O Arrepio no Ártico: Pessoas Desaparecidas da Gronelândia, #3
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Sobre este e-book
Quando a temperatura desce a pique e os residentes de uma aldeia remota se recolhem durante uma tempestade de inverno particularmente feroz, a Agente Petra Jensen junta as peças de um caso antigo para passar o tempo até a tempestade passar.
"O Arrepio no Ártico" é o terceiro livro da nova série de novelas "Pessoas Desaparecidas da Gronelândia" que se desenrolam no Ártico inóspito e imprevisível, rico em tradições, mitos e cultura.
"Petersen é autor de histórias de ação passadas em ambientes inóspitos e isolados, demasiados negros para alguns, demasiados frios para todos" - Óskar Guðmundsson
"O Arrepio no Ártico" apresenta muitas personagens novas e interessantes, juntamente com algumas caras familiares que aparecem pontualmente na série.
As histórias de "Pessoas Desaparecidas da Gronelândia" passam-se antes de "A Estrela do Gelo" e "Um Inverno, Sete Sepulturas".
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Christoffer Petersen
Christoffer Petersen lives in southern Denmark. He grew up on Jack London stories and devoured any book to do with the Arctic and dog sledging. In 2006 he encouraged his Danish wife to move to Greenland and spent seven years learning about the one of the most exciting countries and cultures in the world. While in Greenland, Chris started writing crime stories and thrillers set in Greenland and the Arctic. He graduated from Falmouth University with a Master of Arts in Professional Writing in 2015, shortly after moving back to Denmark. Chris makes a living writing about Greenland.
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Pré-visualização do livro
O Arrepio no Ártico - Christoffer Petersen
O Arrepio no Ártico
Pessoas Desaparecidas da Gronelândia - Livro 3
com a Agente Petra Piitalaat
Jensen como protagonista
~
Este é um livro de ficção. Semelhanças com pessoas,
locais ou eventos reais são coincidência ou usados num
contexto puramento ficcional.
O Arrepio no Ártico
Esta edição: 16 de Abril de 2025
Título Original: The Shiver in the Arctic
Copyright © 2025 Christoffer Petersen
Traduzido por Ana Catarina da Palma Neves
Tradução © 2025 Ana Catarina da Palma Neves
O Arrepio no Ártico
Pessoas Desaparecidas da Gronelândia - Livro 1
Parte 1
O artigo da revista foi a gota de água. Quando descobriu que um jornalista independente queria escrever um artigo sobre a Secção de Pessoas Desaparecidas da Gronelândia, o Sargento Kiiu George
Duneq fez os possíveis para o evitar, inclusive atribuir-me durante duas semanas a escolta de prisioneiros de outras localidades para Nuuk só para me manter fora da capital. Claro que não se apercebeu de que o jornalista ia escrever o artigo para a revista Suluk, a revista disponibilizada durante os voos da companhia área Air Greenland, e que tínhamos combinado encontrar-nos no aeroporto no início do meu serviço.
- Na verdade, foi o Comissário da Polícia que me disse onde te encontrar - disse-me o jornalista enquanto bebíamos café no pequeno aeroporto ártico de Nuuk.
- A sério?
- Sim - confirmou, virando dramaticamente a página do seu caderno de argolas. - Ele tem-te em grande consideração.
Corei. Lembrei-me logo da Atii Napa, a minha companheira de armas desde a academia, que teria brincado comigo por causa disso e teria feito comentários sobre os olhares que o jovem jornalista me lançava. Claro que se estivesse lá, ter-me-ia dado algumas dicas sobre como reagir. Às vezes a Atii imitava-me para demonstrar o quão óbvio era quando um homem me lançava o seu charme, questionando-me como era possível eu não ter reparado. Normalmente tinha razão. Apesar de poder corar com alguns elogios, a maioria das vezes precisava de uma marretada para perceber as intenções subjacentes de um homem. Ali, naquele café cheio de gente na sala de espera do aeroporto, o jornalista já estava com dificuldades em me arrancar a história, quanto mais atrever-se a convidar-me para jantar, se era essa realmente a sua intenção.
- Tive sorte e o Comissário dá muito apoio - respondi depois do meu rosto voltar à cor normal, uma tez entre o pálido e o castanho claro. Um tom tipicamente gronelandês, embora alguns tivessem uma grande dose de sangue europeu a correr-lhes nas veias.
- Ele nomeou uma agente recém-formada para chefiar o departamento de Pessoas Desaparecidas da Gronelândia.
- Uma secção, muito pequena - corrigi-o.
Senti-me tentada a deixá-lo escrever sobre o departamento, nem que fosse apenas para me divertir ao ver a papada do Sargento Duneq a tremer de raiva. Se o facto de eu, uma mera agente da polícia acabada de sair da academia, ter uma secretária poeirenta com uma cadeira partida o irritar para além da razão, então ter um departamento inteiro.... Guardei esse pensamento como um pedaço de comida deliciosa para desfrutar mais tarde quando estivesse no voo para outra cidade a escoltar outro prisioneiro de uma prisão para a outra.
- És responsável por investigar casos de pessoas desparecidas na Gronelândia.
- Eu atendo o telefone.
- Oh, eu acho que fazes um pouco mais do que isso, Agente...
Olhei para os passageiros que estavam sentados ao nosso lado enquanto o jornalista verificava os seus apontamentos. Com uma população tão pequena, os gronelandeses partilhavam uma estranha intimidade cortês. Isso não significava que tínhamos o direito de nos intrometermos na vida uns dos outros, embora acabasse por acontecer muitas vezes por causa das ligações e relações pessoais entre as pessoas por todo o país, mas podia ser embaraçoso. Nessas alturas, agradecia mentalmente ao meu grande casaco de polícia com uma gola rígida atrás da qual me podia esconder.
