E se fosse você?: Histórias da vida vivida
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Sobre este e-book
Sempre gostei demais de escrever, principalmente contos e meus contos sempre foram inspirados nas coisas que vivi e senti.
Esse livro traz textos que fui escrevendo ao longo dos anos muitas vezes com o coração sangrando depois de ter chegado em casa, tirado a toga e me permitido chorar e elaborar coisas que vivenciei no julgamento de algum processo.
Tem muito de ficção nessas páginas, não são relatos fidedignos e nem poderiam ser. As histórias são minhas, mas a inspiração em parte veio daquela fresta que as pessoas abrem das suas vidas para o juiz do seu processo.
Convido você a ler, se deixar envolver, e depois me contar: e se fosse você?
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E se fosse você? - Carolina Nabarro
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD
R831e Rossi, Carolina Nabarro Munhoz
E se fosse você? [recurso eletrônico]: histórias da vida vivida / Carolina Nabarro Munhoz Rossi. - Indaiatuba, SP : Editora Foco, 2024.
168 p. ; ePUB.
Inclui bibliografia e índice.
ISBN: 978-65-6120-026-4 (Ebook)
1. Literatura brasileira. 2. Contos. I. Título.
2024-207
CDD 869.8992301
CDU 821.134.3(81)-34
Elaborado por Odilio Hilario Moreira Junior - CRB-8/9949
Índices para Catálogo Sistemático:
1. Literatura brasileira: Contos 869.8992301
2. Literatura brasileira: Contos 821.134.3(81)-34
E se fosse você? histórias da vida vivida. autor Carolina Nabarro Munhoz Rossi Editora Foco.2024 © Editora Foco
Autora: Carolina Nabarro
Diretor Acadêmico: Leonardo Pereira
Editor: Roberta Densa
Assistente Editorial: Paula Morishita
Revisora Sênior: Georgia Renata Dias
Capa Criação: Leonardo Hermano
Diagramação: Ladislau Lima e Aparecida Lima
Produção ePub: Booknando
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Data de Fechamento (2.2024)
2024
Todos os direitos reservados à
Editora Foco Jurídico Ltda.
Rua Antonio Brunetti, 593 – Jd. Morada do Sol
CEP 13348-533 – Indaiatuba – SP
E-mail: contato@editorafoco.com.br
www.editorafoco.com.br
Sumário
Capa
Ficha catalográfica
Folha de rosto
Créditos
Dedicatória
Sobre a autora
Prefácio
Amor de Mãe
Amor de Pai
Parasita
Siso
Branco
Corvos e Trigo
Cenoura
Cúmplices
Cadê minha mãe?
A Mulher que não fazia mais lasanha
Dia de visita
Simbiose
Bonecas
Útero seco
Sororidade
Lua Cheia
Orai por nós
Sonâmbulos
Máscara
Medo
Bela adormecida
Every Breath you take
Todos os homens são mortais
Da impossibilidade de me divorciar de você
Maria Luiza Pinto Ferraz
Nalva e Tonha
Ruído
Fissuras
Premiere
E se fosse você?
Cachorrada
Sobre tortas e rapaduras
Ela disse, Ele disse
Ponte
Pausa
Talvez, um bigode
O Padre
Curva de rio
Ângulos
Pedaço de mim
Pedaço de mim 2
Pontos de referência
Capa
Sumário
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Sergio e Tina, minha base, meus primeiros amores e professores, meus maiores incentivadores, que me ensinaram que a maior herança que eu podia ter e deixar para meus filhos seria o estudo. A eles dedico cada uma de minhas conquistas.
Ao Rogério, meu companheiro, melhor amigo e parceiro em todas as minhas batalhas; pela compreensão sempre. Por seu amor e admiração constantes e por tantas vezes me lembrar com seu olhar, não apenas a pessoa que sou, a pessoa que quero ser, mas por me mostrar o caminho de casa.
Aos meus filhos, Vitor, Lucas, Gabriel e João Pedro, por sempre me inspirarem a me tornar a melhor versão de mim.
Aos meus irmãos, Cláudia e Sergio. Aos meus tios, tias e amigos. Trabalhando como juíza pude aprender a cada vez mais dar valor à família amorosa e estruturada que eles representam na minha vida.
Sobre a autora
Carolina Nabarro sempre gostou de ler e escrever e quando aos 11 anos ganhou sua primeira menção honrosa num concurso de contos, pensou que talvez pudesse um dia vir a ser uma Clarice Lispector. O tempo passou na janela, Carolina até viu enquanto estudava para ser juíza e já não tinha tempo para escrever nada que não fossem sentenças depois de passar no concurso. Até que um concurso de contos da Associação Paulista de Magistrados teve como tema algum caso vivenciado pelos juízes. Surgiu o conto Simbiose, premiado, e com ele uma forma de elaborar as histórias que a juíza testemunhou além de julgar. Os contos foram tantos que logo ela percebeu que tinha textos suficientes para publicar seu próprio livro.
