentina e inesperada de sua mãe, que a deixou de luto.

    Pobre querida, Maggie falou toda simpática. A morte de nossa querida mamãe foi ainda mais dolorosa do que a de papai, não foi, Rebecca?

    A muito estudiosa Rebecca Peabody tinha refinado a arte de subir as escadas e ler ao mesmo tempo. O que? Ela perguntou, irritada por ter sua leitura perturbada.

    Oh, não importa! Maggie disse. Cuidado com o degrau ou você vai cair da escada e se quebrar em mil pedaços.

    O primeiro quarto no segundo andar que eles entraram era para a Srta. Peabody. Ela nem mesmo ergueu os olhos do livro ao desejar boa noite e entrar no aposento.

    Em seguida, eles foram para os aposentos da condessa. Na verdade, uma condessa não ocupa esse aposento há pelo menos cinquenta anos, ele falou, devido ao fato de meu tio—o falecido conde—nunca ter se casado. Eu pretendo redecorá-lo antes de me casar com Lady Fiona. O quarto está extremamente antiquado.

    Ele abriu a porta enquanto duas criadas estavam colocando lençóis limpos na cama, e a empregada da Incomparável Arrogante estava desempacotando a valise de sua patroa. Era como se ele estivesse vendo o antigo quarto escarlate pela primeira vez. Não estava apenas desatualizado, estava desbotado e parte do tecido tinha se tornado tão frágil que ele poderia ler um jornal através dele.

    Parece limpo, e isso é tudo que importa, meu senhor, disse a bela, dando-lhe a mão. Minha irmã e eu somos muito gratas a você por sua generosidade.

    Não é nada, ele murmurou enquanto ia para seu próprio quarto.

    * * *

    Maggie esperou até ouvir a porta do conde fechar, então agarrando seu gato, ela correu para o quarto de sua irmã. Embora menor do que os aposentos da condessa, o quarto de hóspedes era espetacularmente decorado em elegante marfim e ouro com impressionantes cornijas douradas e molduras. Ainda lendo seu maldito livro, Rebecca olhou para sua irmã por cima dos óculos. Você deveria ter vergonha de si mesma, Maggie.

    Porque? Maggie perguntou enquanto afundava na cama de seda, seus pés balançando longe do chão acarpetado, sua mão acariciando Tubby distraidamente.

    Por abusar do seu dom de ser capaz de chorar, até com a perda de um chapéu.

    Oh, aquilo. Era realmente a coisa mais estranha ela possuir a habilidade de chorar na hora que quisesse, mas quando ela estava realmente angustiada, como quando seu falecido papai morreu, nenhuma lágrima saiu de seus olhos. Ela supôs que suas lágrimas—assim como sua beleza—eram presentes dados a ela com o propósito de fazer homens másculos e grandes massagearem suas mãos delicadas.

    E Lord Warwick era definitivamente um homem másculo e grande. Ela quase perdeu o fôlego quando parou na parte inferior da escada e olhou para cima para ver a criatura alta e parecida com um deus, de peito nu, olhando carrancudo para ela. Claro que ela ficou completamente humilhada por ter revelado sua admiração, um hábito muito irritante dela, com certeza! Mesmo agora, a visão daquele corpo elegante e poderoso e do rosto bonito e sombrio a fazia pulsar em lugares que ela nem sabia que existia. Lord Warwick não é um homem de aparência esplêndida? Ela perguntou casualmente.

    Rebecca não tirou os olhos do livro. Pena que ele esteja quase noivo.

    "Minha querida irmã, quase noivo não é a mesma coisa que estar noivo. É provavelmente um daqueles compromissos arranjados há muito tempo por uma família intrometida. Atrevo-me a dizer que Lady Fiona é uma nobre com cara de cavalo que Lord Warwick mal consegue tolerar".

    Agora Rebecca fechou seu livro e ficou boquiaberta com sua irmã mais velha.

    Querido Deus, você não pode querer armar uma armadilha para ele! Como você pode quando seu último casamento foi tão desastroso?

    Agora, minha querida. Não fique tão chateada. Eu não decidi armar uma armadilha para ele. Após o último fiasco, você pode ter certeza de que nunca me precipitarei em um casamento sem conhecer—realmente conhecer—o homem. Ela encolheu os ombros. Mas você deve admitir que o conde é decididamente promissor.

    O que ela se esqueceu de dizer à irmã foi que um casamento precipitado (um bastante precipitado) iria mantê-las longe da pobreza. Maggie estava ficando desesperada. No momento em que soube da morte prematura, O Canalha já tinha conseguido esbanjar a maior parte de sua maldita fortuna.

