Estranho!: Coletânea de contos/horror/terror/suspense/mistério
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Sobre este e-book
Gláucio Imada Tamura
Gláucio Imada Tamura é um escritor nipo-brasileiro que se dedica a escrever contos de drama, horror, terror, suspense e mistério, às vezes somando-se com boas doses de humor. Quanto à narrativa, tem como principal inspiração as experiências que viveu na infância e adolescência, também confissões que ouviu de amigos, sem contar a influência dos milhares de livros que leu e as centenas de filmes que já assistiu com sua família. È autor dos seguintes contos: “Quem vai ficar com a p*rra do VHS?!”, “Pesadelo”, “Mistério na Chácara 21”, “Período Fértil”, entre outros.
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Estranho! - Gláucio Imada Tamura
Sumário
Gritos na noite (baseado no filme Uma Noite de Crime
).
Quem vai ficar com a p*rra do VHS?!;
Pesadelo;
Mistério na chácara nº23;
Período Fértil;
Buracos de bala;
Atenção!
Esta coletânea de contos pode
possuir em sua narrativa; cenas de sexo explícito, conflitos familiares, dependência química, palavras obscenas, violência exacerbada, histórias de assombração, sarcasmo, etc. Caso você sinta alguma aversão a estes temas, o recomendável é não continuar...
Gritos na noite
Dobrando a esquina, um carro percorria as ruas da cidade em altíssima velocidade: desprezando os semáforos, faiscando o metal da lataria rente aos outros carros estacionados, provocando exacerbado tumulto através dos gritos desaforados emergindo do interior do automóvel.
— Saiam da frente seus merdas! — Gritava o garoto ao volante.
Com o ziguezaguear do veículo, eles ridicularizavam os passantes a toque de risos e gestos estrebuchados, com as mãos para fora da janela, valseando garrafas de vodcas ao ar.
Vai atropelá-las!
— Premeditou um rapaz ao ver o carro descontrolado se aproximar de uma mãe com sua filha.
Daí, em um sobressalto, instigado por puro instinto inexplicável, nos milésimos dos segundos que se seguiram ele deu um pulo que o colocou bem ao lado das duas.
— RÁPIDO, — ele berrou — SAIAM DAQUI!
— O que?! — Disse a mãe assustada ao sentir o empurrão do rapaz.
Tão logo eles alcançaram a borda do meio fio, o rapaz se curvou sobre elas e as protegeu com o corpo. Rezou para que o estrondo da lataria do veículo não os alcançasse. Felizmente, não os alcançou.
— Não precisa chorar, — O rapaz disse em seguida pra menininha que já ensaiava um choro pra mãe — está tudo bem, o pior já passou…
Enquanto isso, o automóvel derrapou sobre uma camada de cascalho que havia sobre a pista. Só parou depois de ir emitido um barulho de borracha sendo fritada no asfalto, até estacionar de vez, rente a um poste de luz.
— Que estão olhando seus bostas?! — exclamou um garoto gordo, o que estava na direção. Tudo indicava que ele era o líder do bando.
— Você é doido cara?! — O rapaz esbravejou pra ele com o olhar cáustico. — Está cheio de pessoas aqui! — ele disse — O mínimo que deve fazer é nos pedir desculpas!
— Que desculpas que nada, palhaço! — retorquiu o garoto gordo.
Havia mais outros indivíduos dentro do veículo. Dois fortões. Mas o garoto gordo era o que aparentava estar mais alcoolizado. Ele abriu a porta do motorista e veio bufando na direção do rapaz.
— Vai a puta que te pariu! — ele vociferou ao chegar mais perto do rapaz — Se continuar enchendo o meu saco, juro que da próxima vez te atropelo.
Dá próxima vez?!
Pensou o rapaz. Então não demorou muito e: — "POW!" — um soco acertou o garoto gordo, acachapando seu nariz bem no meio de seus olhos avermelhados. E, segundos após, esparramado no chão, ele ficou a gesticular fúrias, convocando os outros dois para vir acudi-lo.
— Marquem a cara desse safado! — ele disse aos dois brutamontes — Assim que as sirenes soarem, vamos mostrar para esse filho da puta o que acontece com quem se mete a besta com a gente...
— Vamos dar uma lição nele agora, chefe. — interveio um deles — Vamos mostrar a ele com quantos paus se faz uma canoa...
