Explore mais de 1,5 milhão de audiolivros e e-books gratuitamente por dias

A partir de $11.99/mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

Comportamentos compulsivos: Intervenções cognitivo-comportamentais na prática clínica
Comportamentos compulsivos: Intervenções cognitivo-comportamentais na prática clínica
Comportamentos compulsivos: Intervenções cognitivo-comportamentais na prática clínica
E-book522 páginas4 horas

Comportamentos compulsivos: Intervenções cognitivo-comportamentais na prática clínica

Nota: 0 de 5 estrelas

()

Ler a amostra

Sobre este e-book

Esta obra apresenta um relato sobre os comportamentos compulsivos tais como a compulsão por compras, por jogos, por sexo e pornografia, por acumulação, por mentiras, compulsão alimentar, por álcool e drogas, entre outras que compõe o universo destes transtornos. Além disso o livro traz formas de avaliação de cada uma das compulsões bem como as técnicas mais adequadas e utilizadas dentro da terapia cognitivo comportamental.
IdiomaPortuguês
EditoraVetor Editora
Data de lançamento22 de dez. de 2025
ISBN9786553743274
Comportamentos compulsivos: Intervenções cognitivo-comportamentais na prática clínica

Leia mais títulos de Solange Regina Signori Iamin

Relacionado a Comportamentos compulsivos

Ebooks relacionados

Psicologia para você

Visualizar mais

Categorias relacionadas

Avaliações de Comportamentos compulsivos

Nota: 0 de 5 estrelas
0 notas

0 avaliação0 avaliação

O que você achou?

Toque para dar uma nota

A avaliação deve ter pelo menos 10 palavras

    Pré-visualização do livro

    Comportamentos compulsivos - Solange Regina Signori Iamin

    DEDICATÓRIA

    Esta obra é dedicada àquelas pessoas que, ao longo da sua jornada de vida, passam por momentos de sofrimento emocional relacionado às compulsões que vez ou outra perturbam o sossego do seu cotidiano. Que este livro seja a oportunidade de romper com o padrão compulsivo, abrindo possibilidades de mudanças emocionais, cognitivas e comportamentais.

    AGRADECIMENTOS

    A todos os profissionais que dispuseram de seu tempo para escrever os capítulos que compõem esta obra.

    Aos pacientes que nos brindam, ao longo do processo terapêutico, com suas histórias de sofrimento e que se permitem aplicar os tratamentos com as técnicas que a ciência nos disponibiliza e que amainam a angústia, o desconforto emocional, cognitivo e comportamental.

    APRESENTAÇÃO

    Esta obra é um convite a todas as pessoas que sofrem de comportamentos compulsivos e às suas famílias e amigos, para que encontrem um caminho para minimizar atitudes que são praticadas repetidamente, apesar de serem vivenciadas como aversivas ou perturbadoras. Existem vários tipos de comportamentos compulsivos e muitas pessoas sofrem de compulsão, às quais podem se tornar debilitantes.

    A primeira parte desta obra faz um apanhado de alguns comportamentos compulsivos. O capítulo 1 relata os aspectos neurobiológicos do comportamento compulsivo. Alyne dos Santos Figueredo aborda o comportamento impulsivo, que pode ser entendido como uma complexa interação de fatores neurobiológicos, principalmente de áreas cerebrais e suas vias de conexão.

    No capítulo 2, Solange Iamin e Jeniffer Gomes do Valle apresentam a compulsão por compras, um distúrbio caracterizado por uma falta de controle dos impulsos em comprar, o que leva a consequências adversas, como problemas financeiros e conflitos de relacionamento. Os chamados compradores compulsivos têm uma propensão a comprar impulsivamente objetos desnecessários, e muitas vezes ocultam seus hábitos de compra. Sentem-se entusiasmados quando compram, pois este ato alivia as emoções negativas, porém depois vem a culpa, a vergonha e o medo de ser recriminado, além de se envolver em dívidas infindáveis.

    O capítulo 3 é apresentado por Solange Iamin e Maria da Penha de Almeida Kato, que descrevem a compulsão por jogos. Um comportamento compulsivo problemático e persistente em relação ao jogo e que leva a um sofrimento significativo, visto que envolve gastos financeiros, que, por sua vez, podem levar à falência e a conflitos familiares.