PREFÁCIO
A escrita de Carolina Nabarro desvela um cotidiano perturbador
Esta primeira obra de Carolina Nabarro traz uma deliciosa mostra da força e da intensidade de sua literatura. A cada conto o leitor, a leitora, se depara com um espelho partido colocado diante de si inesperadamente, para se reconhecer em pequenos fatos e gestos assombrosos do cotidiano. Um grito calado, uma porta fechada com força, um choro engolido, um olhar desviado, um trem que parte, um vaso colado, um segredo que atormenta. Tudo arquitetado para fazer o leitor, a leitora, se impactar com a revelação de quão brutal a vida comum pode ser.
A humanidade fotografada pelos contos de Carolina emociona e faz pensar em como estamos todos transeuntes de um limiar estreito, translúcido e inodoro entre a tragédia, a dor, o gozo, a solidão, a loucura, o abraço, a brisa, a cama arrumada, o amor incondicional e a felicidade de uma tarde de outono. Tudo aqui poderia ter sido com você e, talvez, muito deve ter acontecido contigo.
Com seu olhar atento às entranhas do que é (des)humano. Carolina Nabarro tem a habilidade de nos surpreender com o já sabido, revelar os segredos que estavam esquecidos, despertar memórias do não vivido. Esse é o efeito que a literatura de Carolina Nabarro gera: a surpresa espantosa do cotidiano. E para entregar esse turbilhão de cenas epifânicas ela domou, com firmeza e autenticidade, o gênero mais moderno da literatura: o conto.
A narrativa breve surge junto com a modernidade e a vida frenética do telégrafo, do jornal diário impresso, dos primeiros carros Ford e da luz elétrica. Todos esses itens foram inventados para atender uma necessidade premente das pessoas do final do século XVIII: a falta de tempo, a vontade de fazer mais em menos tempo, o desejo de ser rápido e aproveitar ao máximo as 24 horas do dia.
Esse vínculo com o tempo dá ao conto moderno sua estatura de universal, não importa muito onde a história acontece (big city, zona rural, um quarto minúsculo, Rio de Janeiro ou Nova York), o leitor se identifica e mergulha na leitura porque foi capturado por uma boa história, contada de forma breve e que o surpreende a cada frase, encadeando o enredo que só se resolve no último parágrafo e muitas vezes não se revolve nunca, abandonando o leitor com seus pensamentos e conclusões pessoais. O conto moderno faz o leitor refletir envolvido por afetos, que talvez estivessem adormecidos.
O conto de Alan Poe, Machado de Assis, Anton Tchecov, Katherine Mansfield, cada um com sua teoria, estilo e proposta para a narrativa breve, encantou e cativou o leitor moderno, sem tempo para romances de 600 páginas e sem aptidão para versos. A narrativa breve, ou o conto moderno, tem que ser lido de uma sentada só
, como diz Poe, e deve apresentar intensidade crescente, prendendo o leitor do começo ao fim, o qual será impactante, de modo que quando acabar sua visão de mundo estará alterada, não porque o conto revelou um mundo novo, mas sim porque o conto o remeteu à sua vida, ao seu cotidiano, às suas memórias pessoais. Daí para frente, o gênero foi sendo reinventado. Por exemplo, por Tchecov que inverteu a lógica de Poe e propôs que o conto começasse com impacto e terminasse pianíssimo
. Ou Mansfield, com suas epifanias e detalhamentos do improvável, do sem importância.
Carolina Nabarro está ciente desta escola e pratica cada lição com primor, entregando aqui exemplares belíssimos da técnica ensinada por Ricardo Piglia: um conto sempre conta duas histórias e uma delas está escondida. Qual?
É essa sensibilidade perturbadora de cortar a pele com delicadeza que vai acompanhar você durante a leitura deste livro de contos de Carolina Nabarro. Sugiro que não resista. Entregue-se a essas narrativas como quem espia por frestas e fendas a vida dos outros, que na verdade poderia ser a sua.
São Paulo 10 de fevereiro de 2024.
Elizabeth Cardoso
Escritora, crítica literária e professora PUC-SP
Amor de mãe
Amanda ajeita a pia, passando o rodinho e secando tudo, lembrando da mãe falando que louça lavada com pia suja não era louça limpa. Guarda o que sobrou da canja, a sopa preferida de Analu, em um potinho e já lava a panela, deixando tudo sequinho e arrumado.
