Explore mais de 1,5 milhão de audiolivros e e-books gratuitamente por dias

A partir de $11.99/mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

Em Busca Do Outro Lado Do Espelho
Em Busca Do Outro Lado Do Espelho
Em Busca Do Outro Lado Do Espelho
E-book314 páginas3 horas

Em Busca Do Outro Lado Do Espelho

Nota: 0 de 5 estrelas

()

Ler a amostra

Sobre este e-book

EDIÇÃO REVISADA! Após o inesperado acontecimento e os mais diversos mistérios em Oxford, Martin Roque se vê mais decidido do que nunca a desvendar a história de Lewis Carroll e em encontrar o terceiro volume de Alice no País das Maravilhas . As respostas para o grande mistério parecem próximas mas ao mesmo tempo distantes. Por fim, ele se vê encurralado muitas vezes pela entidade de Rainha de Copas , o codinome um assassino anônimo no qual tem seus objetivos não definidos, num grande jogo de xadrez proporcionado pelo destino no qual Martin teme o tempo todo que o inimigo lhe diga: Xeque-mate! A continuação da série que deu uma reviravolta nas demais adaptações de Alice , agora mais intensa do que nunca. Entre nessa jornada, desvende os mistérios, descubra os mais terríveis segredos do País das Maravilhas, porém com cuidado! Lembre-se sempre do mais importante: Não confie em ninguém. Facebook: facebook.com/EmBuscaDoPaisDasMaravilhas
IdiomaPortuguês
EditoraClube de Autores
Data de lançamento20 de mai. de 2017
Em Busca Do Outro Lado Do Espelho

Leia mais títulos de J. J. Coelho

Autores relacionados

Relacionado a Em Busca Do Outro Lado Do Espelho

Ebooks relacionados

Religião e Espiritualidade para você

Visualizar mais

Categorias relacionadas

Avaliações de Em Busca Do Outro Lado Do Espelho

Nota: 0 de 5 estrelas
0 notas

0 avaliação0 avaliação

O que você achou?

Toque para dar uma nota

A avaliação deve ter pelo menos 10 palavras

    Pré-visualização do livro

    Em Busca Do Outro Lado Do Espelho - J. J. Coelho

    Capítulo I

    Jogo de Xadrez

    Ano novo, vida nova. Dizia, ironicamente, a faixa de réveillon da delegacia.

    O som de tique-taque do relógio na parede era, de certa forma, ensurdecedor em contraste com o silêncio do ambiente.

    — Senhor Roque, vou lhe fazer a pergunta mais uma vez. — firmou o polícial, ainda demonstrando paciência à situação. — Por que você acha que alguém mataria o senhor Hector?

    — Eu não sei... — respondeu distante, analisando os cantos das paredes. — Eu não tinha nada a ver com ele.

    — Até onde eu sei, Hector foi o seu instrutor do ano passado em Oxford, confirma isso?

    Martin assentiu, mas continuava distante, já cansado de ficar naquela mesma posição na desconfortável cadeira da sala de interrogatórios.

    — Senhor Roque. — o delegado advertiu pela milésima vez — Está disperso de novo.

    — Eu já contei tudo que eu sei, por que simplesmente não me deixam ir embora? Com certeza vocês acharam gente mais suspeita do que eu lá fora. — estremeceu, se ajeitando no encosto.

    O delegado suspirou pela última vez e empurrou a cadeira para trás, fechando seu caderno por cima da mesa.

    — Você deverá comparecer semana que vem novamente, caso aparecer mais evidências.

    — Ok.

    *

    A delegacia é um lugar estranho. O garoto repetia o ritual de todos os dias em que esteve ali, o de observar cada detalhe do ambiente. Era sempre uma movimentação desanimada. Transmitia cansaço e monotonia.

    Ao vê-lo, Lucas e Nicole se levantam de suas cadeiras.

    — Foi tudo bem lá dentro? — Nicole perguntou.

    Martin simplesmente assentiu.

    — O mesmo das outras vezes, vamos?

    Mesmo dois meses após o assassinato de Hector, o clima entre as conversas continuava tenso, não fúnebre, mas sim, tenso.

    — Por que nós, simplesmente, não contamos a verdade? — Sabrina apareceu do nada assim que os três atravessaram a porta de saída do prédio.

    — Ah, é? E o que iremos contar sem sermos incriminados também? — Martin indignou-se — Afinal, roubamos o manuscrito, invadimos propriedade e vários outros delitos que nos levaria à prisão antes mesmo do assassino em si.

