Do genocídio Da violência e Da arte contemporânea em uma republica das bananas
De Julie Brasil
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Sobre este e-book
O contexto situacional nos leva às entranhas da Mesoamérica, em diferentes épocas e espaços, examinadas pelos acontecimentos históricos, por nossas próprias memórias e por aquelas emprestadas pela análise do pensamento artístico contemporâneo dos artistas guatemaltecos.
Julie Brasil nos convida a enfrentar a América hispanoparlante, aquela que guarda tesouros e desventuras como um objeto do lugar-comum. Seu olhar crítico e sensível nos convoca a questionar as ações mais perturbadoras da contemporaneidade por meio do conceito de tessaio, que pode ser entendido como algo que é, mas que ao mesmo tempo não é.
Omar Alonso García Martínez
Artista contemporâneo, docente, pesquisador e doutor em Artes Visuais
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Do genocídio Da violência e Da arte contemporânea em uma republica das bananas - Julie Brasil
1ª EDIÇÃO, 2023
Editores Denise Corrêa e Daverson Guimarães
Projeto Gráfico e DIAGRAMAÇÃO Fernanda Oliveira
Capa Fernanda Oliveira e Juliana Coelho
Produção Editorial e Gráfica Denise Corrêa e Maristela Carneiro
Revisão ORTOGRÁFICA Algo Mais Soluções
Índice para catálogo sistemático
I. Arte contemporânea
Todos os direitos desta edição são reservados a:
Editora Grupo Rio Books.
Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônicos ou mecânicos,
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À amada filha e placa tectônica Juju por conceber a mãe e a artista.
Obrigada, Anibal López (A-1 53167), in memoriam, Jorge de León,
Mario Santizo e Regina José Galindo por eriçarem minha pele,
larguearem minhas pupilas, apressarem meu batimento cardíaco
e atiçarem minhas sinapses.
Obrigada, Aline Chagas, Mirian de Carvalho e Omar García por
seus textos que me fazem companhia nesta viagem.
Obrigada, meus amados professores e estudantes pela passagem
do bastão de revezamento.
Mi cuerpo no como mi cuerpo individual sino como cuerpo social, cuerpo colectivo, cuerpo global. Ser o reflejar a través de mi la experiencia del otro; porque todos somos nosotros mismos y al mismo tiempo somos los otros.
(Regina José Galindo)
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique.
(Clarice Lispector)
DO SUMÁRIO
DO PREFÁCIO
DO TESSAIO
DO GENOCÍDIO
DA VIOLÊNCIA
DA ARTE CONTEMPORÂNEA
DO POSFÁCIO E DA PÓS-FARSA
DOS LIVROS
DA WEB
DOS FILMES
DO PREFÁCIO
À luz dos primeiros dias de retomada do discurso democrático e humanista em solo brasileiro, reler e prefaciar Do genocídio, da violência e da arte contemporânea em uma República das Bananas me soa como uma lembrança de que a história política das Américas é circular. Nossas feridas parecem permanentemente expostas e revolvidas.
Devo dizer que presenciei o processo de tecelagem deste livro que, muito coerente com a trajetória de quem o escreveu, é uma obra de arte. E como uma artista comprometida com a profundidade das questões políticas que nos afetam, Julie Brasil entremeia a história da Guatemala em estado de sítio com a sua própria, com a riqueza e a potência consentidas apenas a quem viu e (sobre)viveu à guerra para testemunhá-la. Além do que o título sugere, sua escrita se faz sobre e sob a presença: sua, de seus pares, de familiares, dos culpados, dos artistas, dos excluídos, dos lugares, dos teóricos, dos militares e – principalmente – das milhares de vítimas fatais do genocídio encabeçado pelo governo ditatorial de Efraín Rios Montt. Os capítulos interceptados pelas folhas de seu diário de bordo envolvem o leitor no testemunho da autora – que migrou com sua família para o Brasil, em 1975 – e dos demais personagens ali representados em sua fala. Nas entrevistas pareadas com fotografias extraídas dos álbuns de família e de um retorno recente ao país de origem, as imagens ajudam a criar memórias.
Julie traz reflexões sobre o histórico da violência na Guatemala e a importância da arte no contexto do pós-guerra através das obras de Anibal López (A-1 53167)¹ – artista já falecido –, Regina José Galindo, Jorge de León e Mario Santizo que nos receberam em suas casas e compartilharam percepções diversas de quem lida com os ecos de uma política devastadora.