    Ela quebrou a cabeça tentando encontrar uma maneira de continuar a viver em modesta dignidade com sua irmã, mas nenhuma possibilidade viável se apresentou. Ser governanta estava fora de questão porque ela teria que deixar Rebecca para trás, e sua irmã mais nova dificilmente estava preparada para ser autossuficiente. Ser costureira também estava fora de questão. Sua costura—e sua própria governanta foi rápida em lembrá-la—era muito ruim, e por que não deveria ser? Maggie foi criada para esperar que modistas fizessem suas roupas. Ela até pensou em se tornar secretária e viver modestamente, mas, infelizmente, também não possuía nenhum talento nessa direção.

    No final das contas, Maggie tinha apenas um talento: a habilidade de atrair homens. Não apenas os atraia. Os homens eram conhecidos por se tornarem idiotas perto dela.

    Uma pena que ela tivesse desperdiçado seus encantos com O Canalha. Mas os homens elegíveis na comunidade agrícola da Virgínia, onde ela foi criada, eram tão raros quanto os lordes ingleses.

    Alguém pode pensar que a associação do nome Warwick com O Canalha seria suficiente para levar-me para longe do homem, independentemente de seu rosto bonito. E o corpo, Rebecca acrescentou.

    Eu deveria saber que Lawrence não era Lord Warwick, disse Maggie. Estou tão chateada comigo mesmo! Eu sabia que ele era um canalha mentiroso, manipulador e odioso.

    O verdadeiro Lord Warwick, você sabe, vai nos mandar embora amanhã.

    Maggie mordeu o lábio. Você deve me ajudar a pensar em uma maneira de ficar aqui. Lord Warwick deve conhecer um bando de homens elegíveis—homens cujo caráter ele pode atestar. Um mês deve ser suficiente para eu encontrar um.

    Rebecca revirou os olhos. Suponho que uma de nós poderia fingir estar doente.

    É isso! Maggie caiu de bruços na cama. Claro, eu não posso ser a doente. Pois assim eu não seria capaz de ser devidamente cortejada.

    Então, que doença devemos dizer que tenho? Uma Rebecca resignada perguntou.

    Maggie considerou o assunto. Deixe-me ouvir você tossir.

    Rebecca deu uma tosse falsa.

    Você não pode fazer melhor do que isso?

    Sua irmã tentou outra vez, desta vez um som profundo e alto.

    O rosto de Maggie se contraiu e ela teve um forte desejo de tapar as orelhas com as mãos. Não, isso não vai funcionar, disse Maggie, balançando a cabeça. Você não pode fingir que está resfriada. Ela mordeu o lábio um pouco mais, então suspirou. Você só vai ter que fingir que está com febre. Não se preocupe, querida, vou contrabandear aqui para o quarto, todos os livros que você quiser ler.

    Os olhos de Rebecca brilharam. Você viu a biblioteca do conde?

    Como alguém pode ler todos aqueles livros?

    Eu poderia.

    Sim, suponho que você poderia.

    E se Lord Warwick mandar chamar um médico? Ele saberia imediatamente que não estou com febre.

    Maggie voltou a mastigar o lábio. Deixe-me pensar sobre isso. Ela se levantou da cama, aninhou o gato no colo, cruzou o quarto até a cadeira onde Rebecca estava sentada e beijou o topo da cabeça de sua irmã. Não leia a noite toda. Você colocará pressão indevida em seus olhos já enfraquecidos.

    Quando Maggie voltou para seu quarto, Sarah estava arrumando a camisola na colcha vermelha desbotada. O coração de Maggie parou enquanto observava sua empregada idosa. Parecia que ontem o cabelo de Sarah era castanho e seus passos animados. Quando seu cabelo ficou branco? Como a empregada outrora robusta pode ter se tornado tão frágil de corpo? Maggie desejava inverter seus papéis, servir à mulher que a servia desde o dia em que ela nasceu, mas toda a vida de Sarah foi passada servindo à família Peabody, e a empregada se irritou com a ideia de renunciar ao que considerava sua responsabilidade. Quem dera ela pudesse aposentar Sarah, Maggie pensou amargamente. Nada deixaria Maggie mais feliz do que ver Sarah aliviada de todos os seus fardos, acomodada confortavelmente perto de Rebecca e dela, a coisa mais próxima de uma família que Sarah tinha.

    Você não deveria ter me esperado, disse Maggie. Eu sei que você está exausta da nossa longa jornada.

    Eu prefiro estar aqui do que na minha cama me revirando, disse Sarah. O sono não vem tão facilmente quando se envelhece.

    Por mais que Maggie desejasse que não fosse assim, Sarah estava velha. Então ela colocou as mãos firmes nos ombros frágeis de sua empregada e ordenou que ela se deitasse. E não se atreva a se apresentar no meu quarto amanhã, antes das dez horas. Sarah precisava de uma boa noite de sono após a jornada cansativa.

    Maggie apagou a vela e deitou-se na cama. Era tão bom estar em uma cama de verdade depois de tantas semanas dormindo numa cama estreita do navio. Era bom estar em terra firme que não balançava. Não importava que o quarto cheirasse a mofo. Não importava que sua presença fosse tão bem-vinda

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