    — Realmente, a Rainha de Copas, seja lá quem for, pensou bem nisso.

    — Ainda bem que tivemos tempo de inventar essa história toda antes de começarem a nos interrogar. — Lucas refletiu.

    Nicole mantinha a cara cerrada até este momento.

    — Todo esse tempo, eu continuo me perguntando como e por quê. Como, em sã consciência, é capaz de alguém ser brutalmente assassinado, e, na cena do crime, a polícia não conseguir encontrar sequer uma pista ou impressão digital de quem fez isso?

    — A polícia disse que o corte, mesmo que bem sangrento, foi friamente calculado e que se assemelha como um cirúrgico. — falou Lucas.

    Todos pararam e ficaram olhando para ele.

    — Foi o que eu li na autópsia. — completou e deu de ombros.

    Só de lembrar-se da cena, Martin sente arrepios. O desespero das pessoas, os olhos revirados da cabeça decepada, com a mensagem em sangue na parede.

    Foi quando o coração de Martin quase parou. Um táxi estacionou na esquina da delegacia. De dentro dele, saíram duas pessoas que ele já conhecia muito bem, mas, nessa situação, o fez ter medo das circunstâncias.

    — Mãe?! Pai?!

    Ele correu e foi recebido pelo abraço dos mesmos.

    — O que vocês estão fazendo aqui? — foi a única coisa que ele conseguiu dizer, era tão bom falar português normalmente de novo.

    — Te levar pra casa — Afirmou seu pai, ele já temia aquela resposta.

    — O quê?! Por quê?!

    — Francamente, um assassinato! Sendo interrogado pela polícia todo fim de semana! — sua mãe cobriu a boca como se aquele gesto fosse capaz de apaziguar a horrível tragédia.

    — Aliás, que história é essa que nos contaram?! Matando e fugindo das aulas... — ele reconheceu o tom de bronca do pai.

    — Não! — berrou, se desfazendo do abraço logo. — Eu não posso voltar assim! Acabei de terminar o meu primeiro ano num país diferente, no qual eu já estou me acostumando, e o primeiro ano letivo da faculdade já está para acabar! Não posso abandonar tudo desse jeito!

    — Nós somos seus pais! Já pensamos em tudo, até em uma faculdade no Brasil, você vai voltar conosco! — a mãe voltou com os braços sobre ele.

    — Não! Não! — Martin meneou a cabeça — Vocês sempre souberam que esse foi meu sonho! Não posso abandonar tudo que eu conquistei até agora! Não posso! — lágrimas já escapavam pelo seu rosto abaixado, ele parecia uma criança fazendo birra no meio da rua.

    — Você não é assim! Aconteceu alguma coisa...

    — Não! Não aconteceu nada... — respondeu soluçando.

    Os pais se olharam e suspiraram.

    — Você é idêntico ao seu avô... Ele era sempre assim, nunca desistia do que queria. — ele ouviu as palavras doces de sua mãe. Ele já havia escutado aquilo diversas vezes, porém, naquele momento em específico, parecia fazer mais sentido do que nunca. Com aquelas palavras, Martin ergueu seu braço, abaixando a manga do seu sobretudo, fazendo seus olhos irem de encontro ao pingente que usava como bracelete, o pequeno totem de coelho entalhado na madeira. — Você ainda continua usando isso... — ela finalizou, tocando o objeto.

    — Não faça isso de novo. — o pai começou num tom cansado — Vamos ainda pensar em alguma coisa.

    — Estaremos de olho em você, vamos ficar hospedados em Londres. Porém, não podemos ficar aqui por muito tempo. Apenas por um mês ou dois. — Ela esticou a mão e levantou a cabeça do filho — Você entendeu?!

    Martin assentiu.

    — Está tudo bem. Agora vem cá, me dê um abraço.

    Houve mais alguns abraços, em seguida, passaram o número do hotel em que eles estavam hospedados. Martin anotou imediatamente no seu celular.

    Eles ficaram esperando até que o próximo táxi chegou, Martin se despediu e voltou para o grupo de amigos.

    — O que foi que aconteceu? — Sabrina perguntou num tom de consolo assim que o viu se aproximando.

    — Eram os meus pais, eles queriam me mandar de volta para o Brasil, mas eu recusei de cara.

    — Como assim recusou?!

    Martin respirou fundo, engolindo o resto do abalo que havia em seu corpo e respondeu firme.

