Sobre este e-book
Relacionado a Luiz Gama
Ebooks relacionados
A consciência do impacto nas obras de Cruz e Sousa e de Lima Barreto Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRio Negro, 50 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEncruzilhadas da liberdade: Histórias de escravos e libertos na Bahia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMovimentos Modernistas no Brasil: 1922 - 1928 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCrônicas da Bruzundanga: A literatura militante de Lima Barreto Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSem passar pela vida em branco: Memórias de uma guerreira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTapacurá: Viagem ao planeta dos boatos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJosé do Patrocínio: a pena da Abolição Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilhos De Cã, Filhos Do Cão Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBrasil, 5 séculos de apagamento do povo Bantu: igualdade racial? Como? Quando??? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNa Contramão do Afeto: Histórias e Trajetórias Afetivas de Mulheres Negras Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSuplemento Pernambuco #195: De onde venho Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRacismo Acadêmico No Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLima Barreto Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPelos caminhos da história Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJoão Cândido Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO cobrador Nota: 0 de 5 estrelas0 notasErico Verissimo e o Jornalismo: Fontes para a Criação Literária Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO ano da cólera: Protestos, tensão e pandemia em 5 países da América Latina Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAluísio Azevedo: obra completa Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMeu presidente psicopata Nota: 5 de 5 estrelas5/5Racismo: uma aproximação às bases materiais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA história de Sojourner Truth, a escrava do Norte Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDo Black Power ao Hip-Hop: racismo, nacionalismo e feminismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJustiça em tempos sombrios: a justiça no pensamento de Hannah Arendt Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTorre das guerreiras e outras memórias Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDiálogos Makii de Francisco Alves de Souza: Manuscrito de uma congregação católica de africanos Mina, 1786 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPara meu amigo branco Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Biografias culturais, étnicas e regionais para você
Eu sei por que o pássaro canta na gaiola: Autobiografia de Maya Angelou Nota: 5 de 5 estrelas5/5O segredo da prosperidade judaica Nota: 5 de 5 estrelas5/5Pertencimento: uma cultura do lugar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMartin Luther King: A Biografia Nota: 5 de 5 estrelas5/5Vozes afro-atlânticas: autobiografias e memórias da escravidão e da liberdade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMEMÓRIAS DE UM COLONO NO BRASIL - Thomas Davatz Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO impossível não existe: é apenas a opinião de alguém que tentou e não conseguiu Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO perfume das flores à noite Nota: 5 de 5 estrelas5/5Mulheres quilombolas: Territórios de existências negras femininas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Teologia, Piedade e Missão: A influência de Gisbertus Voetius na missiologia e no plantio de igrejas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasGetúlio Vargas: A Biografia Nota: 4 de 5 estrelas4/5Vencendo a mente: Como uma executiva de sucesso superou o transtorno bipolar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNELSON MANDELA: A Biografia Nota: 5 de 5 estrelas5/5As Guerreiras na História Pataxó Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFrantz Fanon: Um Retrato Nota: 5 de 5 estrelas5/5De que lado você samba?: Raça, política e ciência na Bahia do pós-abolição Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLélia Gonzalez Nota: 4 de 5 estrelas4/5O DIÁRIO DE ANNE FRANK: VERSÃO ORIGINAL Nota: 0 de 5 estrelas0 notasGANDHI: Minhas experiências com a verdade - Autobiografia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMulheres indígenas do Rio Negro: uma viagem-escuta Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCartas da África: Registro de correspondência, 1891-1893 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO coração que chora e que ri: Contos verdadeiros da minha infância Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCruz e Sousa: Retratos do Brasil Negro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPequenas Grandes Líderes: Mulheres importantes da história negra Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEntendendo os indígenas no Império do Brasil Nota: 4 de 5 estrelas4/5Batuque de Mulheres: aprontando tamboreiras de nação nas terreiras de Pelotas e Rio Grande, RS Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma nova História, feita de histórias: Personalidades negras invisibilizadas da História do Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOsman Lins & Hermilo Borba Filho: correspondência : (1965 a 1976) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMussum Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Categorias relacionadas
Avaliações de Luiz Gama
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Luiz Gama - Luiz Carlos Santos
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Santos, Luiz Carlos
Luiz Gama / Luiz Carlos Santos. — São Paulo : Selo Negro, 2010. — (Retratos do Brasil Negro / coordenada por Vera Lúcia Benedito)
