Ser-Gestor-Escolar:: Experiência, Escuta e Diálogo
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Sobre este e-book
O objetivo da obra é apresentar ao leitor as interpretações, as tensões, as preocupações, as dificuldades, os questionamentos, as reflexões, as angústias, o sistema educacional, a política educacional, os sentimentos, dentre outros, ao contemplar um fenômeno complexo e híbrido como possibilidade de compreender o ser em princípios existenciais, fenomenológicos e dialógicos em uma analítica de sentidos da experiência de duas gestoras escolares (uma diretora e uma vice-diretora) no cotidiano de uma escola pública.
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Ser-Gestor-Escolar: - Alexsandra dos Santos Oliveira
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE
UM PREFÁCIO DEDICADO
AOS MODOS-DE-SER-GESTORA
Alexsandra dos Santos Oliveira foi minha bolsista de iniciação científica na graduação em Pedagogia na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Centro de Educação, e desde essa profícua relação professor-aluna, ela (e eu) produziu aprendizagens de diversos sentidos
indissociadas ao desenvolvimento, ao seu crescimento inclusive como pessoa. Foi minha orientanda de mestrado e de doutorado em Educação por essa mesma instituição pública federal – sempre motivada e desejando com profundidade esse lugar, naquele tempo.
Hoje o leitor tem em suas mãos sua tese de doutorado, aqui-agora transformada em livro, uma travessia que exige arte, técnica, sensibilidade, conhecimento e ação.
No doutorado, mas muito antes desse evento fenomênico na sua vida, ela interessou-se pela gestão escolar. Recordo-me dela especialmente interessando-se pelo desenvolvimento do pessoal, as psicodinâmicas subjetivas (na objetividade do mundo) dos professores e das professoras, dos alunos e das alunas, dos seus pais e família, da comunidade etc. As relações interpessoais e sociais sempre a cativaram, ela ficava instigada com os conflitos, muito comuns, que ocorrem dentro de uma instituição, e especialmente na escola pública.
Desse seu interesse e vontade, no doutorado ela começou a preocupar-se com o processo de subjetividade de ser gestora escolar – como se dá a experiência dela, a escuta e o diálogo nesses meandros pautados por complexos conflitos. A escola, metaforicamente, como ser-no-mundo, ou seja, a subjetividade constituída/produzida dentro de um contexto global, que também a marca, bem como as práticas de resistência contra tudo que possa parecer um fascismo perturbador, que interfere inclusive no processo da aula, na didática e nos próprios conteúdos escolares estabelecidos oficialmente, assim como o currículo encarnado, que está evidenciado na pele/carne dos alunos e que precisa ser visto, sentido, agido.
Lendo seu texto, interrogo-me: o que é e como é ser essas duas gestoras escolares? Então é que Alê, como muitos a chamam carinhosamente, recorre ao método fenomenológico de pesquisa – método com o qual trabalho anos a fio, tendo sempre compreendido como um método que saiu da Filosofia e que, ao aportar na Pedagogia/Educação, recria-se, não sendo o mesmo na sua origem, mas mantendo pontos vitais com aquele – o envolvimento existencial e ao mesmo tempo o distanciamento reflexivo. Como marco teórico, ela traz um autor atualíssimo: Paulo Freire, resgatando desse autor suas marcas fenomenológico-existenciais, humanista-existenciais, com o fundo marxista. Um primor de riqueza de significado o seu estudo.
O que o leitor irá constatar no seu sentido vivido é que trata de um texto sensível, tocante e que nos faz penetrar no âmago de ser de suas gestoras escolares. Cada gestora escolar é descrita compreensivamente nos seus modos de ser, no que é e como é ser isso-daí-mesmo – um ser-no-mundo –,
um ser sendo.
