Da Pressa à Urgência do Sujeito: Psicanálise e Urgência Subjetiva no Hospital Geral
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Da Pressa à Urgência do Sujeito - Elaine Azevedo
SUMÁRIO
CAPÍTULO I
O lugar da angústia em Freud e Lacan. 33
1.1 Notas sobre a primeira concepção de angústia em Freud. 38
1.2 Notas sobre a segunda teoria da angústia em Freud. 45
1.3 A angústia no Seminário X de Lacan. 55
CAPÍTUL II
Não há tempo... a perder: a urgência e o tempo no hospital geral 69
2.1 O inconsciente freudiano: um breve percurso. 73
2.2 O inconsciente freudiano e o tempo. 77
2.3 Lacan, o inconsciente e o tempo. Da pressa à urgência do sujeito. 82
CAPÍTULO III
Autorizar-se a aplicar a psicanálise no hospital:
o psicanalista aplicado 97
3.1 A urgência subjetiva, tempo e angústia: o analista no hospital geral
entre a pausa e a pressa 102
3.2 O encontro com o psicanalista no hospital geral: entre a pedra e o
caminho 110
CAPÍTULO Iv
Lapsus – Laboratório Psicanalítico de acolhimento a sujeitos em urgência subjetiva 121
Referências 127
INTRODUÇÃO
O presente livro tratará a lógica do manejo do tempo pelo psicanalista que atua em situação de urgência no contexto hospitalar, tendo em vista a angústia em que se veem imersos o paciente e seus familiares nesse espaço. Busca compreender como o psicanalista pode possibilitar aos sujeitos mergulhados na inércia da angústia um tratamento que lhes permita subjetivá-la em tal espaço de urgência. Nossa hipótese considera que o tempo lógico, tal como define Jacques Lacan (1945/1998) possa ser tomado como importante recurso analítico de abordagem desse momento de ruptura simbólica, pois, em face da iminência de estar confundido na condição de objeto, o manejo lógico do tempo pode convocar o paciente a dar alguma resposta a partir de sua condição de sujeito, mesmo que tal resposta demande um tempo – a abertura de um tempo para compreender –, que o analista poderá escutar. Nesse sentido, buscamos problematizar a função do analista diante de algo que urge.
Embora nosso trabalho se dê em vários âmbitos do hospital, nossa experiência parte do trabalho no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O CTI é o local em que o psicólogo¹ se integra à equipe multidisciplinar. Partimos da perspectiva teórica clínica da psicanálise aplicada, apontando nossa prática nesse espaço do hospital, onde atendemos os pacientes e seus familiares. Sempre que haja demanda de atendimento, o psicanalista de plantão é solicitado. Nesse espaço deparamo-nos com várias apresentações do sujeito diante desses momentos de rupturas como: atos, silêncios e embaraços. No entanto, o sujeito mergulhado na inércia da angústia precisa de um tempo que foge aos protocolos de atendimento médico.
A angústia traz uma temporalidade específica que demanda uma abordagem num tempo em que há urgência. Para Freud a angústia é um afeto. Lacan irá acrescentar: um afeto que não engana (1962–1963/2005). Ela está do lado daquilo que escapa a uma representação ejetada do sentido e se apresenta nos pontos de descontinuidade da rede simbólica do sujeito a partir de um acontecimento que desestabiliza e lhe coloca num impasse.
Partindo da perspectiva psicanalítica, entendemos as apresentações dos sujeitos, que se encontram no hospital, como características da angústia, vivência de rupturas e mal-estar, que podem ser percebidos por agitações, delírios, alucinações e, até mesmo, passagens ao ato e acting-outs. A angústia nesses momentos invade o sujeito sem direção, deflagrando algo para o sujeito que embarga o uso da palavra. Freud, em seu texto Inibição, sintoma e angústia (1926[1925]/1996), após longo percurso em sua obra, não se deixando levar por soluções simples, busca uma explicação mais consistente para esse afeto, uma vez que já havia verificado precocemente que a angústia estava ligada ao padecimento psíquico de seus pacientes. Após formular sua teoria da angústia como amparada na libido, passa a pensá-la como reação a uma situação traumática ou de perigo, na qual tem em comum, apesar de serem diversas modalidades de situação de perigo, o medo da perda do objeto amado:
Assim o perigo de desamparo psíquico é apropriado ao perigo de vida quando o ego do indivíduo é imaturo; o perigo da perda de objeto, até a primeira infância, quando ele ainda se acha em dependência de outros; o perigo de castração, até a fase fálica; e o medo do seu superego, até o período de latência. Não obstante, todas essas situações de perigo e determinantes de angústia podem resistir lado a lado e fazer com que o ego a elas reaja com angústia num período ulterior ao apropriado; ou, além disso, várias delas podem entrar em ação ao mesmo tempo. (FREUD, 1926[1925]/1996, p. 140.)
Freud, durante toda sua obra, mostra gradativamente como o conceito de angústia vai ocupando um lugar de destaque no campo dos afetos, tornando-se este o afeto mais importante. À medida que esse afeto se apresentava na clínica a Freud, nas várias formas de neuroses, este concedeu à angústia um lugar cada vez mais privilegiado em sua investigação, tornando-se este o afeto mais radical e singular do sujeito. Lacan, em seu esforço de retorno ao pensamento freudiano, serve-se das lacunas encontradas na trajetória freudiana acerca do tema da angústia para trazer avanços à teoria da angústia a partir da essência dos ensinos de Freud, de forma, porém, a subverter as leituras pós-freudianas da época acerca da angústia. E é em seu Seminário X, intitulado A angústia (1962–1963/2005), que Lacan se debruça sobre esse tema na obra freudiana. Para Lacan (1969–1970/1992, p. 136) esse afeto também ocupa o lugar de um afeto por excelência, sendo esse o […] afeto central, aquele em torno do qual tudo se ordena
. A questão de Lacan também se desdobra a partir do grande problema que se apresenta à pesquisa de Freud sobre a angústia, a saber: qual o objeto da angústia? Para Freud, esse objeto não aparece de forma clara em sua obra. Se Freud não chega a uma resposta final sobre o estatuto do objeto da angústia, Lacan (1962–1963/2005, p. 101), porém, vai às últimas consequências e aponta que "[…] a angústia não é sem objeto". E esse lugar do objeto e sua relação com a angústia são importantes para a direção do tratamento – principalmente em casos de urgência.
