Toda poesia de Alberto Caeiro
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Sobre este e-book
EDIÇÃO EXCLUSIVA:
- Introdução com trechos da Carta ao casal Monteiro
- Prefácio e Epílogo de Ricardo Reis (heterônimo)
- Apêndice com prosa adicional de Alberto Caeiro e outros heterônimos de Fernando Pessoa
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Mestre Caeiro foi além da linguagem, e exatamente por isso, descascou a casca da metafísica, e demonstrou como toda poesia é sensação, sentimento e intuição, os frutos por detrás das cascas das palavras.
Segundo Pessoa, “a obra de Alberto Caeiro representa uma reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer”.
Neopagão por excelência, mito de si mesmo, Mestre Caeiro, o único heterônimo de Pessoa que era reconhecido pelos outros heterônimos como mestre, nos traduz em seus poemas tudo aquilo que não pode ser traduzido... Isto tampouco é um paradoxo: é que se trata de uma linguagem para ser percebida pela alma, e não pelo cérebro.
De fato, “há metafísica suficiente em não pensar em nada”, ou seja, em simplesmente existir, e contemplar tudo isto que está a nossa volta. Toda a Eternidade apaixonada pela produção do tempo. Toda a Transcendência a velejar pelo horizonte. Toda a Natureza a bailar com a brisa que escora pelos ombros...
O editor.
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Número de páginas
Equivalente a aproximadamente 115 págs. de um livro impresso (tamanho A5).
Sumário (com índice ativo)
- Introdução
- Sinais usados na transcrição do texto
- Prefácio de Ricardo Reis
- Livro 1: O Guardador de Rebanhos
- Livro 2: O Pastor Amoroso
- Livro 3: Poemas Inconjuntos
- Epílogo
- Apêndice
- Agradecimentos finais
[ uma edição Textos para Reflexão distribuída em parceria com a Bibliomundi - saiba mais em raph.com.br/tpr ]
Fernando Pessoa
Nasceu em Lisboa, em 13 de Junho de 1888, local onde viria a falecer em 30 de Novembro de 1935. Em criança foi, após a morte do pai, com a família para a África do Sul, regressando a Lisboa em 1905, onde se matriculou no Curso Superior de Letras que nunca chegaria a acabar. Para sobreviver, fazia traduções e redigia cartas em inglês e francês para empresas portuguesas, fazendo a sua estreia na revista A Águia, em 1912. Em 1915, lança, com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo em Portugal. Criou uma tipografia, Ibis, e uma editora e agência, Olisipo, sem sucesso. Fernando Pessoa foi Ele-mesmo e muitos outros poetas ao mesmo tempo. Foi, acima de tudo, um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal.
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Toda poesia de Alberto Caeiro - Fernando Pessoa
Introdução
"A fonte da vida temporal é a eternidade. A eternidade se derrama a si mesma no mundo. É a ideia mítica, básica, do deus que se torna múltiplo em nós. Na índia, o deus que repousa em mim é chamado o habitante do corpo. Identificar-se com esse aspecto divino, imortal, de você mesmo é identificar-se com a divindade.
Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério de ser está além de todas as categorias de pensamento. Como disse Immanuel Kant, o filósofo alemão: a coisa em si é não coisa. Transcende a coisidade e vai além de tudo o que poderia ser pensado.
As melhores coisas não podem ser ditas porque transcendem o pensamento. As coisas um pouco piores são mal compreendidas, porque são os pensamentos que supostamente se referem àquilo a respeito de que não se pode pensar. Logo abaixo dessas, vêm as coisas das quais falamos. E o mito é aquele campo de referência àquilo que é absolutamente transcendente".
O poder do mito (trecho), Joseph Campbell
Mestre Caeiro foi além da linguagem, e exatamente por isso, descascou a casca da metafísica, e demonstrou como toda poesia é sensação, sentimento e intuição, os frutos por detrás das cascas das palavras.
Segundo Pessoa, a obra de Alberto Caeiro representa uma reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer
.
Neopagão por excelência, mito de si mesmo, Mestre Caeiro, o único heterônimo de Pessoa que era reconhecido pelos outros heterônimos como mestre, nos traduz em seus poemas tudo aquilo que não pode ser traduzido... Isto tampouco é um paradoxo: é que se trata de uma linguagem para ser percebida pela alma, e não pelo cérebro.
De fato, há metafísica suficiente em não pensar em nada
, ou seja, em simplesmente existir, e contemplar tudo isto que está a nossa volta. Toda a Eternidade apaixonada pela produção do tempo. Toda a Transcendência a velejar pelo horizonte. Toda a Natureza a bailar com a brisa que escora pelos ombros...
Seria inútil prosseguir nessa descrição do indescritível. Portanto, antes de lhes deixar na companhia de Caeiro, trago uma poesia ainda mais antiga e inefável, vinda da Pérsia (séc. XIII):
Além das ideias de certo e errado,
há um campo. Eu lhe encontrarei lá.
Quando a alma se deita naquela grama,
o mundo está preenchido demais para que falemos dele.
Ideias, linguagem, e mesmo a frase cada um
não fazem mais nenhum sentido.
Jalal ud-Din Rumi (poeta sufi)
Quem foi Fernando Pessoa?
Quero crer que a maioria de vocês já faz ideia, então se seguirá somente um breve resumo:
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta, filósofo e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um legado da língua portuguesa ao mundo
(em entrevista a revista Época, 03/02/03).
Por ter sido educado na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu perfeitamente o inglês, língua em que escreveu poesia e prosa desde a adolescência. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras inglesas para português e obras portuguesas para inglês.
Ao longo da vida trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, publicitário, astrólogo e místico; ao mesmo tempo em que produzia a sua obra literária em verso e em prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra:
"Tive sempre, desde criança, a necessidade de aumentar o mundo com personalidades fictícias, sonhos meus rigorosamente construídos, visionados com clareza fotográfica, compreendidos por dentro de suas almas. Não tinha eu mais que cinco anos, e, criança isolada e não desejando senão assim estar, já me acompanhavam algumas figuras de meus sonhos – um capitão Thibeaut, um Chevalier de Pás – e outros que já me esqueceram, e cujo esquecimento, como a imperfeita lembrança daqueles, é uma das grandes saudades da minha vida.
[...] Esta tendência não passou com a infância, desenvolveu-se na adolescência, radicou-se como crescimento dela, tornou-se finalmente a forma natural de meu espírito. Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano, eu o dividi entre os autores vários de cuja obra sou o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha.
[...] Médium, assim, de mim mesmo, todavia subsisto. Sou porém menos real que os outros, menos coeso, menos pessoa, eminentemente influenciável por eles todos".
Carta ao casal Monteiro (trechos), Fernando Pessoa
***
Nesta coletânea trazemos toda a obra produzida através do heterônimo Alberto Caeiro, contendo, dentre outros textos adicionais: O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos.
Sinais usados na transcrição do texto
Pessoa publicou pouquíssimos livros em vida e, conforme quase toda a sua vasta obra se encontra em cadernos escritos a mão, por vazes há dúvidas na transcrição do texto.
(...) espaço em branco no original, ou texto em esboço
[?] leitura duvidosa
[...] texto ilegível (ou omitido)
[abc] texto conjeturado ou acrescentado
Prefácio de Ricardo Reis
Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa a [16] de Abril de 1889, e nessa cidade faleceu, tuberculoso, em (...) de (...) 1915. A sua vida, porém, decorreu quase toda numa quinta do Ribatejo [?]; só os últimos meses dele foram de novo passados na sua cidade natal. Ali foram escritos quase todos os seus poemas,
