Loucura de estimação: Crônicas de amor e sexo
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Sobre este e-book
Em seu mais recente livro, Stella Florence disseca as paixões românticas não correspondidas que se transformaram em intermináveis e desejadas torturas. Aliás, esse suplício está presente já na capa, em que vemos um instrumento de tortura que parece uma joia, exatamente como a loucura de amor que mantemos como se de estimação fosse.
Cronista veterana e dona de um verbo ácido, Stella não economiza verdades ao longo de 50 crônicas: "Cafajeste é quem sabe desde o início que irá embora, mas não te diz."
Também não falta em Loucura de Estimação a voz altiva da mulher que conhece muito bem o seu valor: "Eu me recuso a manter mágoa ou dor ou carinho ou compaixão ou amizade com alguém que não percebeu que tinha um tesouro nas mãos. Um tesouro não se autoproclama: ele é. Aproveita o tesouro quem tem inteligência e sensibilidade: quem não tem, volta, cedo ou tarde, à sua própria miséria."
Stella afirma que todo o poder que a Loucura de Estimação tem reside em se negar, em se dar pouco – e quanto mais essa pessoa se nega, quanto mais te alimenta com migalhas, mais irresistível se torna. Este livro, portanto, é o companheiro perfeito de quem ama, mas não é amado na mesma medida – e deseja se curar dessa loucura.
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Loucura de estimação - Stella Florence
De Profundis
Ao reler esta semana De Profundis
, a longa carta que Oscar Wilde escreveu no cárcere ao seu amante, eu fiz algo insólito. A cada página lida, eu a arrancava do livro e a rasgava. Sim, rasguei todas elas, uma por uma. Meu Obras completas
está para sempre mutilado – e eu sinto um grande alívio.
A causa da ruína, prisão e morte prematura do escritor aos 46 anos foi apenas uma: ele se rendeu à sua exigente loucura de estimação, que atendia (desde que lhe acenassem com dinheiro) pelo nome de Alfred Douglas. Exigente, para dizer o mínimo. Se bem que todas as loucuras de estimação pedem muito e se doam pouco. Que digo? Não se doam absolutamente.
Você também deve ter uma loucura de estimação. Aposto que você queria isolar o exato instante em que ele ainda te desejava. Queria retroceder ao momento em que, trepada nas raízes ossudas de uma árvore a fim de ficar com a mesma altura dele, você o abraçou pela primeira vez. Enquanto seus cabelos se misturavam, você soube que estava perdida. Ou foi depois? Foi quando ele se despiu das roupas e seu olhar vazio meteu-se em você como uma faca nova? Quando você soube que estava perdida? Houve um momento em que você soube.
Não existe nada mais difícil do que se manter afastada de uma loucura de estimação: se afastar é fácil, já se manter afastada é a prova suprema. Porque, apesar de essa criatura não te amar, de ela não te querer e de todos os enganos que você vê, ainda assim estar sob o seu jugo aflito é o que você mais deseja.
Loucura de estimação é uma doença afetiva da qual você não consegue se curar, uma paixão sem tréguas, um vício agridoce que te alimenta e te devora. É como mergulhar num pântano lisérgico: você supõe estar no paraíso, mas basta respirar fundo para descobrir que está no lodo – e completamente sozinha. É como sofrer da Síndrome de Estocolmo: o homem que abusa de você, que te manipula, que se serve de você quando quer, que não te dá nada, que não se dá de modo algum, que te mantém prisioneira, é justamente o homem que você quer.
A loucura de estimação emite mensagens contraditórias e te sustenta com migalhas. Os suplícios que essa pessoa te inflige se baseiam em te dar cada vez menos alimento para ver até quando você consegue se manter de pé. Ou de joelhos.
Por isso eu rasguei as páginas do De Profundis
. Parece uma reflexão sobre a dor e a arte, parece uma forma diferente de pensar os Evangelhos, parece o testamento furioso e melancólico de um injustiçado, mas é apenas o lamento de um amante pedindo à sua loucura de estimação que volte, que escreva, que o machuque, que o engane, que o assombre.
