O homem é ou não é um animal racional?
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Sobre este e-book
O livro é profundo, muito criativo e extremamente encantador.
A segunda parte dessa obra, continua no livro:" A matemática da eternidade e dos encontros" ,do mesmo autor.
Fernando Luiz dos Santos Chaves. Nasceu na cidade do Rio Grande. - RS.
Errata:
No final do capítulo I - As raizes de Luan, onde está escrito: Porem, como ( Juvenal ) era um homem acautelado, leia: Porem, como (Virgílio) era um homem acautelado .
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O homem é ou não é um animal racional? - Fernando Luiz dos Santos Chaves
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com os eventos citados; apenas descreve datas e fatos históricos com o intuito de narrar uma literatura inteiramente ficcional.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
Sumário
As Raízes de Luan
A Nova Etapa de Vida dos Pais de Luan
Depois da Compra da Nova Casa dos Pais de Luan
A Maioridade de Adão
O autor
Capítulo I
As Raízes de Luan
As raízes de Luan são de uma cidade muito pequena, com pouco mais de doze mil habitantes. A ignorância daquele povo era enorme e fatos inacreditáveis aconteciam!
Naquela época, Virgílio, vô materno de Luan, era um homem religioso, forte e corajoso, que sabia criar gados e plantar.
Ele já era um quarentão e, Helena, sua esposa, era uma jovem senhora de 28 anos de idade.
Helena, nessa época, estava grávida de nove meses, e sua gravidez estava correndo risco devido ao frágil estado de saúde que se encontrava. Nesse dia, Virgílio estava na cozinha da casa preparando o almoço, pois Helena, adoentada, achava-se no quarto do casal repousando, e Rosinha, sua melhor amiga, fazia-lhe companhia sentada em uma poltrona ao lado da cama.
Virgílio e Helena já estavam casados há mais de oito anos, eram completamente apaixonados um pelo outro. Esta gravidez significava para eles a realização do maior sonho de suas vidas.
Durante todos esses anos que estavam casados, Helena engravidou várias vezes, mas em todas elas nunca conseguiu sustentar a gravidez até o quarto mês. Mas desta vez, ela já estava no nono mês e isso era motivo de grande felicidade para o casal. Para eles, essa era a sua maior conquista e o nascimento dessa criança já estava para acontecer a qualquer momento.
Helena, sentindo que a hora do parto estava chegando, começou a gritar:
— Vai nascer, vai nascer!
Rosinha, que estava ao seu lado, segurou forte a mão de Helena e também gritou:
— Virgílio, a criança vai nascer, traz rápido uma bacia com água morna e algumas toalhas.
A amiga Rosinha começou em seguida a colocar Helena na posição de parto, pedindo para a jovem mãe fazer força até a criança nascer.
Helena forcejou o máximo que pode, e a criança por fim nasceu.
Rosinha, examinando o recém-nascido em seus braços, disse:
— A criança é uma menina, a criança é uma bela menina, mamãe!
Helena contemplou a filha no colo de Rosinha e estampando um fraterno sorriso de mãe, fechou os olhos e morreu, sem sequer ter a oportunidade de segurar uma única vez a filha nos braços.
Rosinha, assistindo a essa cena e sem saber o que fazer, colocou a criança enrolada em uma toalha no colo do pai, que não sabia naquele momento se sorria de felicidade por estar segurando a filha em seus braços ou se, também perplexo, chorava por ver a sua amada esposa deitada e morta em cima da cama, o que o fez por breves instantes ficar catatônico.
Por alguns momentos ficou contemplando a criança em seus braços e, em outros breves instantes, olhando o semblante sereno da mulher em seu leito de morte; nesses breves períodos de excitação, Virgílio sorriu muito segurando a filha nos braços e, em outros momentos, chorou intensamente por ver o corpo da esposa, morto sobre a cama.
Só quem já passou pela experiência de presenciar esses dois extremos de uma existência, ou seja, o nascimento da filha e, ao mesmo tempo, a morte da esposa, seria capaz de compreender plenamente o drama desse homem, que após passar por tudo isso, teve que ainda ter forças para providenciar o enterro da esposa e criar sozinho a sua bela e amada filha, que recebeu o nome de Juliana.
Rosinha e o seu marido Dorvalino foram os escolhidos por Virgílio para serem os padrinhos de Juliana. Em momentos de necessidade de conselhos femininos, a menina sempre pôde contar com os sábios ensinamentos da sua querida madrinha Rosinha, que com muita paciência, soube opinar sobre assuntos básicos, relacionados à menstruação, virgindade e sexo e, assim, a vida de Juliana foi passando. Hoje é certo que o modo como Virgílio criou a menina não foi um dos mais requintados. Porém, mesmo assim, Juliana nunca se atreveu a lhe dizer isso, pois, afinal de contas, bem ou mal, ele a criara.
Às vezes, a moça reclamava que vivia presa em casa e que seu pai não a levava a lugar nenhum para passear. Para se redimir dessas cobranças, ele fez uma surpresa para a filha, levando-a em um centro de umbanda que sempre frequentava.
Nesse dia no tal centro, havia uma festa de São Cosme e Damião e lá se encontravam Virgílio, Juliana, um grupo de trabalhadores e mais alguns outros convidados participando desta festa.
Quando os tambores começaram a tocar, a menina Juliana começou a dançar e girar parecendo um pião desorientado no meio do salão. Virgílio, quando viu a filha dançando e girando desse modo, acreditou de imediato que a moça estivesse incorporada. Daí em diante a fama da menina na cidade ficou como se ela fosse uma filha de Santo. Mas na verdade estavam todos errados, a menina Juliana estava apenas querendo se divertir um pouco, pois momentos de diversão iguais àquele para ela eram raríssimos.
Desse modo, o tempo na vida de Juliana foi passando, e essa imagem, de ser filha de Santo, ficou cristalizada na mente dos habitantes dessa pequena e pacata cidade. Para eles, esse assunto já estava encerrado, a menina era filha de Santo e pronto!
Mas, quando Juliana completou 15 anos de idade, os caminhos da sua vida mudaram radicalmente.
Nesse dia, Virgílio acordou bem cedo e preparou um grande bolo de milho para a festa de aniversário da filha, pois esse era o único bolo que ele sabia fazer. Alguns convidados e os padrinhos, Rosinha e Dorvalino, estavam presentes nessa festa de aniversário.
