O Filho de Tinô: Uma jornada na história pela imaginação, fé e espiritualidade
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Sobre este e-book
Habitualmente, nos esquecemos da história moderna da humanidade, e nos lembramos dos contos e causos passados de geração a geração. Mas por quê? A resposta é simples: os fatos não estão ligados aos sentimentos que só a ficção nos faz vivenciar, quando incorporamos a vida do personagem que nos revela uma postura crítica sobre sua realidade.
Em sua jornada pelos sertões nordestinos e na imensidão do Amazonas, o filho de descendentes de escravos nos leva ao limiar da ficção e da realidade, em uma história apaixonante e reflexiva da vida, dos fatos e do sofrimento pelos quais passou o povo nordestino na época dos anos 1930.
A história do filho de Tinô nos faz viver a realidade misturada à ficção, e nos permite a possibilidade da maravilhosa escolha no que acreditar e em quem acreditar, quando nos mostra que o mundo pode ser muito mais do que conseguimos ver.
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O Filho de Tinô - Miguel Barreto
Capítulo 1
Quando resolvi fazer Sociologia, meu pai foi contra. Não sei se pelo fato de nenhum dos seus dois filhos terem seguido sua carreira advocatícia, ou se por ele realmente achar que sociólogo era sinônimo de drogado
ou subversivo
, segundo seus discursos inflamados. Mas eu acho que o problema entre mim e meu pai era outro. Não tinha uma vez que nos falávamos sem que discutíssemos. Não concordava com seus métodos de trabalho nem com a maioria de seus clientes, as grandes corporações que faziam de tudo para se safar dos crimes que cometiam. Nessas horas, lá estava meu pai como seu grande defensor. Talvez esse fosse um dos principais motivos que me faziam odiar a advocacia. Mãe adorava a ideia. Seu doutorado em História lhe rendeu diversas homenagens no meio acadêmico, em São Paulo, e o fato de seus dois filhos atuarem em carreiras parecidas era motivo de orgulho e afronta a seu ex-marido. Meu irmão, Gustavo, paleontólogo e professor em uma universidade em Minas Gerais, que já não dependia financeiramente dos velhos e pouco estava se lixando para as brigas dos meus pais, sempre me falava:
— Luciano, isso é paixão recolhida. Se separaram, mas não conseguem viver um longe do outro.
E foi nesse clima de paixão mal resolvida que consegui minha bolsa para o doutorado. Claro, com a ajuda de minha digníssima genitora, Dona Fátima, principalmente porque minha pesquisa se concentrava na cidade do Nordeste de que ela mais gostava: Caruaru, em Pernambuco, que já tinha visitado algumas vezes nas excursões familiares que ela inventava, sob os protestos de Dr. Alberto Martins, meu pai, que achava que turismo verdadeiro era na Europa.
Dona Fátima desde cedo queria mostrar a seus filhos como o Brasil era rico em beleza e cultura. Na verdade, era uma verdadeira estratégia para a formação acadêmica futura de seus filhos, por sinal, muito bem-sucedida. Tinha verdadeira adoração pela cultura nordestina. Acreditava que muito de sua originalidade ainda estava conservada, mesmo com o grande acesso à modernidade. Minha tese estava concentrada justamente aí, na cultura do nordestino como foco principal: a Feira de Caruaru, também conhecida como Feira da Sulanca
.
Considerada uma das maiores feiras ao ar livre do Brasil, a Feira de Caruaru já se tornara patrimônio cultural, mas mantinha a sua movimentação semanal de visitas de compradores e vendedores de diversos cantos do país. Nos dias de pico, os quais seus frequentadores conhecem como dia de feira
, é quase insuportável transitar por suas vielas cheias de gente. Gente comprando, gente vendendo, gente trocando mercadorias velhas por velhas, tecidos, brinquedos, utensílios de barro, de madeira e sisal, etc. Local perfeito para encontrar o que procurava: a miscigenação cultural.
Mas, um dia, algo extraordinário aconteceu e mudou tudo, minha pesquisa, o rumo das coisas e, principalmente, a minha forma de ver a vida.
Era janeiro, e o dia estava quente, muito quente. Minha estadia na cidade de Caruaru já completava três meses. Pretendia retornar até o final do semestre para São Paulo. Acreditava que até lá estaria com bastante material. Tinha saudades das noites paulistanas, mesmo com um trânsito caótico e sua poluição recorde. Acho que tinha criado a síndrome do rato de laboratório, que não se adapta facilmente a outros ares. Percebi que me tornara um paulistano institucionalizado
. Até que encontrava bons restaurantes na cidade, mas não conseguia deixar de sentir a falta de alguma coisa. A verdade é que eu não conseguia parar de reclamar da falta das coisas
. Remoendo meus saudosos pensamentos, voltando para o hotel, ainda na feira, passei pela primeira vez por uma viela que margeava o Rio Ipojuca, que não ficava atrás dos rios das grandes cidades em poluição e mau cheiro. Parei e encostei próximo a uma das várias barraquinhas fechadas de madeira, procurando sombra.