    Laís Panizzi, Adriana Bailich e Gabriela Mourão Ferreira narram, no capítulo 4, a compulsão alimentar. As compulsões são definidas pela ingestão de uma quantidade anormal de comida em um curto espaço de tempo, não havendo controle da ingestão de alimentos.

    No capítulo 5, Moacir Lense e Solange Iamin explanam sobre a compulsão por sexo e pornografia. O comportamento sexual compulsivo envolve a falta de controle sobre os impulsos sexuais.

    Graziela Sapienza faz um relato sobre a compulsão por mentiras no sexto capítulo da obra. Esta compulsão pode iniciar como uma dificuldade em controlar o impulso de mentir, com a criação de narrativas falsas e a falta de remorso ou culpa em relação às mentiras proferidas. Esses padrões podem ocorrer em diversas áreas da vida, como no trabalho, nos relacionamentos pessoais e nas interações sociais.

    Alberto Luiz Chemin e Solange Iamin relatam, no capítulo 7, a compulsão por drogas e álcool, um problema que está no âmago da sociedade, em razão de algumas drogas e o álcool serem considerados inofensivos e socialmente aceitos, o que muitas vezes dificulta a busca por um tratamento.

    No capítulo 8, Luciana Midori Samezima, Pedro Elias Sater e Gabriela Mourão Ferreira nos brindam com uma descrição sobre as compulsões no transtorno obsessivo-compulsivo, comentando que as obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes e que causam imensa angústia. Por outro lado, as compulsões surgem como comportamentos repetitivos, como lavar as mãos, ou atos mentais, como orar ou contar, que a pessoa utiliza em resposta às suas obsessões, com o objetivo de neutralizar aquilo que ela interpreta como uma ameaça, tentando com isso reduzir o sofrimento.

    No nono capítulo, Maurício Wisniewski e Solange Iamin descrevem a compulsão por acumulação. Este transtorno está relacionado a um sentimento de angústia ao ter que descartar objetos, o que pode levar ao acúmulo de produtos e à desordem na casa, nos espaços de convivência da pessoa. O transtorno de acumulação também leva a prejuízos significativos na vida de quem padece desse distúrbio, bem como da família, amigos e vizinhos, pois gera um ambiente insalubre.

    Cloves Amorim, Matheus Olsemann de Campos e Rafael Mendes Mariano relatam, no capítulo 10, a compulsão por arrancar os cabelos, a chamada tricotilomania, e Maria da Penha de Almeida Kato comenta a compulsão por escoriação e por roer unhas, no capítulo 11. Estes são comportamentos repetitivos focados no corpo, formando um conjunto de distúrbios em que as pessoas se beliscam repetidamente, seja arrancando chumaços de cabelo, seja arrancando cutículas e peles ao redor das unhas e roendo-as, seja fazendo escoriações pelo corpo, beliscando e arrancando pedacinhos de pele (dermatilomania), chegando, muitas vezes, a um grau prejudicial.

    Felipe Luis Melo de Souza, no capítulo 12, narra a compulsão por internet. O uso compulsivo da internet refere-se a pessoas que se tornam tão dependentes do uso de seus telefones ou outros dispositivos que perdem o controle de seu próprio comportamento e sofrem consequências negativas, como abandonar o trabalho, priorizar estar sozinho com seus celulares, tablets, do que conviver com outras pessoas.

    No capítulo 13, Solange Iamin e Jennifer Gomes do Valle falam da compulsão por trabalho. O trabalhador compulsivo é aquela pessoa que demonstra uma preocupação ou obsessão irresistível em relação ao trabalho e que apresenta uma necessidade incontrolável de investir tempo e esforço em atividades de trabalho além das expectativas esperadas.

    Vanessa de Andrade narra a compulsão por amor e o ciúme obsessivo. No capítulo 14, ela comenta que o ciúme excessivo e o Amor Patológico são dores do amor que cada vez mais acometem homens e mulheres. No capítulo 15, Solange Iamin e Jennifer Gomes do Valle relatam a compulsão por roubo, a cleptomania, que é um transtorno em que a pessoa sente um acentuado desejo de furtar objetos e realiza o ato por haver profunda dificuldade de controlar esse impulso. Os objetos furtados são, muitas vezes, desnecessários e sem valor, e há sentimentos intensos de tensão e prazer envolvidos nas manifestações do transtorno.

