Desafios: arte e internet no Brasil
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Sobre este e-book
Este livro é resultado de um projeto de pesquisa sobre arte e internet no Brasil, iniciado em 2015, a ele estão conectados sites e blogs que também integram e difundem os processos de trabalho e os resultados obtidos em meus estudos sobre o tema. Não acredito que a pesquisa seja neutra nem desinteressada; pelo contrário, ela está sempre comprometida com as escolhas do pesquisador e com seu lugar de observação e de fala. Assumo que meu lugar é a crítica do sistema da arte no panorama da cultura contemporânea, feita de dentro dele e a favor da reflexão crítica, do engajamento social, da participação coletiva, da formação de comunidades e dos processos democráticos de mudanças.
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Desafios - Maria Amélia Bulhões
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer àqueles que estiveram comigo nesta trajetória, pois foram muitos os apoios recebidos, os estímulos e os afetos envolvidos.
Inicialmente aos bolsistas, que trabalharam neste projeto em diferentes momentos, sempre incansáveis e entusiasmados na pesquisa: Laura Soro, Fernanda Pujol, Katherine Bastezine, Thais Leite, Natália Bandeira, Anna C. Sommer, Giordana Castel, Luisa Prestes, Mirele Pacheco, Gabriela Cunha, Alessandra Grade, Kailã Isais, Julia Garcia, Nayana Celeste, Cecilia Loureiro e Luís Otávio Silva Martins.
Aos membros do meu Grupo de Pesquisa, Alberto Semeler, Bettina Rupp, Bruna Fetter, Cristiane Marçal, Cristina Ribas, Laura Cattani, Mirele Pacheco, Nei Vargas da Rosa, que partilharam comigo discussões fundamentais, reflexões e muitas das atividades que me conduziram a este livro. Em especial agradeço aos leitores dos meus manuscritos, Bruna Fetter, Fernanda Pujol, Maria da Graça Bulhões, Nei Vargas da Rosa e Paula Ramos, cujos comentários e sugestões foram decisivos nos caminhos que adotei.
Aos artistas cujos trabalhos inspiraram minhas reflexões e impulsionam toda a pesquisa. Aos diferentes autores citados no texto que me aportaram importantes contribuições intelectuais.
Ao CNPq com o suporte à pesquisa através de bolsa PQ, decisivo no andamento do trabalho, à CAPES pelo apoio em vários eventos no curso de minhas pesquisas e, principalmente, à UFRGS e aos colegas do Programa da Pós-Graduação em Artes Visuais, espaço de trabalho e vivências desafiadoras.
À editora Zouk, que me acompanha há vários anos acreditando nos meus projetos, e ao meu revisor Renato Deitos, que atua com competência para reduzir os meus erros.
À minha família, raiz do pensamento crítico que desenvolvi ao longo de minha trajetória pessoal e profissional: meus pais, irmãs, marido, filhos, nora, genro e netos. Sem eles eu dificilmente teria chegado aqui.
Apresentação
por Priscila Almeida Cunha Arantes
O novo livro de Maria Amelia Bulhões é uma contribuição fundamental para os debates atuais a respeito das relações entre arte e internet no Brasil. Bulhões reflete não apenas sobre as práticas artísticas que dialogam com a internet - suas especificidades, características estéticas e regimes de visibilidade - mas articula estas discussões com o campo mais geral do sistema das artes no panorama da cultura contemporânea. Não será exagero considerar este livro como um subsídio acadêmico fundamental para os desafios da crítica de arte contemporânea comprometida com práticas atuais, mas também, com visadas mais plurais, decoloniais e inclusivas em relações às práticas e discursos hegemônicos no campo da arte.
Desafios: arte e internet no Brasil é fruto de inúmeras pesquisas que a autora vem desenvolvendo nos últimos anos, sejam aquelas relacionadas à investigação dos complexos meandros que tecem o sistema das artes, sejam aquelas direcionadas à análise crítica das produções artísticas que fazem uso da internet e de sua repercussão nas dinâmicas do sistema das artes.
O livro, neste sentido, é um nó que se conecta a diversos outros pontos de uma rede rica e complexa de produção que a pesquisadora vem desenvolvendo em diálogo permanente com a universidade e seus grupos de pesquisa. Neste sentido, a autora não somente dialoga com pensadores, críticos e artistas da área, mas também com a produção de seus orientandos mostrando não somente a relação indissociável entre o campo da escrita e a pesquisa acadêmica, mas a importância da pesquisa dentro da própria universidade.
