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Um Defunto Feliz - Mailson Ramos
I – UM DEFUNTO FELIZ
Morreu Miro de Cândido. O sorriso estampado no rosto não condizia com o seu estado de defunto, deitado naquele simples caixão de pinho e cercado pela viúva chorosa, além dos seis filhos, todos de tenra idade. A notícia do cadavérico semblante risonho causou uma comoção na comunidade inteira. Ao visitar o finado, os conhecidos insistiam em adivinhar ou sugerir o motivo daquela alegria congelada antes do último suspiro.
O padre chegou nas primeiras horas da manhã e fez uma oração aos pés do falecido, sussurrando um latim enferrujado, com a pressa de quem ainda não tinha tomado café. E, como quem não tinha mesmo tomado café, mordiscou uma bolacha de canela oferecida pela viúva. Depois, disse duas palavras de consolo a ela e, olhando para Miro, constatou:
— Sorriu quando viu a face de Nosso Senhor!
As mulheres do cabaré de Helena esperaram o padre sair para visitar o morto, mesmo sob os olhares de reprovação das pessoas ali presentes. Entraram juntas e com passo ritmado, como um rebanho de ovelhas no meio da chuva. Uma delas ousou prestar condolências à viúva, porém, não recebeu um mísero agradecimento pelo gesto. Sobre o falecido, esta mesma comentou:
— Pelo sorriso, morreu fazendo o que mais gosta!
Os Heróis da Manguaça
, clube de papudinhos a que Miro pertencia, entraram no ambiente com as suas respirações alcoólicas, derramando lágrimas verdadeiras e elogiando o morto que nunca havia deixado faltar cachaça no copo. Balançando feito varas de marmelo, eles choravam um pranto desconsolado, incentivados pela desinibição da ebriedade.
— Bebeu até o derradeiro dia! — comentou um, com a língua enrolada.
Quando os bêbados se retiraram, chegou o patrão de Miro. Entrou usando óculos escuros, acompanhado por sua senhora, com o ar grave e o paletó preto impecável. Beijou a viúva várias vezes e deu um piparote na cabeça de cada um dos filhos. Em seguida, fingindo enxugar lágrimas, pigarreou, olhou para o morto e