    Cada um dos capítulos escritos pelos colaboradores, além de trazer conceitos e orientações, também nos oferece sugestão de algumas técnicas importantes para o tratamento específico de cada transtorno.

    A segunda parte desta obra traz modelos de terapêuticas que poderão ser utilizados para o tratamento dos comportamentos compulsivos. Assim, no capítulo 16, Solange Iamin aborda algumas técnicas da terapia cognitivo-comportamental. Uma ferramenta útil para enfrentar desafios cognitivos, emocionais e comportamentais ligados às compulsões e que tem sido útil para ajudar a promover e manter a qualidade de vida das pessoas. O capítulo 17 refere-se à terapia farmacológica das compulsões. Vanessa de Andrade comenta a importância da farmacoterapia como uma estratégia terapêutica na redução e no controle dos sintomas impulsivos e compulsivos.

    No capítulo 18, Marcia Simões Alves e Tania Alves Mesquita de Oliveira falam do tratamento nutricional na compulsão alimentar. Elas comentam sobre a compulsão alimentar periódica e o comer transtornado, trazendo informações sobre a importância da empatia no tratamento, do uso do mindful eating, de uma abordagem positiva e não restritiva, bem como do estímulo ao autocuidado, além de apresentarem conceitos fundamentais sobre o transtorno.

    No capítulo 19, Gustavo Carim Paiva Iamin descreve e orienta sobre a gestão financeira na compulsão por compras, encerrando este livro com mais uma bela escrita que promove a reflexão de mudanças importantes para se poder atingir determinados objetivos.

    Esta é uma obra cujos conhecimentos ofertados pelos colaboradores certamente contribuirão para melhorar a qualidade de vida de quem padece de comportamentos compulsivos e de seus familiares.

    Solange Regina Signori Iamin

    PARTE 1 – COMPORTAMENTOS COMPULSIVOS

    CAPÍTULO 1

    ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DO COMPORTAMENTO COMPULSIVO

    Alyne dos Santos Figueredo 

    Introdução

    A impulsividade é um traço comum nos comportamentos compulsivos, e atua como um fator predisponente e/ou facilitador de etiologia multidimensional já bem estabelecida. É caracterizada por reações rápidas e mal planejadas em busca de respostas imediatas, que superam o controle inibitório. Os desejos e os impulsos são vividos de maneira tão intensa que os freios inibitórios não são suficientes para bloquear a expressão do comportamento indesejado (Tavares, 2006).

    O comportamento impulsivo pode ser entendido como uma complexa interação de fatores neurobiológicos, principalmente de áreas cerebrais e suas vias de conexão. Resulta de um viés do equilíbrio dinâmico entre o sistema mesolímbico, no qual se considera que se estabelecem as bases da recompensa e do prazer, envolvendo áreas cerebrais de fundamental importância, como o córtex pré-frontal, principalmente as áreas ventromedial e orbitofrontal relacionadas a planejamento, julgamento, inibição de ação, controle das emoções, e o estriado ventral, especificamente o núcleo accumbens, chave no sistema de reforço. Estruturas límbicas interagem de forma complexa com os sistemas de recompensa e estresse, resultando em incentivos de aproximação ou esquiva (Bullock & Pontenza, 2012).

    Estudos em humanos sugerem que o córtex pré-frontal dorsolateral e o córtex cingulado anterior são regiões-chave associadas à tendência em optar por recompensas de longo prazo (Luo et al., 2012; Peters & Buchel, 2011), enquanto o aumento da atividade estriada ventral tem sido implicado na preferência por recompensas imediatas (Hariri et al., 2006). Provavelmente, o papel preponderante desempenhado pelo córtex pré-frontal está associado à sua estreita conectividade com estruturas límbicas temporais (hipocampo, amígdala e hipotálamo), relacionados a memória de longo prazo, afeto e motivação (O’Reilly, 2010).

