Transgêneros no Cárcere: A Luta Contra o Preconceito no Sistema Prisional Brasileiro
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Sobre este e-book
O interesse pela escolha do tema se deu a partir do anseio por encontrar uma visão mais profunda e abrangente em relação a tal questão, a qual é notória que nos dias atuais exista um completo descaso e desconsideração quando há a extrema necessidade de se debater e discutir sobre o referido assunto, restando então caracterizado a relevância social em discorrer sobre o tema escolhido perante a sua contribuição à Ciência Jurídica.
Diante disso, nesta obra você encontrará fatos e referências que comprovam o completo desrespeito e descumprimento dos direitos relacionados à dignidade da pessoa humana, especificamente aos indivíduos transgêneros e a forma como são tratados ao estarem inseridos no sistema prisional brasileiro.
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Pré-visualização do livro
Transgêneros no Cárcere - Jéssica Tavares Fagundes
Sumário
Introdução 13
dos direitos fundamentais à pessoa transgênera 17
Definição de direitos fundamentais 17
Da dignidade da pessoa humana 23
Definição de transgênero e a dignidade da pessoa humana 30
o sistema prisional brasileiro frente ÀS diferenças de gênero 41
A realidade do sistema prisional brasileiro 41
Dos direitos e garantias do preso 50
Tratamento dos transgêneros no cumprimento da pena 56
indiferenças no sistema prisional brasileiro em relação aos transgêneros 67
A responsabilidade civil do Estado 67
Responsabilidade Civil Subjetiva 72
Responsabilidade Civil Objetiva 74
A responsabilização do Estado quanto ao tratamento dos transgêneros no sistema prisional brasileiro 81
Considerações Finais 89
ReferênciaS 93
anexo 103
Introdução
A presente obra tem como objeto estudar acerca da realidade do tratamento dos transgêneros no sistema prisional brasileiro.
O seu objetivo geral é estudar a situação dos transgêneros inseridos no sistema prisional brasileiro, obtendo o anseio de encontrar uma visão mais profunda e abrangente em relação a tal questão; específicos, verificar a possibilidade de adequação do sistema prisional brasileiro inerente aos transgêneros; demonstrar os posicionamentos existentes com fundamentos na legislação e doutrina, buscando esclarecer a forma a qual são tratados os transgêneros no sistema prisional e estudar a respeito dos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana, em especial, do tratamento voltado aos transgêneros no sistema prisional brasileiro.
Para a presente obra foi levantado o seguinte problema:
a) Há a possibilidade de adequação do sistema prisional brasileiro visando à devida garantia de proteção aos direitos fundamentais e a segurança dos transgêneros?
Com base no problema levantado, apresenta-se a seguinte hipótese:
a) Conforme embasamento legal é possível a aplicação do cumprimento da pena em local adequado à condição de gênero do indivíduo, devendo o sistema prisional privar o direito à liberdade e não os demais direitos fundamentais que preservam a dignidade da pessoa, priorizando o devido tratamento aos transgêneros perante as suas características.
Visando buscar a confirmação ou não da hipótese, a obra foi dividida em três capítulos.
No Capítulo 1 é analisada a afronta aos direitos e princípios fundamentais de cada indivíduo, em se tratando do direito da personalidade dos transgêneros a que possam cumprir suas sanções punitivas em um local adequado e que lhes garantam a devida segurança quanto à sua orientação sexual.
Tratou-se da análise constitucional, bem como as convenções e tratados internacionais pactuadas pelo Brasil, verificando assim, os direitos humanos e fundamentais previstos inerentes ao ser humano.
No Capítulo 2, tratando da realidade do sistema prisional brasileiro, verificou-se alguns dados referente à análise da Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário e o Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, a respeito da superlotação e a estrutura arquitetônica dos estabelecimentos penais.
Pode-se visualizar a importância de que se adequem às estruturas prisionais aos indivíduos transgêneros, para que estes possam ser protegidos pelos direitos e garantias do preso, visto o não cumprimento e aplicação das normas legais, pelo desrespeito e descaso referente à forma como são tratados os indivíduos transgêneros inseridos nesse contexto.
No Capítulo 3, o tema abordado reflete acerca dos tipos de responsabilidade civil, apontando as suas especificações e abordando sobre a responsabilidade civil que lhe cabe ao Estado quanto ao tratamento dos transgêneros no sistema prisional.
É possível visualizar a forma a qual são tratados os indivíduos transgêneros ao sofrerem algum dano do Estado, estes dependem de entendimentos análogos para que possa haver a sua indenização por parte do Estado.
A presente obra se encerra com as Considerações Finais, nas quais são apresentados pontos conclusivos destacados, seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre a realidade do tratamento dos transgêneros no sistema prisional brasileiro.
dos direitos fundamentais à pessoa transgênera
O presente capítulo trata acerca dos direitos fundamentais de cada indivíduo, da dignidade da pessoa humana e em específico os direitos inerentes à pessoa transgênera.
Abordar-se-á ainda sobre as definições dos direitos fundamentais e do indivíduo transgênero, demonstrando assim por meio de sua conceituação as suas características e especificidades.
definição de direitos fundamentais
A terminologia direitos fundamentais
encontra-se doutrinariamente em várias expressões, como direitos do homem, direitos humanos, direitos subjetivos públicos, liberdades públicas, direitos individuais, liberdade fundamental e direitos humanos fundamentais.¹
A expressão liberdades pública tem sua natureza vinda da concepção de uma filosofia dos direitos humanos, as quais ambas se aplicam de forma igualitária por decorrência de sua funcionalidade histórica.²
Napoleão Filho³ esclarece que entre as terminologias direitos fundamentais e direitos humanos, apesar de serem utilizadas doutrinariamente como sinônimos, possuem suas próprias características, assim podendo-se distinguir ambas as expressões.
A nossa Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 prevê em seus dispositivos várias terminologias em relação aos direitos humanos, as quais variam entre as expressões: direitos e garantias fundamentais; direitos e liberdades fundamentais; direitos e liberdades constitucionais; direitos da pessoa humana; e direitos e garantias individuais.
Tamanha imprecisão terminológica presente em nosso ordenamento jurídico, como também encontrado por diversos doutrinadores, resulta-se da histórica evolução referente aos direitos essenciais de cada indivíduo, ou seja, em virtude do desenvolvimento alterou-se a denominação dos direitos a partir de seus fundamentos.⁴
No entanto buscando a definição dos direitos fundamentais, na visão de Roberto Baptista⁵ conceitua-se por meio das três gerações:
A primeira geração é formada pelos tradicionais direitos individuais ligados à liberdade, criando uma oposição entre o indivíduo e o Estado. […] A segunda geração contempla os direitos coletivos, buscando assegurar a igualdade entre as pessoas por meio da exigência de prestações do Estado. […] A terceira geração, identificada nas últimas décadas, consagra direitos universais voltados à fraternidade, procurando assegurar a todos, por exemplo, um meio ambiente ecologicamente equilibrado, a solidariedade entre os povos e a paz.
A divisão das três gerações referentes aos direitos humanos, como assim denominava, classificada em 1979 por Karel Vasak, era considerada principalmente pelo momento histórico em que surgiram, como assim menciona Napoleão Filho.⁶
[…] a primeira geração de direitos humanos seria a dos direitos civis e políticos,