Ela divide seu livro em uma apresentação, que destaca com os termos, palavras e palavração
, e seis capítulos. No primeiro capítulo a autora dialoga com a sua marca teórica, destacando Paulo Freire, mas não só. No segundo tece uma tessitura refinada do que foi, na sua carne, uma pesquisa fenomenológico-existencial. No terceiro, descreve a cotidianidade da gestão escolar e anuncia novos fundamentos para as reflexões da gestão escolar e anuncia os modos-de-ser-gestor-escolar. No quarto reinventa mais um diálogo, e talvez o começo de sua vitalidade e essência [existencializada] de sua proposta, pois ele começa a descrição compreensiva e hermenêutica do que ela escreve como "ser-gestor-escolar, sempre destacando algo que cuida, toca, experiência, escuta... No quinto capítulo ela propõe abordar os sentidos de
ser-gestor-escolar e desvela as possíveis configurações disso-daí-mesmo por um testemunho. Finalmente, no capítulo seis, ela não propõe concluir nada, diante da inconclusão mesma da vida e do viver, e discorre então de um
(in)conclusão do inédito viável", recorrendo sempre a Paulo Freire.
Recomendo vivamente a leitura deste texto provocador, construído pelo método fenomenológico vivido e sentido por Alê, cujo título, não em vão, é este: Ser-gestor-escolar: experiência, escuta e diálogo.
Boa leitura, bons estudos e boas aplicações do texto!
Prof. Dr. Hiran Pinel
Professor titular da Ufes/CE/PPGE;
membro da linha de pesquisa Educação Especial e Processos Inclusivos;
coordenador do Grupo de Fenomenologia, Educação (Especial) e Inclusão (Grufei).
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
¹
Sumário
PALAVRAS/PALAVRAÇÃO 13
1.
PRIMEIRO DIÁLOGO: A TRÍADE TEÓRICA 19
1.1. OS SENTIDOS DA EXPERIÊNCIA 20
1.2. OS PRINCÍPIOS DO SER 23
1.3. SENTIDOS DIALÓGICOS DA EXPERIÊNCIA E
VOCAÇÃO ONTOLÓGICA 28
2.
SEGUNDO DIÁLOGO: UMA PESQUISA EXISTENCIAL-FENOMENOLÓGICA-DIALÓGICA 35
2.1. PROCEDIMENTOS DE UMA INVESTIGAÇÃO EXISTENCIAL-FENOMENOLÓGICO-DIALÓGICA 39
2.1.1. Procedimentos de uma interpretação: o círculo hermenêutico 42
2.2. PRESSUPOSTOS E PROCEDIMENTOS DE CREDIBILIDADE E CONFIABILIDADE DE UMA PESQUISA EXISTENCIAL-FENOMENOLÓGICA-DIALÓGICA 45
3.
TERCEIRO DIÁLOGO: A COTIDIANIDADE QUE DESVELA OS FUNDAMENTOS DA GESTÃO ESCOLAR E OS MODOS DE
SER-GESTOR-ESCOLAR 51
3.1. FUNDAMENTOS DA GESTÃO ESCOLAR NA COTIDIANIDADE 52
3.2. MODOS DE SER-GESTOR-ESCOLAR 58
4.
QUARTO DIÁLOGO: DESCRIÇÃO-COMPREENSIVA E HERMENÊUTICA DOS MODOS-DE-SER-GESTOR-ESCOLAR 63
4.1. MODOS-DE-SER-NO-QUE-SE-PASSA 63
4.1.1. Os fundamentos da gestão escolar em cena: avaliação institucional 65
4.2. MODOS-DE-SER-NO-QUE-ACONTECE 81
4.2.1. Os acontecimentos em fundamentos do impessoal 84
4.2.2. A gestão da democracia em conflitos e ambiguidades 88
4.2.3. A gestão do pedagógico marcada por culpa e dor 93
4.2.4. A gestão da formação: inclusão e diversidade 100
4.3. OS MODOS-DE-SER-NO-QUE-TOCA 105
4.3.1. Uma história construída 108
4.3.2. A angústia 109
4.3.3. O desejo do registro e as reflexões 112
4.3.4. As linhas de fuga 114
5.
QUINTO DIÁLOGO: OS SENTIDOS DO SER-GESTOR-ESCOLAR E A CONFIGURAÇÃO DE UM TESTEMUNHO 123
5.1. OS SENTIDOS DO SER-GESTOR-ESCOLAR 124
5.2. SER-GESTOR-ESCOLAR EM COMPREENSÕES E SENTIDOS DE UM
VIR-A-SER 130
5.3. O QUE NÃO FOI DITO, PORÉM VISTO, DESVELADO, REVELADO E TESTEMUNHADO AO TIRAR O VÉU 138
6.