Ninguém nunca vai poder reclamar de sua comida ou da sua arrumação. Mesmo trabalhando fora, é excelente dona de casa. Como a mãe ensinou e disse que era importante para arrumar um bom marido. Que homem ia querer ficar com mulher bagunceira, desordeira?
Vai até o quintal e olha para Analu com a cara suja da brincadeira da tarde.
- Limpa esse nariz, menina – fala, passando o papel higiênico para ela, que sai correndo.
Analu não é ruim, não. Longe disso. Não é arteira, nem nada. Só é um pouco agitada e nem sempre obedece. Detesta lavar o cabelo depois das brincadeiras. Não importa o cuidado que Amanda tenha ao lavar seus cabelos enrolados, enquanto vai passando o condicionador, penteando com muita delicadeza para não desmanchar os cachinhos, ela sempre chora. Prefere que o pai lhe dê banho. Apegada naquele pai!
Amanda suspeita que ele na verdade só molhe o cabelo da menina, sem lavar de verdade. Por isso ela prefere que ele lhe dê banho. Só pode ser.
A menina tem quase quatro anos já e Amanda não admite, mas ama aquela coisinha pequena de cabelo encaracolado como se fosse um pedaço dela mesma.
Vai atrás da menina e a encontra brincando, sentada no chão perto da cachorra, Meg, uma doberman preta, com os filhotes. Toda espalhada no canto da sala em um cobertor. Um cachorro em cada teta. Seis ao todo. Cinco dela e um que apareceu ali, perdido de outra cachorra qualquer. Chegou e foi mamando.
Rui sempre a prende no canil. Não quer que ela fique ali porque ela anda muito agressiva desde que teve a ninhada. Quase mordeu Analu, que é doida pela cachorra, quando ela foi mexer em um dos filhotes.
Mãe protegendo a cria.
Olhando a cachorra lembra da própria cria que não vingou. Ana Lia. Não quis ser sua filha. Culpa do Rui. Só pode, já que fez tudo tão certo. Espanta a dor e o pensamento enquanto acaricia a barriga ainda inchada da perda recente.
Quem dera fosse a Meg. Cinco filhotes de uma vez, assim. Fácil. Outro chegou e foi ficando. Ninguém questiona. Cadê a mãe? Que mãe? Mãe é quem está ali, alimentando. E não mexe com a minha cria!
Amanda quer ser cadela.
Hoje ela soltou Meg e deixou ela ali, com os filhotes, em cima do cobertor e esparramada. Meg sim a ama. A única que nunca lhe faria mal.
- Vem Analu, vamos brincar com a Meg.
- Meu pai falou que não, tia Amanda.
Tia. Analu não quer ser sua filha.
- Pode se deitar aqui do meu lado, que não tem perigo não.
Amanda se deita de um lado e acomoda Analu do outro, enquanto a cachorra está lá, amamentando, distraída. Faz carinho na cabeça da cachorra e coloca a mãozinha da menina ali. A cachorra rosna.
- Por que você falou para o seu pai que eu ia te levar para a praia?
- Ah, porque eu disse.
Amanda faz carinho no rosto da menina tentando não se incomodar com a lágrima que se forma no canto do seu olho.
- Eu não te disse que era segredo, Analu?
- Disse, mas minha mãe disse que eu não posso ter segredo nem com ela nem com meu pai.
- Você gosta de mim, Analu?
A menina faz que sim com a cabeça.
- Eu sou boazinha, te dou sorvete e tudo, não dou?
Ela faz que sim.
- Eu não faço tudo o que você me pede?
- Sim. Quero levantar.
Amanda a segura com o braço. A cachorra rosna, sentindo o clima estranho. Os cãezinhos começam a se soltar, já satisfeitos.
- A gente ia ser muito feliz, só eu e você. Ia mesmo – mas você estragou tudo, pensa.
Como seu pai. Com as malas prontas pra voltar pra Outra.
A cachorra agora rosna alto, já em pé, em posição de ataque e de defesa.
Amanda segura a menina e a abraça bem forte. Sente o peito explodir de tanto amor.
- Me solta, tia Amanda. Tá doendo! – a menina grita, chorando.
Meg rosna em posição de ataque. Ela solta a menina.
Vira de costas para não olhar. Tampa os ouvidos para não ouvir o grito assustado e o choro que parece a dilacerar por dentro.
Recolhe o cobertor, que coloca com os filhotes no canil, deixando tudo organizado para quando ele chegar.
Decide não secar as lágrimas.
