Sobre este e-book
Carlos Leone
Carlos Leone N. 1973, formou-se em Filosofia (1996) e doutorou-se em História das Ideias (2004), na FCSH (UNL). Além de colaborador de órgãos de comunicação social portugueses, foi docente e investigador, sendo actualmente consultor político. Dirigiu a revista da INCM Prelo (3.ª série) de 2005 a 2009 e publicou vários livros, como Portugal Extemporâneo (2 vols, 2005). Recentemente, foi autor de vários verbetes no volume do Dicionário de História de Portugal sobre o período 1974-1976.
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Crise e crises em Portugal - Carlos Leone
Crise e crises em Portugal Carlos Leone
Este ensaio é dedicado ao tema da Crise, que domina a vida pública portuguesa, e não só, há anos. Ao contrário do que é habitual, não foca esse tema pelo ângulo económico, nem se interessa pelas manifestações mais frequentes, como «crises políticas», «crises existenciais», etc. O leitor encontrará aqui, nas três primeiras secções, uma discussão do que significa o termo «crise» e suas relações com outros termos (como crítica) que acompanham o Homem desde a Antiguidade. Na atualidade, há uma secção sobre Portugal, a qual discute a partir de perspetivas diferentes o que significa a crise portuguesa.
Na selecção de temas a tratar, a colecção Ensaios da Fundação obedece aos princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos: conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e para a resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate público. O principal desígnio desta colecção resume-se em duas palavras: pensar livremente.
CarlosLeone.jpgCarlos Leone N. 1973, formou-se em Filosofia (1996) e doutorou-se em História das Ideias (2004), na FCSH (UNL). Além de colaborador de órgãos de comunicação social portugueses, foi docente e investigador, sendo actualmente consultor político. Dirigiu a revista da INCM Prelo (3.ª série) de 2005 a 2009 e publicou vários livros, como Portugal Extemporâneo (2 vols, 2005). Recentemente, foi autor de vários verbetes no volume do Dicionário de História de Portugal sobre o período 1974-1976.
logo.jpgLargo Monterroio Mascarenhas, n.º 1, 7.º piso
1099-081 Lisboa
Portugal
Correio electrónico: ffms@ffms.pt
Telefone: 210 015 800
Título: Crise e crises em Portugal
Autor: Carlos Leone
Director de publicações: António Araújo
Revisão de texto: Vasco Grácio
Design e paginação: Guidesign
© Fundação Francisco Manuel dos Santos e Carlos Leone, Outubro de 2016
O autor desta publicação não adoptou o novo Acordo Ortográfico.
As opiniões expressas nesta edição são da exclusiva responsabilidade do autor e não vinculam a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A autorização para reprodução total ou parcial dos conteúdos desta obra deve ser solicitada ao autor e ao editor.
Edição eBook: Guidesign
ISBN 978-989-8838-28-5
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Carlos Leone
Crise e crises em Portugal
Ensaios da Fundação
Nota de abertura
1. Crise e crises
2. Crise e crítica
3. Crises e cesurismo contemporâneos
4. Portugal, um país de crises
Para saber mais
Nota de abertura
Este pequeno ensaio é dedicado a um tema demasiado frequente e quase nunca tomado em consideração por si só. Falamos muitas vezes de crises, política, económica, social, e assim por diante, nunca prestando atenção ao que é uma crise. Ora, o termo crise tem uma história e uma vida muito interessantes – e longas.
O texto não foi escrito a pensar em nenhum «leitor médio», não fazendo concessões a hábitos estabelecidos hoje mas que não têm fundamento, como o privilégio da Economia no debate público. O leitor não tem de ter algum conhecimento específico para o ler, apenas interesse no tema. Correspondendo à colecção em que se insere, pretende-se dar uma imagem equilibrada e acessível do assunto a um público variado. Dentro desse espírito, o tema «crise» é aliás muito apropriado à colecção.
