A saúde mental dos portugueses
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Sobre este e-book
José Miguel Caldas de Almeida
É Professor Catedrático jubilado de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Dirige o Lisbon Institute of Global Mental Health. Conduziu múltiplos projetos científicos, sobretudo nas áreas da epidemiologia psiquiátrica e da investigação de serviços. Foi Coordenador Nacional para a Saúde Mental e responsável pela implementação do Plano Nacional de Saúde Mental, entre 2008 e 2011. Entre 2000 e 2006 trabalhou em Washington DC como Coordenador do Programa de Saúde Mental da OMS para as Américas e, entre 2013 e 2016, coordenou a EU Joint Action sobre “Mental Health and Wellbeing”.
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A saúde mental dos portugueses - José Miguel Caldas de Almeida
Introdução
Ao longo dos tempos, os problemas de saúde mental foram subvalorizados e negligenciados em todo o mundo. O estigma, os preconceitos e os medos associados às doenças mentais explicam, em grande parte, esta subalternização da área da saúde mental e ajudam a entender porque é que, com tanta frequência, as pessoas que sofrem de doenças mentais têm sido vítimas das mais variadas formas de discriminação e exclusão social.
Esta situação, porém, está a mudar: uma maior consciência de que a saúde mental é uma componente essencial da saúde tem vindo a registar-se nos últimos anos a nível global. O Relatório Mundial da Saúde de 2001 (WHO, 2001), dedicado à saúde mental, representou um marco fundamental neste processo. O seu título – Saúde Mental: Nova Compreensão, Nova Esperança
– anunciava de forma clara o que estava na base desta mudança e o que autorizava uma nova esperança: o progresso do conhecimento.
Na verdade, foi o progresso do conhecimento científico que, ao permitir uma melhor compreensão da natureza e das causas das doenças mentais, veio demonstrar que os preconceitos e os medos que alimentam o estigma associado às doenças mentais não passam de ideias erradas sem qualquer fundamento. Foi o progresso científico que abriu caminho ao desenvolvimento de novas terapêuticas que provaram que a ideia da incurabilidade das doenças mentais – a maior fonte do estigma – era afinal falsa. Foi ainda o novo conhecimento resultante dos avanços registados a nível da epidemiologia psiquiátrica que mostrou que as doenças mentais não só são muito frequentes em todas as partes do mundo, como constituem uma das principais causas de incapacidade, representando uma enorme carga para a sociedade.
O Relatório Mundial de 2001 foi apenas um primeiro passo. Muitos outros se sucederam desde então. A Organização Mundial da Saúde, em particular, promoveu um conjunto de iniciativas que aumentaram de forma progressiva a informação existente sobre aspetos essenciais da saúde mental, das doenças mentais e do bem-estar a nível dos diferentes países, e, em 2013, lançou o primeiro Plano de Ação Mundial para a Saúde Mental, através do qual todos os países se comprometeram a colaborar com o objetivo de se alcançarem várias metas específicas até 2020.
Juntando-se a este esforço, a União Europeia iniciou, também em 2013, uma Ação Conjunta (Joint Action), envolvendo os diversos Estados-Membros, que levou à aprovação em 2016 de uma Estratégia Europeia para a Saúde Mental e o Bem-Estar.
Mais recentemente, reconhecendo o papel essencial da saúde mental para a coesão social, o progresso económico e o desenvolvimento sustentável dos países, o Banco Mundial organizou, durante a sua reunião da primavera de 2016, uma conferência dedicada ao tema, o World Economic Forum promoveu, no mesmo ano, um estudo sobre os fatores estruturais que impedem o progresso da saúde mental a nível mundial, e revistas, como The Economist, produziram relatórios sobre a saúde mental.
Entretanto, no campo científico, grandes programas de financiamento de nova investigação em saúde mental global foram promovidos por diversas entidades internacionais, tais como o National Institute of Mental Health, nos Estados Unidos, e o Wellcome Trust, no Reino Unido, tendo-se ainda verificado o lançamento de várias iniciativas para promover a publicação de trabalhos de referência nesta área (e. g., The Lancet Series on Global Mental Health).
Todos estes desenvolvimentos não poderiam deixar de se refletir nas políticas adotadas pelos países. Na verdade, cada vez mais são os Estados que incluem a saúde mental entre as prioridades das suas políticas de saúde.
Em Portugal, alguns desenvolvimentos ocorridos nos últimos anos indicam que uma maior consciência da real importância da saúde mental começa também, pouco a pouco, a existir a nível dos decisores políticos. Alguns progressos importantes verificaram-se, ao mesmo tempo, na produção e disseminação de novo conhecimento sobre a situação da saúde mental em Portugal na última década. Além do Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental
, terminado em 2010, vários outros trabalhos recentemente publicados deram contribuições valiosas para o conhecimento da nossa realidade no que diz respeito à prevalência e ao impacto dos problemas de saúde mental e à forma como estes são tratados em Portugal.
As condições estão, portanto, criadas para que uma discussão mais alargada das grandes questões da saúde mental – por exemplo, a carga das doenças mentais, as dificuldades de acesso a cuidados de qualidade, as desigualdades e a saúde mental, a saúde mental e os direitos humanos, a saúde mental e a coesão social – possa efetivamente ter lugar em Portugal.
O principal objetivo deste ensaio é contribuir para esta discussão.
No primeiro capítulo, de carácter introdutório, discutimos o que se entende por saúde mental, doença mental e problemas de saúde mental, quais as suas causas, quais as associações entre perturbações mentais e doenças físicas, quais os impactos e as consequências das perturbações mentais e as relações entre saúde mental e direitos humanos.
O segundo capítulo é dedicado à análise dos dados existentes sobre as doenças mentais na população portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à prevalência, à gravidade, a determinantes, ao impacto em termos de incapacidade, à diminuição de produtividade e aos custos económicos, enquanto no terceiro capítulo fazemos um resumo dos dados relativos ao bem-estar dos portugueses.
O quarto capítulo é dedicado aos cuidados que as pessoas com problemas de saúde mental recebem em Portugal. Depois de descrever e analisar a forma como estão organizados os serviços de saúde mental, discutimos os dados disponíveis sobre as atividades desenvolvidas pelos serviços, a sua qualidade e a sua acessibilidade, terminando com uma análise de dados relacionados com o uso de
