Revelando o arquivo censurado pela ditadura militar do jornal "O São Paulo"
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Revelando o arquivo censurado pela ditadura militar do jornal "O São Paulo" - Fabio Lanza
Reitor
Sérgio Carlos de Carvalho
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Conselho Editorial
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Luiz Carlos Migliozzi Ferreira de Mello (Presidente)
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A Eduel é afiliada à
Catalogação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da
Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
Bibliotecária: Solange Gara Portello – CRB-9/1520
L297r Lanza, Fábio.
Revelando o arquivo censurado pela ditadura militar do jornal O São Paulo
[livro eletrônico] / Fábio Lanza, Luiz Ernesto Guimarães, José Wilson A. Neves Jr. – Londrina : Eduel, 2019.
1 Livro digital : il. – (Páginas censuradas da ditadura militar : 1964-1985)
Inclui bibliografia.
Disponível em: http://www.eduel.com.br
ISBN 978-85-7216-988-2
1. O São Paulo (Jornal). 2. Comunicação de massa – Censura – Brasil – Séc. XX. 3. Igreja Católica – Censura – Brasil. 4. Teologia da libertação. 5. Brasil – História –1964- 1985. I. Guimarães, Luiz Ernesto. II. Neves Junior, José Wilson Assis. III. Título.
CDU 316.77
Enviado em: Recebido em:
Parecer 1 17/05/2016 15/06/2016
Parecer 2 10/05/2016 05/06/2016
Parecer 3 14/10/2016 18/11/2016
Aprovação pelo Conselho Editorial em: 05/12/2016
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Como os 14 fólios manuscritos da Carta de Pero Vaz de Caminha, estas laudas [...] são de um descobrimento. Elas ensinam São Paulo ao paulistano. Desconhecidos ângulos do quotidiano, flagrantes inéditos de poesia cittadina
, despercebidos momentos da elite da vida urbana; contrastes ainda ignorados de gritante novidade na grande mescla de muitas gentes e muitas coisas; surpreendentes instantâneos de trabalho e do repouso do pensamento e da ação, da pobreza e do luxo, da angústia e do prazer, do ontem e do hoje, da realidade e do sonho... eis que rebrilha nestas páginas límpidas, como as pepitas na bateia do lavageiros do ouro. Eis São Paulo!
Guilherme de Almeida
... se há alguém que mereça estátua pública nesse País, não são coronéis, não são autoridades eclesiásticas, não são marechais, é o povo, é o povo brasileiro, este que realmente deve ser respeitado...
Dom Angélico S. Bernardino
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
I
A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA EM SÃO PAULO: ASPECTOS HISTÓRICO-SOCIAIS GERAIS
II
A IGREJA CATÓLICA PAULISTANA NO SÉCULO XX
III
A ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
IV
ARQUIVO CENSURADO D’O SÃO PAULO
V
ASPECTOS INÉDITOS DO PROCESSO HISTÓRICO BRASILEIRO E OS LIMITES INSTITUCIONAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS
AGRADECIMENTOS
Esta obra deve ser considerada como um dos muitos resultados provenientes do amplo esforço coletivo desempenhado no processo de preservação e publicização de um arquivo de importante relevância histórico-sociológica, tanto para o meio acadêmico quanto para a comunidade externa. Dessa forma, seria imprescindível agradecermos às instituições e pessoas que se envolveram nessa longa jornada.
Iniciamos agradecendo à Arquidiocese de São Paulo e sua equipe do jornal semanal O São Paulo, em especial à Cássia, como elo entre as diferentes fases da investigação nos arquivos da Fundação Metropolitana Paulista – responsável pela publicação do semanário católico.
Reconhecemos o papel desempenhado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), por meio do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, principalmente do professor Luiz Eduardo W. Wanderley, que, além das contribuições disponibilizadas no processo de pesquisa, predispôs-se a contribuir com o prefácio do presente volume.
Destacamos o apoio e empenho fornecido pelo Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina (NDPH-UEL), com especial ênfase aos pesquisadores Cacilda Maesima, Edson J. Holtz Leme e Leonardo Maurício Jacob, que colaboraram ativamente com a nossa equipe. Ainda no âmbito da Universidade Estadual de Londrina, reconhecemos a atenção, o apoio e a paciência prestados conosco, ao longo da trajetória de pesquisa, sistematização e escrita, por parte dos professores Ronaldo Baltar e Maria José Resende e da bibliotecária Laudecena Ribeiro.
