Movimento estudantil em foco
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Movimento estudantil em foco - Nildo Viana
APRESENTAÇÃO:
O MOVIMENTO ESTUDANTIL EM FOCO
Nildo Viana
O movimento estudantil é o foco das reflexões dos autores que contribuem com a presente coletânea. O movimento estudantil é um dos principais movimentos sociais e um dos mais abordados pelos pesquisadores. Apesar disso, ainda carece de uma maior compreensão e reflexão teórica. Isso se deve ao fato de que a maioria da bibliografia existente sobre movimento estudantil é histórica ou descritiva, sem a necessária análise teórica que permite ir além dos acontecimentos.
O movimento estudantil é abordado aqui sob ótica diferente, apresentando um embasamento teórico e metodológico, o que permite sair da mera descrição e avançar no processo analítico do mesmo. A análise do movimento estudantil remete a um fenômeno social complexo, com variadas relações e determinações, o que pressupõe um esforço intelectual no sentido de superar as aparências e descrições.
Um dos elementos mais importantes para a análise do movimento estudantil é superar a confusão conceitual em torno dele. Aqui temos elementos para pensar tal superação, tal como o conceito de movimentos sociais, a distinção entre movimento estudantil oficial e extraoficial, o processo de burocratização do movimento estudantil oficial, as novas organizações estudantis, as reivindicações estudantis, algumas de suas manifestações concretas (MPL, Frente de Luta, Maio de 1968), a importância do movimento estudantil para o processo de ressocialização dos estudantes, entre outros aspectos abordados.
O artigo de minha autoria visa abordar a questão do movimento estudantil a partir do esclarecimento dos seus objetivos, expressão de determinados interesses, e sua manifestação concreta explicitada em suas reivindicações. Assim, a questão da dualidade reivindicatória e do entrelaçamento reivindicativo ganha importância e a análise do caso concreto do MPL – Movimento Passe livre, mostra que esta é uma das principais questões para pesquisa a respeito do movimento estudantil.
O artigo de Eliani Covem aborda o movimento estudantil contemporâneo e, mais especificamente, a Frente de Luta pelo Transporte. Após conceituar os movimentos sociais e realizar uma contextualização histórica do movimento estudantil, a autora mostra as alterações que vem ocorrendo neste, com a mutação organizacional, com a gestão autônoma
(auto-organização) e enfrentamento político, funcionando na contramão do poder
.
O artigo de Marcus Vinicius Conceição apresenta uma análise do movimento estudantil que culminou com o Maio de 1968, um dos grandes acontecimentos históricos do século 20. Após uma reflexão teórica e conceitual sobre movimentos sociais e movimento estudantil, o autor analisa o processo de desencadeamento da luta estudantil, com suas demandas, divisões e desdobramentos, bem como ação das organizações burocráticas, até o momento da explosão da luta radical que abalou a cidade de Paris.
O artigo de Maria Angélica Peixoto aborda o processo de ressocialização estudantil nas instituições universitárias e seus dilemas, especialmente o fracasso/sucesso acadêmico
, visando analisar o caráter educativo do movimento estudantil. A partir das contribuições de Bourdieu e sua tese do capital cultural
e outras correlatas, a autora busca analisar, através de um conjunto de entrevistas com profissionais e estudantes, como o movimento estudantil contribuiu com sua formação intelectual e profissional.
Desta forma, os artigos aqui reunidos abordam aspectos importantes do movimento estudantil e contribuem com reflexões mais teóricas e conceituais e também com algumas análises concretas que ajudam a compreender que este movimento é complexo, marcado por diversas determinações, perpassado por diversos conflitos e que conta com variadas ramificações. Nesse sentido, é uma contribuição importante para a compreensão do movimento estudantil e colabora com o desenvolvimento de novas reflexões e pesquisas sobre este movimento social de extrema importância histórica e social.
MOVIMENTO ESTUDANTIL, DUALIDADE REIVINDICATÓRIA E ENTRELAÇAMENTO REIVINDICATIVO
Nildo Viana
*
O movimento estudantil é um dos principais movimentos sociais e é reconhecido por sua combatividade e, em muitos momentos, por sua radicalidade. As ciências humanas em geral e a sociologia em particular, apesar disso, realizou poucas reflexões teóricas sobre esse movimento social. A maioria das pesquisas, geralmente realizadas por historiadores e sociólogos, é descritiva. Nesse sentido, torna-se necessária a reflexão teórica sobre o movimento estudantil e o presente artigo é uma contribuição nesse sentido, focalizando a questão das reivindicações estudantis e seu significado nas lutas estudantis.