Já tinha percebido que, em certos locais, essas barracas já não mais abriam mesmo nos conhecidos dias de feira
. Já estava caminhando há quase duas horas, conversando com um e com outro, fotografando e fazendo minhas anotações. O caminho de volta para o hotel levaria mais uns 20 minutos, e meus pés me matavam. Como uma miragem, avistei um banquinho de madeira próximo a uma barraquinha e me aproximei dele, querendo me sentar. Parecia que alguém o tinha esquecido. Olhei para um lado e para o outro para ver se o banco tinha dono, mas nada. A verdade é que o lugar estava completamente deserto, porém, naquele momento, perfeito. Poderia ficar mais à vontade. Sentei-me e tirei uma garrafa de água de minha bolsa. Tomei alguns goles e molhei o rosto. Era um alívio. Cruzei as pernas para que a circulação melhorasse. Aquele pequeno banco era uma bênção.
— Cansado?
Virei-me para ver quem me perguntava, e quase caí do banco.
— Ah, sim, desculpe. Esse banquinho é do senhor? — perguntei ao homem de aparência agradável, sentado dentro da barraca próxima ao banco, que jurava estar fechada. Tinha aparência tranquila, roupas simples e chinelas de couro. Apresentava ter seus oitenta anos ou mais. Parecia concertar um sapato que estava na mão.
— É, sim. Estava esperando você — sorriu, falando.
— Ah! Que coisa boa. Estava precisando mesmo, mas já descansei o bastante. Muito obrigado.
Fiz menção de me levantar, meio que sem graça e desconcertado.
— Não, por favor. Pode ficar mais um pouco. Não estou precisando dele agora. Por favor, você acabou de chegar — insistiu o velho.
— Ah! Muito obrigado.
— Está fazendo compras?
— Não, estou fazendo uma pesquisa para minha tese. Na verdade, é um trabalho para faculdade.
— É doutor?
Sorri com a pergunta.
— Bem, estou querendo. Por isso, estou aqui.
— Aqui?
— É que, para ser o doutor que eu quero ser, preciso de algumas informações da feira.
— Da feira?
Ia ser difícil explicar, mas ia tentar, pelo menos para retribuir o banquinho.
— Sim. Eu pesquiso as histórias das pessoas que trabalham ou compram aqui, suas viagens, seu dia a dia, enfim, a cultura do povo que frequenta a feira. São dessas informações que eu preciso para ser doutor.
A fisionomia do velho mudou de repente. Seus olhos brilhavam. A princípio, achei que ele estivesse interessado em minha pesquisa, coisa quase que improvável.
— Você quer uma história? Eu tenho uma pra contar. — Assustei-me com a pergunta intempestiva do velho.
— Bem, acredito que provavelmente não seja o tipo de história que eu esteja procurando…
— Mas é uma boa história — falou ele insistentemente.
Pensei que seria indelicado, com aquele gentil senhor, não ouvir a sua história, mesmo porque tinha certeza de que seria uma coisa rápida. Já tinha terminado a coleta de dados por aquele dia, e seria até uma parada para recuperar o fôlego.
— Tudo bem, então. Pode me contar.
O velho se levantou e pegou um pedaço de couro dobrado e amarrado com um barbante, que estava próximo a ele. Veio em minha direção e me entregou. Fiquei sem entender. Por alguns segundos, fiquei olhando para o pedaço de couro e para o velho, tentando chegar a uma conclusão do que ele queria que eu fizesse. Fui desatar o nó para abrir o embrulho, mas o velho me avisou:
— Antes de abrir, quero ter certeza de que ouvirá a história e guardará em seu coração.
Olhava-o sem saber o que falar. Não sabia se ele estava falando sério, se estava me pregando uma peça ou se era doido. Que história era aquela de guardar no coração
?
— Como guardar no coração
? — perguntei, com um sorriso sem graça.
— Tem que me prometer isso.
— Bem, senhor, se você quer que eu escute com atenção…
— Tem que ouvir com o coração.
Vi que o assunto seria demorado. Daqui até que eu compreendesse o que ele exatamente queria, iria passar o resto da tarde ali.
— Eu não sei se hoje terei tempo para ouvir sua história com toda atenção de que o senhor precisa.
— Não precisa ser hoje. Pode ser amanhã ou depois.
Era difícil dizer não
àquele simpático senhor. Se realmente fosse louco, aquela era a oportunidade de me ver livre dele e de ir embora.
— Tudo bem. Eu volto outro dia.
Estendi a mão para devolver o objeto que tinha me dado, mas ele o empurrou de volta, tocando no embrulho.
— Fique com ele por enquanto, mas lhe peço que não abra se não quiser ouvir minha história.
