Cultura japonesa 4: Ryo Mizuno, o pioneiro da imigração japonesa no Brasil
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Sobre este e-book
Por que as pessoas daquele país deixaram de assaltar supermercados quando ocorreu aquele grande terremoto seguido de tsunami em 11 de março de 2011? Por que permaneceram ordeiramente em filas em meio à tragédia?
Por que, na Copa do Mundo de 2014, os torcedores daquele país recolheram o lixo na arquibancada do estádio após o término do jogo?
O que sentiu Einstein quando esteve no Japão, em sua viagem de conferências?
Que pensamentos tiveram os vultos da história japonesa do período da restauração de Meiji como Ryoma Sakamoto, no momento dramático da inclusão do país no sistema mundial após 260 anos de isolação?
Por que foram surgindo do Japão arrasado pela Segunda Grande Guerra, uma após outra, empresas de porte internacional?
Nas entrelinhas desta coleção se esconde a história do Japão e as bases do pensamento japonês, que não se resumem apenas a sushi, sashimi, animação e "cosplay".
Nesta série você encontrará a essência da cultura japonesa.
Uma publicação do Jornal Nikkey Shimbun.
Nesta edição:
Ryoma Sakamoto – E o sonho da construção de uma nação oceânica
TesshuYamaoka e Takamori Saigo – Dois homens sem apego algum à fama ou fortuna, e até à própria vida, salvam o Japão dos perigos de uma guerra civil
Samurais da suserania de Shonai – Que aprenderam com Takamori Saigo, se uniram para construir um Japão novo
Filha de Samurai – A menina, rebento de uma família de samurais, cerejeira milenária, procura florir em terras estrangeiras
Ryo Mizuno – Depois da "Abertura do país", a "Emigração"
Isso é saquê japonês – Cultura tradicional de 1300 anos cristalizada
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Cultura japonesa 4 - Masayuki Fukasawa
Sumário
Ryoma Sakamoto – E o sonho da construção de uma nação oceânica
TesshuYamaoka e Takamori Saigo – Dois homens sem apego algum à fama ou fortuna, e até à própria vida, salvam o Japão dos perigos de uma guerra civil
Samurais da suserania de Shonai – Que aprenderam com Takamori Saigo, se uniram para construir um Japão novo
Filha de Samurai – A menina, rebento de uma família de samurais, cerejeira milenária, procura florir em terras estrangeiras
Ryo Mizuno – Depois da Abertura do país
, a Emigração
Isso é saquê japonês – Cultura tradicional de 1300 anos cristalizada
Créditos
OS CONSTRUTORES E PROTAGONISTAS DA ERA MEIJI
Ryoma Sakamoto
E O SONHO DA CONSTRUÇÃO DE UMA NAÇÃO OCEÂNICA
Texto de Masaomi Ise
Ryoma Sakamoto
Nos meados do século 19, um samurai de baixa hierarquia da suserania de Tosa sonhou em dar ao seu país condições de prosperar em liberdade, sustentado por um vigoroso comércio exterior e protegido por uma poderosa marinha, e assim enfrentar a ameaça de invasão das potências ocidentais.
Referências: Shonin Ryoma
(Ryoma, o comerciante) – Yo Tsumoto – Editora Nippon Keizai Shimbun Shuppansha, H19
◆ ◆ ◆
O Japão era nessa época um país medieval atrasado e fechado ao mundo. Nenhum navio estrangeiro podia entrar em seus portos, exceção feita apenas aos da Holanda e China, assim mesmo apenas em Nagasaki. O país estava dividido em mais de 200 suseranias ou hans, estados independentes, alguns pequenos, outros poderosos, governados por um daimyô – suserano, senhor das terras, cada um com seu exército de samurais.
O governo do país estava nas mãos do xogum, o mais poderoso de todos os suseranos, que exercia domínio sobre todos os demais. O Imperador, considerado descendente dos deuses que criaram o Japão, segundo a religião xintoísta, era por isso mesmo suprema autoridade, legítima e inconteste, mas não possuía exército. Todo o poder emanava dele, mas não o exercia. Apenas delegava. Até o xogum deveria ser reconhecido pelo Imperador para poder governar o país em nome dele. Mas o Imperador pouco interferia em suas decisões.