Bibliografia
ISBN 978-85-87478-80-1
1. Gama, Luiz, 1830-1882 2. Escritores brasileiros — Biografia I. Benedito, Vera Lúcia. II. Título. III. Série.
Índice para catálogo sistemático:
1. Brasil : Escritores : Biografia e obra 928.699
2. Escritores brasileiros : Biografia e obra 928.699
Compre em lugar de fotocopiar.
Cada real que você dá por um livro recompensa seus autores
e os convida a produzir mais sobre o tema;
incentiva seus editores a encomendar, traduzir e publicar
outras obras sobre o assunto;
e paga aos livreiros por estocar e levar até você livros
para a sua informação e o seu entretenimento.
Cada real que você dá pela fotocópia não autorizada de um livro
financia um crime
e ajuda a matar a produção intelectual de seu país.
CapaLUIZ GAMA
Copyright © 2010 by Luiz Carlos Santos
Direitos desta edição reservados por Summus Editorial
Editora executiva: Soraia Bini Cury
Editora assistente: Salete Del Guerra
Assistente Editorial: Carla Lento Faria
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Projeto gráfico de capa e miolo: Gabrielly Silva/Origem Design
Diagramação: Acqua Estúdio Gráfico
Foto da capa: Acervo pessoal de Emanuel Araujo
Selo Negro Edições
Departamento editorial
Rua Itapicuru, 613 – 7o andar
05006-000 – São Paulo – SP
Fone: (11) 3872-3322
Fax: (11) 3872-7476
http://www.selonegro.com.br
e-mail: selonegro@selonegro.com.br
Atendimento ao consumidor
Summus Editorial
Fone: (11) 3865-9890
Vendas por atacado
Fone: (11) 3873-8638
Fax: (11) 3873-7085
e-mail: vendas@summus.com.br
Versão digital criada pela Schäffer: www.studioschaffer.com
Dedico este livro aos Maritacas
, ruidosos familiares que, do seu jeito, souberam provocar nos filhos, netos e sobrinhos a certeza de que ser negro no Brasil é uma posição política e de que, por isso, classe social e raça formam o binômio inseparável na luta contra a iniquidade e contra o racismo.
Aos meus filhos, Pablo, Ynaê, Uyrá e Kauê: a convicção de que a luta continua.
À companheira de vida e sonhos, Ana Lúcia, que sabe a força necessária e o comprometimento que lutar pela liberdade exigem.
À dona Helena e a seu Heitor (in memoriam), responsáveis pela minha existência, do jeito que sou.
E, por último, a todos os integrantes do Movimento Negro Avulso (MNA), que ao longo dos últimos quatro séculos e meio têm contribuído anônima e secretamente para fortalecer, manter e fazer avançar a presença e a participação negra em todos os espaços sociais.
A editora agradece a Emanuel Araujo e ao Museu Afro Brasil – especialmente a Cláudio Nakai – pela fotografia utilizada na capa.
Introdução –
Além de bode
, subversivo
Insubmisso
, bode
e agente da Internacional Socialista
¹ foram alguns dos adjetivos que Luiz Gonzaga Pinto da Gama recebeu de seus adversários, ao longo de sua vida marcada pela luta contra a escravidão negra, em São Paulo, na segunda metade do século XIX. Entretanto, foi como Orfeu de carapinha
, precursor do abolicionismo no Brasil
e poeta da negritude
que Luiz Gama tornou-se uma das mais importantes personalidades da nossa história na defesa da liberdade.