Não sei por que não insisti em devolver. Guardei o objeto em minha bolsa, meio desconcertado, e fui embora. Saí da feira e, quando terminei de atravessar a ponte sobre o Rio Ipojuca, aquela história martelou ainda mais minha cabeça. E se dentro daquele embrulho houvesse droga ou outra coisa parecida? Como seria tão idiota para pegar algo de uma pessoa que acabara de conhecer? Um paulista institucionalizado fazendo papel de babaca. Pensei em jogar o objeto no rio, mas, também, se aquilo fosse uma lembrança ou algo de estima do velho, que provavelmente era louco, não poderia ser tão mesquinho. Dei meia-volta e voltei para devolver o embrulho.
Tinha quase certeza de que estava no mesmo lugar, mas tudo estava fechado. Não tinha levado muito tempo no meu percurso de ida e volta, a não ser que o velho já estivesse de saída. O fato é que não tinha mais ninguém. Tentei empurrar o pedaço de couro por entre a brecha da barraca, mas não passava. Quem sabe se eu deixasse um bilhete e o pendurasse até que ele voltasse amanhã? Acho que a ideia não era muito boa. Se ele não aparecesse, algum moleque poderia arrancá-lo. Não tinha jeito. Teria que voltar amanhã e devolver pessoalmente. Guardei-o em minha bolsa e fui embora.
Capítulo 2
Dois dias se passaram desde o misterioso encontro com o velho, que nem sabia como se chamava. Cheio de trabalho, precisava terminar minhas anotações, passar tudo para o computador e organizá-las. Não encontrava tempo para voltar à feira e devolver o objeto. Sempre que lembrava, já era tarde, e tinha certeza de que não o encontraria lá.
Nesse dia, estava um bagaço de cansado. Tinha chegado cedo ao hotel quando ainda estava anoitecendo. Terminei de tomar um banho e não via a hora de cair na cama. Liguei o ar-condicionado do quarto e literalmente desabei. Tive a sensação, antes de adormecer, de que acordaria mais tarde. Não seria uma má ideia. Caí num sono profundo.
Acordei assustado, com o velho me perguntando se tinha aberto o embrulho de couro. Transpirava muito. O calor estava insuportável. Tinha sido apenas um sonho. O ar tinha parado de funcionar. Olhei para o relógio e vi 2h da manhã. Tentei religar o bendito ar, mas não funcionava. Peguei o telefone e liguei para a recepção, informando que o aparelho não estava funcionando. Foi quando o atendente gentilmente me relatou que a rede de energia da rua estava com problemas e que só uma fase estava funcionando, mas que a companhia de energia já tinha sido avisada.
A essa altura, tinha perdido completamente o sono. Fui até a janela do quarto do hotel e me refresquei um pouco. A rua estava deserta, diferentemente de São Paulo, que nunca parava, uma das coisas de que gostava de Caruaru. Uma cidade que crescia rápido, mas que ainda guardava características de cidade mediana e em que ainda se encontravam momentos de tranquilidade, principalmente à noite. Ao lado da janela, havia uma pequena mesa onde sempre colocava meus objetos e minha sacola, que estava entreaberta. Olhei para o embrulho de couro, estendi a mão e o peguei.
— O que está acontecendo comigo? — falei para mim mesmo.
Não pensei duas vezes para desatar o nó e abrir o embrulho, mesmo sabendo que estaria assumindo o compromisso com o velho te de ouvir sua história, por mais chata que fosse. Ainda achava que aquilo tudo era uma brincadeira. E se não fosse, poderia mentir, dizendo que não tinha aberto. Como ele iria provar? Na certa, ali dentro tinha um monte de besteiras ou nada, mas não foi bem assim.
O pedaço de couro tinha dimensões de 50 cm de comprimento por 20 cm de largura. Havia marcas das dobras e, em algumas delas, o desgaste terminou furando o material. Era um couro bruto, sem nenhum tipo de tratamento além da raspagem do pelo do animal. Figuras humanas parecidas com os desenhos rupestres, desenhos de homens primitivos encontrados nos tetos e paredes de cavernas onde existem registros arqueológicos foram desenhados a fogo. Alguém queria que aquelas marcas durassem a vida inteira. Era um total de 20 figuras. Cada figura humana tinha sempre outro desenho ao seu lado, e cada desenho parecia ter sido feito por uma pessoa diferente. No primeiro, parecia ser um barco. No segundo, uma árvore. No terceiro, uma grande casa. No quarto, uma meia-lua e algo que parecia uma estrela. No quinto, parecia um cavalo. No sexto, sétimo e oitavo, outra grande casa. No nono, o homem tinha um objeto que parecia um facão ou uma faca. No décimo, tinha duas linhas paralelas, que se aproximavam em sua extremidade como se fossem um caminho a seguir. No décimo primeiro, outro animal, só que esse tinha
