Palavras molhadas e escorregantes: Origens clássicas e tradição moderna da retórica política
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Palavras molhadas e escorregantes - Marcos Antônio Lopes
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A Eduel é afiliada à
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Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
L864p
Lopes, Marcos Antônio.
Palavras molhadas e escorregantes [livro eletrônico] : origens clássicas e tradição moderna da retórica política / Marcos Antônio Lopes. - Londrina : Eduel, 2015.
1 Livro digital : il.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7216-750-5
1. Retórica moderna. 2.Retórica antiga. 3. Política e retórica. I. Título.
CDU 82.085
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e-mail: eduel@uel.br
www.uel.br/editora
Depósito Legal na Biblioteca Nacional
2015
Sumário
Prefácio
Apresentação
Retórica antiga e moderna
Merecimentos e vilanias do nobre engenho
Sobre a arte de assaltar os sentidos
Origens dos textos
Referências
[...] e a sua língua deve prestar-se não apenas a proferir palavras, mas a outra coisa [...]. Que ela se incline a barbarismos e a solecismos, que ela se esforce em narrar frivolidades, a lançar veneno, a pronunciar palavras superficiais, mas que também seja capaz de agir à noite, quando estiveres cansado de suas amantes. Que essa língua seja flexível e que a ela nada repugne [...]
.
Lucien de Samosate. Maître de rhétorique (tradução).
[...] mas aconteceu que o padre, frequentando familiarmente o convento e confessando muitas vezes as freiras, cinco delas, e mais não havia, engravidaram; de modo que o senhor bispo estava decidido a castigá-lo duramente. [...] amigos envidaram esforços para ajudá-lo [...] recomendando o réu e desculpando-o pelas facilidades do local, pela fragilidade humana e por muitas outras causas. Disse o bispo:
Que responderei a Deus no dia do Juízo quando me perguntar [Dá-me contas de tua administração].
Monsenhor, aquilo que diz o Evangelho: [Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei]. E então o bispo não pôde controlar o riso e atenuou sua ira e a pena preparada para o malfeitor
.
Baldassare Castiglione. O cortesão.
Prefácio
Observa-se no Brasil, nos últimos anos, um crescente interesse pelo campo da retórica, expresso na publicação de livros acadêmicos sobre o tema e até na criação de uma Sociedade Brasileira de Retórica, em 2010. Tal interesse acompanha um movimento internacional mais amplo que visa estudar os problemas colocados pelas interpretações do lugar da retórica nas culturas passadas e, consequentemente, em nosso próprio mundo.
Nessa empreitada, particular atenção tem sido devotada à Antiguidade greco-romana e à Época Moderna, que retomou a tradição antiga, reelaborando-a para o novo contexto político europeu. Autores como Aristóteles, Cícero e Quintiliano — eles mesmos tributários de tradições anteriores que não chegaram até nós —, serviram de sustentáculo para as modernas definições de retórica. Daí a questão: o que foi mantido e/ou transformado nesse longo processo de recepção, que persiste até hoje?
É precisamente nesse quadro que somos brindados com este belo livro de Marcos Antônio Lopes. Trata-se de uma contribuição ao debate sobre retórica que traz a vantagem de condensar reflexões do autor que acompanham suas pesquisas na área de história do pensamento histórico e político moderno. Mostrando domínio das literaturas antiga e moderna que trataram da retórica, de Aristóteles a Hobbes — e igualmente tocando nos estudos que, ao longo do século xx, buscaram revitalizar as abordagens sobre o tema, a exemplo de Chaïm Perelman —, Marcos Lopes centra-se, sobretudo, nas relações entre retórica, ética e política.
É um recorte relevante e atual. Produto da cidade-estado, a retórica assume primordialmente a função de mobilização. Deve, portanto, convencer, por meio de um discurso estruturado de modo que estabeleça uma identidade entre o orador e sua audiência, comovendo-a à ação. A despeito do progressivo distanciamento da realidade de uma polis, essa função da retórica permaneceu como elo entre as artes retóricas antiga e moderna. Porém, formulando problemas que não deixam de ser de ordem ética: quais os limites para a persuasão? Em que medida deve ser balizada por valores morais? Qual seu compromisso com a verdade
?