Antes de iniciar, no entanto, é importante realizar alguns esclarecimentos conceituais. Os movimentos sociais são aqui considerados movimentos de grupos sociais (JENSEN, 2016; VIANA, 2016a) que, a partir de determinada situação social geradora de insatisfação social e, derivado disso, a criação de um senso de pertencimento e objetivos, efetivam mobilizações (VIANA, 2016a). Assim, fica claro aqui que movimentos sociais são distintos de manifestações, protestos (COSTA, 2016), bem como partidos, organizações, ideologias, etc. Os movimentos sociais podem gerar manifestações e protestos, podem criar organizações e ideologias, podem ser relacionar com partidos e outras instituições, mas não se confundem com essas ações e organizações. As ideologias, doutrinas, organizações, tendências, etc., de um movimento social constitui as suas ramificações, sendo estas partes do todo que é o movimento de um grupo social em sua totalidade (VIANA, 2016a).
O movimento estudantil é um movimento social e, portanto, possui todas as características definidoras do mesmo. O movimento estudantil é o movimento de um grupo social e este é formado por estudantes. Estes formam um grupo social por sua condição estudantil, sendo um grupo situacional (o que o diferencia dos grupos culturais, unidos por uma causa, ou os grupos corporais, unidos por semelhanças físicas). A situação social dos estudantes é geradora de diversas formas de insatisfação, especialmente com as instituições educacionais que geram todo um processo de violência disciplinar e cultural¹, além das carências educacionais e institucionais que atingem os estudantes. Como os estudantes formam um grupo social policlassista², não se limitam a questões especificamente estudantis, há outras situações específicas de cada subgrupo que geram outras formas de insatisfação. Quando essa insatisfação é acompanhada por um senso de pertencimento e determinados objetivos, que geram união, organização e consciência, temos o movimento estudantil.
O nosso objetivo aqui é focalizar a questão dos objetivos. Os movimentos sociais geram objetivos e estes ou são explicitados ou ficam implícitos. Eles são expressões de determinados interesses oriundos da condição social dos grupos de base dos movimentos sociais. No caso do movimento estudantil, os interesses que geram os objetivos são os derivados de sua condição estudantil, embora os interesses pessoais também estejam presentes e influenciem os objetivos dos movimentos sociais. A constituição dos objetivos é complexa e envolve um conjunto de determinações, sendo que geralmente surge um objetivo hegemônico no movimento social convivendo com objetivos distintos que são predominantes em algumas de suas ramificações³. Isso também ocorre no caso do movimento estudantil, no qual encontramos objetivos hegemônicos e objetivos não-hegemônicos. Isso será alvo de análise adiante.
A manifestação concreta dos objetivos é realizada através das reivindicações dos movimentos sociais. As reivindicações são a explicitação dos objetivos que, por sua vez, são expressões de interesses. O movimento estudantil apresenta um conjunto de objetivos e a nossa intenção agora é apresentar uma análise das reivindicações estudantis, buscando explicitar a existência de uma dualidade reivindicatória e a possibilidade de entrelaçamento reivindicativo, e, para isso ficar mais compreensível e expressa uma das formas como isso pode ocorrer, apresentar um caso concreto, o do MPL – Movimento Passe Livre, no qual esse processo se manifesta.
A Burocratização do Movimento Estudantil Oficial
O movimento estudantil tem algumas especificidades como movimento social. Como é um movimento atrelado às instituições educacionais, as suas organizações (e manifestações reconhecidas por elas) são oficiais
(CAs, DCEs, UNE, Grêmios, Semana do Calouro
, etc.). Existem outras especificidades do movimento estudantil, mas devido à importância que esta assume para nosso objetivo, então nos limitaremos a esta⁴.
Assim, podemos dizer que existe um movimento estudantil oficial e outro extraoficial. O movimento estudantil oficial é reconhecido pelas burocracias educacionais e segue as diretrizes de seus regimentos, ou seja, sofrem um enquadramento burocrático institucional, se submetendo