    O fenômeno pode ser explicado por uma falência do controle inibitório de estruturas pré-frontais sobre estruturas subcorticais, seja por disfunção do primeiro, seja por hiperatividade do segundo. Esses modelos sugerem a presença de dois circuitos paralelos: o circuito em que o estriado dorsal (núcleo caudado e putâmen) induz comportamentos compulsivos e o córtex orbitofrontal exerce um controle inibitório sobre ele, e o circuito em que o estriado ventral (núcleo accumbens), que abriga estruturas críticas para a antecipação de recompensa, induz os comportamentos impulsivos e o córtex cingulado anterior, e o córtex pré-frontal ventromedial o inibe. Entretanto, uma sobreposição entre esses circuitos vem sendo demonstrada, e eles têm sido implicados, de forma dinâmica, nos comportamentos compulsivos. Uma vez que o comportamento voluntário que visa à obtenção de recompensa se torna irrefreado, a atividade de estruturas estriatais passa a se sobrepor ao controle inibitório das estruturas pré-frontais; e à medida que o comportamento se torna compulsivo, estruturas estriatais mais dorsais (núcleo caudado e putâmen) passam a ser envolvidas (Ferreira, 2016).

    Existe um enviesamento na escolha de recompensas imediatas em detrimento de ganhos a longo prazo, por conta da combinação da resposta centrada na recompensa e na imaturidade das zonas de controle comportamental que envolvem a tomada de decisões e comportamentos impulsivos (Casey et al., 2008). Estudos realizados em animais marinhos demonstraram o papel do córtex orbitofrontal na ação compulsiva de responder a um estímulo (Joel et al., 2005a; Joel et al., 2005b; Winstanley et al., 2007); assim como a importância da conservação das conexões do córtex orbitofrontal e do estriado dorsomedial na capacidade de inibir a resposta (Joel et al., 2005b; Eagle & Robbins, 2003). Além disso, há evidências de que a conectividade aferente do núcleo accumbens e do córtex orbitofrontal permite a regulação do comportamento compulsivo (Dalley et al., 2004; Eagle et al., 2007).

    Essas áreas de conexão mesolímbica são permeadas pela modulação de neurotransmissores, como dopamina, GABA e glutamato, serotonina e norepinefrina (Seo et al., 2008). Existem amplas evidências que relacionam a alteração dessas vias de neurotransmissores com doenças neuropsiquiátricas que envolvem modificações na modulação dos circuitos estriatais córtico-límbicos (Dalley et al., 2008).

    Serotonina

    O comportamento compulsivo tem sido associado a vários aspectos da função reguladora da via serotoninérgica no circuito corticoestriatal (Dalley et al., 2008; Fineberg et al., 2010; Pattij & Vanderschuren, 2008; Winstanley et al., 2006). Além disso, atua como neurotransmissor em vários circuitos, como o córtex pré-frontal (PFC) e o hipotálamo (Hornung, 2003).

    O sistema de transmissão serotoninérgico está envolvido na regulação do humor, atenção e controle de impulsos (Eun et al., 2016; Tops et al., 2009). As vias de conectividade desse sistema funcionam como um sistema de retenção comportamental, inibindo o comportamento impulsivo (Volavka et al., 2002). A importância da serotonina foi claramente relatada em vários estudos experimentais e clínicos, que mostram uma associação entre baixa transmissão de serotonina e aumento da impulsividade (Paaver et al., 2007; Harro & Oreland, 2016; Cunningham & Anastasio, 2014; Mann, 1991; Stein, 2000).

    A produção de serotonina nos núcleos da rafe do tronco cerebral permite a transmissão de impulsos para o córtex orbitofrontal, o sistema límbico (Ortega-Escobar & Alcázar-Córcoles, 2016), e afeta a atividade do córtex pré-frontal, conseguindo manter um efeito inibitório sobre a impulsividade, possivelmente também regulando a atividade de conectividade via projeções do núcleo dorsal da rafe para a amígdala, diminuindo assim a atividade da dopamina ao mesmo tempo que as projeções emitidas da rafe mediana regulam a atividade da dopamina, a atividade do córtex pré-frontal e do septo hipocampal (Oquendo & Mann, 2000). Dessa forma, uma diminuição de serotonina no córtex pré-frontal é expressa por um aumento no comportamento impulsivo (McGirr et al., 2007; Coccaro et al., 2015; Siegel & Douard, 2011; Yanowitch & Coccaro, 2001).