(IN)CONCLUSÕES DO INÉDITO VIÁVEL 153
REFERÊNCIAS 161
PALAVRAS/PALAVRAÇÃO
Dialogar sobre ser-gestor-escolar é dialogar de um lugar ambíguo que aparece, em alguns momentos, repleto de autonomia e poder, e, em outros, envolvido por um sentimento de impotência, angústia, impessoalidade e desesperança, às vezes, repleto de estereótipos. Esses foram alguns dos pensamentos que guiaram a construção desta obra.
Perguntas não faltam em meio à busca de compreensões e dimensões que envolvem a configuração da função do gestor escolar em nosso país: o contexto histórico, a organização dos diferentes sistemas educacionais, os diferentes modos de provimentos do cargo, a legislação educacional e o cotidiano da escola pública.
Descrever compreensivamente, em princípios hermenêuticos, a experiência de duas gestoras escolares (uma diretora/gestora e uma vice-diretora/gestora), no cotidiano da escola pública assume os objetivos da escrita deste livro, marcado por caminhos tensos e intensos na busca de aberturas para se fazer presente no mundo. Este livro apresenta a aproximação e os sentidos da vida pessoal, profissional e acadêmica como marcas da experiência de ex-gestora escolar na produção do conhecimento.
No meu percurso de gestora, tive a oportunidade de participar do Programa Nacional Escola de Gestores, especialização lato sensu, na modalidade a distância (2011 a 2012), oferecida pelo MEC em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo. Naquele momento, a participação foi possível tendo em vista políticas educacionais que atribuíam à formação do gestor escolar a melhoria da qualidade do ensino. Na época apresentei como tema de pesquisa algo que fazia parte do meu cotidiano: a relação com a política educacional inquietava-me. O trabalho de conclusão de curso intitulou-se: O PDE Interativo: pontos e contrapontos frente à gestão escolar². Esse foi o momento que me fez refletir sobre o gestor/pesquisador.
As buscas por compreender a relação entre experiência e gestão escolar continuaram em outra formação. O tema gestão e gestor
também se convergiu na Educação a Distância na oportunidade de participar da especialização Gestão e Docência na EaD, oferecida na modalidade a distância. A especialização foi promovida em parceria com Setec/MEC e realizada pela Universidade Federal de Santa Catariana (Ufsc), contando também com parcerias com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet/MG) e com Instituições Federais que atuavam com a Rede e-Tec Brasil. Na oportunidade alguns trabalhos foram apresentados em eventos acadêmicos e em outros meios de divulgação.
A experiência de administrar e gerir uma escola pública com aproximadamente 420 alunos, que cursavam as séries iniciais do ensino fundamental, no município de Cariacica/ES, foi um tempo vivido e que emergiu de questionamentos que configuram uma trajetória investigativa. Esses momentos levaram-me a refletir sobre a relação do público e o privado, sobre a configuração de Estado, meritocracia, desigualdades sociais, igualdade e diferenças, justiça social e o verdadeiro papel social da educação, como essas questões se estreitam na gestão da escola pública, tornando-se visível ao olhar de poucos gestores.
Ao buscar essa compreensão, escuta e diálogo assumiram os fios condutores de um investimento existencial-fenomenológico-dialógico como pressupostos de abertura ao ontológico, ao político e ao acadêmico. Essa ação foi marcada por contrapontos da experiência de ex-gestora escolar, ponto de partida para legitimar a experiência do saber acadêmico. Nesse preâmbulo torna-se relevante destacar a ausência de um campo teórico/epistemológico para os estudos da administração e gestão da escola pública, estando eles atualmente envolvidos, discutidos, analisados, interpretados e gestados em pressupostos e disciplinas de política educacional. Algo que, do ponto de vista desta obra, enfatiza a necessidade de dialogar sobre a administração e gestão da escola pública, do diretor e do gestor escolar em perspectivas existenciais, fenomenológicas e dialógicas.
Os apontamentos dão-se nos movimentos de uma travessia, ao olhar a pesquisa sempre em um horizonte de construção do conhecimento, possibilidade e palco de compreensões, interpretações e traduções, que se dão em diferentes espaços-tempos, não deixando de privilegiar os processos intersubjetivos: com a escola, com as gestoras escolares, com os outros pesquisadores, com os pensadores clássicos