    — Porque eu já sei quem é esse tal de Rainha de Copas.

    Todos prenderam a respiração ao mesmo tempo, Martin continuou olhando para a mesma direção.

    — Sabe? — a voz de Nicole não chegava a ser ao menos um sussurro.

    — Sei. Lembram-se de quando fomos à Guildford e ficamos hospedados naquele hotel vitoriano?

    — E conhecemos aquela camareira! — Lucas já começara a completar as frases.

    — Sim. Samantha. — ele cruzou os braços e voltou a olhar para o chão — Tentei começar a criar uma lista de suspeitos em minha cabeça e a camareira daquele hotel foi a única que eu consegui encontrar.

    — Sim, sim, mas, por quê? — Nicole demonstrou que estava confusa.

    — Olha, eu não sei o porquê de eu não ter contado isso a vocês antes. Mas, no último dia em que estivemos hospedados naquele lugar, eu fiquei sozinho no quarto com ela. Ela acabou encontrando a carta da Rainha de Copas em meio às minhas coisas. Foi a partir daí que ela se assustou, ficou pálida e quase desmaiou perguntando como eu tinha encontrado aquilo. Depois fingiu que nada aconteceu e saiu correndo.

    Todos se olharam.

    — É, eu sei que é estranho, eu também não entendi. Mas foi a única pessoa estranha até agora, nisso vocês têm que concordar.

    Todos continuavam se olhando. Houve um silêncio constrangedor.

    — As aulas irão voltar logo. — Martin mudou de assunto, tentando amenizar o clima tenso — Espero que isso seja um novo começo para todos nós, mesmo que não pareça.

    Vida nova! — brincou Lucas com o seu sorriso bobo no rosto.

    ***

    Flores e velas tornavam a portaria de Oxford intransitável no primeiro dia de aula pós-morte do funcionário. Havia carros da imprensa, logos de emissoras nos furgões e vans que faziam uma espécie de oceano em torno da instituição.

    Martin sentia, constantemente, o mesmo agouro sombrio indescritível no lugar de quando voltou de Guildford no ano passado. Como sempre, familiar.

    Assim que adentrou pelos corredores frios da universidade, foi encontrando os professores, ou melhor dizendo, os pesquisadores da sociedade secreta dos Carrollianos, agora que não precisavam fingir em sua frente, os seus cumprimentos não eram mais de sorrisos hospedeiros e convidativos, mas sim, vagos, sem sentimentos ou, às vezes, apenas uma cara fechada.

    Martin preferia que fosse assim, não suportava a falsidade. Não era capaz de eles continuarem agindo como se nada houvesse acontecido diante de uma situação delicada como aquela.

    — Como está se sentindo hoje, Martin? — a voz suave de Lacie o surpreendeu por trás, enquanto observava o movimento nervoso do lado de fora pelos vitrais.

    — Olá, Lacie, é difícil descrever. — Ele se sentia de volta a infância, quando foi ao funeral do seu avô. "Mamãe, quando ele vai acordar de novo?", a pergunta soou como uma bala emocional em sua cabeça, "Nunca. Ele não volta nunca mais.".

    Martin não sentia muito remorso em relação a Hector devido a só ter falado com ele algumas vezes, mas, todo aquele drama lhe trazia, estranhamente, esse sentimento nostálgico.

    — É sempre horrível, não é? — ela colocou-se ao lado dele. Lacie agora também o tratava com mais sinceridade, pois também sabia do segredo. De acordo com o que o senhor Gardnet havia lhe contado, Lacie não fazia parte da sociedade secreta em si, mas servia como uma espécie de sentinela, e, afinal, era a guardiã das chaves dos lugares-discretos de Oxford.

    — Hector sempre foi doce com todos. Eu confesso, tinha inveja dele às vezes, todos o chamavam de menino-de-ouro. Foi meu melhor amigo nos meus primeiros dias aqui. — os olhos dela já estavam cheios de lágrimas.

    Aquilo fazia Martin querer vomitar, ela falava como se estivesse a ponto de morrer também. Ele não estava nem com um pouco de vontade de ficar ouvindo falar sobre um rapaz que ele mal conhecia.

    — Senhor Roque? — uma voz conhecida por ele o chamou de uma porta.

    — Senhora Louis... — cumprimentou.

    — Me acompanhe, sim?