    Dopamina

    Potenza (2001) sugere que comportamentos impulsivos estariam relacionados com fatores envolvendo uma baixa atividade dopaminérgica, a chamada Síndrome da Deficiência do Sistema de Recompensa Cerebral (SRC).

    Uma das funções mais importantes da dopamina é estabelecer a relação com o reforço do comportamento através das áreas orbitofrontal ou cingulada anterior, determinando a resposta emocional de inibição e controle à qual sua disfunção está relacionada ao comportamento impulsivo (Wu et al., 2011). A conectividade da via mesolímbica com o núcleo accumbens, que é outra região cerebral chave envolvida na expressão do comportamento impulsivo, também é regulada pelo sistema dopaminérgico (Caprioli et al., 2014). Um estado hipodopaminérgico remodela os sistemas de motricidade, prazer, cognição e recompensa, resultando em um cérebro em constante busca pelo prazer, como forma de corrigir essa deficiência na neurotransmissão dopaminérgica (Wacker & Smillie, 2015).

    Ácido gama-aminobutírico (GABA)

    O ácido gama-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor com atividade inibitória no cérebro. Essa atividade permeia a modulação na função de circuitos que conectam o córtex pré-frontal e o córtex límbico, estando relacionada ao controle da impulsividade (Horn et al., 2015) e ao processamento afetivo (Phan et al., 2002). Uma interrupção no processamento afetivo pode levar ao aumento da impulsividade (Schmidt et al., 2004). Tanto o GABA quanto o Glutamato formam uma dualidade recíproca de inibição/excitação no cérebro, ambos os neurotransmissores estão envolvidos na regulação da atividade em várias regiões somatossensoriais e motoras corticais primárias (Edden et al., 2012).

    Os traços de impulsividade podem estar associados à diminuição da expressão do receptor GABA na região medial do córtex pré-frontal (Jupp et al., 2013). Por sua vez, a diminuição dos níveis de GABA no córtex aumenta a impulsividade em humanos (Boy et al., 2011; Silveri et al., 2013). Outros estudos realizados em humanos, adolescentes e adultos saudáveis, mostraram uma associação negativa dos níveis de GABA no córtex pré-frontal dorsolateral com a impulsividade (Boy et al., 2011; Silveri et al., 2013).

    Noradrenalina

    Os transtornos do controle de impulsos provavelmente envolvem disfunção do sistema noradrenérgico (Hollander & Evers, 2001). Alterações na neurotransmissão noradrenérgica podem conferir maior suscetibilidade ao aumentar os déficits de controle de impulso por meio da inibição da função do lobo frontal (Jakubczyk et al., 2012).

    Também foi observado que a administração de drogas que inibem a impulsividade, e que atuam inibindo a recaptação de norepinefrina, diminuem tanto a impulsividade quanto a recaída. Estes dados sugerem que o traço de impulsividade pode preceder o desenvolvimento de comportamentos compulsivos (Ansquer et al., 2014).

    Considerações finais

    Apesar de ser consensual na literatura que o comportamento compulsivo resulta de uma falha simultânea em circuitos cerebrais de controle comportamental, em virtude de alterações na neurotransmissão e no prejuízo da interação entre impulsos de estruturas límbicas e supressão/inibição cortical, são necessários mais estudos que comprovem essa desregulação neurobiológica para facilitar os avanços clínicos na identificação, prevenção e tratamento dos transtornos envolvidos.

    Referências

    Ansquer, S., Belin-Rauscent, A., Dugast, E., Duran, T., Benatru, I., Mar, A. C., Houeto, J.-L., & Belin, D. (2014). Atomoxetine decreases vulnerability to develop compulsivity in high impulsive rats. Biol Psychiatry, 75(10), 825-832. doi: 10.1016/j.biopsych.2013.09.031

    Boy, F., Evans, C. J., Edden, R. A., Lawrence, A. D., Singh, K. D., Husain, M., & Sumner, P. (2011). Dorsolateral prefrontal gamma-aminobutyric acid in men predicts individual differences in rash impulsivity. Biol Psychiatry, 70(9), 866-872. doi: 10.1016/j.biopsych.2011.05.030