A escolha pela escrita ensaística e em primeira pessoa para uma produção que surge com finalidade acadêmica ratifica a propriedade com a qual se fala do assunto. Há algo neste livro que o diferencia de muitos outros que já li sobre as problemáticas da América Latina: detém um texto informativo, crítico e que se permite também alguma poesia. O trabalho que fica em evidência, para além da escrita, é o da escuta.
Estive presente em todos os encontros realizados entre janeiro e fevereiro de 2019, na Cidade da Guatemala. As ruas cheiravam a tortilhas de milho branco, modeladas por mulheres que – como Julie e eu – trabalhavam em duplas ou em grupos. Em uma capital carente de museus, consumíamos arte diariamente. Comíamos feijão no café da manhã e bebíamos chá ao longo dos dias. Fazíamos uma caminhada de cinco ou dez minutos entre a hospedagem e a região central, em direção ao mercado. No curto trajeto, era possível ouvir do som das marimbas aos chamados dos comerciantes que nos convidavam a entrar em seus estabelecimentos: Passe adelante!
. Víamos muitas mulheres carregando seus filhos envoltos em perrajes. Passamos por alguns chicken buses e pegamos o primeiro tuk-tuk que nos levou até a casa de uma família amiga. Viajamos para Tikal e subimos pirâmides. Fomos a Antígua. Na primeira vez, estava tão cheia que não pudemos descer do carro. Na segunda, havia muitos turistas que, assim como eu, contrastavam fisicamente com os locais. No caminho da volta, paramos em uma festa de rua com barracas. Uma sugestão do motorista que conhecemos naquele dia. Celebramos um aniversário. Caminhamos até o Mapa en relieve da Guatemala. Entramos em todas as poucas livrarias pelas quais passamos, ao acaso ou por indicação. Fizemos amigos. Um deles nos presenteou com a leitura de nahuales na última noite de viagem. Guardo um prato de barro com as velas derretidas do ritual
até hoje.
Deixamos essas portas abertas para sempre.
Ao fim do percurso, sentia que tudo o que presenciamos também era parte da minha cultura. E se você for latino, é possível que durante as páginas a seguir se sinta da mesma forma. Somos próximos. Semelhantes nas vulnerabilidades e na capacidade de resistir.
Aos artistas, muitas vezes, coube o papel de representar parte dessa resistência. Ao livro coube aparar arestas que nos distanciam como latino-americanos, e mostrar que nesta história há mais sobre nós
do que supomos.
Aline Chagas
Pesquisadora, cineasta e mestra em Artes Visuais
3 de janeiro de 2023
1 Anibal López (Guatemala, 1964-2014) encabeçou uma geração de artistas do pós-guerra que, em meados dos anos 1990, desafiou a apatia de décadas da sociedade guatemalteca, marcando a passagem da arte moderna para a conceitual por meio de ações e instalações. Com forte carga filosófica, ele se apresentava sob o número de sua carteira de identidade A-1 53167, para apagar qualquer etnia ou senso específico de pertencimento, resistindo ao impulso dos consumidores de arte de categorizá-lo como indígena, maya ou guatemalteco. Sua obra provoca questionamentos, tais como quais os limites entre o bem e o mal. Produziu vídeos, fotografias, pinturas, desenhos, ações e intervenções urbanas e foi um dos precursores da performance em seu país. Desenvolveu uma obra focada em disputas sobre fronteiras, culturas indígenas, abusos militares e crítica à objetivação e fetichização do mercado de arte. Anibal não se considerava um artista político, mas, sim, estético e poético.
²
1974, Cidade da Guatemala (...), à beira da estrada há cabeças pregadas nos topos de lanças. Por advertência, o crime se torna um espetáculo público. As vítimas são despojadas de nome e história; são jogadas na boca de um vulcão ou no fundo do mar ou enterradas em valas comuns sob a inscrição NN³, que significa Non Nato, Não Nascido. Na maioria das vezes, o terrorismo estatal opera sem um uniforme. Chama-se, então, A Mão, A Sombra, O Raio, Exército Secreto Anticomunista, Ordem da Morte, Esquadrão da Morte.
O General Kjell Laugerud, recém-eleito presidente por fraude nas eleições, se compromete a continuar aplicando na Guatemala as técnicas que o Pentágono havia ensaiado no Vietnã. A Guatemala é o primeiro laboratório latino-americano da guerra suja. (GALEANO, 1990, p. 198, tradução nossa).
2 Proibição decretada pelo governo para impedir que as pessoas permanecessem nas ruas após uma determinada hora. Carros de patrulha percorriam a cidade para alertar os infratores e ordenar aos cidadãos que voltassem a suas casas.
3 Do latim nomen nescio, que significa nome desconhecido.
DO TESSAIO⁴
Jorge de León, sem título, Série: Homo-Logo, desde 2003.
