Impacto dos Desastres no Subdesenvolvimento das Comunidades: Caso de Lobito
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Impacto dos Desastres no Subdesenvolvimento das Comunidades - Bensau Mateus
PREFÁCIO
Este livro é fruto da dissertação de mestrado do estudante Universitário Bensau Mateus, subordinada ao tema Impacto dos desastres no subdesenvolvimento das comunidades, Caso de Lobito (Caso dos Sinistrados na Cidade de Lobito, Província de Benguela em 11 de Março de 2015).
Bensau Mateus é também autor do livro, Um olhar sociológico Sobre a Função Social dos Bombeiros em Luanda, publicado no ano de 2014. A visão do autor, continua na senda da análise dos fenômenos apresentados, sempre na perspectiva sociológica, procurando entender a posição do homem no fenômeno, implicâncias, relevâncias, resiliência e continuidade. O grande desejo do autor é que a sociologia preste-se ao seu devido papel, na compreensão e na administração dos fenômenos na área em que atua, ou seja, na alerta e prevenção das mais variadas calamidades naturais.
Esta obra surgiu por várias necessidades, de informação, de ensinamento, de ilustração, mas acima de tudo como uma possível medida de reflexão para a prevenção de sinistralidade, de catástrofes, de desastres e principalmente da vida.
O nosso país é um mar de problemas urbanos, podemos até dizer um mar bem desordenado, com calemas de casas, maré altas de proliferação urbana, e um tsunami de becos, que com eles carregam os mais altos níveis de vandalismos.
A Sociologia procura apontar possiveis saidas com outros campos do saber para encontrar soluções definitivas para a construções precarias em termo de classificação urbana.
Certamente, Benguela nunca mais será a mesma. Nossa pretensão é que essa cidade se desenvolva da melhor forma, pois hoje os bairros da Canata, São João e Baixo Akongo no Lobito, ficam assustados com o menor chuvisco que se aproxima.
Foram aproximadamente 105 mortos na sinistralidade em causa, e sobre circunstâncias que o livro irá relatar no seu entorno.
Esperamos que a obra possa servir como instrumento de consulta para prevenção, alerta, e minimização dos impactos catastróficos que as grandes calamidades naturais tendem a criar nas zonas a que chamamos zonas urbanas, que por intermédio destas casas populares que são construídas em zonas inapropriadas, saibam de antemão o que é uma zona de risco, uma zona de água, e finalmente uma zona que periga a vida a todos os níveis, socialmente aceites.
Mais a fundo, acreditamos que as atuais mudanças no cenário político, se façam transportar de uma carga inversiva, relativamente aos paradigmas de organização social com os quais o tempo nos obrigou a acostumar-se.
Que os projetos habitacionais por iniciativas do executivo, como aqueles desenvolvidos pela população, possam ser ávidos de um plano diretor, que preveja as mais variadas nuances que o tempo irá impor às obras, e que, no entanto, se possa, ao invés de demolir casas a toda hora, que sejam demolidas as ideias que fujam do padrão de desenvolvimento urbano que se espera. E assim pensamos nós, que teremos estradas grandes e de verdade, casas de todos os níveis, mas, porém com segurança, ruas transitáveis, zonas de passagem de água, zonas de risco zero, e vidas humanas salvaguardadas relativamente às grandes enxurradas.
Se tal desiderato se confirmar, ficará patente ao menos que a presente jornada não foi vã, e de certo modo a obra em causa ficará nas crônicas da história como sendo um marco.
Luanda, aos 26 de Março de 2018.
José Leonídio Lopes Teixeira
CAPÍTULO I
Fundamentação teórica e conceptual
Ao longo do primeiro capítulo da presente obra, a abordagem prende-se com aspectos ligados à comunidade urbana e seus entornos, mudanças climáticas desastres e tragédias, pobreza e exclusão social em Angola, dentre outros aspectos importantes que poderão advir, desembocando na abordagem prática numa abordagem sobre os sinistrados na comunidade urbana na cidade do Lobito.
1. A evolução urbana e a teoria do urbanismo moderno
No período de 1800 a 1914, a população europeia passa de 180 milhões para 460 milhões de pessoas, sem acrescentar aí um contingente de outros 100 milhões, que emigraram para as Américas. Com o volume populacional triplicado, ocorre a concentração da população em aglomerações a serviço das indústrias – é o fenômeno da urbanização criando novas cidades e transformando por completo as já existentes. Tal fenômeno traz em consequência, uma realidade que merece ser estudada. Afinal, os problemas urbanos são de tal monta que surgem propostas e justificativas para projetos e ações procurando resolvê-los.
O urbanismo é então a disciplina que procura entender e solucionar os problemas urbanos. O termo urbanismo é relativamente recente, e segundo G. Bardet este termo surgiu pela primeira vez em1910. No entanto, conforme Benevolo (1971, p. 56) pode-se dizer que o urbanismo moderno nasceu até mesmo antes de se utilizar este termo, isto é, entre 1830 e 1850.