Tão logo o garoto gordo assentiu com a cabeça, os brutamontes caminharam em direção do rapaz para fazer dele um gato escaldado. Mas de repente, eles foram surpreendidos ao ouvir um grito fininho, emanando de trás:
— Vocês tlês, palem já com isso! — bradou a menininha — Tlansgledi a lei da pulificação é clime fedelal!
Nota do autor: Segundo a Lei da Purificação, intitulada no filme de horror Uma Noite de Crime
, — enredo base deste conto — uma vez por ano, em solo americano, acontece a noite da purificação, ou seja, um período de 12 horas consecutivas em que todo tipo de crime é permitido por lei, sem consequência jurídica.
Todos ao redor se espantaram ao ouvir as palavras firmes ditos pela menininha com as mãos na cintura, expressando um semblante intrépido como se fosse gente grande e corajosa.
— Vão embora daqui! — foi à vez da mãe intervir — ainda podemos chamar a polícia. Vocês estão infringindo a lei da purificação, e sabem bem disso, né?
Ao ouvirem a mãe da menininha, a gangue temeu e foi se afastando, afinal ainda era 20h e a purificação só estaria liberada a partir das 21h. Ao recuar, o garoto gordo continuou estampando o mesmo olhar carregado de ódio para o rapaz.
— Fiquem espertos! — o garoto gordo sussurrou ao fechar a porta do veículo. Sua voz rangia — Daqui uma hora está tudo liberado... Daí vão ver o que é bom pra tosse...
Ao ouvir a ameaça, a mãe tremeu de medo, e a menininha assustou-se, a ponto de correr pra subir no colo do rapaz. Mas o rapaz permaneceu com o rosto firme, os encarando.
— Fui salvo pelo gongo! — O rapaz brincou com a menininha depois que o carro partiu — Eu não ia dar conta dos três mesmo.
— Obligado você! — A menininha se antecipou com os olhinhos cintilando de admiração para o rapaz — Você impediu de selmos atlopeladas.
Depois que tudo ficou mais calmo, a quase tragédia já reverberava nas pessoas aglomeradas ao redor; faces aliviadas, cochichos entre os transeuntes, e um e outro comentário acompanhado com gestos bruscos de dedos e mãos imitando a derrapagem do veículo ocorrido há pouco.
— Obrigada! — Foi a vez da mãe da menininha agradecer. Mas logo que se acercou da fisionomia do rapaz, ela coçou a cabeça e ficou um pouco confusa — Nos conhecemos de algum lugar?
— Creio que não. — respondeu o rapaz — Morei um tempão nesta cidade, mas hoje moro em outra. Vim pra ficar apenas um dia.
— Ah, desculpe. — A mãe da menininha respondeu sem graça. E apesar de jurar que já o tinha visto, ela deixou pra lá.
— Tudo bem — ele disse — eu tenho um rosto comum. Deve ser por isso. Não é a primeira vez que me confundem com outra pessoa.
E, como depois disto, estranhamente o rapaz ficou a olhar navios no horizonte, como se estivesse preso em memórias do próprio passado, a mãe da menininha, muito curiosa, se antecipou para tirá-lo daquele seu transe.
— Diga-me, — disse a mãe da menininha — por que se arrisca a ficar na rua, logo na noite da purificação?
— Aff, — o rapaz soltou um grunhido de frustração — É que meu carro resolveu pifar aqui no centro da cidade, acredita? E como hoje não tem ônibus, Uber, tampouco táxi pra nos socorrer, o jeito é ir caminhando até o hotel — Depois que respondeu tudo que a mãe da menininha queria saber, o rapaz voltou-se pra ela e retribuiu a pergunta — E vocês? Por que ainda estão na rua uma hora dessas? Não tem medo de serem purificadas?
Depois de um suspiro a mãe da menininha ajeitou os cabelos e ficou a pensar. A verdade era que a resposta era de foro íntimo. Muito íntimo. Mas do nada ela criou coragem e revelou algo que, se não estivesse tão chateada com a própria vida, teria evitado comentar com ele.
— Eu vim para o centro da cidade resolver umas pendências
com o advogado do meu ex-marido. Mas no fim acabou que não resolvemos nada. — ela disse — Tivemos que adiar a reunião. Meu ex-marido não apareceu no escritório.
— Ah, certo.