Ao mesmo tempo em que aborda propostas criativas que fazem uso da internet e das mídias sociais, Bulhões fornece uma visão crítica em relação ao suposto caráter democrático da internet que não somente mascara o monopólio de empresas que dominam a rede mas que se apresentam como instâncias decisivas de dominação política e econômica, principalmente pelas inúmeras possibilidades de vigilância e manipulação ideológicas que oferecem. Apresenta assim um olhar crítico não somente em relação às produções artísticas que se manifestam na rede mas também em relação aos seus meios de circulação, exibição e contextos expositivos.
Mais do que fazer um levantamento exaustivo de produções ou das narrativas destas produções, Bulhões desenha de maneira ímpar as fissuras criadas por estas práticas nas hegemonias estabelecidas pelo sistema e mercado de arte. Neste sentido, ainda que não seja o objetivo de livro criar uma história da arte que se utiliza da internet, a autora permite que o leitor possa ter acesso não somente aos primórdios da net art nos anos 90, mas a produções mais atuais e complexas como a denominada pós mídia arte. Oferece ainda, dentro de uma perspectiva sistêmica, discussões e produções fundamentais relacionadas muitas vezes às práticas de arquivamento e estratégias de memória intrínsecas a estas produções.
O ponto nevrálgico do livro é discutir o descompasso, ainda existente, entre este tipo de produção e o sistema das artes, mesmo ainda após o boom do uso da Web por parte de instituições e do mercado de arte no contexto do COVID19. Ao longo do livro, Bulhões deixa claro como esta produção ainda é muito pouco valorizada no sistema hegemônico das artes, o que parece ser um paradoxo frente a uma cultura cada vez mais entranhada com o mundo digital (ou seria pós-digital?). Mas a própria autora nos dá a dica quando utiliza o termo energia escura, em diálogo com Gregory Sholette, como hipótese para explicar que, apesar destas práticas estarem muitas vezes fora
dos espaços hegemônicos da arte, elas contribuem de forma decisiva para a expansão do próprio sistema: Embora não possam ser vistas, tanto a matéria escura como a energia escura foram teorizadas e consideradas de vital importância nas dinâmicas de coesão das galáxias e de expansão do universo. Ao longo deste livro, apresento vários aspectos que corroboram com a hipótese de um processo expansivo do sistema da arte contemporânea, no qual os artistas que usam a internet em suas produções participam ativamente. Sejam aqueles que trabalham em termos estritos de obras feitas a partir das ferramentas da rede e nela permanecem, ou em perspectivas mais complexas e diversificadas, como a denominada pós-mídia arte
.
Neste sentido trata-se de se insistir, produzir, pesquisar, investigar, criar visões críticas, desenvolver arquivos, curadorias, plataformas, sites, blogs, propostas criativas que possam desestabilizar e criar visões críticas em relação a cultura de nosso tempo e fricções em relação ao sistema hegemônico das artes. Este é um dos grandes desafios. Trata-se de se colocar este desafio, ou melhor, estes desafios como o próprio título do livro indica.
Priscila Almeida Cunha Arantes
Outubro de 2022
Arte e internet: considerações preliminares
A arte afeta a realidade justamente porque está atrelada a todos os seus aspectos… A arte não está fora da política, mas a política reside dentro de sua produção, sua distribuição e sua recepção. Se assumirmos isso, poderemos ultrapassar o plano de uma política de representação e embarcar numa política que está ali, diante de nossos olhos, pronta para ser abraçada.
Hito Steyerl¹
As relações entre arte e internet são complexas, amplas e indicam um processo construído a partir de avanços e arranjos que operam no mundo contemporâneo. Minha opção no estudo que deu origem a este livro foi compreender de que maneira a disseminação do uso da internet e seus avanços tecnológicos geram novas práticas artísticas e introduzem transformações nas dinâmicas do sistema da arte. Este texto dá continuidade a reflexões que venho elaborando para entender a arte a partir de uma noção sistêmica. Acredito, como diz Hito Steyerl que a política reside dentro de sua produção, sua distribuição e sua recepção
. Assim, analiso os processos que se desenvolvem a partir das práticas artísticas on-line em suas relações contextuais, na perspectiva de uma pesquisa engajada e crítica da internet (um dos instrumentos mais contraditórios no mundo globalizado) no campo da arte. Neste capítulo inicial destaco a importância de adotar o sistema da arte como modelagem conceitual e o conceito de energia escura
para observar a internet como uma força que promove sua expansão². Abordo a crescente presença dos meios on-line na sociedade contemporânea, identificando as mudanças comunicacionais que introduz e como estas repercutem nas práticas artísticas. Observo, ainda, como essa presença se evidencia em distribuição, organização, desdobramento e proliferação dos lugares de arte no ciberespaço.