    Bullock, S. A., & Potenza, M. N. (2012). Pathological gambling: Neuropsychopharmacology and treatment. Current Psychopharmacology, 1(1), 67-85. doi: 10.2174/2211556011201010067

    Caprioli, D., Sawiak, S., Merlo, E., Theobald, D., Spoelder, M., Jupp, B., Voon, V., Carpenter, T. A., Everitt, B. J., Robbins, T. W., & Dalley, J. W. (2014). Gamma aminobutyric acidergic and neuronal structural markers in the nucleus accumbens core underlie trait-like impulsive behavior. Biological Psychiatry, 75(2), 115-123. doi: 10.1016/j.biopsych.2013.07.013

    Casey, B. J., Getz, S., & Galvan, A. (2008). The adolescent brain. Developmental Review, 28, 62-77. doi: 10.1196/annals.1440.010

    Coccaro, E., Fanning, J., Phan, K., & Lee, R. (2015). Serotonin and impulsive aggression. CNS Spectrums, 20(3), 295-302. doi: 10.1017/S1092852915000310

    Cunningham, K. A., & Anastasio, N. C. (2014). Serotonin at the nexus of impulsivity and cue reactivity in cocaine addiction. Neuropharmacology, 76, 460-478. doi: 10.1016/j.neuropharm.2013.06.030

    Dalley, J. W., Cardinal, R. N., & Robbins, T. W. (2004). Prefrontal executive and cognitive functions in rodents: Neural and neurochemical substrates. Neuroscience and Biobehavioral Reviews, 28(7), 771-784. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2004.09.006

    Dalley, J. W., Mar, A. C., Economidou, D., & Robbins, T. W. (2008). Neurobehavioral mechanisms of impulsivity: Fronto-striatal systems and functional neurochemistry. Pharmacology, Biochemistry and Behavior, 90(2), 250-260. doi: 10.1016/j.pbb.2007.12.021

    Eagle, D., & Robbins, T. (2003). Inhibitory control in rats performing a stop-signal reaction time task: Effects of lesions of the medial striatum and D-amphetamine. Behav Neurosci, 117(6), 1302-1317. doi: 10.1037/0735-7044.117.6.1302

    Eagle, D., Tufft, M., Goodchild, H., & Robbins, T. (2007). Differential effects of modafinil and methylphenidate on stop-signal reaction time task performance in the rat, and interactions with the dopamine receptor antagonist cis-flupenthixol. Psychopharmacology, 192(2), 193-206. doi: 10.1007/s00213-007-0701-7

    Edden, R. A., Crocetti, D., Zhu, H., Gilbert, D. L., & Mostofsky, S. H. (2012). Reduced GABA concentration in attention-deficit/hyperactivity disorder. Arch Gen Psychiatry, 69(7), 750-753. doi: 10.1001/archgenpsychiatry.2011.2280

    Eun, T. K., Jeong, S. H., Lee, K. Y., Kim, S. H., Ahn, Y. M., Bang, Y. W., & Joo, E. J. (2016). Association between the 5-HTTLPR Genotype and Childhood Characteristics in Mood Disorders. Clin Psychopharmacol Neurosci, 14(1), 88-95. doi: 10.9758/cpn.2016.14.1.88

    Ferreira, G. M. (2016). Uma investigação da fenomenologia do hábito e da recompensa no transtorno obsessivo-compulsivo. [Dissertação de mestrado, Instituto de Psiquiatria da UFRJ]. http://objdig.ufrj.br/52/teses/851451.pdf

    Fineberg, N. A., Potenza, M. N., Chamberlain, S. R., Berlin, H. A., Menzies, L., Bechara, A., Sahakian, B. J., Robbins, T. W., Bullmore, E. T., & Hollander, E. (2010). Probing compulsive and impulsive behaviors, from animal models to endophenotypes: a narrative review. Neuropsychopharmacology: official publication of the American College of Neuropsychopharmacology, 35(3), 591-604. https://doi.org/10.1038/npp.2009.185

    Hariri, A. R., Brown, S. M., Williamson, D. E., Flory, J. D., Wit, H., & Manuck, S. B. (2006). Preference for immediate over delayed rewards is associated with magnitude of ventral striatal activity. J Neurosci, 26(51), 13213-13217. doi: 10.1523/JNEUROSCI.3446-06.2006

