Nhô Quim Drummond - In Memorian
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Sobre este e-book
Numa época em que as memórias se perdem com facilidade, esquecidas em depósitos empoeirados, transformadas em lixos ou materiais descartáveis, este livro serve de alerta, para que cuidemos melhor de nosso passado.
É nele que se encontram muitas das respostas sobre este futuro incerto e desconhecido, para onde inadvertidamente caminhamos, e que com certeza teremos de dar conta um dia às futuras gerações.
João Drummond
João Batista Drummond – João Drummond é técnico em eletrônica por profissão e poeta e autor de coração. Carioca de nascença viveu em Minas desde a primeira infância. Casado, pai de três filhos, membro da UBT, Clube de Letras e Academia de Letras de Sete Lagoas. Cônsul de Poetas Del Mundo e criado do projeto Amigos das Letras de Sete Lagoas. Tem outros sete títulos publicados.
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Pré-visualização do livro
Nhô Quim Drummond - In Memorian - João Drummond
Joaquim Dias Drummond
O Homem
O Mito
––––––––
In Memoriam
Joaquim Dias Drummond
Autor - Joaquim Dias Drummond – Nhô Quim
Capa - Foto de Quim Drummond
Arte Final - Demétrius Cotta
Numa época em que as memórias se perdem com facilidade, esquecidas em depósitos empoeirados, transformadas em lixos ou materiais descartáveis, este livro serve de alerta, para que cuidemos melhor de nosso passado.
É nele que se encontram muitas das respostas sobre este futuro incerto e desconhecido, para onde inadvertidamente caminhamos, e que com certeza teremos de dar conta um dia às futuras gerações.
Prefácio
Quando remoemos o passado de nossa infância, buscando a lembrança de fatos que pareciam perdidos no tempo, somos levados a reinterpretar estes fatos à luz de novos parâmetros e de uma nova realidade.
O primeiro sentimento que me acolhia, quando me lembrava de meu avô Nhô Quim, era um misto de respeito e medo.
A impressão de meu avô como uma pessoa muito séria e sisuda, ficara gravada de uma forma tão consistente em minhas memórias, que só este mergulho no passado, que antes não se fizera necessário, permitiu-me reconstruir uma nova visão sobre sua imagem.
Lembrei-me de meu avô e meu pai conversando, o primeiro de forma ponderada e o segundo bem a seu feitio, afoito, expansivo.
Algumas vezes capturei uma cena rara, o meu avô falando de forma séria e firme, enquanto meu pai, respeitosamente se inclinava à sua autoridade.
Ocorreu-me, após estas reflexões, que meu avô não abusava de sua autoridade, porque ela lhe era tão natural quanto os ternos que ele raramente dispensava.
Uma das palavras para descrevê-lo sucintamente seria sistemático
.
Lembrei-me das perguntas desconcertantes que Nhô Quim lançava assim do nada, como que para testar nossa perspicácia e atenção:
- Qual é a diferença entre o universo e o infinito?
E eu ficava, em minha mente de criança, a matutar a difícil questão, enquanto acentuava-me aquele sentimento de fragilidade e incapacidade diante de sua enorme sabedoria e inteligência.
- Uma se refere às coisas materiais e a outra as coisas subjetivas.
Ele mesmo respondia, após um tempo que considerasse suficiente para que eu resolvesse a questão.
Quando alguém tomava conhecimento de que eu era seu neto a reação da pessoa era tal, que me causava ao mesmo tempo, sentimentos conflitantes de orgulho e menos valia.
Meu avô era tão considerado e admirado, que fazia com que eu me sentisse inibido diante da sua gigantesca figura.
De certa feita, conversava com o inesquecível e polêmico Alfredo Valadares, conhecido pela forma às vezes, mordaz e irônica de se expressar, quando lhe disse que era neto de Nhô Quim.
O Alfredo olhou para mim diretamente e confirmou:
- Você é neto de Nhô Quim?
- Sou. (respondi orgulhoso).
E o Alfredo retrucou:
- Você nunca vai chegar a uma unha do pé do seu avô.
Tomei um susto porque senti naquelas palavras um prognostico preconceituoso e ofensivo. Respondi apenas que provavelmente não, mas que tentaria.
Só mais tarde, conhecendo a biografia do meu avô, entendi que era a forma de Alfredo Valadares prestigiá-lo e homenageá-lo.
Hoje sei que continuarei na tentativa, não de competir com ele ou querer ser mais, nunca tive esta pretensão, mas de continuar tanto quanto possível sua obra em favor da grandeza e da dignidade do ser humano.
Ainda no grupo escolar eu era encarregado pelas professoras, de cumprir o intermédio entre meus colegas e meu avô em pesquisas sobre a história da cidade.
Ele sempre nos recebia de forma gentil e atenciosa, respondendo as questões oferecidas e ampliando-as de acordo com seu espírito educador e idealista.
Olhando hoje seu retrato na parede do Casarão ou do Clube de Letras, não me sinto mais acuado em minhas expectativas pessoais, e nem sinto no seu olhar aquela reprimenda que me assombrou, em meus percalços e tropeços pela vida.
Sinto que Nhô Quim sorri para mim e sopra através das dimensões seu doce alento e aprovação.
Concede-me ainda, por uma talvez ironia do destino seu sodalício patronal, nesta cadeira de numero nove da Academia de Letras de Sete Lagoas, em defesa dos valores mais nobres e humanos que as letras podem nos oferecer.
––––––––
João Drummond