Com tantas suseranias existentes, os conflitos por terra e pelo domínio da nação eram incessantes. Diversos daimyôs procuraram se impor como xogum durante a fase histórica conhecida por Sengoku Jidai (1467 – 1568, Era dos Estados Beligerantes) mas permaneceram no cargo por pouco tempo.
Nisso surgiu Iyeyasu Tokugawa, suserano de Mikawa (região leste da atual Província de Aichi) que, subjugando seus oponentes, se fez xogum em 1603. E a partir de então, membros do clã Tokugawa se revezaram por quinze gerações no cargo. Iyeyasu fez de Edo (Tóquio) sede do Tokugawa Bakufu (Xogunato Tokugawa), e impôs a paz sobre todo o território japonês, inaugurando uma nova era de relativa tranquilidade – a Era Edo, que perduraria por mais de 260 anos.
A pacificação trouxe estabilidade política, social e econômica e favoreceu o desenvolvimento das artes como em nenhum outro período da história japonesa. Por outro lado, o Japão continuava fechado aos estrangeiros, e pior, os longos anos de paz induziam os samurais da classe governante do xogunato e das suseranias à desmotivação e mediocridade. O Japão se tornava nação frágil e desprotegida, à mercê da cobiça das potências ocidentais.
Havia, porém, mentes lúcidas atentas a esse cenário de crise nacional. Samurais, na maioria oriundos da classe inferior, iniciavam o Meiji Ishin (Restauração de Meiji), movimento de renovação política do país. Alarmados com o estado da nação, pregavam o fim do regime medieval do xogunato e a implantação de um novo governo estruturado em legislação moderna, regido de fato e de direito pelo Imperador. Naturalmente, o xogunato opôs resistência, e muitos desses samurais deram suas vidas pelo movimento.
O Meiji Ishin tem por raiz o Incidente dos Kurobune (navios negros)
: em 1853, quatro navios de guerra da esquadra americana das Índias Orientais sob o comando do almirante Matthew Calbraith Perry invadem as águas da Baía de Edo. A visão desses enormes navios negros movidos a vapor assusta os japoneses, desde o Imperador até os plebeus, que constatam com os próprios olhos a enormidade do atraso do seu país. Isso os desperta do entorpecimento provocado pelos 260 anos de paz interna imposta pelo xogunato Tokugawa.
O Brasil também passa hoje por momentos dramáticos. Em meio a uma recessão econômica das mais graves desde o fim da guerra, promove a maior festa internacional do esporte: a Olimpíada e a Paralimpíada, ao mesmo tempo em que decreta impeachment da presidente e destituição do presidente da Câmara dos Deputados. É uma situação ímpar em toda sua história. A Polícia Federal, por intermédio de diversas investigações, a começar pela operação Lava Jato, expõe seguidas suspeitas de espantosos esquemas de corrupção que envolvem grandes empresas representativas do Brasil. Conturbações como essas, ao mesmo tempo políticas e econômicas, são raras no mundo. E nos remete ao Meiji Ishin: a Restauração de Meiji, e a Ryoma Sakamoto, cujas histórias descrevemos a seguir.
Bom seria se o Brasil pudesse descobrir nelas quem sabe a ponta do fio da meada
dessa crise em que se acha. (A redação)
◆ ◆ ◆
A América segundo John Manjiro
Dizem que a realidade supera a ficção. É o caso deste personagem, John Manjiro, cujas incríveis peripécias desafiam os melhores romancistas de ficção. Nasce em 1827, filho de uma pobre família de pescadores. Aos 14 anos de idade, sai para pescar com quatro outros companheiros e perde-se no mar. Mas conseguem todos chegar a uma ilha deserta, onde sobrevivem por 143 dias, até serem resgatados por um navio baleeiro americano.
Levado aos Estados Unidos e adotado como filho pelo capitão do navio, William H. Whitfield, Manjiro é por ele matriculado na Escola Oxford em Fairhaven, Estado de Massachusetts, onde aprende inglês e navegação marítima. Trabalha por alguns anos em um navio baleeiro, mas decide retornar ao Japão. Trata de arrumar dinheiro para o regresso trabalhando em garimpo de ouro, na Califórnia, na época do Golden Rush, e com o dinheiro conseguido, retorna ao Japão. Desembarca em Okinawa, é preso (a viagem ao exterior era proibida) e enviado à suserania de Satsuma, onde passa por longo período
