Palestina: Manual da ocupação
()
Sobre este e-book
Tal projeto é um desdobramento de uma política de ocupação da terra e expropriação da população autóctone, o sionismo moderno. Na linha de uma análise pós-colonialista e decolonialista, compreendo o processo violento de ocupação deste território e dos corpos palestinos como fruto deste projeto colonial.
Portanto, neste breve manual elucidarei a conformação do sionismo moderno, bem como o início da ocupação da terra palestina, passando pelas diferentes estratégias adotadas para a tomada de terras, a catástrofe e expulsão dos palestinos, com ênfase nos anos de 1948 e 1967 e as sucessivas escaladas de violência e expansão colonial que chegam até a atualidade.
Relacionado a Palestina
Ebooks relacionados
A revolução boliviana Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMovimentos Sociais e Resistência no Sul do Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA era Vargas: (1930-1945) - volume 1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA destruição da Palestina é a destruição do Planeta Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMichel Temer e o fascismo comum Nota: 5 de 5 estrelas5/5Os Panteras Negras: Uma introdução Nota: 5 de 5 estrelas5/5O ano da cólera: Protestos, tensão e pandemia em 5 países da América Latina Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO que resta da ditadura: a exceção brasileira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEsfarrapados: Como o elitismo histórico-cultural moldou as desigualdades no Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRosa Luxemburg: Dilemas da ação revolucionária Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFascismo: Um alerta Nota: 5 de 5 estrelas5/5O massacre da Granja São Bento Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLuiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInternacionalismo ou extinção: Reflexões sobre as grandes ameaças à existência humana. Nota: 4 de 5 estrelas4/5Brasil de Lula a Lula: 100 textos para entender a política no século 21 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA ditadura militar e a longa noite dos generais: 1970-1985 Nota: 5 de 5 estrelas5/5Ventres livres?: Gênero, maternidade e legislação. Brasil e Mundo Atlântico – Séculos XVIII e XIX Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCineastas Brasileiras em Tempos de Ditadura: Cruzamentos, Fugas, Especificidades Nota: 0 de 5 estrelas0 notasComo derrotar o turbotecnomachonazifascismo Nota: 3 de 5 estrelas3/5A revolução vietnamita: da libertação nacional ao socialismo Nota: 3 de 5 estrelas3/5Diários de Berlim, 1940-1945: Os bastidores da operação que planejou assassinar Hitler Nota: 4 de 5 estrelas4/5Mulheres e política no Brasil: um manual prático de enfrentamento à desigualdade de gênero Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJornalismo em Tempos de Ditadura: A Relação da Imprensa com os Ditadores Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSubversivos: 50 anos após o golpe militar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPsicologia de massas e bolsonarismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Revolução Coreana: O desconhecido socialismo Zuche Nota: 3 de 5 estrelas3/5Ditaduras no Cone Sul da América Latina Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
História do Oriente Médio para você
Paixão por Israel: Judaização, sionismo cristão e outras ambiguidades evangélicas Nota: 5 de 5 estrelas5/5História dos Hebreus Nota: 4 de 5 estrelas4/5Uma Introdução aos Livros Proféticos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória de Israel Nota: 4 de 5 estrelas4/5Panorama histórico de Israel: Para estudantes da Bíblia Nota: 4 de 5 estrelas4/5Os persas: A era dos grandes reis Nota: 5 de 5 estrelas5/5Contra o Sionismo: Retrato de uma doutrina colonial e racista Nota: 0 de 5 estrelas0 notasIntrodução A Egiptologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBox - As cruzadas: a história oficial da guerra pela Terra Santa Nota: 5 de 5 estrelas5/5Oásis De Sombras A Origem Dos Caveiras Nota: 0 de 5 estrelas0 notasQuero estar acordado quando morrer: diário do genocídio em Gaza Nota: 5 de 5 estrelas5/5Arqueologia das terras da Bíblia Nota: 5 de 5 estrelas5/5Alta Idade Média Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMonte Carmelo E O Profeta Elias Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNEFERTITI A Rainha Faraó - História da XVIII Dinastia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBaco, O Deus Do Vinho Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma introdução aos Livros Históricos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasManuscritologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDicionário De Mitologia Semita Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mundo falava árabe: A civilização árabe-islâmica clássica através da obra de Ibn Khaldun e Ibn Battuta Nota: 0 de 5 estrelas0 notasIsrael x Palestina: Entenda o conflito Nota: 4 de 5 estrelas4/5Os Bnei Anussim Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBreve história de Israel Nota: 0 de 5 estrelas0 notasQuestões Bíblicas - Volume 4 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBrevíssima história do conflito Israel-Palestina Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma introdução aos livros sapienciais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPalestina Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLaboratório Palestina: como Israel exporta tecnologia de ocupação para o mundo Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Categorias relacionadas
Avaliações de Palestina
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Palestina - Bárbara Caramuru
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todas as pessoas palestinas, com quem pude trocar experiências e saberes. Agradeço à CAPES pelo financiamento da pesquisa que gerou este livro. Agradeço aos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, e Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Paraná, UFPR, onde realizei meu mestrado, doutorado e atualmente pós-doutorado. Agradeço ao escritório Nuredin Ahmad Allan, em especial Thiago Agustinho e Nuredin Allan, bem como a Mohamed Manassrah pelo apoio à esta publicação. Agradeço minha família e amigos pelo apoio incondicional à trajetória desta pesquisa e a este projeto.
