Aldemir Martins
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Pré-visualização do livro
Aldemir Martins - Marcos Tardin
Copyright© 2017 by Marcos Tardin
FUNDAÇÃO DEMÒCRITO ROCHA
Presidente | João Dummar Neto
Diretor Geral | Marcos Tardin
EDIÇÕES DEMÓCRITO ROCHA (EDR)
(Marca registrada da Fundação Demócrito Rocha)
Editora Executiva | Regina Ribeiro
Editor Adjunto | Humberto Pinheiro
Editor Assistente | Jáder Santana
Editor de Design | Amaurício Cortez
Projeto Gráfico e Ilustração | Amaurício Cortez, Dhara Sena, Karlson Gracie e Welton Travassos
Ilustração | Karlson Gracie
Revisão | Joice Nunes
Fotos | Acervo da família
Catalogação na Fonte | Kelly Pereira
Produção de eBook | Amaurício Cortez
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
T173a Tardin, Marcos
Aldemir Martins / Marcos Tardin. – 1. ed. – Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2017.
104p. : il. P&B - (Coleção Terra Bárbara)
ISBN: 978-85-7529-806-0
1. Biografia. 2. Martins, Aldemir I. Título. II. Título CDU 929MARTINS
sumário
introdução
capítulo 1
O caramujo
capítulo 2
Entre a serra e a Caatinga
capítulo 3
O Rio de Janeiro de Amélia
capítulo 4
Um olhar sátiro
capítulo 5
A doença
capítulo 6
Caixeiro-viajante do desenho
capítulo 7
O cacique das artes plásticas
capítulo 8
Do samba-canção à bossa nova
capítulo 9
De novo, uma paixão
capítulo 10
Gozei gostoso: taí o quadro
capítulo 11
Arte e consumo
capítulo 12
Tempo da saudade
cronologia
referências bibliográficas
o autor
a coleção terra bárbara
Para Isadora e Daniel,
minhas obras-primas.
introdução
Eu sabia sobre Aldemir Martins provavelmente tanto quanto você sabe agora. E isso não é um elogio para nenhum de nós. É só a constatação de uma dessas injustiças inexplicáveis, ao menos parcialmente reparada a partir de agora.
Esta publicação que você tem em mãos é, com quase absoluta certeza, o mais próximo de uma biografia já impressa sobre um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. Se alguém já escreveu ou publicou algo semelhante antes, nem eu nem a família de Aldemir tivemos conhecimento até hoje. Repito: uma injustiça inexplicável. Com o artista, com a sua história e com as boas histórias.
Para além dos méritos e conquistas profissionais, essas sim já bastante propagadas, este cearense nascido em Ingazeiras, criado na Guaiuba, consagrado em São Paulo e símbolo do que o Brasil tem de mais brasileiro possui uma história de vida encantadora, repleta de desafios, superações, amores, decepções, risos, lágrimas, dramas, traições e consagrações. É a jornada de um herói cearense. Pouquíssimo conhecida ou absolutamente inédita para o grande público.
Agradeço imensamente à editora Regina Ribeiro pelo convite e pela oportunidade de realizar o trabalho de pesquisa e escrita deste livro, uma experiência inédita para mim. Agradeço muitíssimo também a Mariana Pabst Martins, pelas muitas conversas, pelas colaborações, correções e, acima de tudo, pela confiança em relatar momentos íntimos da família, alguns profundamente doloridos. Necessário registrar ainda os agradecimentos aos que se dispuseram a me ajudar de variadas maneiras, entre os quais Lúcio Brasileiro, Max Perlingeiro, Vicente Barroso, Pedro Martins, José Guedes, Roberto Galvão e o banco de dados do O POVO.
Para realizar este trabalho, também viajei a Ingazeiras, Guaiuba e São Paulo, assim como li uma dezena de livros e centenas de páginas de jornais. Aproveito a deixa para recomendar assistirem ao documentário Aldemir Martins, da série Os cearenses, uma realização da Fundação Demócrito Rocha.
Ainda assim, e apesar de todos os meus esforços, posso ter cometido injustiças e falhas. Se ocorreram, são de responsabilidade única e exclusivamente minha.
Finalmente, um alerta: qualquer que seja a sua impressão ao terminar este livro (e espero com todas as forças que o texto te prenda até o final!), Aldemir Martins merece mais, muito mais. Como eu disse há pouco, a injustiça está só parcialmente reparada a partir de agora. Obrigado.
capítulo|1
O caramujo
De um lado, a serra verde. Do outro, a mata branca.
Na depressão onde está, o rio intermitente proporciona uma frágil mistura dos dois cenários. O calor é amenizado pela sombra de aroeiras, umbuzeiros, juazeiros, angicos e baraúnas. Mandacarus e xique-xiques dispensam as sombras. Tudo imóvel. Até a brisa parou.
Suspiro de tristeza.
Silêncio também do carcará, dos periquitos, das preás, capivaras, dos gambás, sapos-cururu, veados-catingueiros, tatus-peba, das cutias, ararinhas-azuis, asa-brancas, dos saguis, pica-paus...
O menino mestiço registra aquele momento na memória, atento a cada cor, cada curva, cada reta. Os olhos escuros rasgados, herança indígena – ou de um gato, como a amiguinha costuma brincar – piscam. Por um instante, o mormaço, o suor e as lágrimas parecem deixar tudo fora de foco. Sentado à beira d’água, ele enxuga o rosto e apaga o desenho feito com a ponta do graveto na terra úmida.
Já ia se levantar quando vê, bem ao