A insubmissão acompanhou-o desde sempre – herança do comportamento rebelde atribuído aos negros baianos, que não aceitavam a escravidão e resistiam com as armas que tinham, como aconteceu em 1835, na Revolta dos Malês². Cabra
, bode
e mulato
eram as denominações pejorativas dadas aos mestiços no Brasil imperial e escravista e, com alguma frequência, no início da República. Os mesmos insultos se transformaram em uma das mais conhecidas poesias satíricas escritas por Gama para ironizar aqueles que só viam na Europa as origens brasileiras.
E, na defesa dos negros africanos criminosamente reduzidos à escravidão
, Luiz Gama foi acusado de ser agente da Internacional e organizador de uma insurreição de escravos em um momento histórico em que a Europa se transformava. As utopias socialistas ganhavam adeptos em todo o mundo ocidental e, na mentalidade da conservadora e escravocrata elite paulista, o advogado que já fora escravo se tornava um subversivo.
Hoje, na maior cidade do país, quem caminha pela rua Luís Gama, próximo ao Largo do Cambuci, provavelmente não imagina quem foi o homem cujo nome aparece nas placas. Pois é assim que a memória urbana preserva, no silêncio anônimo dos trajetos, a história.
Passamos todos os dias diante de grandes e pequenos acontecimentos históricos sem saber. A toponímia guarda na simplicidade das placas de ruas e avenidas histórias que o tempo transforma em referências geográficas urbanas. São substantivos próprios que o dia a dia se encarrega de tornar nomes comuns, desconhecidos. A memória nacional jaz silenciosa por esquinas, avenidas, ruas, praças e largos de nossas cidades.
Mas a toponímia ajuda a memória imediata e preserva, no tempo, a histórica. E pode levar, quem sabe, um transeunte caminhando desatento pelo Largo do Cambuci a fazer uma pergunta, em meio à solidão ociosa da viagem: quem foi Luiz Gama?
Uma primeira resposta poderia ser encontrada no semanário Vida Paulista, publicado nos dias 14 e 15 de maio de 1904³:
Não pode haver commemoração de 13 de maio sem o glorioso nome dos precursores, e desses os que mais fizeram não foram por certo os que receberam os últimos aplausos, mas os que prepararam, por uma propaganda honesta, contínua, severa, animo popular para comprehender que a escravidão era a ignomínia social, o senhor de escravos um iníquo e paiz que addmitia uma instituição assim aviltante uma nesga de território que a civilização conspurcava, baixando-a ao nível em que domina o réprobo. [...] E o 13 de maio é obra de Luiz Gama porque o plano de combate que a Victoria, foi elle quem o traçou, deixando a nós outros depois da liberdade do preto em missão, ainda mais difficil, ainda mais penosa, mas tão necessária quanto aquella – a educação cívica do branco.
O mais importante biógrafo de Luiz Gama, o acadêmico Sud Mennucci, acrescenta outra definição sobre nosso personagem:
De miserável moleque, enjeitado e escravizado pelo próprio pai, ascendera, num esforço sobre-humano, de que há alguns outros exemplos no Brasil, embora nenhum com o mesmo relevo nem com a mesma intensidade, e subira até essa completa consagração pública. Quarenta e dois anos de vida laboriosa, obstinada, tenaz, e da qual os primeiros tempos foram, sem a mínima hipérbole, infernais, tinham feito do humilde negrinho que galgara a pé a Serra do Cubatão, na escalada de Santos para São Paulo, a hercúlea envergadura do homem, ao mesmo tempo, mais amado e mais temido da capital da Província bandeirante.
Tinha-o elevado a essas alturas a sua insaciável, a sua inextinguível, a sua indesalterável sede de justiça. Pode-se representar a vida inteira de Luiz Gama como duas mãos tendidas para o alto, no clamor incessante do respeito aos diretos humanos.
Tanto o semanário Vida Paulista como Sud Mennucci eram algumas das vozes que no século XX