Apresentamos nosso mais sincero agradecimento e reconhecimento às pesquisadoras e aos pesquisadores que atuaram diretamente no processo de preservação e publicização do arquivo e que não se encontram presentes na autoria deste volume: Ana Claudia Rodrigues de Oliveira, Anderson Pereira Brito, Andressa Alves Silva Melo, Gabriela Nobrega Tamiozzo e Vinícius Soares Corrêa.
Por último, mas nem de longe menos importante, agradecemos a todos e a todas que contribuíram de alguma forma para que conseguíssemos transformar as páginas censuradas da formação sociopolítica brasileira em páginas reveladas, como forma e estratégia de fomentar e consolidar nosso processo de participação social-popular e democrático.
PREFÁCIO
Prof. Luiz Eduardo W. Wanderley (PUC SP)
A história do cristianismo e da Igreja Católica, em particular, mostra as tensões e os conflitos, os avanços e os recuos que identificam as suas relações com as sociedades. Nesse caso específico, alguns tópicos deixam claro um ponto fundamental, quais sejam as relações de fundo entre religião e política. Os embates demonstram como a Sociedade Política – governos, elites, forças armadas – combateu uma perspectiva político-religiosa assumida por setores religiosos, e como esses setores, politicamente e religiosamente, mudaram partes de sua visão teórica e das práticas concretas.
Documentos e ações, em certos pontos fundamentais, ressaltam as transformações realizadas, que podem ser enfatizadas: a teologia da libertação e a conceituação de pobre.
A teologia da libertação, centrada na realidade latino-americana, trouxe ideias, valores, argumentos valiosos para compreender os significados de libertação e como ela deve ser entendida e interpretada pela teologia clássica em geral. Os estudos e pesquisas sobre ela apontam como essa visão especial sofreu reações e argumentos contrários do papado, da Cúria Romana e de segmentos conservadores. Os seus defensores a defenderam publicamente, vários de seus arautos foram dialogar em Roma, mas não conseguiram obter aceitações no essencial. As críticas principais diziam que, no básico, a teologia da libertação se apoiava em interpretações de cunho marxista, tidas como inaceitáveis pela teologia clássica. Seus defensores, contudo, sustentavam que, mesmo considerando aceitáveis alguns elementos de autores marxistas, principalmente sua análise da realidade subdesenvolvida da América Latina, ela encontrou respaldo nos textos do Concílio Vaticano II, nos encontros Episcopais latino-americanos de Medellín e de Puebla.
No Pacto das Catacumbas, documento produzido ao longo do Concílio Vaticano II (1962-1965), o tema foi ressaltado:
11) Entendendo a colegialidade soa bispos como sua realização mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos: a participar, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres; a requerer juntos, no plano dos organismo internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo c ada vez mais rico, mas que permitam às massas pobres deixar a miséria" (In BEOZZO, 2015, p. 46).
Na conceituação de pobreza e de pobre, destaco algumas indicações a partir das contribuições do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, publicadas em sua obra Teologia da Libertação (1979): entender a pobreza material como resultado de uma estrutura social que possui uma dinâmica que degrada a condição e a dignidade humana e não deve ser aceita, por isso, é uma tarefa combatê-la, rejeitá-la e extirpá-la do mundo. A própria estrutura social gera injustiças que possibilitam privilegiar poucos e marginalizar a maioria, por isso, os pobres podem, de forma coletiva e solidária, estar organizados para promover mudanças sociais. Ao entender a pobreza, Gutiérrez destaca que ela é complexa e não está restrita apenas às questões econômicas, mas há a necessidade de superar preconceitos e marginalizações que aprisionam os pobres na insignificância e fazem-no sofrer com a desvalorização em meio à sociedade (GUTIÉRREZ, 1979).
No documento da Conferência Episcopal de Medellín, a opção fica clara, como se vê nos seguintes trechos: Por tudo isso queremos que a Igreja da América Latina seja evangelizadora e solidária com os pobres
e O mandato particular do Senhor, que prevê a evangelização dos pobres...
(CELAM, 1968, p. 63), bem como no documento de Puebla: A opção preferencial pelos pobres tem como objetivo o anúncio do Cristo Salvador...
(CELAM, 1979, p. 278).
Os papas atuais também destacaram a temática: para Bento XVI, essa opção está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre para nós, para nos enriquecer com sua pobreza
(BENTO XVI, 2007). Em 2013, o Papa Francisco enfatizou em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: "Para a Igreja, a opção pelos pobres é uma categoria antes teológica do que cultural, sociológica,