- Investigaste o caso de um menino em Qaanaaq, certo?
- Sim.
- Mais recentemente estiveste envolvida nas buscas de uma menina em Kangaamiut.
- Exato.
- Dois casos, ambos relacionados com crianças. É o normal em casos de pessoas desaparecidas na Gronelândia?
- Acho que foi coincidência.
- O rapaz estava desaparecido havia quase um ano e a rapariga cerca de três dias.
- Sim - confirmei, franzindo o sobrolho a tentar perceber qual seria a pergunta seguinte.
- E precisaste de ajuda em ambos os casos.
- Coordenei-me com a polícia local nos dois casos.
- Certo, mas não era isso que queria dizer.
Sabia que não era. Tinha visto os apontamentos dele e havia demasiadas anotações ao lado dos nomes das pessoas que me tinham ajudado e demasiados pontos de interrogação que não podia ignorar.
- Fala-me sobre o Tuukula.
- Ele vive em Qaanaaq com a filha.
- A Luui?
- Sim - confirmei e sorri ao visualizar o cabelo preto selvagem e emaranhado da Luui e as sardas espalhadas pelo seu narizinho redondo. - Ela tem cinco anos.
- O Tuukula ajudou-te em Qaanaaq?
- Os dois ajudaram.
- E novamente em Kangaamiut. Porém, nessa vez...
O jornalista parou de falar para verificar os apontamentos. Depois, levantou a cabeça e sorriu.
- Pediste expressamente a ajuda do Tuukula. Ele é consultor da polícia?
- Eu não falo gronelandês - respondi, pensando no que poderia dizer sobre o papel do Tuukula nas minhas investigações. - Ele faz a tradução.
- Portanto, é tradutor?
- Não, é um xamã.
As palavras saíram-me da boca antes que as pudesse impedir.
- Estou a ver - disse o jornalista, mas eu podia ver que não estava. O seu olhar confuso condizia com o olhar dos passageiros que estavam sentados ao nosso lado.
- É complicado - acrescentei em forma de explicação. - O Tuukula estava no sítio certo na hora certa e a filha dele...
- Sim?...
Mordi o lábio, arrependida por ter trazido a Luui para aquele assunto. Já era difícil para mim compreender o papel dela nas investigações, para desconhecidos era quase impossível. Estabeleci uma verdade e ignorei o aspeto desafiante da sua estranha capacidade de ver coisas que os adultos à sua volta não viam.
- A Luui é encantadora e desconcerta as pessoas. Não, - corrigi enquanto abanava a cabeça e o jornalista acrescentava notas no seu caderno - essa não é a palavra certa. Devia ter dito que ela põe as pessoas à vontade.
- E o pai dela? Além de traduzir, também põe as pessoas à vontade ou tem outras competências que te ajuda a resolver os casos de pessoas desaparecidas?
Hesitei por instantes enquanto pensava em como formular a minha resposta. O casal ao meu lado inclinou-se ligeiramente como se eles também estivessem desejosos de saber a minha resposta. Podia ter embelezado o papel do Tuukula como tradutor, mas, correndo o risco de ridicularizar a Secção de Pessoas Desaparecidas da Gronelândia, não quis ignorar as suas competências práticas como caçador nem a sua intuição sobrenatural.
- O Tuukula é…
- Sim?...
Era mais difícil do que imaginava dizer exatamente o que ele tinha ou não tinha feito que ajudara na resolução dos casos. Se a Luui estivesse ali, provavelmente fechava a mão em punho e depois abria os dedos numa espécie de explosão com um puff seguido da palavra inglesa magic.
Magia.
Havia-a em abundância na Gronelândia, mas a parte racional e profissional da minha mente foi mais forte. Além disso, lembrei-me da benevolência do Comissário da Polícia Lars Andersen e que lhe devia, a ele e aos meus colegas, manter uma imagem positiva da Polícia da Gronelândia.
- O Tuukula é o meu tradutor e o meu guia em áreas desconhecidas para mim.
- Como o mundo espiritual? - perguntou o jornalista a tentar tirar nabos da púcara.
- Como a Gronelândia - respondi na altura em que anunciaram o meu voo nos altifalantes do aeroporto. - Obrigada, mas tenho de ir.
- Só um segundo - disse ele enquanto pegava no smartphone. - Preciso de uma fotografia para o artigo.
Assim que ele tirou a fotografia, empurrei a cadeira para trás. Levantei-me e fui juntar-me à fila de passageiros que aguardavam para embarcar no De Havilland Dash 7 em direção a Tasiilaq, na costa leste da Gronelândia. O Sargento Duneq tinha planeado o meu regresso no mesmo dia para depois ir de avião até Ilulissat e seguir daí até Uummannaq.
O jornalista prometeu-me que uma versão resumida do artigo iria estar disponível online até ao final do dia.
- É uma amostra do artigo completo, - explicou enquanto me acompanhava na fila - para despertar o interesse das pessoas. Estará online e em papel nas três línguas: gronelandês, dinamarquês e inglês.
- Inglês?
- Falas inglês, certo?
- Sim, só tenho dificuldades com o gronelandês.
- É por isso que precisas do Tuukula?
Estava a tentar obter uma última declaração, um último ato de magia. Porém, apesar de conseguir ver e ouvir