Prefácio
Da Presença e Permanência da Palestina
Arlene E. Clemesha¹
Esse pequeno e incisivo livro de Bárbara Caramuru foi finalizado e publicado em um momento trágico para a Palestina e de vergonha para a humanidade. Enquanto escrevemos, a população civil da Faixa de Gaza, 2,2 milhões de pessoas, está quase toda encurralada em Rafah, na fronteira com o Egito. O cenário é de terra arrasada de norte a sul, incluindo ali onde antes erguia-se, orgulhosa, a única metrópole palestina, a cidade de Gaza.² Em Rafah, ao sul, há agora mais de um milhão de pessoas vivendo em barracas improvisadas, na chuva, no frio do inverno, lutando para conseguir uma porção de farinha que seja. No norte, a fome já substituiu as bombas como método de guerra. Não há condições de sobrevivência e a água que se encontra está suja e contaminada. O Estado de Israel, que há 17 anos controla a quantidade de calorias a que os moradores da Faixa de Gaza têm acesso, que abre e fecha comportas de fornecimento de água como se de gado se tratasse, hoje impede o ingresso de ajuda humanitária que poderia salvar vidas.
As crianças de Gaza estão reinventando o que é a infância e não se sabe se conseguirão superar o trauma de estarem presas dentro de um diminuto território, esperando, cada uma delas, o dia em que seu próprio corpo inocente e frágil será o próximo alvo. Ainda não foi revelada a real extensão do horror a que essas crianças estão expostas há cinco meses. Mas sabemos que o sentimento de espera da morte atinge toda a população e os poetas escrevem seus testamentos. A pequena Hind Rajab de apenas cinco anos de idade testemunhou a morte de todos os integrantes do carro em que ela e sua família fugiam para o sul, apenas para acabar sendo fuzilada ela também, além dos paramédicos enviados para tentar socorrê-la. A gravação da sua última ligação telefônica com o Crescente Vermelho registra as preces que juntos recitaram para tentar acalmá-la. Quem jamais poderá esquecer?
Mais de mil crianças tiveram uma ou ambas as pernas amputadas. Mais de um milhão sentem na pele a inanição, a doença que espreita, o dano irreversível ao seu desenvolvimento. O gosto da água salgada e suja haverá de ficar causando náuseas pelo restante de suas vidas. Não são vidas insignificantes, como quer crer o governo de Israel, não são animais humanos como declarou Yoav Gallant, o criminoso Ministro da Defesa de Israel, nem são todos combatentes. São, isso sim, mais de dez mil - dez mil - crianças palestinas assassinadas ao longo de cinco meses, com o emprego de Inteligência Artificial para acelerar a definição dos alvos e o lançamento das bombas. Nada parece abalar a máquina da morte, impessoal, manipulada, operando principalmente à distância, com equipamentos de última geração. Bombas são muito limpas para quem as lança.
O atual governo israelense, formado em janeiro de 2023, está composto por extremistas de direita de coloração fascista e fundamentalistas religiosos que têm incitado a população, principalmente os colonos, a pegar em armas contra os palestinos na Cisjordânia e Jerusalém oriental. Invasões de vilarejos por bandos de colonos armados, violentos, grotescos em seu deboche dos nativos, revivem os famigerados pogroms (massacre
, em russo) do século XIX. Não faltam declarações oficiais indicando o objetivo de anexar a Cisjordânia e livrar-se de qualquer palestino que tente se opor. Tampouco faltou evidência do intento genocida na preparação da invasão ora em curso na Faixa de Gaza. Como relatou o depoimento do amigo, professor em Gaza, Haider Eid, o que estamos vivenciando é uma combinação de limpeza étnica e genocídio
.
Sobre os destroços dos edifícios surgem gananciosos projetos 3D de condomínios israelenses de luxo frente ao mar. Sobre os destroços dos corpos, se alimentam os famintos gatos de rua. Os corpos envoltos e, uma última vez, apertados nos braços de uma mãe inconsolável, ou deitados às dezenas em valas comuns, fundem-se qual uma fita de möbius e nos levam de um morticínio a outro, de um massacre a outro, e a uma história de limpeza étnica e apagamento sem fim do povo palestino.
Em resposta a isso, o povo palestino resiste há um século à sua desumanização, desenraizamento e expropriação. Rejeita