Esses pontos percorrem a história da retórica, que é tratada no livro de duas formas. Por um lado, são analisados os elementos que unificam as definições de retórica entre a Antiguidade e a Época Moderna, no tocante, em geral, à sua lógica argumentativa que busca a persuasão. Por outro lado, o autor pondera sobre a historicidade de certos procedimentos retóricos, apenas explicáveis caso se tenha em mira seus contextos de produção. Maquiavel e Hobbes, tratados no último capítulo, são abordados com essa intenção.
Esse procedimento permite-lhe mostrar como certas tensões acompanham a história da retórica, a ponto mesmo de serem inerentes a ela: tensões entre estilo e conteúdo, entre linguagem e verdade, entre ética e política. Foram justamente essas tensões que levaram autores diversos em diferentes momentos a elogiar ou desacreditar a retórica, um movimento que se faz sentir até hoje. Muitas vezes, tende-se a colocar em campos opostos a estética e a razão da retórica, mas, como notou Michel Meyer em sua Histoire de la rhétorique: des Grecs à nos jours (1999), a chave da história da retórica não está nem em sua restrição às figuras de estilo ou à linguagem literária nem em sua racionalidade argumentativa, pois é tudo isso ao mesmo tempo, sem exclusividade
.
O mérito do livro consiste em apresentar, de forma clara e erudita, a dificuldade de se apreender a retórica em termos simplistas. E também a dificuldade de se prescindir dela: mesmo aqueles que procuram detratá-la, não têm alternativa do que fazê-lo retoricamente... Isso por si só justifica o quão imprescindível seja. Todavia, em tempos de crise da democracia representativa e de descrença no caráter ético da política, voltar-se ao estudo da retórica não deixa de ser também uma necessidade para recompor o espaço da mobilização política que esteve na sua origem.
Fábio Duarte Joly
Departamento de História
Universidade Federal de Ouro Preto
Cicero acusando Catilina no senado. (H. Schmidt, 1920)
Apresentação
O que é a retórica? Ao longo de 2500 anos, as respostas para tal questão foram apresentadas em muitas direções. Mas a multiplicidade das definições nunca satisfizeram aos diferentes padrões de exigência. Como notara Nietzsche, os modernos foram sempre imprecisos quanto ao conceito de retórica, e os antigos alimentaram uma incessante rivalidade diante dele. Que a retórica era uma guerra de palavras para a acomodação de sentidos circunstanciais desejáveis ou que precisava perseguir finalidades sublimes e coincidir com o bem na vida em comum foram algumas das soluções tradicionais a ela conferidas, em diferentes épocas. Face à exuberante diversidade de concepções há séculos existente acerca do pendor humano por verbalizações astuciosas, onde deveríamos buscar a verdadeira definição de retórica, se ela escapa aos mais vigorosos anseios de definição? Em nenhum lugar específico. Mas ideias contrastantes dos elementos linguísticos, estéticos e morais implicados na retórica marcam presença em uma considerável gama de textos modelares, a começar pelas considerações dos sofistas, por alguns dos diálogos de Platão, pela obra magna de Aristóteles, pelos tratados de Cícero, pela musculosa apostila
de Quintiliano e mais meia dúzia de obras eminentes que seguiram as pegadas desses ilustres compositores de uma arte que, nascida há milênios, nunca teve uma morte comprovada, apesar de seus reconhecidos períodos de crise.
Nos capítulos deste livro, parti em busca de definições da arte retórica, esforço que permitiu contrastar numerosas concepções autorais, bem como suas distintas matrizes intelectuais e contextos de produção e de emergência. Entretanto, a intenção que predomina nessa abordagem é a de relacionar a retórica a temas de ordem ética, implicando-a sempre a teorias da ação política. De seu surgimento na Magna Grécia às fases de brilhante ascensão e de sucessivos declínios ao longo da história, tomou-se como objetivo inventariar concepções retóricas julgadas de interesse para uma pesquisa em história das ideias. Para tanto, foram reunidos autores de diferentes tradições, analisados em seus enraizamentos singulares, em seus pontos de contato com textos de diversa procedência e em suas contribuições originais. Ainda que identificar linhas de continuidade sobre a retórica tenha sido um propósito em minhas leituras, a diversidade das tendências tende a se sobressair no texto. E o que se tem como resultado