A cidade industrial neste período é caracterizada pelo congestionamento e pela insalubridade; sem um sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário e sem coleta de lixo atendendo à população de operários, surgem epidemias difíceis de serem controladas, além de doenças que prejudicam a população como um todo.
Esta cidade é construída pela iniciativa privada, buscando o máximo lucro e aproveitamento, sem nenhum controle. Surge então a necessidade de uma ação pública, ordenando e propondo soluções que até o momento eram implementadas apenas pelo sector privado, com objectivos individuais, de curto prazo e em escala reduzida.
Nos Estados Unidos, observa-se no início do século XIX um grande crescimento industrial, que impulsiona o desenvolvimento urbano. Nesta época, Nova Iorque que conta com 100.000 habitantes, concentrados na ilha de Manhattan, cresce de forma desordenada. Para organizar este crescimento urbano, uma Comissão estuda por quatro anos um projeto de urbanização quem vem a ser proposto e implementado em 1811.
Na França as preocupações urbanas foram de outra natureza. Ali se implantou o que se pode conhecer como o urbanismo estético-viário. O grande mentor desta tendência é o barão Haussman que foi prefeito do Sena, em Paris, no período de 1853 a 1870. Neste período renovou o aspecto de Paris, com a abertura de grandes espaços urbanos e avenidas, modificando os velhos quarteirões ainda medievais. Na prática, sobrepõe à cidade existente, uma nova rede de avenidas, com edificações de caráter monumental, sede dos poderes governamentais e civis mais importantes.
Na então periferia implanta as avenidas de circunvalação e transforma os Bois de Bologne e de Vincennes em espaços públicos urbanos.
A ‘Étoile’ (estrela) de avenidas tendo ao centro o Arco do Triunfo, junto com a Avenida dos Champs-Elysées é a maior expressão de Haussman. Este urbanismo estético-viário,
nascido ao tempo das carruagens e dos bondes puxados a burro, no final do século XIX, será, na primeira metade do século XX, extremamente funcional para o surgimento e a implantação plena das cidades contemporâneas, dos veículos automotores: o bonde elétrico, os ônibus, os caminhões e os próprios automóveis. (Campos Filho, 1989, p. 45)
Ao nível das ideias, os primeiros intelectuais a estudarem e a proporem formas para corrigir os males da cidade industrial polarizaram-se em dois extremos: ou se defendia a necessidade de recomeçar do princípio, contrapondo à cidade existente, novas formas de convivência ditadas exclusivamente pela teoria, ou se procurava resolver os problemas singulares e remediar os inconvenientes isoladamente, sem ter em conta suas conexões e sem ter uma visão global do novo organismo citadino.
Ao primeiro caso pertencem os chamados utópicos – Owen, Saint-Simon, Fourier, Cabet, Godin – que não se limitam, contudo, a descrever a sua cidade ideal, mas se empenham em pô-la em prática; ao segundo caso pertencem os especialistas e funcionários que introduzem, na cidade, os novos regulamentos de higiene e as novas instalações e que, tendo de encontrar os meios técnicos e jurídicos para levar a cabo estas modificações, dão efetivamente início à moderna legislação urbanística.
Os urbanistas utópicos dão origem a uma posição antiurbana e que se opõe à industrialização, surgindo então as propostas de cidades-jardim. O industrial inglês Ebenezer Howard estabelece deforma definitiva a teoria da Garden-City, através de duas publicações: Tomorrow (1898) e Gardencitiesfor Tomorrow (1902).
Em seu trabalho, Howard estabelece os três princípios fundamentais de sua teoria: eliminação da especulação dos terrenos (deveriam pertencer à comunidade, que os alugaria); controle do crescimento e limitação da população (a cidade deveria estar cercada por um cinturão agrícola e a cifra ideal da população seria em torno de 30.000 habitantes) e deveria existir um equilíbrio funcional entre cidade e campo, residência, comércio e indústria etc. Uma adaptação deste modelo, no que diz respeito ao traçado viário, serviu de referência à urbanização do Pacaembu e dos Jardins Europa, América, Paulista, em São Paulo, desenvolvido nos anos 1920, tanto pela Companhia City como por outras loteadoras sob sua influência.
Durante o século XX, muitas teorias que surgem para explicar o fenômeno urbano influenciam as ações urbanas, os casos concretos de intervenção no espaço da cidade. Entre eles podemos citar: Perroux, com o conceito de polos de desenvolvimento, Christaller, com a teoria dos lugares centrais, Burguess, com a estrutura de círculos concêntricos de densidade decrescente, Von Thunen, com o papel da acessibilidade e do sistema de transportes.
1.1 Urbanismo na cidade do presente
Na opinião de Goitia (1992), o grande desenvolvimento das cidades e das formas de vida urbana é um dos fenômenos que melhor caracteriza nossa civilização contemporânea. A cidade não é um feito recente: é resultante de um processo histórico. Ao longo deste século e do passado observa-se um aumento vertiginoso da migração da população rural para as cidades. Tal facto tem modificado a distribuição da população mundial.
Ainda segundo o autor, uma das grandes marcas desse século tem sido o "formidável crescimento dos grandes centros urbanos, que não se verificava anteriormente porque o