Rompa esse relacionamento destinado ao aborto eterno, esse fígado de Prometeu todos os dias reconstituído à espera do predador, e fuja o quanto antes! Fuja de um jeito heroico ou humilhante, não importa como, apenas fuja! Abandone essa luta: uma loucura de estimação só pode te destruir e te causar dor; muito mais dor que prazer, infinitamente mais dor que prazer. Não escreva seu próprio De Profundis
. Só por hoje, fuja!
◆
Sua incrível ex
Ela é especial. Ela te fez conhecer os píncaros do êxtase. Ela foi tudo que você sempre quis. Ela é a melhor, a maior, a única! Pois é. Mas se sua ex é tão perfeita assim, por que te deixou? Você está aí, largado na sarjeta emocional, justamente porque esse anjo de candura te deu um pé nos fundilhos com chute extensivo às bolas. Que raio de amor é esse que ela nutria por você que não se manteve de pé?
Ah, mas ela continua te amando, do jeito dela, é o que você diz. Então tá, cara-pálida. Ela te ama. Eu estou até emocionada com o tanto que ela te ama. Vamos recapitular: ela te abandonou, ela te trocou por outro (e por outras coisas), ela não voltou atrás, mesmo você se debulhando de dor, e agora ela está transando com outro, dividindo colheradas de sorvete com outro, tomando banho com outro, dando risada com outro, indo ao cinema com outro, e isso só pode ser sinal do quê? De que ela te ama, claro!
Há muitas, muitas pessoas assim como você, que cultivam feridas de amores que terminaram e esse cultivo é feito com tamanha volúpia que essas pessoas não se dão conta, nesse autolamber-se ininterrupto, do quanto machucam o possível amor que vem depois (se bem que nesse quadro desértico raramente um novo amor encontra espaço para frutificar).
Mas voltemos a você, cara-pálida – embora não tenhamos saído. Você me disse que o amor com sua incrível-mega-amada-ex terminou na prática, mas não no seu coração, o que é perfeitamente legítimo. No entanto, terminou, certo? Pelo menos no cenário daquele troço mais conhecido como realidade, convivência, intimidade, acabou. Fato.
Portanto, eu quero te perguntar uma coisa: por que você não ficou sozinho? Por que me colocou aí, nesse lugar infeliz, bem depois da sua incrível-mega-amada-ex? Por que tratou de me notar se é só a ela que você vê? Por que eu tive de aguentar você broxando, você chorando por ela, você se esquecendo completamente de me dar prazer, você me comparando a ela? Por que diabos você não meteu seu pau murcho numa sacola e foi para algum retiro espiritual? Por que deu em cima de mim feito um carcará sanguinolento até me ganhar? Pra quê? Pra me fazer passar por uma via-crúcis que é toda sua?
O mais triste é que eu sei que fui a melhor coisa que te aconteceu neste ano. E sei também que você só vai perceber isso quando eu estiver fora do seu alcance, completamente perdida, perdidamente apaixonada por outro – tanto quanto ela, a sua incrível-mega-amada-ex, está agora mesmo.
◆
Homem com pegada
Sempre que ouço a frase homem de verdade tem de ter pegada
, repetida à exaustão em bares e aplicativos de paquera ou em qualquer esquina em que o assunto seja ventilado, me pergunto: mas afinal o que é um homem com pegada?
No senso comum, homem com pegada é um cara que pega a mulher com força na hora do sexo. Hum, isso me parece moleque contando vantagem das suas falsas conquistas para os primos mais novos. Muitos meninos crescem ouvindo conselhos estúpidos de primos ou amigos mais velhos como pegue na cabeça dela e a force a engolir seu pau: ela vai pirar!
. Não, a gente não pira. E o quanto de força se usa no sexo é algo muito pessoal, uma sintonia fina, uma descoberta que se faz a dois com cuidado e não uma receita popular.
Sabe o que é um homem com pegada para mim? Homem com pegada é aquele que te pega no colo quando você precisa – e quando não precisa também.
Homem com pegada pega um dente de leão num canteiro à beira do caminho porque sabe que você gosta de assoprá-los; pega na sua cintura para te proteger na multidão, pega um resfriado porque te agasalhou