    Harro, J., & Oreland, L. (2016). The role of MAO in personality and drug use. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry, 69, 101-111. doi: 10.1016/j.pnpbp.2016.02.013

    Hollander, E., & Evers, M. (2001). New developments in impulsivity. The Lancet, 358(9285), 949-950. doi: 10.1016/S0140-6736(01)06114-1

    Horn, N. R., Dolan, M., Elliott, R., Deakin, J. F. W., & Woodruff, P. W. R. (2003). Response inhibition and impulsivity: an fMRI study. Neuropsychologia, 41(14), 1959-1966. doi:10.1016/s0028-3932(03)00077-0

    Hornung, J. (2003). The human raphe nuclei and the serotonergic system. Journal of Chemical Neuroanatomy, 26(4), 331-343. doi: 10.1016/j.jchemneu.2003.10.002

    Jakubczyk, A., Klimkiewicz, A., Topolewska-Wochowska, A., Serafin, P., Sadowska-Mazuryk, J., Pupek-Pyzioł, J., Brower, K. J., & Wojnar, M. (2012). Relationships of impulsiveness and depressive symptoms in alcohol dependence. J Affect Disord, 136(3), 841-847. doi: 10.1016/j.jad.2011.09.028

    Joel, D., Doljansky, J., Roz, N., & Rehavi, M. (2005a). Role of the orbital cortex and of the serotonergic system in a rat model of obsessive compulsive disorder. Neuroscience, 130(1), 25-36. doi: 10.1016/j.neuroscience.2004.08.037

    Joel, D., Doljansky, J., & Schiller, D. (2005b). Compulsive lever pressing in rats is enhanced following lesions to the orbital cortex, but not to the basolateral nucleus of the amygdala or to the dorsal medial prefrontal cortex. Eur. J Neurosci, 21(8), 2252- 2262. doi: 10.1111/j.1460-9568.2005.04042.x

    Jupp, B., Caprioli, D., Saigal, N., Reverte, I., Shrestha, S., Cumming, P., Everitt, B. J., Robbins, T. W., & Dalley, J. W. (2013). Dopaminergic and GABA‐ergic markers of impulsivity in rats: Evidence for anatomical localisation in ventral striatum and prefrontal cortex. European Journal of Neuroscience, 37(9), 1519-1528. doi: 10.1111/ejn.12146

    Luo, S., Ainslie, G., Pollini, D., Giragosian, L., & Monterosso, J. R. (2012). Moderators of the association between brain activation and farsighted choice. Neuroimage, 59(2), 1469-1477. doi: 10.1016/j.neuroimage.2011.08.004

    Mann, J. (1991). Role of the serotonergic system in the pathogenesis of major depression and suicidal behavior. Neuropsychopharmacology, 21, 99-105.

    McGirr, A., Paris, J., Lesage, A., Renaud, J., & Turecki, G. (2007). Risk factors for suicide completion in borderline personality disorder: A case-control study of cluster B comorbidity and impulsive aggression. J Clin Psychiatry, 68(5), 721-729. doi: 10.4088/jcp.v68n0509

    Oquendo, M. A., & Mann, J. (2000). The biology of impulsivity and suicidality. Psychiatr Clin N Am, 23(1), 11-25. doi: 10.1016/s0193-953x(05)70140-4

    O’Reilly, R. (2010). The what and how of prefrontal cortical organization. Trends Neurosci, 33(8), 355-361. doi: 10.1016/j.tins.2010.05.002

    Ortega-Escobar, J., & Alcázar-Córcoles, M. (2016). Neurobiología de la agresión y la violencia. Anuario de Psicología Jurídica, 26(1), 60-69. https://doi.org/10.1016/j.apj.2016.03.001

    Paaver, M., Nordquist, N., Parik, J., Harro, M., Oreland, L., & Harro, J. (2007). Platelet MAO activity and the 5-HTT gene promoter polymorphism are associated with impulsivity and cognitive style in visual information processing. Psychopharmacology, 194(4), 545-554. doi: 10.1007/s00213-007-0867-z

    Pattij, T., & Vanderschuren, L. (2008). The neuropharmacology of impulsive behaviour. Trends Pharmacol Sci, 29(4), 192-199. doi: 10.1007/7854_2020_143