Tinta sobre papel, dimensões variadas, Guatemala.
Ceci n’est pas une thèse⁵.
O que deveria ser uma tradicional tese de doutoramento nasce contaminada pela proximidade com o tema diante da busca de uma forma justa de falar do mundo a partir da primeira pessoa. Despir-me do academicismo estrito aponta para uma dimensão ensaística em que as bordas entre a tese e o ensaio ficam borradas.
Versar sobre imagem e cultura ⁶ compreende um trabalho de campo, um arsenal teórico e uma pesquisa documental, mas abre também espaço à experiência pessoal como critério essencial. Sem pretensões edificantes ou moralizantes, acredito que é lícito incluir o que aparece das minhas próprias percepções, em que incertezas e mobilização de diversos saberes abrem novas possibilidades de lidar com a escrita, que vai transformando o texto.
Alguns desses conhecimentos nascem, certamente, do contato e da discussão com autores; outros, no entanto, não se aprendem na escola, e chegam a partir de vivências pessoais. Isso a literatura já nos ensinou. No caminho de Swann, de Proust, Paradiso, de Lezama Lima, e A redoma de vidro, de Sylvia Plath, são romances filosóficos que mostram, há mais de um século, a existência de conhecimentos entranhados na vida.
No campo, propriamente, da Academia, para se estabelecer um caráter científico a um trabalho acadêmico, o distanciamento do objeto de estudo foi ponto inquestionável de construção do estatuto epistemológico, ao menos até o século XIX. Entretanto, com a introdução do caráter biográfico nas ciências humanas, a subjetividade passou ao primeiro plano sem diluir os protocolos intersubjetivos ou a austeridade metodológica, e tudo isso afastado do ranço do rigor estruturalista.
No século passado, alguns antropólogos levantaram uma tensão teórica de autoridade etnográfica e passaram a fazer aproximações do objeto de estudo com a produção de experimentos narrativos nos quais o sujeito de fala não é imune, está envolvido com os outros e produz interpretações nas dimensões dialógica e relacional. É a experiência que mobiliza uma nova postura sobre o objeto. Ao falar de nós mesmos, o que está em jogo é uma produção de conhecimento, já que todos nós carregamos a condição humana e a empatia, que permitem não apenas a ciência do outro, como também extrair um rendimento hermenêutico.
Há nesse exercício nada cartesiano um trajeto da memória entre o lembrar e o esquecer, percurso que permite a liberdade da colagem de cacos e impressões do afeto para recuperar algo que a história quer suplantar. Os fatos, as imagens e os textos permitem o ressentimento, não somente como mágoa guardada, mas como retomada e um sentir novo.
No tessaio, lança-se uma percepção entre o que se conota e o que se denota sem o engessamento da dialética e da retórica. O que importa é o percurso. A partir da bagagem da leitura declino das hierarquias e flutuo. O tessaio não reproduz a experiência, presta-lhe contas e lhe dá forma para amparar o conteúdo. É da dimensão do risco e do unheimliche⁷, torcido que é pela desconfiança de que parte das coisas reais podem apenas acontecer em nossa imaginação, ou que, muitas vezes, lembramo-nos de inexatidões e do que nunca aconteceu de fato, uma das razões pelas quais também caço fotos, diários e conversas com pessoas com quem partilhei vivências para desembaçar lembranças:
– Qualquer ditadura é criminosa. Mas acontece que se o outro lado tivesse ganhado, eles eram tão criminosos quanto os militares. Porque o que os guerrilheiros fizeram, matando um rapaz, filho de um amigo do pai, amarrando-o na árvore, na porta de casa, com o pênis na boca, não é coisa de anjo. Foram os guerrilheiros que fizeram aquilo. Então, na verdade, havia muito ódio de ambas as partes. (...) Mas como é que você lida com insanos querendo tomar o poder, insuflados por um outro grande poder? (...) A ditadura da guerrilha era tão cruel quanto. Os guerrilheiros entravam nos povoados, estupravam mulheres, detonavam tudo. Então, desculpe, é muito romantismo negar isso. Lá não tinha bonzinho em nenhum dos dois lados (informação verbal)⁸.
Tratar do genocídio⁹, da violência e da arte produzida sob o pano de fundo da guerra e do pós-guerra é arrazoar teorias que se opõem a teorias, apalpar questões sem encontrar, necessariamente, um núcleo, é dar traços gerais que articulam e conectam textos díspares. As citações são usadas para ilustrar ou para funcionar como imagens no texto, já que são ligadas as particularidades e não devem ser reduzidas a um eu acho. Como forma aberta, o texto busca uma totalidade sem ser universalizante.