Quero ainda agradecer a quem contribuiu com ideias e leu ou comentou o original. À Vera, à Helena, à Margarida, ao João Tiago, à Inês, à Ana, à Isabel, ao Francisco, à Patrícia, fica aqui o meu reconhecimento, extensível à equipa editorial da Fundação, sobretudo ao responsável desta colecção, António Araújo. Qualquer erro ou equívoco é minha responsabilidade.
Lisboa, Novembro de 2015,
CL
O Sopro Interior
Passa um barco no rio. Volto a vê-lo
Depois, só nas velas insufladas,
Por sobre a multidão, o casario,
Outras faces da vida afeiçoadas.
Vai depois seguindo a sua rota,
Esqueço-me dele. Entanto surge
Por onde não há rio nem gaivotas.
Porém,
Coloco-o sobre as nuvens e assopro
Nas velas brancas o destino amado.
Ruy Cinatti, o Livro do Nómada Meu Amigo, Lisboa, Guimarães Editores, 2.ª ed., corrigida, 1966 («lembrado» pelo Luís Manuel Gaspar).
1. Crise e crises
Se há palavra ouvida nos dias de hoje, ela é «crise». Este ensaio é escrito na convicção de que o interesse e a pertinência da palavra ultrapassam em muito o uso do termo no dia-a-dia e, ainda, na esperança de que é possível dar conta dos sentidos e dos usos, actuais e anteriores, que se associam a «crise» num formato como o desta colecção de ensaios.
O foco, necessário sobretudo hoje em dia, afasta a crise da acepção menor e bastante recente, mas que se tornou dominante, da importância da Economia na noção de crise. Desde há décadas, com a gradual ocupação do espaço do debate público por termos e sentidos oriundos da Economia (ou que são supostamente económicos, não o sendo na realidade), a noção de crise tem sido associada a crises económicas diversas, sucessivas e simultâneas, mais do que a qualquer outro tema. Por vezes essas crises são cumulativas, reforçando-se mutuamente, como em 2008, na recessão mundial que atingiu em simultâneo os maiores mercados dos vários continentes; por vezes são paradoxais, como a desvalorização de uma moeda, que retira poder de compra aos que a usam (quase sem que eles o notem) mas que reforça a actividade económica, ao facilitar as exportações. Essa multiplicidade de crises, de que a Economia é hoje o exemplo maior no espaço público mas não o único, justifica que este ensaio se inicie com um velho expediente da Filosofia, diferenciar singulares de plurais. Há a crise, há as crises, a mudança não é (apenas) de quantidade.
Crise
O termo começou por ser grego, krisis. Significava então conflito, disputa; separação, decisão; juízo, sentença. Isto não é dizer pouco numa sociedade tradicional como a grega – apesar de ser corrente a ideia da Grécia Antiga como um mundo democrático muito moderno, à imagem do nosso, na verdade essas características estavam bem delimitadas. A modernidade política de Atenas, uma democracia que não dispensava esclavagismo, era excepção no mundo da Hélade (a Grécia antiga). E a unidade cultural deste, que o manteve unido e o fez perdurar na cultura ocidental desde então, não era tanto de conceitos como de língua (os «bárbaros» eram os que não falavam Grego), não era feita de realidades uniformes partilhadas mas de mitos comuns (um mito é uma história tradicional, que todos conheciam por ser partilhada por via oral). Unidos por uma língua e por um conjunto de mitos, a maioria deles de fundo religioso (a «religião homérica» é a visão do mundo dos gregos clássicos), os estados-cidade que ficaram para a História como a Grécia da antiguidade foram uma sociedade tradicional. Nela a continuidade sobrepunha-se à ruptura, a autoridade à razão, o lote pré-destinado (o fado) ao individualismo. Em tudo isto Atenas foi excepcional, não tanto por ser diferente mas por permitir a diferença, isto é, em Atenas encontravam-se todos esses elementos tradicionais mas houve espaço para uma modernização