Lacan serve-se do afeto da angústia para elaborar sua concepção de objeto a. Esse afeto aparece no momento do encontro com o objeto, pois para Lacan a angústia não é sem objeto, há algo embora não se saiba o quê. "Já podemos dizer que esse etwas (algo) diante do qual a angústia funciona como sinal é da ordem da irredutibilidade do real. Foi neste sentido que ousei formular diante de vocês que a angústia, dentre todos os sinais, é aquele não engana" (LACAN, 1962–1963/2005, p. 178).
Percebemos na prática clínica no hospital que, diante de aspectos como medo, dor e morte, o sujeito atropelado pelo inesperado tem dificuldades de suportar, com tal urgência, e não apresenta recursos simbólicos ou imaginários para lidar com esse momento de manutenção da vida ou de constatação da morte. Desde os primeiros movimentos de enfrentamento dos sujeitos com a urgência, é possível percebermos como tal vivência de angústia abre uma temporalidade que desestabiliza aquele que chega desprovido de informações e notícias. Um tempo atordoante aparece aí, já que, nessa aparição do real, o presente e o futuro se veem embaraçados num passado de histórias. A escuta psicanalítica nesse espaço permite atentar-se para esse paradigma simbólico, além da materialidade orgânica dita pelos médicos nos boletins. É imprescindível que o psicanalista aposte na palavra nesse momento, a palavra como sutura da cadeia significante.
O trabalho do psicanalista nesse espaço é possibilitar que uma nova rede de significantes possa ser construída a partir da palavra, dando contorno possível a uma desordem que aponta para uma irrupção de um real que desarticula a cadeia significante. Numa vivência de angústia, o sujeito perde sua posição diante do outro; algo cai, deflagrando um real impossível de ser simbolizado. Esse momento, que localizamos no campo da urgência, consiste num avanço do Real sobre o imaginário, produzindo angústia. A angústia, como já dissemos, é um afeto que não engana, que toca o corpo; é o encontro do sujeito com um gozo impossível fora da cadeia significante. Se o sujeito se constitui por meio de sua relação com o Outro, na crise ele não encontra lugar para sua palavra e perde o recurso simbólico para lidar com esse Real. Sem esse recurso, o que se mostra é o ponto radical da angústia. Diante da angústia, o sujeito experimenta a pressa diante de uma saída conclusiva, uma certeza precipitada sem o tempo de compreender, impedindo a possibilidade de um contorno significante que no tempo lógico se apresenta como afirmação, que o leva à certeza e a uma decisão.
A certeza que se apresenta nesses momentos difere da certeza que surge ao final do tempo lógico proposto por Lacan em seu texto O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada (1945/1998), pois não permite a emergência de um sujeito, mas, sim, o que se mostra é um curto-circuito, sujeito-objeto.
Segundo Vera Lúcia Santana (2004), considerando a hipótese de que, numa situação desconhecida – que localizamos no campo da angústia vivenciada pelos sujeitos² nas salas de espera de urgência no hospital –, o olhar é que governa no instante de ver, o fato de que isso não esgota a questão, indica a necessidade de um tempo para compreender. Nesse tempo para compreender, ou seja, no segundo tempo, o sujeito cede-a ao movimento dos outros, que traduz o reconhecimento do um e do outro como homogêneo. Mas é no terceiro tempo, no momento de concluir, que a necessidade lógica de solucionar o problema produz uma intensidade temporal que culmina numa enunciação subjetiva. Essa enunciação ocorre quando uma certeza conclusiva, mas suspensa ao outro, antecipa a sua realização. Se a pressão do tempo for muito incisiva, os três momentos podem reduzir-se apenas ao instante de ver, como uma tradução da percepção primeira, ou seja, desse olhar que em seu instante pode engolir todo o tempo para compreender.
Nesse artigo, Lacan introduz a temporalidade na direção do tratamento, elaborando para isso a noção de tempo lógico. A partir da ideia da temporalidade específica do sujeito do inconsciente, Lacan indicará que do manejo e da eficácia desse tempo depende a psicanálise, mostrando, assim, a relevância da questão do tempo para a clínica psicanalítica. Dá-se importância a tal questão, uma vez que o efeito de uma intervenção no tempo e sobre o tempo incide sobre o sujeito. Lacan inclui no tratamento a tríade temporal, do instante de ver, do tempo de compreender e do momento de concluir, possibilitando, assim, diferenciar a lógica na experiência subjetiva do tempo. Podemos perceber que, no sofisma dos prisioneiros apresentado neste texto, a dimensão do sujeito ainda não está posta. O tempo lógico determina para o sujeito um começo, pois ganha o valor de ato, em que o movimento e o tempo se articulam de forma a possibilitar ao sujeito criar sobre si uma hipótese. É a partir da função do tempo que podemos pensar na dimensão do eu (je), que Lacan (1945/1998, p. 208) chamou de "sujeito da asserção