O tessaio deseja dar a ver algo entre o objetivo e o subjetivo e, com uma posição particular do mundo, busca fatos, retira as coisas de seu mundo para permitir-lhes chegar à existência. Ele sorve da vida sem mediação porque percebe que a ciência não é a única forma de produzir conhecimento, já que viver é se transformar em pessoas-narrativas, razão pela qual paramos em pé
(LEJEUNE, 2008, p. 74).
A escolha não é apenas estilística ou estética. Essa forma permite uma abertura da condição humana e o exercício pirrônico¹⁰ que se afirma e se contradiz. Um pensamento que leva a outro e recusa o ponto-final. O tessaio quer a virada de pescoço em relação aos ombros, o levantar de cabeça, a epifania, o é isso! que antecede o pensamento. Talvez arranhe a filosofia prática e tente compreender melhor o mundo através do inaudito e das mazelas humanas.
Quero pensar este texto como fruto do que o poeta Manoel de Barros chama de ignorãça, um saber nu que liga o conhecimento à vida, algo da ordem do pathos¹¹, da dimensão do afeto incorporado à escrita. A estima, por sua vez, não possui eleitos privilegiados; assim como se deixa tocar pelo pensamento de autores canônicos, escava memórias, vivências pessoais e conselhos de estranhos. Como princípio motor da elaboração deste trabalho, portanto, sinto-me chamada a convocar tudo aquilo que me mobiliza, elaborando com isso certa arqueologia dos afetos, o que não deixa de ser uma forma de arte.
Susie: – E o pai virava pra Leslie, que é a mais velha e falava: Para de chorar! Você é o homem, ou, não é?
Julie: – Ele dizia assim: Vocês são homens ou não são homens? Éramos três meninas...
Leslie: – Mas ele... Qualquer coisa que eu ia chorar, que eu ia mimimi... - ¿Eres hombre o no eres? (ela toma fôlego) ¡Sí, papito, soy hombre!
Susie: – Por que que Leslie não podia chorar, enquanto criança, como uma menina? (informação verbal)¹²
Nosso aniversário com as piñatas, os únicos convidados, em 1968, Zacapa, Guatemala.
Anotações de campo, lembranças de infância, 2017. Foto: Feliciano Avila.
Nosso aniversário com as piñatas, os únicos convidados, em 1968, Zacapa, Guatemala.
Anotações de campo, lembranças de infância, 2017. Foto: Feliciano Avila.
¹³
1974, Cidade da Guatemala (...), à beira da estrada há cabeças pregadas nos topos de lanças. Por advertência, o crime se torna um espetáculo público. As vítimas são despojadas de nome e história; são jogadas na boca de um vulcão ou no fundo do mar ou enterradas em valas comuns sob a inscrição NN¹⁴, que significa Non Nato, Não Nascido. Na maioria das vezes, o terrorismo estatal opera sem um uniforme. Chama-se, então, A Mão, A Sombra, O Raio, Exército Secreto Anticomunista, Ordem da Morte, Esquadrão da Morte.
O General Kjell Laugerud, recém-eleito presidente por fraude nas eleições, se compromete a continuar aplicando na Guatemala as técnicas que o Pentágono havia ensaiado no Vietnã. A Guatemala é o primeiro laboratório latino-americano da guerra suja. (GALEANO, 1990, p. 198, tradução nossa).
4 Neologismo para dizer da tese com dimensão ensaística.
5 Isto não é uma tese é uma alusão ao quadro surrealista de René Magritte A traição das imagens, pintado em 1929, que questiona o racionalismo
. O artista pinta a imagem realista de um cachimbo, acompanhada pela inscrição Ceci n’est pas une pipe (Isto não é um cachimbo), que fala sobre a traição das imagens em relação ao real.
6 Referência à linha de pesquisa Imagem e Cultura do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ e aos guias conceituais do método etnográfico de coleta de dados em campo, que incluem o contato intersubjetivo entre pesquisador e objeto.
7 Palavra alemã sem equivalente no português. Unheimliche vem de heim, ou lar, e introduz uma noção de familiaridade, mas é também a raiz da palavra geheimnis, ou segredo, algo que é da família ou que deve permanecer escondido. O inquietante, o estranho-familiar ou a inquietante estranheza é um termo psicanalítico freudiano, utilizado em 1919, que se refere a algo que é estranhamente familiar, suscitando uma sensação de angústia, confusão, estranhamento ou terror.
8 Anotações de campo, Leslie Avila, 2016. Entrevista em dezembro de 2016