    Martin colocou-se atrás dela, atravessou uma porta. Deu tempo de ver Louis virando a esquina de um corredor. Ao dobrar a mesma, topou com uma minúscula sala, bem arrumada e agradável. Parecia ter saído de um castelo, toda bem vitoriana.

    Ele ficou olhando para os lados, não havia mais nenhum sinal da professora. Teria ele pego o caminho errado?

    Foi quando o canto dos seus olhos captou um vulto no canto escuro da sala.

    A imagem do assassinato, da pessoa de capuz vermelho dentro do túnel do trem, lhe veio à mente e ele começou a estremecer de nervosismo. Depois de todas essas experiências, ele não estava nem um pouco à vontade de ficar sozinho num lugar que ele não conhecia.

    — Senhora Louis?! — na sua voz já surgia uma ponta de desespero.

    Não houve resposta. Ele girou o corpo por completo e topou com uma figura excêntrica.

    Havia um homem parado de costas para a parede, alto, usando um paletó de inverno de cor madeira. Exatamente como o de alguém que ele havia visto antes.

    Ele se aproximou, ainda mantendo cautela na mente, seus dedos tocaram o ombro do homem que, num pulo, se virou na direção dele.

    O que Martin viu não podia ser verdade.

    A expressão nervosa, os traços, as marcas de expressão, a profundidade dos olhos, corte e cor do cabelo, roupas... Tudo idêntico.

    Estou vendo um fantasma.

    Da sua garganta, só foi possível sair uma palavra esganiçada e trêmula.

    — Hector?!...

    Capítulo II

    Numa tarde de inverno.

    — Não, sou Nicholas. Irmão gêmeo do Hector. — respondeu assustado com a reação do garoto. — Eu sei que as semelhanças assustam.

    Mesmo querendo suspirar de alívio, o corpo de Martin continuou paralisado.

    — Senhor Roque? — a voz de Louis o surpreende, mais uma vez, por trás.

    Martin se vira e depara-se com Nicole junto, logo atrás da professora.

    — Nicole?

    Ela respondeu com uma expressão de quem tivera a mesma surpresa.

    — Nicholas, sente-se, por favor. — Louis disse mais uma vez.

    O homem retirou, de cima de uma mesinha de três pés, uma grande pasta de papel cartão e se dirigiu até o outro lado de uma mesa onde Louis estava sentada. Martin seguiu Nicole e os dois se sentaram de frente para os outros.

    — Era para o senhor Gardnet dar este recado a vocês, mas, infelizmente, ele teve que fazer uma viagem de última hora. Como obviamente já sabem — Louis fez uma pausa e suspirou como se realmente estivesse muito triste com a situação — perdemos Hector, gostaria de dizer que a polícia particular da universidade e nós, dos Carrollianos, estamos concentrados na investigação de quem fez essa crueldade e que, com certeza, não parará tão cedo, já que vocês já me disseram que ele já estava espionando vocês antes.

    Martin olhou para Nicholas do lado direito da poltrona.

    — Então quer dizer que ele agora sabe também de tudo? — perguntou, apontando.

    — Foi necessário. — respondeu, tentando, desesperadamente, esboçar um sorriso simpático.

    — Vocês já têm alguma suspeita de quem seja Rainha de Copas? — Nicole virava os olhos constantemente na direção dos dois.

    — Não temos nenhuma suspeita de pessoa física. Todos no baile aparentaram estarem presentes na hora que aconteceu, sem contar nós, que estávamos na cripta de Christ Church. A única teoria que temos é de que "Rainha de Copas" possa ser o nome de outra constituição.

    — Você quer dizer outra seita secreta de Lewis Carroll que está atrás do livro, assim como os Carrollianos? — Martin ergueu uma sobrancelha.

    — Você citou uma vez que viu a pessoa usando um capuz vermelho assim como os nossos, então, sim.

    Nicole e Martin trocaram olhares surpresos. Nicholas se ajeitou na poltrona, pondo a pasta sobre o colo.

    — Bem, o motivo mesmo de termos chamado vocês aqui — enquanto o irmão de Hector falava, era possível perceber, em seu inglês, um sotaque meio camuflado, parecido da Escócia — foi que o meu irmão deixou algo no testamento dele para vocês dois.

    — O quê?! — Martin e Nicole pularam ao mesmo tempo.

    — Por incrível que pareça, sim. Esse foi um dos motivos de eu ter voltado à Inglaterra depois de tantos anos.

    Nicholas abriu a pasta e, de dentro, tirou um envelope de papel-cartão (o mesmo do que era feito a pasta) e, do interior, tirou um pequeno embrulho e passou para as mãos de Martin.