1.1 O sistema da arte e sua expansão: energia escura
O ponto de partida é o conceito de sistema da arte, considerado como indivíduos e instituições que, atuando em uma complexa rede de inter-relações, são responsáveis pela produção, a difusão e o consumo de objetos e eventos, por eles mesmos rotulados como artísticos, e, também, pela definição dos padrões e limites da arte para uma sociedade em um determinado momento
³. O que define sua classificação e diferencia essa pequena fatia de produções plásticas é a inserção em um circuito que a institucionaliza. Isso porque, para que uma realização seja considerada obra de arte
, deve passar pelo processo de incorporação a um sistema de arte elitista e excludente, que funciona pela distinção social. Suas origens encontram-se no alvorecer do mundo moderno, no século XV, em especial na Itália, quando pintores, escultores e arquitetos, por um conjunto de relações que os ligava aos mecenas e literatos, passaram a desfrutar de uma posição social que os diferenciava dos simples artesãos. Giorgio Vasari (1511-1574), autor do livro conhecido popularmente como Vidas dos Artistas (1550), é considerado o primeiro intelectual a defender um estatuto diferenciado para esses produtores, estabelecendo as bases do ideal de gênio criador. Uma institucionalização mais oficial foi obtida com a criação da Accademia del Disegno (Florença, 1563), que legalizava a condição do artista, diferenciando-o, definitivamente, do artesão. Tendo, desde sua formação enquanto circuito de relações institucionalizadas, a função de distinção social, que exclui artesãos e idealiza o artista como criador individual, o conceito de sistema da arte é fundamental para a compreensão das interações desenvolvidas no ambiente artístico.
Segundo Pierre Bourdieu, no campo da arte, de forma semelhante às demais organizações sociais, os indivíduos que estão estabelecidos lutam para garantir seus privilégios e o valor de seu capital cultural, enquanto que os que estão fora lutam para entrar e também para alterar os mecanismos de valoração simbólica (BOURDIEU, 1990). Dessas lutas estéticas e políticas decorreram as transformações que levaram à passagem do sistema acadêmico ao sistema moderno e que atualmente estabelecem a hegemonia do sistema contemporâneo⁴. Além disso, também há disputa entre os interesses locais, nacionais e internacionais, permeados pelas relações geopolíticas entre centro e periferia, uma vez que a arte faz parte de uma gama de diferentes poderes. Artistas, críticos, curadores, galeristas, colecionadores e outros tantos envolvidos no sistema da arte podem ser considerados como aqueles que criam e transformam o ambiente ideológico dos participantes, que consomem, mais do que objetos, uma relação social de status e pertencimento. As lutas pelo poder simbólico envolvem valores estéticos, mas também interesses políticos, econômicos e sociais.
O sistema da arte contemporânea é um espaço internacional, gerido pelas redes de galerias e de instituições, mas as fronteiras dessa institucionalização têm se mostrado cada vez mais fluidas, com inúmeras e diferenciadas produções circulando em seu interior. É no quadro dessa contemporaneidade em processo que acredito devam ser analisadas as relações da arte com a internet. As mudanças processadas por este meio comunicacional na cultura, embora possam parecer em um primeiro momento estranhas ao circuito tradicional das artes visuais, reverberam nele, estabelecendo alterações bastante radicais nos modelos de subjetividade. Considerando a rapidez e a ampliação da penetração desta modalidade de serviço no cotidiano da vida atual, é indispensável considerar suas repercussões no sistema da arte.
Não há aqui uma pretensão de mapear ou fazer um levantamento exaustivo de narrativas e práticas que se alteram com a expansão da internet na sociedade contemporânea. Meu objetivo é apontar para tendências que criam fissuras nas hegemonias estabelecidas no complexo quadro do sistema da arte. Para pensar essas alterações, gostaria de propor a utilização do conceito de energia escura
, que adotei a partir da leitura das publicações de Gregory Sholette⁵. Este autor faz uma analogia aos estudos das ciências do cosmo utilizando o termo matéria escura
para tratar de uma força composta por elementos invisíveis e desconhecidos, responsáveis por aglutinar o campo artístico. Segundo ele, muitos atores desconhecidos e invisíveis ao olhar superficial daqueles que somente focam seus estudos no mainstream são importantes fatores de agregação e manutenção do funcionamento da arte. Para o autor, eles constituem a matéria escura da arte
.
Entretanto, considerando o que indicam as ciências do cosmo⁶, penso que neste caso Sholette deveria ter utilizado o conceito de energia escura
, uma vez que ele foca sua atenção, principalmente, nas ações de contra-hegemonia que artistas e grupos