    Peters, J., & Buchel, C. (2011). The neural mechanisms of inter-temporal decision-making: Understanding variability. Trends Cogn Sci, 15(5), 227-239. https://doi.org/10.1016/j.tics.2011.03.002

    Phan, K., Wager, T., Taylor, S., & Liberzon, I. (2002). Functional neuroanatomy of emotion: A meta-analysis of emotion activation studies in PET and fMRI. Neuroimage, 16(2), 331-348. https://doi.org/10.1006/nimg.2002.1087

    Potenza, M. N. (2001, July). The neurobiology of pathological gambling. Seminars in Clinical Neuropsychiatry, 6(3), 217-226. PMID: 11447573

    Schmidt, C. A., Fallon, A. E., & Coccaro, E. F. (2004). Assessment of behavioral and cognitive impulsivity: Development and validation of the lifetime history of impulsive behaviors interview. Psychiatry Research, 126(2), 107-121. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2003.12.021

    Seo, D., Patrick, C., & Kennealy, P. (2008). Role of serotonine and dopamine system interactions in the neurobiology of impulsive agression and its comorbidity with other clinical disorders. Aggress Violent Behav, 13(15), 383-395. doi: 10.1016/j.avb.2008.06.003

    Siegel, A., & Douard, J. (2011). Who’s flying the plane: Serotonin levels, aggression and free will. International Journal of Law and Psychiatry, 34(1), 20-29. doi: 10.1016/j.ijlp.2010.11.004

    Silveri, M. M., Sneider, J. T., Crowley, D. J., Covell, M. J., Acharya, D., Rosso, I. M., & Jensen, J. E. (2013). Frontal lobe gamma-aminobutyric acid levels during adolescence: Associations with impulsivity and response inhibition. Biol Psychiatry, 74(4), 296-304. doi: 10.1016/j.biopsych.2013.01.033

    Stein, D. (2000). Neurobiology of the obsessive–compulsive spectrum disorders. Biol Psychiatry, 47(4), 296-304. doi: 10.1016/s0006-3223(99)00271-1

    Swann, A. C. (2010). The strong relationship between bipolar and substance-use disorder. Ann N Y Acad Sci, 1187(1), 276-293. https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.2009.05146.x

    Tavares, H. (2006). A neurobiologia dos transtornos do impulso. In G. Busatto Filho, Fisiopatologia dos transtornos psiquiátricos (p. 207-226). Atheneu.

    Tops, M., Russo, S., Boksem, M., & Tucker, D. (2009). Serotonin: Modulator of a drive to withdraw. Brain Cogn, 71(3), 427-436. doi: 10.1016/j.bandc.2009.03.009

    Volavka, J., Czobor, P., Sheitman, B., Lindenmayer, J., Citrome, L., McEvoy, J., Cooper, T. B., Chakos, M., & Lieberman, J. A. (2002). Clozapine, olanzapine, risperidone, and haloperidol in the treatment of patients with chronic schizophrenia and schizoaffective disorder. Am J Psychiatry, 159(2), 255-262. doi: 10.1176/appi.ajp.159.2.255

    Wacker, J., & Smillie, L. (2015). Trait extraversion and dopamine function. Social and Personality Psychology Compass, 9(6), 225-238. https://doi.org/10.1111/spc3.12175

    Winstanley, C., Eagle, D., & Robbins, T. (2006). Behavioral models of impulsivity in relation to ADHD: Translation between clinical and preclinical studies. Clinical Psychology Review, 26(4), 379-395. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2006.01.001

    Winstanley, C., LaPlant, Q., Theobald, D., Green, T., Bachtell, R., Perrotti, L., DiLeone, R. J., Russo, S. J., Garth, W. J., Self, D. W., & Nestler, E. J. (2007). DeltaFosB induction in orbitofrontal cortex mediates tolerance to cocaine induced cognitive dysfunction. J Neurosci, 27(39), 10497-10507. doi: 10.1523/JNEUROSCI.2566-07.2007

    Wu, K., Politis, M., & Piccini, P. (2011). Parkinson disease and impulsive control disorders: A review of clinical features, pathophysiology and management. Postgrad Med J, 85(1009), 590-596. doi:

    Está gostando da amostra?
    Página 1 de 1