    Nicole se ajeitou de modo que pudesse ficar mais perto dele e ver o conteúdo. Foi quando Martin terminou de desembrulhar o objeto e ela pôde ver o brilho, do contraste com a luz, de uma superfície dourada de um relógio de bolso.

    Ela estremeceu quando o objeto passou pela luz mais uma vez, ela viu o mesmo brasão estranho de antes, era o mesmo relógio que Hector usara durante aquela noite.

    Nicole arrancou o objeto das mãos de Martin e começou a analisá-lo com os dedos. A parte de vidro que cobria os ponteiros estava trincada e o relógio parecia não funcionar. Seus ponteiros estavam parados por cima do número romano do seis. Foi quando ela levantou a tampa de metal que cobria a superfície interna do relógio. Havia algo dentro. Um papel.

    — Significa alguma coisa? — perguntou senhora Louis, como se estivesse querendo se certificar de algo, quebrando o transe de Nicole.

    — Não — ela logo afundou o objeto dentro da bolsa — Nada, senhora.

    — Ok. Estão dispensados no tempo das aulas matutinas de hoje, então, se quiserem voltar para os quartos, não será nenhum problema. Nós e a polícia estaremos disponíveis a vocês e os outros quando precisarem, entendido?

    — Entendido.

    *

    Nicole puxou Martin pelos braços, enquanto terminavam de dobrar a esquina que ligava o refeitório aos dormitórios.

    — Ei, o que houve? — Martin retrucou.

    — Isso! — Nicole ergueu o relógio nas mãos — Hector estava usando esse mesmo relógio de bolso no baile de final de ano, eu vi quando ele estava falando aquelas coisas estranhas para mim.

    — Tá, e daí?

    — Daí que, olha isso!

    Nicole levou a superfície dourada aos olhos de Martin, onde foi refletida, na luz, a diferente marca d’água.

    — Incrível. — Martin exclamou de queixo caído. — O brasão.

    — Não. Não é o mesmo brasão de antes. Olhe bem — Nicole apontou de novo — Está vendo? Não tem símbolos de corações, e sim de peças de xadrez.

    Martin arregalou os olhos e soltou uma expressão de surpresa.

    Alice do Outro Lado do Espelho! Essa é a continuação da história original. Só pode se referir a isso.

    — Não para por aí, acabei de perceber algo escrito na parte detrás. — Nicole virou-o de costas e mostrou, marcado no metal, as iniciais CLD — Esse é o relógio do próprio Lewis Carroll!

    — Você estava certa, Nicole! Isso realmente não acabou!

    — Ok. Mas, agora, como saberemos por onde continuar? Paramos na cripta, com o diário de Lewis Carroll.

    — Exatamente! Se a última pista nos levou até o diário dele, é porque, certamente, lá encontraremos todas as respostas!

    Nicole olhou para o chão com uma expressão de total decepção e desesperança.

    — O diário foi confiscado pela polícia quando nos revistaram, esqueceu? Afinal, estava na cena do crime.

    O bom humor de Martin desapareceu de repente.

    — Como vamos fazer isso, então?

    Nicole levantou a tampa, que cobria a parte interna do objeto, e retirou o papel lá de dentro.

    — Hector nos deixou uma dica. — sorriu maliciosamente.

    Martin abocanhou o papel com os dedos e o desembrulhou.

    Na minha casa,

    Abaixo dos seus pés.

    — Será que dá pra alguma coisa deixar de ser em enigma? — Martin resmungou.

    — Não é nenhum enigma. Está claramente nos pedindo para ir até sua casa, com certeza, tem mais alguma coisa que ele quer que a gente veja.

    *

    Martin iluminava, com a lamparina de LED de Lucas, a trilha de pedras que levava aos fundos de uma parte residencial de Oxford, não muito distante da universidade.

    — Como você sabe onde ficava a casa dele?

    — Eu acabei descobrindo durante um dos interrogatórios. Quando me perguntaram se alguma vez eu teria entrado lá.

    Nicole começou a observar, enquanto caminhavam, as cercas vivas e a vegetação ao redor. Alguém poderia, facilmente, se esconder naquele meio.

    — Por que tivemos que vir até aqui de noite? — perguntou, deixando transparecer um pouco de medo e indignação na voz. — Não podemos deixar para amanhã?

    — Porque

    Está gostando da amostra?
    Página 1 de 1